quinta-feira, 31 de maio de 2012

Corpus Christi para transmitir ao mundo


Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51)
A solenidade de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV, por meio da bula Transiturus de Mundo (“Para transmitir ao mundo”), determinando que esta festa acontecesse na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, entre os dias 21 de maio e 24 de junho.
O desejo do Papa Urbano IV era propagar com mais intensidade o Mistério do Altar, inspirado nas visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que em 1244 começou a ter experiências místicas com Cristo Eucarístico. Após cinco anos de estudo e discernimento, o Papa decretou oficialmente a celebração da solenidade em 1269.
Contudo, como não havia internet nem meios modernos de comunicação, o decreto teve pouco alcance. Além disso, o Papa faleceu um mês após a promulgação da bula, o que retardou a sua difusão. Mesmo assim, algumas dioceses mantiveram a celebração, como a de Colônia (Alemanha), que inovou ao incluir a Procissão Eucarística no ano de 1270 — tradição que permanece até hoje. A festa se espalhou pela Alemanha, França e, somente a partir da segunda metade do século XVI, passou a ganhar importância em Roma.

Mistério de Fé

A Eucaristia não é apenas um símbolo — é um sacramento. E sacramento é aquilo que significa o que realiza, não aquilo que aparenta ser. Jesus está presente de forma real, inteira e substancial no pão e no vinho consagrados, com toda a sua humanidade e divindade. O mesmo Deus que se encarnou no ventre de Maria, na pequena Nazaré, há dois mil anos, se faz presente hoje nos altares do mundo.
Um dos registros mais antigos da instituição da Eucaristia encontra-se na carta de São Paulo aos Coríntios:

“Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.’ Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim.’ Assim, todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (1Cor 11,23-26).
O Catecismo da Igreja Católica reafirma esta doutrina com clareza: “Pela consagração realiza-se a conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no Sangue de Cristo. Esta conversão denomina-se, de maneira apropriada e exata, transubstanciação” (CIC, n. 1376).

Sinais que confirmam a fé

Ao longo da história da Igreja, muitos sinais e milagres têm confirmado essa presença real. O mais antigo e conhecido é o Milagre de Lanciano, no século VIII. Conta-se que um monge da Ordem de São Basílio, cheio de dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia, celebrou a Missa e, no momento da consagração, viu a hóstia tornar-se carne viva e o vinho converter-se em sangue vivo.
Somente em 1586 a Igreja reconheceu oficialmente este milagre. A carne permaneceu com textura fibrosa e coloração rosada, e o sangue coagulado em cinco fragmentos, que ao serem pesados juntos ou separadamente, misteriosamente têm o mesmo peso.
Em 1970, os Frades Menores Conventuais submeteram as relíquias a rigorosa análise científica, que concluiu:

“A carne e o sangue são de um ser humano vivo, do tipo sanguíneo AB, o mesmo tipo do Santo Sudário. A carne corresponde ao tecido do miocárdio (coração), contendo inclusive o nervo vago e o ventrículo esquerdo. Não há explicação científica para a conservação da carne e do sangue por mais de doze séculos em estado natural.”

Experiência viva e atual

Mas a Eucaristia não é apenas um dado do passado — é presença viva. Um exemplo concreto disso aconteceu com um jovem, oriundo de uma comunidade pentecostal. Ele dizia que a liturgia católica era apenas simbólica, sem fundamento bíblico. Lemos juntos João 6,53-57: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia...”
Ele não se convenceu. Não nos encontramos mais. Anos depois, esse mesmo jovem foi a uma festa na casa de um amigo, aqui no Rio de Janeiro, e soube que a família participaria da Missa em ação de graças pelo aniversário do filho. Curioso, foi com sua Bíblia de capa preta, pronto para criticar a “idolatria católica”.

Mas algo aconteceu. No momento da consagração, uma luz intensa tomou o ambiente, ele descreveu como o brilho do sol ao meio-dia. Tentou “repreender em nome de Jesus”, mas foi tomado por uma paz inexplicável. Chorou. Recordou da nossa conversa e da transfiguração do Senhor. Como Saulo, foi tocado por Cristo. Anos depois, nos reencontramos. Ele se aproximou e disse: “Hoje sou Católico. Agora eu entendi. A Igreja Católica se fundamenta em Jesus Vivo e Ressuscitado.”

Esse milagre interior ocorreu mais de uma vez — em diferentes paróquias, sempre no momento da consagração.

 “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus” (Ef 2,20).

Há outros tantos sinais da presença real de Cristo na Eucaristia no mundo de hoje. Como afirmou São João:
 “Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez; se cada uma fosse escrita, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se escreveriam” (Jo 21,25).
A Eucaristia é a certeza de que Jesus está conosco. É Ele quem nos alimenta, sustenta, perdoa e fortalece. Como está escrito no Evangelho de Mateus:

 “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).


DNonato
Teólogo do cotidiano

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Carta de São Paulo aos Filipenses


São Paulo como escrevemos anteriormente  e uma das figuras que mais se destacou na origem da   Igreja Primitiva. 
Ela que existe pela Misericórdia do  Senhor Deus,  Uno e trino, que elegeu  e elege homens como  Paulo de Tarso para a Missão de propagar esse Projeto.  O texto apresenta uma das situações em que o homem Paulo sofreu e também demostra que ele nunca trabalhara isolado, sempre contou com  uma equipe.
Algumas Considerações: Estamos  buscando  uma  reflexão sobre a Epístola de São Paulo a comunidade de Felipo,  tentamos responder de forma simples  e resumida as seguintes perguntas:   
1 - Qual  a situação  de  Paulo?
2 - Qual o motivo que  o levou a  escrever a Comunidade de Felipo?
3 - Qual rosto de Cristo que Paulo Apresenta? 
De acordo com as fontes da própria carta Paulo estava preso  e   a mesma foi escrita por volta de  59-61 dC, durante sua  primeira prisão,  pois, em 1,13-17 ele e refere a guarda pretoriana  e em 4,22   se refere aos que estão na casa de Cezar. Quem transporta a carta até comunidade é o jovem  Epafrodito, que fora enviado pela comunidade de Felipo para cooperar com o Apóstolo Paulo  ficando doente e por isso  e enviado de volta para a comunidade.    Nesta carta temos uma das frases mais citadas pelos cristão:


  • “Para mim viver é Cristo e o morrer é lucro” [1] 
  Na carta Paulo agradece pelo apoio  e faz sua orientação pastoral como podemos ver na citação acima. Paulo expressa confiança, em harmonia com as orações deles, de ser liberto do encarceramento e   de poder visitá-los de novo.[2]  Sabe que, se  continuar  vivo  poderá  ser útil para eles, embora aguarde ansiosamente o tempo em que Cristo o receberá junto de si.[3]  Outro motivo que leva paulo a escrever e dizer para comunidade que enviará Timóteo[4]

  • “Irmão, ocupai-vos com tudo que é verdadeiro e nobre, puro, amável, honroso,virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor.”[5]
  Ele tinha a condição Divina 
não considerou o ser igual a Deus...[6]
Paulo fala de um ser Divino que fez uma Kénosis pela Humanidade, que se faz um de nós por amor.  Esse escrito  Paulino nos recorda o texto do servo sofredor de Isaias:

·           Ofereci o dorso aos que me feriam e as faces aos que me arrancavam a barba, não ocultei o rosto às injurias e aos escarros[7]    

Contudo,  queremos recorda que no contexto dos filipense, todos ou melhor a maioria pertenciam a condição de cidadãos romanos,   tinham todos os direitos de Roma.  Paulo faz uma catequese recordando a condição do Cristo servidor que não se apega a honrarias, sem dizer ele fala que devemos ser outro Cristo na condição divina do Amor e do Serviço e nos aprensenta o nome que deve ser honrado por todos.  
    • Que todo joelho se dobre dos seres celeste e terrestres e, para glória de Deus Pai toda lingua confesse:Jesus é o Senhor [8]

[1] Filipense: 1,21
[2] Fililipense 1:19; 2:24
[3] Fililipense 1:21-25
[4] Filipense: 2,19-23
[5] Filipense: 4,8
[6] Filipense: 2,6s
[7] Isaias 50,6
[8] Felipense: 2, 9-11

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não faça da minha vida uma Vida Comum

Sei  como é a dor de uma saudade, sei da dor de uma partida e como é difícil chegar até aqui. Esse vídeo apresenta um dualismo entre a letra e as imagens revelando algumas belezas das estradas de Goiás, foto feitas por minha pequena filha Desirée. Menina que demorou oito anos para saber que eu morria de Saudade. Vivi  na prisão sem muro de um passado que não foi planejado,  quando ela se  foi  e não disse  adeus.  Eu lutei e me esforcei pra encontra-la  e  essas fotos é uma boa lembrança de tudo que vivemos naquele encontro.  Agora  tenho me esforçado para não perde-la de novo, embora hoje não saiba  em que  parte do Brasil  de fato ela esteja no momento. 
Quando ouvi essa canção resolvi dizer que não preciso que minha vida
  seja comum

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - IV


Sinta o peso. Esse fardo temporal que, como as correntes de Cronos, comprime a própria alma. O que pulsa em sua decisão neste instante ecoa a sacralidade de um oráculo. Olhe para o rio da vida que escorre... 

Você também se reconhece, porventura, erguido na própria hybris, negando as sombras de escolhas passadas?
No silêncio espectral de sua mente, onde a farsa se revela, o castelo de cristal que você ergueu – quimera de um Ícaro moderno – desmorona. Um usurpador, ciente da própria culpa, jamais provará a doçura da gratidão na taça da vítima. Se ainda acalenta essa ilusão, enquanto o destino, implacável como Nêmesis, o confronta, e você crê que olvidaríamos o labirinto de dor que semeou em nossa jornada, porventura nos imagina cativos, à espera de seu retorno, prisioneiros nas sombras de seu Érebo pessoal? Ledo engano. Escolhemos a liberdade severa da solitude, renunciando ao canto fugaz das sereias de um sentimento insensato, trilhando caminhos onde seus omina caíram em solo árido.
Os caminhos da vida nem sempre se alinham aos nossos desejos; talvez a Nêmesis do destino o alcance agora da pior forma possível. Você foi advertido de que sua chegada poderia ser tardia demais, contudo, preferiu fechar os olhos aos sinais, como Cassandra amaldiçoada.
As emoções que outrora o envolveram ressurgiram, e não houve máscara capaz de ocultá-las do nosso olhar onisciente.
Seus olhos brilharam, e sua essência irradiava em nossa presença, como uma efêmera epifania. Lamentamos profundamente informar que a oportunidade de retornar à senda antiga que o guiaria à felicidade se esvaiu como a areia entre os dedos, selando seu destino, tal como um decreto dos doze olímpicos. A morada que você abandonou repousa intacta, guardando apenas uma significativa alteração: os ferrolhos e fechaduras foram substituídos, erguendo barreiras como as muralhas de Roma, selando qualquer tentativa de perturbar a jornada que agora nos define.

Desfaça a quimera de nossa dependência. Não ansiamos reviver os espectros do passado, fantasmas do seu Inferno pessoal. Mergulhe na análise de suas emoções, perscrute a profundidade de seu íntimo, buscando talvez uma tênue redenção. Estivemos aqui, em compasso de espera, e sua ausência no momento crucial selou seu destino conosco, como uma profecia autocumprida. Comunicamos-lhe que o perdão pelas suas transgressões foi concedido, mas neste momento, quem o absolverá da dor que você mesmo se infligiu, perante o tribunal da própria consciência?
A essência de tudo reside no sentimento, fio condutor da alma, como o labrys do destino. Quando ele floresceu, você escolheu o distanciamento, como um exílio voluntário. Suas ações nos fizeram verter lágrimas em momentos destinados ao sorriso e à celebração de cada vitória, maculando nosso ágape. Entregue ao egoísmo, você agora revela sua verdadeira índole, buscando o retorno àqueles que um dia relegou ao abandono, como um Sísifo fadado à repetição. É fundamental que você reconheça: toda emoção descontrolada é um perigo iminente, uma fúria a ser dominada.
E assim, o fim chega, inexorável como a lâmina do destino. A última moeda escorre de sua mão, selando uma jornada sem retorno para um lugar sombrio onde a paz jamais o encontrará. O tempo, esse tear implacável, teceu o fim da linha, sem chance de desfazê-lo. Que a dor pungente de suas escolhas ressoe em sua alma para sempre, sua única herança. A porta da esperança, antes um sonho distante, agora se fecha com o som pesado de eras perdidas, banindo-o para sempre de um lar que seu coração anseia, mas jamais alcançará. Resta apenas a fria e eterna solidão, um abismo sem fim onde a tortura da própria consciência o consumirá incessantemente.

DNonato  - 
Graduado  em História 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O aborto, Violência contra a Vida

Ela era uma jovem de condição humilde, boa e bonita, cheia de ilusões, aos seus 27 anos, pelo ano de 1968. Tinha deixado seu povo, Argelia de María, na província colombiana de Antioquia, para ir à capital, Medellín, a fim de ingressar na carreira de medicina.
Trabalhava duro em uma empresa para cobrir seus estudos. Só na cidade, ia relacionando-se, buscando fazer amizades no círculo mais próximo. Por isso, um dia aceitou inocentemente o convite de seus chefes e companheiros de trabalho a uma festa que fizeram a ela. Foi uma decisão com consequências horrorosas. Esses mesmos chefes e companheiros tinham lhe preparado uma armadilha: na festa drogaram-na, logo levaram-na a um lugar afastado e – bêbados – violaram-na repetidamente. Como consequência ela acabou engravidando.
Fiel às suas convicções, assentadas em uma profunda religiosidade, ela decidiu não abortar e seguir em frente. Assim, deu a luz a Alfar Antonio, que com o tempo conheceria sua tão traumática concepção e se sobreporia apelando também à Fé. Uma Fé crescente que o levaria a descobrir sua vocação sacerdotal, ordenar-se e chegar a ser o maior orgulho de sua mãe. Levado por seu carisma missionário, o hoje padre Alfar Antonio Vélez vive já há alguns anos em Comodoro Rivadavia, na província de Chubut, onde cuida de duas paróquias (São Jorge e Santa Maria Goretti), sendo seu trabalho religioso bastante valorizado por seus superiores.
Por ocasião da recente falha da Corte [da Colômbia] que – ao interpretar o art. 86 do Código Penal – determinou que todos os abortos seguidos de estupro – não só os de mulher doente – são “não puníveis”, o sacerdote decidiu abandonar sua discrição e contar pela primeira vez, ante o pedido de Valores Religiosos, seu caso comovedor.
 - Quando e como se inteirou de algo tão dramático?
- Primeiro devo dizer-lhe que a família de minha mãe era muito moralista e que, quando tomaram consciência de que tinha ficado grávida, obrigaram-na a casar-se com um viúvo, para tratar de esconder tudo. Mas esse matrimônio não funcionou porque, quando voltou a ficar grávida, seu marido passou a ter vida dupla, além de bater nela e se embebedar. Como seus pais a pressionavam para que não se separasse, ela decidiu seguir com seu marido e com o filho dos dois, mas para suportar tanta adversidade entregou-me à minha avó.
 - E então?
- Minha avó começou a dar-me tudo o que eu necessitava: alimentação, levar-me à escola… e fui fazendo meu caminho um pouco por minha conta. Isso provocou uma relação de certa distância com minha mãe que, por fim, não pôde mais viver com seu marido e teve que seguir sozinha com meu irmão. Um dia, como minha avó me pedia que chamasse meu avô de pai, perguntei-lhe como podia ser ele meu avô e meu pai ao mesmo tempo. Ele convocou uma reunião com minha mãe, que me contou o que havia acontecido. Que muita gente queria que eu fosse abortado, outras, que eu fosse vendido, outras, que fosse dado para adoção. E que, inclusive, tinha muita gente interessada em mim.
- Por que ela não quis abortar? Não temia que sua maternidade fosse muito traumática?
- Minha mãe era uma mulher de muita fé, muito praticante e muito santa. Ela dizia que, apesar de tão terríveis circunstâncias, levava em seu seio um milagre de uma nova vida, uma vida que Deus havia lhe dado e que, por suas convicções, não podia abortar. E que se Deus a tivesse dado aquela vida, ela devia encontrar o sentido dela. Para ela o mais duro era não poder mostrar-me um pai que me amasse, que me ensinasse a caminhar, mas isto ela suportava sentindo que eu a enchia totalmente. E que, cedo ou tarde, seria seu bastão. De fato, os três anos que viveu comigo por causa de uma longa enfermidade até sua morte, em 2009, foram para ela os anos mais belos de sua vida.
- Como foi sua reação quando tomou conhecimento de tudo? Que idade tinha?
- Para mim foi muito duro. Tinha apenas 10 anos. Minha reação foi de muita severidade contra minha mãe. Com o passar do tempo e de uma vida muito triste, fui à igreja para reclamar a Deus, para perguntar-lhe porque a mim. Como eu lhe falava aos gritos, veio um sacerdote e me disse que estava formulando mal a pergunta: “Não é por que, mas sim para quê”. Ele tinha fé que Deus, precisamente por causa de minha situação, estava me chamando para coisas grandes. Enfim, me disse que Deus escreve certo por linhas tortas e que eu seria um instrumento Seu. Ele leu para mim a passagem de Jeremias, em que Deus o chama, mas este resiste e o Senhor lhe diz: “Não te preocupes, eu farei tudo por ti”.
- A partir de então sua vida teve uma reviravolta?
- Sim, aquela conversa me marcou. Esse sacerdote acabou se tornando um pai. E foi construindo em mim a obra de Deus porque o Senhor se vale do homem para salvar o homem. Comecei a dar valor à vida, a integrar-me com pessoas de bem que valorizavam meu esforço para superar a situação. Cheguei a ser catequista sem me dar conta de que Deus estava me preparando para escolher o sacerdócio. Cheguei a ter uma namorada, ainda que a relação não fosse realmente séria, até que decidi ingressar no seminário, falei com meu diretor espiritual e acabei confirmando minha vocação religiosa. Compreendi que Deus tinha querido que minha mãe não abortasse porque confiava em mim e desejava que, ainda que fruto de um pecado muito grave, fosse Seu instrumento para chegar a tantas partes, com sua luz, com sua graça e seu amor.
- Teve assistência psicológica?
- Não. Religiosa, apenas. E a amizade muito grande que engrenei com os sacerdotes da paróquia.
- O que você diria ao seu pai, se tivesse a ocasião de encontrar-se com ele?
- Somente o abraçaria. E daria graças a Deus por ser meu verdadeiro pai e dar-me a oportunidade de viver, pois sei que os pais deste mundo são uma espécie de rascunho, de roteiro. Pai, o que se diz pai, é somente Deus.
- Qual seria sua mensagem à sociedade sobre a punibilidade ou não do aborto em caso de estupro?
- Que voltemos a ler o Gênesis, de onde se diz que Deus tomou o barro, fez ao homem e lhe insuflou alento de vida. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança. Minha respiração é a respiração de Deus. Somos o mais belo do mundo. Então, não temos direito de quitar a vida a nenhum inocente porque não tem culpa de como veio ao mundo. A culpa temos nós que nos equivocamos e não fazemos a vontade de Deus.
- E que palavra teria para uma mulher que foi violada?
- Diria a ela que Deus é o dono da vida e que fez dela instrumento de vida. Que a culpa tem o estuprador, não o menino que carrega em seu seio. Creio que a decisão de abortar se acabará quando pensarmos que toda vida é um presente de Deus, mais além de como foi concebida, da dor ou da alegria. Ele sabe o porquê e com o tempo a gente vai descobrindo o para quê.
- Não pode chegar a ser uma carga terrível para a mãe?
- Para minha mãe foi o seu orgulho máximo ter defendido a vida. E sua máxima satisfação e alegria foi ter visto em mim um homem de bem para a sociedade. Ela pensava em quantos homens e mulher de bem foram privados da sociedade pelo aborto.
- Que seria de você sem sua Fé?
- Sempre digo que a fé é o que de mais valioso possuímos. E que – ainda que percamos tudo – não podemos perder a fé. Deus se vale de mim para fazer obras; eu sou apenas Seu instrumento. E se Ele quer que meu testemunho ajude a recapacitar uma pessoa e salvar uma vida, então esta entrevista terá valido a pena.
   Fonte: Religión en Libertad | Tradução: Ecclesia Una

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Comprovação da autenticidade do Stº Sudário


A investigadora italiana Marzia Boi assegurou nesta segunda-feira, 30 de abril, em Valência que os restos de pólen encontrados no Santo Sudário de Turim não só correspondem com os que foram se depositando fortuitamente no tecido ao longo da história, mas também guardam uma correspondência “com os dos ungüentos e flores que se utilizavam para ritos funerários há 2.000 anos”, informou a Arquidiocese de Valência em um comunicado.
O Santo Sudário  na Matéria: Autopsia de um Crucificado em 06/10/2011
O trabalho da pesquisadora, exposto no Congresso Internacional sobre o Santo Sudário que se celebra em Valência, se acrescenta a outros estudos apresentados neste simpósio que mostram a compatibilidade entre o corpo envolvido com a Síndone e o de Jesus Cristo.
Em sua exposição, Marzia Boi, que trabalha no laboratório de Botânica do departamento de Biologia da Universidade das Ilhas Balear, argumentou também que no Evangelho se descreve que a sepultura de Jesus foi realizada com honras de reis, “o que implicava a preparação do cadáver com bálsamos e óleos”.
Ao analisar no microscópio as fotos dos polens extraídos em anteriores investigações sobre o Santo Sudário, a investigadora identificou tipos de plantas que “conforme está documentado desde antigo”, eram usualmente utilizadas para os enterros.
Entre elas, no Santo Sudário há polens principalmente de Helichrysum, segundo sua observação, assim como láudano, terebinto, gálbano aromático ou lentisco.
A identificação dessas plantas supõe, segundo a Dra. Boi, “um dado adicional que confirma que o homem do Sudário poderia ser Jesus”.
A investigadora indicou que a revisão por parte de especialistas paleólogos de todos os “polens do sudário ajudaria a identificá-los melhor”. Do mesmo modo, ela reparou em que os óleos e ungüentos presentes no manto o conservaram por conterem potentes elementos repelentes de insetos e fungos.
 Fonte: Biblia Católica News