- Padre Zezinho Scj, a gratidão de um discípulo formado pela sua missão
A partir do próximo domingo , dia 2 de agosto silenciarei na internet, na qual entrei a conselho de bispos e de um irmão de congregação . Apenas conversarei com meus 100 catequistas da WhatsApp . Devo isso a eles ! Não sei se voltarei às outras redes sociais . Cansei de ser chamado “câncer da Igreja” por pregar a Teologia da Libertação devidamente corrigida por São João Paulo II em carta de 9.4.1986 sendo eu discípulo do advogado e sociólogo Padre Dehon , lutei em defesa da Doutrina Social da Igreja ( DSI) . Outros irmãos de outra corrente social gritaram mais alto do que eu ! Foram 60 anos tentando dialogar sobre catequese católica !
Não fiquei padre para ouvir o que ouvi e li no dia 19 de julho ! Quem postou aquele confronto e a maneira como foi postado quis me cancelar e alcançou seu objetivo ! Reitero minha opinião de que a catequese deve ser sempre gentil , mesmo dizendo verdades exigentes .
Ao recordar os Boanerges, os "filhos do trovão", que desejaram fazer cair fogo do céu sobre aqueles que pensavam diferente, Padre Zezinho trouxe à memória a resposta do próprio Jesus, que repreendeu aquele espírito de intolerância. Em tempos marcados por radicalismos, polarizações e discursos violentos, essa reflexão é profundamente evangélica e extraordinariamente atual. Ela nos lembra que o discípulo de Cristo não é chamado a vencer discussões, mas a testemunhar o amor que brota do Evangelho.. Ao longo de mais de seis décadas de ministério sacerdotal, Padre Zezinho permaneceu fiel a esse princípio. Sacerdote do Sagrado Coração de Jesus, compositor, escritor, comunicador, pregador e catequista, tornou-se um dos maiores evangelizadores que a Igreja no Brasil conheceu. Sua missão ultrapassou fronteiras. Suas músicas foram traduzidas, gravadas e cantadas por inúmeras comunidades. Seus livros formaram gerações de catequistas, ministros, religiosos, seminaristas, padres e leigos. Seus artigos ensinaram milhares de pessoas a pensar a fé, enquanto seus programas de rádio levaram esperança a incontáveis famílias.
Mais do que produzir canções ou escrever livros, Padre Zezinho ajudou a traduzir para a linguagem do povo a riqueza do Concílio Vaticano II. Mostrou, com palavras simples e profunda fidelidade ao Magistério da Igreja, que ela é chamada a ser Mãe e Mestra, missionária, acolhedora, misericordiosa e profundamente humana. Ensinou que fidelidade ao Evangelho jamais significa intolerância e que a verdade de Cristo caminha sempre de mãos dadas com a caridade..Por isso, sua despedida das redes sociais não é um ponto final. É apenas o encerramento de uma etapa de uma história que continuará sendo escrita na vida daqueles que foram formados por sua missão.
Particularmente cheguei à Igreja Católica aos 17 anos de idade, na década de 1990. Era um jovem em busca de ideal, de um projeto, na verdade buscava Deus, precisava de respostas e de um sentido para a vida, como tantos outros, procurava algo que desse direção à minha existência. Foi na Igreja que encontrei Jesus Cristo e, pouco tempo depois, tive a graça de ser chamado para servir como Ministro da Palavra. Começava ali uma caminhada de fé, de estudo, de oração e de serviço ao povo de Deus..Naquele tempo, eu ainda não imaginava quantas pessoas Deus colocaria em meu caminho para ajudar na minha formação. Entre todas elas, uma ocupa um lugar muito especial: Padre Zezinho.
Conheci primeiro sua voz. Depois vieram as músicas, os livros, os artigos, os LPs, naquele tempo ainda era os LPs e as reflexões. Sem perceber, eu estava sendo catequizado por um sacerdote que conseguia unir profundidade teológica, fidelidade à Igreja, amor à Sagrada Escritura, sensibilidade humana, compromisso social e uma linguagem simples, acessível e profundamente cristã..Com o passar dos anos, compreendi que Padre Zezinho nunca foi apenas um compositor, mas um educador da fé e nunca foi apenas um cantor. Ele é um catequista, também nunca foi apenas um escritor, na verdade é um mestre que ajudava e ajuda o povo de Deus a pensar, rezar e viver o Evangelho.
Foi por meio de sua obra que descobri uma verdade que levo comigo até hoje: a música também pode evangelizar, pode formar consciências, ensinar teologia, despertar vocações, fortalecer famílias, alimentar a esperança e aproximar as pessoas de Jesus Cristo. Sem exagero, posso dizer que minha formação como jovem católico, como Ministro leigo comprometido com a Igreja foi profundamente marcada pela riqueza espiritual, humana e catequética de sua missão. Foi ela que ajudou a moldar minha maneira de compreender a fé, viver a Igreja e anunciar o Evangelho. Foi justamente por isso que, ao saber de sua despedida das redes sociais, senti a necessidade de escrever estas palavras. Não apenas para agradecer por sua trajetória, mas para testemunhar que sua missão continua viva na história de inúmeras pessoas.
Jamais imaginei que Deus ainda me concederia uma graça maior: encontrá-lo pessoalmente. Antes desse encontro, porém, sua obra já havia se tornado presença constante na minha caminhada de fé. E sua obra carrega um convite à conversão, à oração e ao compromisso com o Evangelho. Suas músicas não são apenas melodias bonitas, mas verdadeiras reflexões sobre Deus, sobre a vida humana e sobre a missão cristã no mundo e sem perceber, fui sendo formado também por suas canções, que acompanharam diferentes momentos da minha história de fé.
Como não agradecer ao Mestre Padre Zezinho SCj as musicas, os textos aa reflexões e tudo mais. Como não lembrar de;
- "Maria de Minha Infância" que despertou em mim um profundo amor filial pela Mãe de Jesus. Por meio daquela canção, Maria deixou de ser apenas uma personagem da história da salvação para tornar-se uma presença materna na minha vida espiritual.
- "Mãe do Céu Morena" que me abriu um novo horizonte. A curiosidade despertada por essa música levou-me a conhecer a história de Nossa Senhora de Guadalupe, sua aparição a São Juan Diego e a riqueza espiritual da Padroeira das Américas..Com o passar dos anos, essa descoberta transformou-se em devoção. Hoje, com alegria, posso dizer que sou guadalupano. Minha devoção à Virgem de Guadalupe nasceu, em grande parte, porque essa canção abriu meu coração para conhecer essa manifestação tão bonita do amor de Deus através de Maria. Talvez Padre Zezinho jamais tenha imaginado quantas histórias semelhantes nasceram por causa dessa música. Na minha vida, ela foi muito mais do que uma composição: tornou-se um caminho de evangelização.
- "Oração pela Família" ensinou-me que a família é uma verdadeira Igreja doméstica, onde o amor, o diálogo, o perdão e a oração sustentam a vida cotidiana. Em tempos de tantas dificuldades para as famílias, essa canção continua lembrando que a presença de Deus dentro do lar é fonte de força e esperança.
- "Família do Brasil" ampliou meu olhar, mostrando que o Evangelho não se limita às paredes de nossas casas. A família cristã também possui uma responsabilidade diante da sociedade, chamada a promover o cuidado com o próximo, a solidariedade e o compromisso com o bem comum.
- "Jovem Galileu". Nela encontrei um Jesus próximo, humano e amigo, capaz de caminhar ao lado dos jovens e continuar fazendo o mesmo convite de sempre: "Vem e segue-me." Não era um Cristo distante, mas o Mestre que chama cada pessoa para uma vida nova.
- Cristo Inconstante e Meu Cristo Jovem, lançado em dois LPs de reflexão, obras que guardo com especial carinho. Elas ajudaram-me a compreender que seguir Jesus exige conversão permanente.
- Em "País Paraplégico", conheci uma dimensão muito pessoal de sua história. Ao transformar a experiência vivida com seus pais em uma reflexão sobre dignidade, perseverança, amor e esperança, mostrou que a dor, quando iluminada pela fé, pode tornar-se testemunho.
- Em "Briga com Deus", encontrei uma das mais belas expressões da dor humana transformada em oração. Ao narrar o sofrimento de pais que perderam um filho, mostrou que a fé não elimina as lágrimas nem proíbe as perguntas. Como Jó, Jeremias e tantos salmistas, também podemos apresentar nossas dores diante de Deus. Essa canção ensinou-me que até o silêncio de Deus pode se transformar em lugar de encontro com Ele.
Outras músicas ampliaram meu olhar sobre as exigências do Evangelho.
- " Mais um Irmão" despertou em mim a consciência de que seguir Cristo significa defender a vida, promover a paz e reconhecer a dignidade de toda pessoa humana.
- "Menores Abandonados" fez-me compreender que a opção pelos pequenos, pelos pobres e pelos esquecidos pertence ao coração da Boa-Nova anunciada por Jesus.
- "A Verdade Vos Libertará" e "A Verdade é Bem Maior" ensinaram-me que a verdade do Evangelho está acima de nossas preferências pessoais, ideológicas ou partidárias. Cristo continua sendo a Verdade que liberta e conduz à verdadeira liberdade.
- "Estou Pensando em Deus" transformou-se em oração.
- "Chuva no Telhado" mostrou-me que Deus também se revela na simplicidade do cotidiano, quando chove e estou bem abrigafo e meu irmão sem um lugar para morar, nos pequenos gestos e no silêncio.
- "Quando Jesus Passar" fortaleceu minha esperança, lembrando-me de que um encontro verdadeiro com Cristo é capaz de transformar completamente uma existência.
- "Amar Como Jesus Amou" tornou-se, para mim, uma síntese do próprio Evangelho: não existe verdadeira espiritualidade cristã sem amor, porque o amor é o caminho deixado por Jesus.
Na mensagem com que Padre Zezinho se despede das redes sociais, reconheci exatamente essa mesma esperança. É a continuidade de tudo aquilo que ele sempre cantou, escreveu e testemunhou ao longo da vida e é assim que compreendo que Padre Zezinho nunca escreveu simplesmente canções religiosas. Fez teologia em linguagem popular, transformou poesia em catequese, música em evangelização e arte em formação humana e cristã. Milhões de pessoas aprenderam a rezar, a amar a Igreja e a seguir Jesus Cristo por meio de sua missão e posso afirma que: Eu sou uma delas.
Depois de tantos anos de caminhada ouvindo suas músicas, lendo seus livros e sendo formado por suas reflexões, Deus concedeu-me uma graça que guardo com profundo carinho: conhecer pessoalmente Padre Zezinho. Nas celebrações do Jubileu de Ouro da criação da Diocese de Nova Iguaçu em 2010, tive a alegria de participar de um momento que jamais esquecerei. Fui responsável por conduzi-lo ao local do show comemorativo daquele jubileu e traze-lo, esta no palco fazendo a algumas fotos pra Diocese. Para muitos, poderia parecer apenas uma tarefa de organização, mas para mim, porém, foi um presente de Deus.
Ali, eu não estava simplesmente acompanhando um sacerdote conhecido em todo o Brasil, estava convivendo, ainda que por poucas horas, com alguém que já fazia parte da minha história de fé muito antes daquele encontro. As canções que marcaram minha juventude, os livros que alimentaram minha formação e as reflexões que tantas vezes iluminaram meu caminho agora ganhavam o rosto de uma pessoa que eu podia ouvir, observar e conhecer de perto, e era mesmo padre, alguém perto e real. Ele não é personagem de palco, ele é único
Aqueles dias ficaram gravado em minha memória não apenas pelo evento, pelo palco ou pela multidão que aguardava sua chegada, mas, sobretudo, pelos momentos simples que compartilhamos. Sentamo-nos à mesma mesa no café da manhã, no almoço e no jantar, nao teve ego de pop star. Foi justamente nessa convivência cotidiana que confirmei aquilo que durante tantos anos havia percebido em suas obras. Por trás do compositor admirado, do escritor reconhecido e do evangelizador que alcançou milhões de pessoas havia um sacerdote simples, acolhedor e profundamente humano. Ele conversava com naturalidade, tratava todos com respeito e demonstrava uma serenidade que não precisava de discursos para se revelar, a simplicidade que transparecia em suas músicas também estava presente em seus gestos.
Guardo com especial carinho uma lembrança daquele café da manhã. Em razão do diabetes, Padre Zezinho comentou sobre os cuidados com a alimentação e disse, de maneira muito espontânea, que o açúcar era um veneno no café da manhã e que todo excesso acaba fazendo mal. À primeira vista, parecia apenas uma observação sobre hábitos alimentares, no entanto, aquela frase carregava uma sabedoria que ia muito além da mesa, quando tomo café e coloco açúcar. Lembro dessa frase e naquele instante compreendi, mais uma vez, que a fé cristã toca a vida concreta. Ela se manifesta também nas pequenas escolhas, no equilíbrio, na prudência, no cuidado consigo mesmo e com os outros...Era a mesma coerência que eu encontrava em seus livros e canções: um Evangelho vivido no cotidiano, sem artificialismos, sem espetáculo e sem distância da realidade.
Ao final daquele dia, saí com uma certeza ainda mais profunda: A grandeza de uma pessoa não se mede apenas pelo número de livros escritos, de discos gravados ou de pessoas que a conhecem. Mede-se, sobretudo, pela maneira como ela trata quem está ao seu lado quando os holofotes não estão acesos.
O Padre Zezinho que encontrei naquele jubileu era exatamente o mesmo que eu conhecia por meio de suas músicas: um homem de fé, sensível ao sofrimento humano, apaixonado por Jesus Cristo e comprometido com a missão de evangelizar..Não havia diferença entre o sacerdote do palco e o sacerdote da mesa; entre o comunicador admirado e o homem simples do convívio cotidiano. Essa coerência talvez seja um dos maiores testemunhos que sua vida oferece à Igreja e por isso, quando leio a sua decisão de deixar as redes sociais, lembrei-me imediatamente daquele dia. Compreendi que os instrumentos de comunicação podem mudar, mas o testemunho permanece. As redes sociais deixam de receber suas publicações, mas sua presença continua viva em cada comunidade que canta suas músicas, em cada catequista que utiliza seus livros, em cada jovem que reencontra a esperança por meio de suas palavras e em cada família que aprende, com suas canções, que amar é o caminho do Evangelho.
Sua vida inteiramente dedicada a Cristo não termina quando uma atividade chega ao fim. Ela continua produzindo frutos na existência de todos aqueles que foram alcançados pelo testemunho de quem viveu para anunciar o Reino de Deus. É por isso que Padre Zezinho não está encerrando uma missão. Apenas conclui uma etapa de um ministério que continuará ecoando na memória, na fé e no coração de milhões de pessoas.
Ao chegar ao fim desta homenagem, percebo que ela fala tanto sobre Padre Zezinho quanto sobre a ação de Deus na minha vida e daqueles que ele ajudou a formar. Quando olho para minha própria caminhada, reconheço que muitas das sementes lançadas em meu coração chegaram por meio de sua missão. Deus serviu-se de suas canções, de seus livros, de seus artigos e de seu testemunho sacerdotal para fortalecer minha fé, ampliar minha compreensão do Evangelho e ensinar-me que seguir Jesus Cristo é um caminho de conversão permanente. Ao longo de mais de seis décadas de ministério sacerdotal, Padre Zezinho mostra a milhares de pessoas que é possível anunciar a verdade sem abrir mão da caridade, defender a fé sem transformar o altar em tribuna de ataques e exercer uma voz profética sem perder a ternura.
Vivemos tempos em que tantos utilizam a religião para alimentar divisões, ressentimentos e intolerâncias, seu testemunho permanece como um convite a redescobrir o coração do Evangelho: o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. Foi ouvindo suas canções, lendo seus livros e acompanhando suas reflexões que compreendi, cada vez mais, que a Igreja é chamada a ser sinal de comunhão, misericórdia e esperança. Uma Igreja que acolhe sem relativizar a verdade, que corrige sem humilhar, que evangeliza sem condenar e que jamais deixa de enxergar, em cada pessoa, um filho amado de Deus. Essa talvez seja uma das maiores marcas de sua missão. Padre Zezinho nunca apresentou um cristianismo baseado no medo, na agressividade ou na exclusão. Sempre apontou para uma fé profundamente humana porque profundamente enraizada no Evangelho. Por isso, sua voz continuará necessária, mesmo que já não esteja presente diariamente nas redes sociais.
Obrigado, Padre Zezinho, por tudo o que o senhor plantou na Igreja do Brasil e além de suas fronteiras, pelas canções que se transformaram em oração, pelos livros que se transformaram em formação, pelos artigos que despertaram reflexão, pelas palavras que iluminaram consciências e pelo testemunho sacerdotal que mostrou que é possível permanecer fiel a Cristo sem perder a simplicidade, a sensibilidade e a humanidade, por ter ajudado a formar minha caminhada de fé desde aquele jovem de dezessete anos que chegou à Igreja em busca de sentido para a vida e encontrou, no serviço como Ministro da Palavra, uma vocação de leigo comprometido com o Reino de Deus.
Obrigado!
Hoje, olhando para trás, reconheço, com profunda gratidão, que uma parte importante dessa história também foi construída pela sua presença. Peço ao Sagrado Coração de Jesus, a quem Padre Zezinho consagrou sua vida como religioso dehoniano, que continue sustentando sua saúde, sua paz e sua missão. Peço também à Virgem de Guadalupe, cuja devoção floresceu em meu coração por meio de uma de suas canções, que continue intercedendo por sua caminhada com ternura de Mãe.
Padre Zezinho deixa as redes sociais, mas permanece onde sempre esteve: na memória agradecida da Igreja, nas comunidades que continuam cantando suas músicas, nos catequistas que formam novas gerações, nas famílias que rezam inspiradas por suas composições e no coração de milhões de pessoas que aprenderam, por meio de sua missão, que anunciar Jesus Cristo é anunciar também a misericórdia, a verdade e o amor.
Os verdadeiros evangelizadores não desaparecem quando deixam os holofotes. Permanecem vivos nas vidas que ajudaram a transformar, na fé que despertaram, nas vocações que inspiraram e nas sementes do Reino que lançaram ao longo do caminho.
Muito obrigado, Padre Zezinho.
Que Deus continue abençoando sua vida e recompense, com a abundância de sua graça, todo o bem que o senhor realizou e continua realizando na Igreja. E que suas palavras, que atravessaram gerações e chegaram ao coração de tantas pessoas, continuem ecoando como um convite para todos nós:
"Continuemos gentis, iluminados e iluminadores."
DNonato - Ainda aprendendo a amar como Jesus amou.




