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quarta-feira, 25 de junho de 2025

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo- coletânea

  • "Algumas histórias que não se encerram, elas repousam como brasas sob a pele, esperando o sopro certo para arder de novo, com menos dor e mais sentido."
A primeira palavra desta série foi escrita numa segunda-feira, 27 de junho de 2011. A última ainda não foi dada 
. Entre uma data e o hoje , não se passaram apenas catorze anos — passou uma vida.
Esses textos não nasceram de uma intenção literária, mas de uma necessidade vital. São crônicas, cartas, confissões e lendas pessoais e de todos que não desistem  de acreditar  na vida em meio aos espinhos da realidade 
 Pequenos mitos cotidianos que carregam mais verdade de todos,  do que biografia. Neles, o tempo dobra, o passado reaparece com outras roupas, e o coração vira personagem. Aqui, a memória não é museu, é território sagrado.
As personagens atravessam essas páginas como figuras de um velho sonho:

– uma menina que ensinou o que é o amor quando já era tarde demais;
– um jovem índio nahua que  guardava os segredos do respeito e da renúncia;;
– um escriba cansado, entre a dor e o riso, tentando salvar-se com palavras.

Não espere cronologia. Aqui, o tempo é espiral. Há textos que nascem da ausência, outros da presença insuportável. Há histórias que parecem inventadas, mas são apenas simbólicas demais para caber na realidade bruta.
Por entre as linhas, surgem sombras de mitos antigos: a fênix, que renasce de suas próprias cinzas como quem ama de novo;
Ícaro, que voou alto demais com asas frágeis, mas preferiu cair a viver rasteiro; e Paulo, apóstolo de rupturas, que aprendeu a viver com um espinho na carne, sem deixar de correr a corrida até o fim, a citação de canções  e mitos  das mitologias  possíveis  e músicas  que  carregam  histórias  dos autores  que nós  roubamos para nossa história  pessoal 
Cada texto caminha entre a vida e a eternidade, entre o que foi e o que insiste em permanecer e se tem um verbo que podemos  usar  em todo final dos textos será o esperançar de Paulo Freire. 
Porque certas memórias não morrem,  ressuscitam em palavras  motivando o caminho 

Publico esta série não é um gesto de vaidade, mas de rito. É o fechar de um ciclo. É como colocar pedras num rio para lembrar por onde se atravessou.
Quem lê, talvez se encontre. Quem já viveu, talvez entenda..

 E quem ama, saberá: respeitar o sentimento é também respeitar-se.

Bom encontro!

DNonato – graduado em História, teólogo do cotidiano, indigente do sagrado.

Não precisa de uma sequência  para essa leitura, escolha ou faça a sua 

Não precisa de uma sequência  para essa leitura, escolha ou faça a sua 

  1. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo.
  2. A Questão do Sentimento e Respeito a si mesmo II
  3. A Questao de sentimento  e o Respeito  por si mesmo III
  4. A Questão do Sentimento, Respeitsi mesmo IV
  5. Questão do sentimento, Respeito a si mesmo V
  6. Questão do sentimento, respeito a si mesmo VI
  7. Questão do sentimento, respeito por si mesmo VII
  8. Questão do Sentimento, respeito si mesmo VIII
  9. Questão de sentimento e Respeito a si mesmo IX
  10. Questão do Sentimento, Respeito por si mesmo X
  11. Questão do Sentimento, Respeito por si mesmo XI
  12. Questão de sentimento Respeito por si mesmo XII
  13. Questão do Sentimento, Respeito por si mesmo XIII
  14. Questão de sentimento respeito por si mesmo XIV
  15. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo XV
  16. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo XVI
  17. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo ​XVII​​​
  18. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo XVIII.
  19. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo XIX.
  20. A Questão do Sentimento e o Respeito a si mesmo XX.
  21. A Questão do sentimento e o respeito a si mesmo XXI
  22. A Questão do sentimento e o respeito a si mesmo XXII
  23. A Questão do sentimento e o respeito a si mesmo XXIII
  24. A Questão do sentimento e o respeito a si mesmo XXIV
  25. A Questão  do sentimento  e o Respeito  por si mesmo - XXV
  26. A questão do Sentimento e o respeito por si mesmo XXVI
  27. A Questão  de sentimento  e Respeito  por si mesmo  XXVII..
  28. A Questão do sentimento e o respeito a si mesmo XXVIII
  29.  A Questão  do Sentimento  e Respeito  a si mesmo  XXIX
  30. A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXX
  31.  Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo – XXXII
  32.  Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXXI
  33.  Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXXIII
  34.  Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXXIV
  35. Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXXV
  36. Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXXVI

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XXV

Quando resolvi interromper a escrita sobre o sentimento, lá em 2018, não foi desistência. Foi um silêncio urgente, pesado — um afastamento necessário para enfrentar emoções que gritavam por dentro, mas que eu ainda não conseguia traduzir em palavras. Era como se algo se rompesse no peito, algo que eu não podia nomear, mas que me exigia recuar para não me perder. Uma fuga com destino — a música. Passei a colocar minha voz em algumas canções no canal do YouTube. (Visite nosso canal) Canções no quadro Caminhos da Tradução que falam daquilo que todos temos, mesmo que não confessemos: frustração.

Frustração por ter acreditado, apostado, lutado por um projeto que não vingou. Mas seguimos. Sempre seguimos. É assim que a vida é. Somos homens e mulheres feitos de emoção — e essa emoção pode nos lançar ao céu ou ao inferno. Isso nos distancia dos anjos. Mas também pode nos tornar divinos, se aprendermos a cavalgar esse turbilhão. Amar alguém não pode nos apagar, não pode nos transformar em zumbis sentimentais.

Amar envolve presença, atitude, corresponsabilidade. E vice-versa.

Como eu disse em 2018, vítimas somos todos. Daquilo que escolhemos, ou daquilo que a vida nos impôs.  Aquele velho ditado:  “quando um não quer, dois não brigam”  talvez precise ser corrigido: quando um não quer, os dois ficam feridos. A briga por amor, ou por puro orgulho, tem empurrado tanta gente para as trevas da solidão...

E às vezes, o caminho da luz está ali, fácil, claro — mas o medo ou o ego não deixam a gente atravessar. Foi nesse tempo que surgiu a canção “All of Me”, de John Legend. Não foi escolha aleatória. Foi pedida com o coração. Com intenção. A letra dizia tudo o que, talvez, já não cabia mais nas conversas.

“Tudo de mim ama tudo em você”, é isso que canta quem se entrega. Quem já foi ao fundo do sentimento e voltou com as mãos cheias. 

Não se trata de um amor perfeito. Muito menos de um amor fácil. É aquele tipo que dá paz e depois bagunça tudo. Que acolhe e depois exige. Que assusta e cura. 

E, sim, infelizmente, o casal que pediu a tradução da canção não ficou junto. Mas a música ficou. A tradução também.

E talvez o amor — esse que não se apaga — ainda esteja por aí, suspenso no tempo, esperando a hora certa.

Porque quando uma canção te traduz, é porque ela te conhece por dentro. E quem se reconhece numa canção, nunca está sozinho. Que não nos falte coragem — a nós, a quem nos lê — de viver um amor de verdade. 

Mesmo que doa. Mesmo que tarde. 

Mesmo que seja preciso recomeçar.

Não deixe de ler: 
Visite a Playlist: Caminhos da Tradução

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - III


"Não tenho tempo de odiar os que me odeiam, estou ocupado demais amando quem me ama
"[1
].

Começamos com essa frase por tudo o que ainda pulsa em nosso ser, mesmo depois de tudo o que já enfrentamos. Mas parece que não entendeste: a verdade é como o sol[2]. Ela insiste em permanecer, mesmo nos dias nublados ou nas noites mais escuras, e jamais perde o seu brilho.

Disseste que somos como uma moeda de duas faces, ou que agimos de um jeito de dia e de outro à noite. Mas não há dualismo em nós[3]. Já te dissemos: ou caminhas conosco, ou nos deixas de vez. Não nos deixes à mercê dos teus caprichos ou da tua vontade infantil.

Quem sente o que dizes sentir, não pode agir como tens agido — nem contigo mesma, nem com os outros que orbitam teu espaço[4]. Não se fere quem te quer bem. E não se deve falar com arrogância, afirmando que não nos deves nada. Se havia algo a pagar, já foi quitado. Estamos em paz com o passado.

O que aconteceu... ficou para trás. E agora, ou recomeçamos, ou nos despedimos. Sim, foi isso que teu comportamento nos revelou: um dia dizes que nos queres, no outro, que estás cansada de tudo — como se nada valesse a pena.

Mas foste tu quem iniciou tudo isso. Omitiste um fato, e nós — tolos — quisemos acreditar que tudo era mentira, que a verdade estava em tuas palavras, que nosso sentimento era puro, que teu carinho era real e o resto, ilusão. Agora, dizes que enlouquecemos — no sentido pejorativo — e que descobriste nossa “face oculta”, considerando-nos perigosos.

Lembras-te? Tudo começou com uma omissão. A partir dela nasceu a nossa insegurança. E agora, para confiar outra vez, são necessárias provas. Precisamos que nos catives[5], que nos convenças do contrário daquilo que outros já nos mostraram — daquela verdade que não queríamos enxergar: tu mentiste. Tentaste nos enganar. Não conseguiste.

Hoje, não há mais como voltar. O espelho que refletia sinceridade e beleza — aquela que nos cegava — está quebrado. Os cacos, agora, revelam não mais encanto, mas as falhas e omissões do teu ego.

Sabemos da tua confusão. Sabemos o quanto deve ser difícil seguir como se nada tivesse acontecido, como se tudo pudesse parar por aqui. Mas o ser humano não controla inteiramente seus desejos, sua vontade ou sentimentos. Ele apenas sente, vive... e tenta não se perder no redemoinho do próprio egoísmo.

É isso que estamos tentando evitar: o descontrole daquilo que não pode — ou não deve — ser controlado apenas com a razão. Assim é o nosso sentimento: sofremos quando só queríamos amar. Machucamos quando somos amados. E, tantas vezes, somos ingratos com quem merecia apenas ternura.

Hoje, conhecemos o céu — nos olhos e na presença de uma criança que foi, é e sempre será desejada e profundamente amada. Tudo o que somos, se o somos de verdade, tem nela o motivo principal — senão o único.

Não queremos o passado de volta. Não precisamos dele. Especialmente pela dor que nos causou. A alma foi torturada pelos algozes da vida alheia. E o coração, pisoteado por quem devia protegê-lo.

Já te dissemos uma vez[6]: temos pena da tua prisão — essa que insistes em pintar de dourado. Enganas-te com uma liberdade aparente e com uma alegria que, se existe, é efêmera.

Desculpa. Não queremos te ferir. Mas depois de conhecer tua realidade de perto, não conseguimos mais fingir. Tu te enganas. Enganas também os que te cercam. E continuas a tentar convencer a ti mesma de uma felicidade que, se não é nula, é fabricada.

Nós estamos aqui. Não podemos dizer que somos felizes. Mas tampouco somos escravos de uma ilusão. Ainda somos livres 

Sabemos que logo tu serás apenas uma cicatriz. Um pequeno espinho do passado[7]. Tudo que hoje ainda dói, um dia será apenas memória.

E enquanto esse dia não chega, escolhemos a solidão como companheira. Não para fugir, mas para não enganar ninguém — e, sobretudo, para não nos enganarmos. Vivemos a cada dia como um mercenário: cada dia tem sua luta própria[8].

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Notas de rodapé

[1] Renato Manfredini Júnior — Renato Russo (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996), um dos maiores nomes da música brasileira.
[2] Cf. A Questão do Sentimento e o Respeito a Si Mesmo II, de 09/11/2011.
[3] Cf. Dualismo Simplesmente, de 17/09/2010.
[4] Cf. idem nota 2.
[5] Cf. A Questão do Sentimento e o Respeito a Si Mesmo, de 27/06/2011.
[6] Cf. idem nota 2.
[7] Cf. idem nota 2.
[8] Cf. Livro de Jó 7,1-4.6-7.

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DNonato – Leigo católico, graduado em História; vivendo a cada dia como um mercenário: cada dia tem sua luta própria.


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