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terça-feira, 11 de julho de 2017

Música: Imperfeições perfeitas



Falar de sentimento é um tanto complicado pra qualquer pessoa, mas nessa canção que é uma declaração de amor o autor destaca uma relação onde o sentimento da presença do outro é  algo indispensável. Veja que que ele fala de três verbos: "Namorar", "contemplar" e  "mergulhar" na realidade da pessoa amada.
Muitas vezes não  vivemos essa dinâmica  desenvolvida pelo autor, ficamos só no primeiro verbo e não  vivemos  os demais por isso deixo pra vocês novamente essa belíssima canção do meu  amigo.

UMA BELÍSSIMA CANÇÃO DO AMIGO MARCIO QUEIROZ, UMA CANÇÃO APAIXONANTE
Minha princesa
Tua simplicidade me conquistou
Me desperta para o amor.
Inspiração para minhas canções
Minha menina
Do sorriso doce e olhar tão meigo que fascina
Quero mergulhar sem medo
Nos teus sonhos
Te namorar a luz da lua
Brilho no olhar te vendo nua
Deslizar na curva do teu corpo no meio da noite
Te contemplar com as estrelas
Te admirar antes de tê-la
Nos meus braços em qualquer lugar a gente se ajeita
Pois até suas imperfeições são perfeitas

Minha menina
Do sorriso doce, do olhar tão meigo que fascina
Quero mergulhar sem medo
Nos teus sonhos
Te namorar a luz da lua
Brilho no olhar te vendo nua
Deslizar na curva do seu corpo no meio da noite
Te contemplar com as estrelas
Te admirar antes de tê-la
Nos meus braços em qualquer lugar a gente se ajeita
Te namorar a luz da lua
Brilho no olhar te vendo nua
Deslizar na curva do seu corpo no meio da noite
Te contemplar com as estrelas
Te admirar antes de tê-la
Nos meus braços em qualquer lugar a gente se ajeita

Pois até suas imperfeições são perfeitas

MEU AMOR ATÉ SUAS IMPERFEIÇÕES SÃO
PERFEITAS

Letra e melodia: Márcio Queiroz
Filmagem e edição: DNonato 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XIX.

   O sentimento, essa corrente sutil que nos eleva aos céus da euforia ou nos arrasta aos abismos da melancolia, pulsa em nós como um eco do divino. Em tempos onde a racionalidade busca aprisionar a alma, a verdade visceral do sentir clama por reconhecimento. O amor, especialmente entre homem e mulher, frequentemente reduzido a efêmeros prazeres ou conveniências passageiras, carrega em si a centelha de um mistério ancestral. Ele é hieros gamos, encontro sagrado, união de energias cósmicas refletindo o próprio Deus, agape, amor incondicional que nos modela à Sua imagem e semelhança, não para a possessão do outro, mas para a comunhão profunda das almas.
 
Como ensinou Agostinho, imerso na busca pela Verdade e pela transcendência: "Ama e faze o que quiseres." Pois quando o amor genuíno floresce, enraizado na caritas cristã, ele se manifesta como respeito à alteridade, jamais infligindo dor, manipulação ou cativeiro. A liberdade se torna o leito natural desse amor.
Não podemos fragmentar a tríade essencial do amor humano, separando o eros da philia e do agape como se cada um habitasse um domínio isolado da psique. Na dança intrínseca do amar:
·                         sentimos o chamado da carne, o fogo primordial do desejo, o prazer tátil que nos conecta ao outro em nível físico — a manifestação terrena do eros
·                             aspiramos ao bem-estar do amado, transcendendo o egoísmo, desejando sua felicidade mesmo à revelia de nossos próprios anseios — a ressonância do agape em nosso espírito;
·                            estendemos a mão protetora, oferecendo cuidado e nutrindo o florescimento do outro — a expressão da philia, a amizade profunda que alicerça laços duradouros.
 
Essas dimensões não competem, mas se entrelaçam no coração que ama verdadeiramente. O conflito surge na mente, essa teia de racionalizações que tenta dissecar o que a alma anseia unir. Como Paulo, o apóstolo das gentes, compreendeu em sua jornada espiritual: "O amor é paciente, é benigno, não se ensoberbece, não busca o seu próprio interesse, tudo suporta" — uma sabedoria que transcende a mera emoção, adentrando o domínio da virtude.
Para iluminar a complexidade labiríntica do amor e suas reverberações em nossa jornada humana, um velho pajé da tribo nahua, guardião de saberes ancestrais e intérprete dos sussurros da floresta, compartilhou uma narrativa ao crepúsculo, quando o véu entre os mundos se torna mais tênue. Seus olhos, mapas de incontáveis luas, cintilavam com a memória de tempos imemoriais. A fábula que proferiu carregava a aura de um mito vivo, e em seu âmago, cada ouvinte pressentia o eco de uma experiência pessoal profunda, um segredo acalentado em silêncio.
 
Um jovem, inquieto diante das expectativas de seu povo, partiu floresta adentro para caçar. Queria provar a si mesmo e aos anciãos que nascera para guerreiro, e não para pajé, como muitos pressentiam. Carregava consigo a bravura de sua linhagem, mas também o desejo de fugir do destino que o chamava para o invisível.
Foi então que o fio do destino o conduziu à proximidade de um povoado, onde uma jovem vivia sob a proteção patriarcal. Ela também se encontrava na floresta, movida por pensamentos de fuga — uma tentativa de respirar fora dos muros do destino que lhe fora imposto desde o nascimento.
 
Um nahual em forma de lobo — ou talvez a própria essência selvagem da floresta em fúria — a atacou, rompendo a harmonia do lugar. O jovem investiu contra a criatura, oferecendo seu corpo como escudo. A luta foi brutal, mas algo dentro dele — uma força ancestral, talvez mística — emergiu. E foi esse sopro invisível, essa centelha espiritual que dormia em seu íntimo, que derrotou e expulsou a fera.
Ferido, foi acolhido por ela. Nos dias que se seguiram, cuidaram um do outro. Entre gestos simples e silêncios cheios de sentido, um laço foi tecido. Não havia cantos nem rituais, apenas o toque humano, a atenção, o abrigo. Como um eco do axis mundi que conecta os céus e a terra, a reciprocidade do cuidado floresceu.
Naquela noite, sob a abóbada celeste pontilhada de mistérios, o amor floresceu com a pureza edênica dos primeiros seres. Seus corpos se tocaram em um ritual de entrega mútua, despojados de culpa, movidos por uma fome ancestral e uma reverência instintiva.
Mas, ao amanhecer, veio o peso da consciência. Ela recordou o pai, os laços que a prendiam à sua comunidade, os códigos que sustentavam sua estrutura social. O medo e o respeito a esse mundo a chamaram de volta. Ela partiu em silêncio, levando no ventre o mistério daquela noite e no coração o conflito entre liberdade e pertencimento.
Sete anos se esvaíram — um ciclo carregado de simbolismo místico e espiritual em diversas culturas. O jovem ascendeu à posição de pajé, tornando-se um elo entre o visível e o invisível, um intérprete dos sonhos e dos sinais da natureza. Cresceu em sabedoria silenciosa, nutrindo sua alma com a oração e a contemplação. E foi em um retiro solitário, buscando a água primordial em um poço ancestral — um portal para as profundezas da terra e do inconsciente —, que o destino, com sua ironia cósmica, os reuniu novamente.
Ela irradiava uma beleza serena, vestida com a simplicidade da terra. Seus olhos, outrora hesitantes, agora portavam a profundidade de quem atravessou as provações da vida. E ao seu lado, uma criança emanava uma aura inexplicável.
 
A alma do pajé estremeceu, como uma folha ao vento de um presságio. O menino fitou seus olhos com um brilho enigmático, uma faísca de reconhecimento que transcendia a lógica. Uma força invisível pulsava naquele olhar cruzado, uma ressonância de almas que desafiava o tempo e o espaço. Ou talvez algo mais profundo, enraizado em um mistério que nem ele nem ela ousariam desvelar, aprisionados pelas malhas de seus mundos e pelas promessas que sustentavam suas existências.
Ela se aproximou, movida por uma força magnética. Seus lábios quase se encontraram, suspensos na iminência de um beijo que romperia as barreiras do destino. Mas o instante fugiu, como um sonho ao despertar. E então, como se uma força superior, um deus ex machina cósmico, interviesse no tecido do destino, ele apenas a contemplou.
Seus olhos carregavam a sabedoria silenciosa de quem compreendia que a maior ferida não fora a infligida pela fera há sete anos, mas aquela que, invisível e profunda, jamais cicatrizara. Como nos versos melancólicos que ecoam em canções como "Monte Castelo", onde a fé, a lei e o amor se entrelaçam em um nó complexo, a dor da ausência persistia, suave e lancinante. E como sentenciou Agostinho em sua busca pela compreensão da alma humana: "Havia em mim uma ferida secreta provocada pelo amor, e a dor era suave."
Certos laços transcendem a efemeridade do tempo e do espaço. Alguns amores não se extinguem; eles se metamorfoseiam, tornando-se parte indelével da tapeçaria de quem somos.

     Pois aquilo que vibra na frequência da verdade essencial, que emana sinceridade e autenticidade, não necessita de explicações. Sua existência basta, como um mistério que se revela na profundidade do sentir...

terça-feira, 10 de março de 2015

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - XIII

  • O que irradia beleza e luz nos dias mais sombrios.
  • O que dobra a alma ao meio para suportar tanta sensibilidade e força.
  • O que conquista o mundo com uma coragem que não vacila.
  • O que acende o olhar com paixão.
Sinceramente
só desejo que sintas o que me consome. Então saberias como as noites se arrastam, como os dias se tornam tormentos, e quão difícil é simplesmente continuar de pé. Minha indignação — nossa tristeza — tem uma única raiz: a ausência de algo que nos desperte para a vida, que nos arranque deste pesadelo que parece interminável.
Não pedi por isso. E sei que tu também não.
Não precisamos dessa tempestade, tampouco queremos causar ou suportar sofrimento. Perecer sob teu desprezo é punição cruel demais para um homem que já cometeu todos os pecados contra os céus.

Precisamos nos perguntar: 
Qual foi nosso crime? 
Que culpa é essa que nos condena a dias longos e noites arrastadas?

Trabalho, amigos — teus e meus — onde estamos nós nessa lista de prioridades?
Não somos ricos nem miseráveis, mas perdemos nossos valores cada vez que nos afastamos por capricho alheio.
Como entender que alguém que diz:

 “Te amo” também diga “Fique longe”?

Não buscamos momentos passageiros. E não desejamos só intimidade.
Com o que temos, poderíamos comprar isso nas esquinas do mundo.
O que precisamos é de presença — de alguém que reconhece seus erros, pede perdão e sabe amar com o coração inteiro.

Acreditamos numa felicidade que não foge ao sacrifício.
Porque, mesmo em meio à dor, há sempre a esperança de um novo amanhecer.

Santo Agostinho escreveu: “Ama e faze o que quiseres.” Mas que esse amor não seja covarde. Que não ignore o grito do outro.
Que seja inteiro, responsável, atento ao que se viveu — e disposto a continuar, mesmo quando tudo dói.

Esse ideal de felicidade nos foi tirado, e o que restou foi a mágoa.
Mágoa da falta de coragem para assumir o que se sente — algo tão forte, e ao mesmo tempo, tão pouco vivido.
Não queremos beijos e abraços vazios.
Queremos presença. Atenção. Cuidado com aquilo que vivemos e que ainda pulsa em nós.

Menina, se um simples “bom dia” nos sufoca, se um sorriso nos desmonta, será que assumir o que sentimos vai sufocar o que somos um para o outro?

Estamos sendo asfixiados pela ausência do beijo, pela falta daquela presença amiga que nos lembra que não nascemos para a solidão em meio à multidão.

Somos vítimas do destino? Do coração? Das circunstâncias?
Ou de algo que começou quando talvez nem deveria?

Nos afastamos demais. E agora, alguém está sem paraquedas.
Estamos em queda livre, inexoravelmente puxados para o chão.
Precisamos dar as mãos. Nos abraçar. Nos entregar. Conceder à graça a chance de nos salvar.
Acreditar um no outro.
Entender que a vida vai além do que se tem: ela mora no que já fomos — e no que ainda podemos ser.

Não sabemos o que o futuro guarda, mas já provamos o gosto do presente.
Somos o que deveríamos ser ,  como naquela antiga canção dos Engenheiros do Hawaii, quando até as nuvens deixaram de ser de algodão.

Ainda assim, somos a razão de uma graça e de uma alegria — se aceitarmos essa verdade com leveza e coragem. Porque o amor verdadeiro não se esgota. Ele resiste ao tempo, ao orgulho, ao silêncio.
E se ainda arde, mesmo ferido, é porque insiste em nos lembrar que vale a pena. Não desistamos antes de tentar de verdade.
Talvez sejamos, enfim, a resposta que pedimos a Deus nos dias em que a dor parecia invencível.




DNonato – Teólogo do cotidiano, Graduado em História

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Questão do sentimento e o Respeito por si mesmo - X


A Questão do Sentimento e o Respeito por Si Mesmo XVemos no Facebook algumas canções que nos recordam a importância de amar alguém. Não as publicamos porque gostamos de você — que, talvez, nem nos conheça de verdade. Fazemos isso porque, naquele espaço, vemos mensagens que falam sobre o amor a um cachorro, a um gato ou, sei lá, qualquer outra coisa. Resolvemos, então, ser loucos o suficiente para ainda acreditar no ser humano — mesmo quando ele não nos olha, não nos reconhece, ou sequer percebe a simplicidade de nossas atitudes.

Somos tolos quando queremos ser aquilo que outros não foram. Somos loucos por aceitar a possibilidade de nos frustrar, apenas porque acreditamos que tudo é possível quando o ser humano está apaixonado. Precisamos agir como nós mesmos, com a consciência das lutas e dificuldades que fazem parte de nossa natureza humana. Você disse que não é fácil sentir aquilo que diz sentir — e nós acreditamos. Contudo, também não é fácil te ver passar e não poder te dizer que a vida ainda tem tanto a oferecer.

Somos tentados ao ódio quando somos ignorados em nosso amor. Somos chamados à violência quando nosso apelo de paz é silenciado. E, no entanto, somos obrigados a calar a nossa voz para que ela possa falar através de atitudes coerentes. Há uma série de situações em que a nossa atitude precisa ser exatamente o oposto do que o outro espera. Estamos aqui, cheios de sentimentos, tendo que agir de forma diferente do que o mundo exige de nós. Somos humanos demais. Somos imperfeitos. Muitas vezes, só conseguimos ver no espelho os nossos defeitos.

Não conseguimos compreender os autores que cantam músicas com o peito destruído por terem amado, nem tampouco os que sofrem por nunca terem sentido algo tão bonito — ainda que cheio de espinhos. Porque, como ensinam os pajés de nossas florestas, “só quem sabe caminhar sobre o espinho aprende o valor da folha.” E como diria um antigo estóico, o amor é belo não pela ausência da dor, mas por aquilo que nos transforma apesar dela.

Como Prometeu¹, ousamos amar trazendo o fogo da esperança aos nossos próprios dias sombrios. Sabíamos da punição: as águias nos visitam diariamente para dilacerar o coração exposto. E mesmo assim, preferimos a dor da lucidez à frieza da indiferença. Há uma centelha em nós que escolhe arder, ainda que em silêncio, só por ter amado com inteireza.

Lembramos também de Aimberê², o jovem guerreiro tupinambá que, como flecha viva, atravessou as leis dos homens e dos deuses por amor à bela Uira, filha de outro povo, outro canto, outro canto de reza e floresta. Sabia que aquele amor era proibido, feito de silêncio entre as aldeias e vigilância dos caciques. Mas mesmo assim, caminhou com o coração aceso como tocha, enfrentou o medo, o tempo e a guerra. Por ela, atravessou rios e fronteiras com o mesmo passo de quem pisa em sonho. E, mesmo sabendo que não teria o colo dela para repousar, guardou o nome dela no peito como canto sagrado. Como Aimberê, também nós nos lançamos ao impossível — e mesmo sem teu abraço, seguimos levando o teu nome como reza dentro da alma.

Lembramos ainda da Iara³, mulher encantada das águas, que seduz com seu canto e jamais se deixa tocar. Como ela, alguns amores nos envolvem e nos transformam, mas não se realizam. E, como os antigos, sabemos: às vezes, o encanto está justamente na impossibilidade.

Essa é a nossa indignação: sofrer por saber que você existe… mas não estar em nossa vida. Sofrer por ser você a eleita para uma vida comum que não foi conosco, porque tua eleição já tinha sido feita por outro — um dia antes da nossa chegada ao teu mundo.

Essa é a nossa praia sem ondas, sem o sol que dá aquele brilho. Esse é o nosso quintal sem jardim, sem as flores que embelezam. Essa é a nossa vida em tom de cinza, pintada pela esperança de que, um dia, você leria estas linhas. Aquela frase dita — “Se tinha que me apaixonar, que bom que foi por você” — já não sabemos se foi mesmo uma boa escolha. Mas, como diz um outro artista: se é para sofrer, que seja pela entrega total do nosso ser, por termos agido com um só coração, por termos feito o que fizemos, por termos tido a alegria de tê-la por alguns minutos.

Como canta a Escritura: *“As grandes águas não poderiam apagar este amor, nem os rios levá-lo de enxurrada.”*⁴

E se um dia, por algum descuido do tempo, você souber destas palavras, que elas cheguem até você como oração feita em silêncio — não para pedir que volte, mas para que saiba que foi amada.

Obrigado!

DNonato – Teólogo do cotidiano, Graduado em História.

Notas:

¹ Prometeu – Na mitologia grega, titã que deu o fogo à humanidade e foi punido. Simboliza o amor que se doa, mesmo com dor.

² Aimberê – Personagem da tradição tupinambá que se apaixona por uma jovem de outra tribo. Representa o amor que desafia limites e permanece, mesmo sem resposta.

³ Iara – Lenda indígena brasileira. Ser mítico das águas que encanta, mas é inalcançável. Amor belo e impossível.

⁴ Ct 8,7 – Cântico dos Cânticos. Texto bíblico que descreve o amor como força invencível.