Mostrando postagens com marcador REFLEXÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador REFLEXÃO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Um breve olhar sobre Mateus 5, 13-16.

O texto de Mateus 5,13-16 é proclamado no 5º Domingo do Tempo Comum do Ano A, no ciclo dominical, e também na terça-feira da 10ª semana do Tempo Comum sendo a continuação do Evangelho  da segunda-feira anterior. Ele faz parte do célebre Sermão da Montanha e traz imagens que sintetizam a vocação pública e transformadora dos discípulos de Jesus: ser sal da terra e luz do mundo. Não se trata de um chamado à superioridade, mas à responsabilidade.
Jesus usa  duas das imagens mais conhecidas do Evangelho: o sal da terra e a luz do mundo. Essas metáforas sintetizam a identidade e a missão dos discípulos de Jesus. Não são títulos honoríficos nem privilégios espirituais. São responsabilidades assumidas diante de Deus e da história. Ao ouvirmos Jesus declarar: “Vós sois o sal da terra” e “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14), somos colocados diante de uma afirmação surpreendente. Jesus não diz que os discípulos deverão tornar-se sal ou que precisarão conquistar a condição de luz. Ele afirma que já são. A identidade precede a missão. Antes de qualquer atividade existe uma vocação; antes de qualquer obra existe uma graça recebida; antes de qualquer mérito existe um chamado.

Essa observação é fundamental para compreender o Sermão da Montanha. Mateus constrói cuidadosamente o caminho que conduz até essas palavras. Desde o início do Evangelho, Jesus é apresentado como o novo Moisés. Assim como Moisés foi ameaçado pelo faraó, Jesus é perseguido por Herodes ainda criança (Mt 2,13-18). Assim como Israel atravessou o deserto, Jesus é conduzido ao deserto e vence as tentações que haviam derrotado o povo antigo (Mt 4,1-11). Em seguida, inicia sua missão na Galileia (Mt 4,12-17), região frequentemente desprezada pelas elites religiosas de Jerusalém. Esse detalhe possui profundo significado teológico. Mateus mostra que a luz de Deus começa a brilhar precisamente nas periferias. Antes que os discípulos sejam chamados luz do mundo, Cristo é apresentado como a luz prometida pelos profetas. O evangelista cita Isaías: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz” (Mt 4,16; Is 9,1-2). A luz não nasce da capacidade humana. Ela é recebida daquele que é a verdadeira luz que ilumina todo ser humano (Jo 1,9).

Ao subir à montanha para ensinar (Mt 5,1), Jesus realiza um gesto carregado de significado bíblico. Nas Escrituras, as montanhas são lugares de encontro com Deus e de revelação: 

  •  No Sinai, Moisés recebeu a Lei (Ex 19–20). 
  • No Carmelo, Elias enfrentou os falsos profetas (1Rs 18). 
  • No Horeb, Deus manifestou-se na brisa suave (1Rs 19,12). 
Agora, Jesus sobe à montanha para revelar o coração do Pai e apresentar o modo de vida próprio do Reino.

O Sermão da Montanha começa com as Bem-aventuranças (Mt 5,3-12). Elas descrevem quem são os discípulos: pobres em espírito, mansos, misericordiosos, promotores da paz, famintos de justiça e perseverantes na perseguição. Em seguida, Jesus mostra para que eles existem. Não são chamados a refugiar-se do mundo, mas a servir ao mundo. Desde Abraão, a lógica da eleição divina é missionária: Deus chama para enviar, escolhe para servir e abençoa para que outros sejam abençoados (Gn 12,1-3). A espiritualidade bíblica jamais foi uma fuga da realidade. A fé autêntica conduz ao encontro da história concreta, dos dramas humanos, das alegrias e sofrimentos do povo. Por isso, as imagens escolhidas por Jesus possuem uma dimensão profundamente pública. O sal existe para os alimentos. A luz existe para os ambientes. Ambos cumprem sua missão em benefício dos outros. O sal possuía enorme riqueza no mundo antigo, era  muito mais do que um simples tempero, o sal era um bem precioso. Servia para conservar alimentos, purificar, fortalecer alianças e integrar diversos ritos religiosos e até mesmo  já foi usado  como pagamento  a palavra salario tem sua origem no prefixo sal e  contexto  bíblico:  

  • Levítico 2,13, Deus determina que todas as ofertas sejam apresentadas com sal. 
  • Números 18,19 aparece a expressão “aliança perpétua de sal”. 
  • 2 Crônicas 13,5 a relação entre Deus e seu povo é descrita como uma “aliança de sal”.

Na mentalidade semita, o sal simbolizava permanência, fidelidade, preservação e incorruptibilidade. Quando Jesus afirma que seus discípulos são o sal da terra, está dizendo que eles devem tornar visível a fidelidade de Deus em meio a uma humanidade frequentemente marcada pela injustiça, pela violência e pela corrupção das relações humanas. O discípulo é chamado a preservar aquilo que é verdadeiramente humano quando tudo parece caminhar para a degradação da dignidade, da solidariedade e da verdade.

A advertência de Jesus surge imediatamente: “Mas se o sal perder o sabor, com que lhe será restituído o sabor?” (Mt 5,13). A pergunta permanece inquietante. O problema não é apenas o mundo perder seus referenciais éticos. O problema é quando a própria comunidade de fé perde sua identidade e passa a reproduzir as mesmas lógicas de dominação, prestígio e interesses particulares que deveria questionar. Essa preocupação aproxima Jesus da grande tradição profética de Israel. Amós denunciou um culto desligado da justiça: “Corra antes o direito como água e a justiça como um rio perene” (Am 5,24). Isaías condenou uma religiosidade incapaz de defender os vulneráveis: “Aprendei a fazer o bem. Procurai o direito. Corrigi o opressor” (Is 1,17). Miqueias resumiu a vontade divina em uma síntese admirável: “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus” (Mq 6,8). Jesus situa-se nessa mesma tradição. Sua preocupação não é preservar instituições por si mesmas, mas manter viva a fidelidade ao projeto de Deus. O sal perde sua função quando a religião se acomoda ao poder, quando a fé é transformada em mercado, quando o Evangelho é reduzido a espetáculo ou quando a espiritualidade deixa de produzir misericórdia.

A Comunidade  vive o  enfrentamento  para transmitir a fé  e  podem, em determinados momentos, preocupar-se mais com sua própria preservação do que com sua missão original. Quando isso acontece, o serviço é substituído pelo prestígio, o testemunho pelo poder e a missão pela autopreservação. Ser sal da terra significa resistir à deterioração ética da sociedade e, ao mesmo tempo, vigiar para que a própria comunidade cristã não perca sua capacidade de testemunhar o Reino. Significa conservar viva a memória da justiça em um mundo frequentemente seduzido pela acumulação, pela exclusão e pela violência. As civilizações  de ontem ds hoje construíram   e constroem sua identidade por meio de símbolos compartilhados, e o sal está entre os símbolos mais universais da experiência humana. Em diferentes culturas, ele representa aquilo que preserva relações, sustenta a convivência e dá sabor à existência. Nesse sentido, uma vida sem sentido torna-se uma vida sem sabor. Uma sociedade sem solidariedade torna-se uma sociedade sem sabor. Uma religião sem compaixão torna-se uma religião sem sabor. O Evangelho convida os discípulos a devolverem sabor à existência humana através da justiça, da fraternidade, da misericórdia e da esperança. Vivemos em uma época marcada por extraordinários avanços tecnológicos, mas também por profundas crises de sentido. Multiplicam-se as conexões digitais enquanto muitos experimentam crescente solidão. Expandem-se os recursos materiais enquanto aumentam a ansiedade, o esgotamento emocional e a sensação de vazio. Cresce a capacidade de comunicação e, paradoxalmente, diminui a qualidade dos vínculos humanos. Nesse contexto, o chamado de Jesus permanece atual. O discípulo é chamado a devolver sabor à vida coletiva, ajudando a reconstruir relações de confiança, laços de solidariedade e horizontes de esperança. O Evangelho não oferece uma fuga da realidade, mas uma forma profundamente humana de habitá-la.

É justamente a partir dessa perspectiva que a segunda imagem utilizada por Jesus adquire toda a sua força: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Se o sal fala da presença transformadora que atua discretamente na realidade, a luz fala da manifestação visível do Reino de Deus na história humana. A imagem da luz atravessa toda a Escritura e constitui um dos símbolos mais profundos da ação de Deus na história. A própria criação começa quando Deus pronuncia sua primeira palavra criadora: “Faça-se a luz” (Gn 1,3). Durante a caminhada do Êxodo, o povo é conduzido pela coluna luminosa que atravessa a noite do deserto (Ex 13,21),  os  Salmos celebram a Palavra divina como “lâmpada para os pés” e “luz para o caminho” (Sl 119,105), Isaías anuncia que o Servo do Senhor será constituído “luz das nações” (Is 49,6) e no Evangelho de João, Cristo é apresentado como a luz verdadeira que ilumina todo ser humano (Jo 1,9), e o próprio Jesus declara: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12).

Quando Jesus afirma aos discípulos: “Vós sois a luz do mundo”, está compartilhando com eles a sua própria missão. A Igreja não possui luz própria. Assim como a lua reflete a luz do sol, a comunidade cristã reflete a luz de Cristo. Sua missão não consiste em produzir uma luminosidade autônoma, mas em tornar visível a presença daquele que é a verdadeira luz. Essa observação possui profundas consequências espirituais e pastorais. Ao longo da história, comunidades cristãs foram frequentemente tentadas a buscar visibilidade sem testemunho, influência sem serviço e prestígio sem compromisso com o Evangelho. Contudo, a luz cristã não brilha pelo poder que acumula, mas pelo amor que oferece. Sua autoridade nasce da coerência. Sua credibilidade nasce do serviço. Sua força nasce da fidelidade.

Por isso Jesus acrescenta: “Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, mas sobre o candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão na casa” (Mt 5,15). A imagem era facilmente compreendida pelos ouvintes do século I. Nas pequenas casas da Palestina, uma única lâmpada iluminava todo o ambiente. Escondê-la significaria anular sua finalidade. Da mesma forma, a fé cristã não foi dada para permanecer escondida. Embora possua uma dimensão pessoal e interior indispensável, ela também possui uma dimensão pública, social e comunitária. O Evangelho é chamado a iluminar as relações familiares, os ambientes de trabalho, a educação, a cultura, a economia, a política e todas as dimensões da convivência humana.

É nesse contexto que Jesus conclui: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

A expressão merece atenção. Jesus não afirma: “para que admirem vocês”. O centro não é o discípulo. O centro é Deus. As boas obras não existem para construir reputações religiosas nem para alimentar vaidades espirituais. O verdadeiro testemunho conduz as pessoas ao reconhecimento da ação divina. A exegese do texto revela um detalhe significativo. A expressão “boas obras” refere-se não apenas a ações moralmente corretas, mas a ações belas, nobres e capazes de revelar concretamente a presença de Deus na história. O discípulo evangeliza não somente pelo que diz, mas pela forma como vive.

Nesse ponto, Jesus retoma a grande tradição profética de Israel. O profeta não era apenas alguém que anunciava acontecimentos futuros. Era alguém que iluminava o presente com a luz de Deus e denunciava as trevas da injustiça e apontava caminhos de esperança. A comunidade cristã é chamada a exercer essa mesma missão profética no interior da sociedade. A luz do Evangelho torna-se visível quando os excluídos são acolhidos, quando a dignidade humana é defendida, quando os esquecidos são lembrados, quando a verdade prevalece sobre a mentira e quando a misericórdia vence a indiferença. A autenticidade da fé não é medida apenas pela intensidade das práticas religiosas, mas pela capacidade de produzir vida, justiça e compaixão.

Em linguagem contemporânea, Jesus alerta contra duas tentações permanentes. 

  • A primeira é a irrelevância: o sal que perde o sabor. 
  • A segunda é a invisibilidade: a luz escondida. Uma comunidade que deixa de servir ao mundo torna-se irrelevante. Uma comunidade que deixa de testemunhar torna-se invisível.

Ao contrário, quando os discípulos vivem as Bem-aventuranças, tornam-se naturalmente sal e luz. A mansidão, a misericórdia, a promoção da paz, a fome e sede de justiça e a solidariedade com os que sofrem produzem um testemunho que nenhuma estratégia de marketing religioso consegue substituir. O mundo contemporâneo não necessita apenas de discursos religiosos. Necessita de sinais concretos do Reino de Deus. Necessita de homens e mulheres cuja existência revele que outro modo de viver é possível. Pessoas que demonstrem, através de suas escolhas, que a fraternidade pode vencer o egoísmo, que a verdade pode resistir à mentira e que a esperança pode sobreviver mesmo em tempos difíceis.

A força dessas palavras torna-se ainda mais impressionante quando observamos quem estava ouvindo Jesus. Não eram governantes, sacerdotes influentes ou membros das elites econômicas. Eram pescadores, agricultores, mulheres simples, trabalhadores anônimos e pessoas frequentemente ignoradas pelos centros de poder. É  justamente a elas que Jesus declara: “Vós sois o sal da terra” e “Vós sois a luz do mundo”.

Essa afirmação permanece profundamente revolucionária. Em uma sociedade que costuma medir o valor das pessoas pelo dinheiro, pela influência ou pela visibilidade, o Evangelho proclama que a verdadeira transformação da história frequentemente nasce dos pequenos gestos realizados por pessoas aparentemente comuns. Uma mãe que educa seus filhos na honestidade, um trabalhador que recusa a corrupção, um jovem que escolhe a verdade em vez da mentira, uma comunidade que acolhe os vulneráveis ou uma pessoa que permanece fiel à justiça mesmo quando isso lhe custa caro: tudo isso é luz brilhando no mundo.

O Reino de Deus cresce também através da fidelidade cotidiana, dos gestos silenciosos de amor e das pequenas sementes de esperança lançadas no solo da história. Deus continua agindo através de pessoas concretas, frágeis e limitadas, transformando a realidade a partir de dentro. Mas existe ainda uma dimensão fundamental desse texto que precisa ser aprofundada. Jesus não fala apenas a indivíduos isolados. Ele fala a uma comunidade inteira. O pronome utilizado é plural: “Vós sois”.

A missão é pessoal, mas nunca individualista. O testemunho cristão possui uma dimensão essencialmente comunitária. É justamente essa dimensão que nos conduz à reflexão sobre a vocação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade.

A dimensão comunitária presente no “vós sois” de Jesus ajuda a compreender um aspecto fundamental da missão cristã que recebeu especial atenção na Igreja contemporânea: a vocação dos cristãos leigos e leigas. As palavras do Sermão da Montanha não foram dirigidas a um grupo restrito de especialistas da religião, mas a uma comunidade de discípulos formada por homens e mulheres inseridos na vida cotidiana, nas relações familiares, no trabalho e na convivência social. O chamado para ser sal da terra e luz do mundo pertence a todo o povo de Deus. Essa compreensão recebeu novo impulso com o Concílio Vaticano II. Ao refletir sobre a identidade da Igreja, os padres conciliares recordaram que todos os batizados participam da missão de Cristo. A evangelização não é responsabilidade exclusiva do clero ou da vida religiosa. Ela pertence a toda a Igreja.

A Constituição Dogmática Lumen Gentium ensina que os leigos participam da missão sacerdotal, profética e régia de Cristo. Isso significa que sua presença no mundo não é um elemento secundário da vida eclesial. É parte constitutiva da própria missão da Igreja. Os ambientes da cultura, da educação, da política, da ciência, da economia, das artes, da comunicação social e da vida familiar não são espaços estranhos ao Evangelho. São lugares onde a luz de Cristo é chamada a brilhar.

No contexto brasileiro, essa visão recebeu uma formulação particularmente significativa através do Documento 105 aprovado em 2016 na 54ª Assembleia  Geral  da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, intitulado Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade: Sal da Terra e Luz do Mundo. Ao recorrer diretamente a Mateus 5,13-16, os bispos reafirmaram que a vocação laical encontra sua inspiração mais profunda nas palavras do próprio Jesus..O documento recorda que os leigos e leigas não são meros auxiliares ocasionais das atividades pastorais. São sujeitos eclesiais, discípulos missionários e protagonistas da evangelização. Sua missão ultrapassa os limites das estruturas internas da Igreja e alcança as realidades concretas onde a vida humana acontece. É ali que o sal deve preservar. É ali que a luz deve iluminar.

Essa compreensão possui raízes profundas na história do cristianismo. Desde os tempos apostólicos, a expansão do Evangelho ocorreu principalmente através de homens e mulheres comuns que testemunhavam sua fé no cotidiano. Famílias transformaram suas casas em espaços de acolhimento. Trabalhadores anunciaram Cristo em seus ambientes profissionais. Comerciantes levaram a Boa-Nova para novas cidades. Pais e mães transmitiram a fé às novas gerações. Muito antes da construção das grandes estruturas eclesiásticas, a Igreja crescia porque existiam discípulos que viviam como sal e luz nas realidades mais simples da vida. Essa dimensão continua atual. O Reino de Deus avança quando a vida cotidiana é iluminada pelo Evangelho. Avança quando a honestidade prevalece sobre a corrupção, quando a solidariedade vence a indiferença e quando a dignidade humana é defendida contra todas as formas de exclusão.

Ao mesmo tempo, essa missão não pode ser confundida com a busca de privilégios religiosos ou formas de dominação. Ao longo da história, sempre existiu a tentação de instrumentalizar a fé para justificar interesses particulares, legitimar exclusões ou sustentar projetos de poder. Jesus recusou esse caminho. Seu Reino não é construído pela imposição, mas pelo serviço. Não cresce pela força, mas pela verdade. Não se estabelece pela dominação, mas pelo amor.

Essa advertência continua atual. A luz do Evangelho não pertence a ideologias, nacionalismos ou projetos de poder. Ela pertence ao Reino de Deus. Sempre que a fé é utilizada para alimentar intolerâncias, justificar preconceitos ou negar a dignidade humana, corre-se o risco de obscurecer aquilo que deveria iluminar. Por outro lado, quando os cristãos se colocam ao lado dos que sofrem, quando defendem a vida, promovem a paz, acolhem os excluídos e trabalham pela justiça, tornam visível a presença de Cristo na história. O Reino manifesta-se quando os famintos são alimentados, os pobres são acolhidos, os esquecidos são lembrados e os feridos pela vida reencontram sua dignidade.

Por isso, a pergunta deixada por Mateus 5,13-16 não é apenas individual. É também comunitária e eclesial: 

  • Como nossas comunidades estão sendo sal da terra? 
  • Como estão sendo luz do mundo
  • Nossa presença torna a sociedade mais humana, mais fraterna e mais próxima do projeto de Deus?

A resposta passa necessariamente pela conversão. A palavra utilizada por Jesus é metanoia, termo grego que indica uma profunda mudança de mentalidade, de coração e de direção. 

  • Não basta ter sido luz em algum momento do passado. 
  • Não basta recordar tempos em que a comunidade cristã exerceu influência positiva na sociedade. Cada geração precisa redescobrir continuamente sua missão.

A história da Igreja revela essa tensão permanente entre fidelidade e acomodaçã e em muitos momentos, comunidades cristãs tornaram-se sinais luminosos de esperança. Fundaram escolas, hospitais, universidades, obras sociais e iniciativas de promoção humana. Defenderam os pobres, acolheram os marginalizados e anunciaram a dignidade da pessoa humana em contextos de violência e opressão. Em outros momentos, porém, também experimentaram crises provocadas pelo clericalismo, pela busca de privilégios, pela proximidade excessiva com o poder e pela incoerência entre o anúncio e a prática. O próprio Evangelho não esconde essa possibilidade. A advertência sobre o sal que perde o sabor e a luz que deixa de iluminar permanece sempre atual.

Por isso, quando refletimos sobre Mateus 5,13-16, não devemos perguntar apenas o que está errado na sociedade. Devemos perguntar também como está nosso testemunho? 

  1. Uma comunidade que anuncia a fraternidade, mas cultiva divisões, enfraquece sua luz.
  2. Uma comunidade que fala de misericórdia, mas pratica exclusões, perde seu sabor.
  3. Uma comunidade que proclama a justiça, mas permanece indiferente ao sofrimento humano, obscurece o brilho do Evangelho.

Nesse sentido, o Sermão da Montanha permanece extraordinariamente atual. As Bem-aventuranças constituem o coração desse projeto de vida. O sal e a luz são suas consequências naturais.

  • Quem vive a misericórdia torna-se luz.

  • Quem promove a paz torna-se luz.
  • Quem tem fome e sede de justiça torna-se luz.
  • Quem permanece fiel ao amor mesmo em meio às dificuldades torna-se luz.
  • Quem se recusa a reproduzir a lógica do ódio, da violência e da exclusão torna-se sal da terra.

O mundo contemporâneo continua necessitando dessa luminosidade. Há muita informação, mas nem sempre há sabedoria. Há muitos discursos, mas nem sempre há verdade. Existem avanços tecnológicos impressionantes, mas persistem a fome, a desigualdade, a violência e inúmeras formas de sofrimento. Diante dessa realidade, Jesus não pede aos seus discípulos que sejam famosos, poderosos ou influentes. Pede algo muito mais exigente: que sejam fiéis. Porque uma pequena quantidade de sal ainda pode transformar uma refeição inteira. E uma pequena chama ainda pode romper a escuridão de uma grande noite.

Essa esperança atravessa toda a história da salvação. Deus frequentemente escolhe aquilo que parece pequeno para realizar grandes transformações. Escolheu Abraão, um peregrino sem terra. Escolheu Moisés, um homem inseguro diante de sua missão. Escolheu Davi, o menor entre seus irmãos. Escolheu profetas vindos das periferias da sociedade. Escolheu pescadores da Galileia para anunciar o Evangelho ao mundo. O Reino de Deus continua crescendo dessa maneira: silenciosamente, discretamente, mas com uma força capaz de transformar a história.

Por isso, ninguém deve considerar insignificante sua contribuição. Uma palavra de esperança pode mudar uma vida, um gesto de solidariedade pode restaurar uma dignidade ferida., uma atitude de justiça pode inspirar uma comunidade inteira e uma presença acolhedora pode revelar a misericórdia de Deus.

O Evangelho não exige que cada discípulo resolva todos os problemas do mundo. Exige que seja fiel no lugar onde foi chamado a viver. Ao final desta reflexão, permanecem ecoando duas  perguntas de Jesus:

  1. Se o sal perder o sabor, quem lhe devolverá o sabor?
  2. Se a luz for escondida, quem iluminará a casa?

O Evangelho responde não com teorias, mas com um chamado. Que cada discípulo redescubra sua vocação. Que cada comunidade reencontre sua missão. Que os cristãos leigos e leigas assumam cada vez mais sua responsabilidade missionária na Igreja e na sociedade. Que o povo de Deus continue sendo presença transformadora nos lugares onde a vida acontece. O mundo continua necessitando de sal que preserve a dignidade humana. Continua necessitando de luzes que apontem caminhos de justiça, compaixão e esperança. Continua necessitando de comunidades que testemunhem, por palavras e ações, que o Reino de Deus já está presente no meio de nós.

E toda vez que alguém escolhe amar em vez de odiar, servir em vez de dominar, construir em vez de destruir, reconciliar em vez de dividir, uma pequena luz se acende na história. E onde a luz de Cristo brilha, mesmo discretamente, as trevas jamais têm a última palavra.

"Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16).

Prof. DNonato – Teólogo do cotidiano.


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Um breve olhar sobre João 16,16-20

Mais um pouco de tempo e já não me vereis; e outra vez um pouco, e me vereis de novo” (Jo 16,16). Essas palavras de Jesus aos discípulos carregam o mistério da cruz e da ressurreição. O “pouco de tempo” aponta para o intervalo entre a sua paixão e a manifestação gloriosa do Ressuscitado. Trata-se do tempo da ausência, da dor, da confusão — o tempo do escândalo da cruz. Mas é também o tempo da promessa: “vós haveis de chorar e lamentar... mas a vossa tristeza se transformará em alegria” (Jo 16,20). Jesus não promete a eliminação da dor, mas a sua transfiguração. A cruz não é a última palavra; a última palavra é a vida.

A estrutura literária de João 16,16-20 integra o chamado “Discurso de Despedida” (Jo 13–17), no qual Jesus prepara os discípulos para o tempo da ausência e da missão. A expressão “pouco de tempo” carrega uma tensão escatológica. A ausência de Jesus não é definitiva, mas transicional — ecoando o tema do “já e ainda não” do Reino de Deus. A tristeza inicial da comunidade decorre do aparente fracasso da cruz, mas será revertida por uma alegria inabalável (Jo 16,22). Essa alegria não nasce da ausência de problemas, e sim da presença transformadora do Ressuscitado.

A linguagem enigmática de Jesus (“mais um pouco...”) reflete sua pedagogia divina: Ele não explica tudo, mas convida à confiança. Como os profetas do Antigo Testamento, que falavam por meio de símbolos e enigmas, Jesus provoca os discípulos a adentrar na lógica da fé. A ausência não é abandono, é gestação. A imagem que será usada adiante no mesmo capítulo — a da mulher que dá à luz com dores, mas depois se alegra (Jo 16,21) — reforça essa dimensão pascal: da dor nasce a vida nova. Isso remete à promessa de Isaías: “Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, nasceu-lhe um menino” (Is 66,7), revelando que o tempo messiânico será marcado por reviravoltas de esperança.

No v. 20, Jesus estabelece um contraste entre o mundo e os discípulos: “Vós chorareis, mas o mundo se alegrará.” No contexto joanino, “mundo” (kosmos) representa as estruturas de poder, violência e mentira que se opõem à verdade revelada em Jesus (cf. Jo 1,10-11; 15,18-19). Esse mundo se alegrará com a morte do justo, como já ocorrera com os profetas (cf. Lc 6,23; Mt 23,29-37). No entanto, a alegria do mundo será passageira. A dos discípulos, perene — pois estará enraizada na ressurreição, evento fundante da fé cristã. Como diz Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé” (1Cor 15,14).

João não narra a Eucaristia na última ceia, mas o Lava-pés (Jo 13,1-20), exatamente para mostrar que o seguimento de Jesus, no tempo da ausência visível, se dá no serviço e na entrega. Assim, a visão do Ressuscitado prometida por Jesus não será apenas ocular, mas experiencial, espiritual e eclesial: “Quem me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23). Ver Jesus, nesse sentido, é reconhecê-lo no partir do pão (Lc 24,30-31), nos pobres (Mt 25,40), na comunidade reunida em seu nome (Mt 18,20), no grito dos injustiçados (Ex 3,7). Essa leitura tem implicações profundas para o presente da Igreja: se hoje parece que Cristo está ausente — diante da dor dos povos, da corrupção institucional e da frieza de muitos líderes religiosos —, a fé pascal nos assegura que “um pouco” ainda, e ele se manifestará de novo. Não como espetáculo triunfalista, mas como presença humilde e concreta nos pequenos sinais do Reino.  Como nos ensina o Apocalipse, escrito também em tempos de perseguição e silêncio divino: “Bem-aventurados os que lavam suas vestes no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14). A alegria escatológica dos justos não é alienação, mas esperança ativa, que se alimenta da fidelidade cotidiana. Essa é a alegria que ninguém poderá tirar (cf. Jo 16,22).

No entanto, essa promessa não anula a realidade das tribulações. Ainda hoje, os que acreditam no Ressuscitado devem atravessar a noite das perseguições, das injustiças e dos silêncios de Deus. A fé não nos livra das cruzes, mas nos dá sentido e força para carregá-las. Como disse São Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2Cor 4,8-9). Essa esperança ativa é a marca dos que caminham com o Ressuscitado. Mas há também aqueles que, mesmo após a cruz e o túmulo, ainda se recusam a enxergar o Ressuscitado, porque se tornaram administradores da religião — homens de vestes ricas e corações empedernidos. Como não reconhecer, nos tempos de hoje, certos bispos que agem mais como gerentes de empresa do que como pastores do rebanho? Que reduzem a missão da Igreja à lógica da eficiência financeira e do controle burocrático? Que se reúnem não para discernir os clamores do Espírito, mas para avaliar planilhas e deliberar sobre investimentos, recomendando, friamente, que “o dinheiro precisa trabalhar por nós”,  como se a missão da Igreja pudesse ser terceirizada ao capital especulativo?

A alegria de alguns, nestes tempos pascais, não é a da ressurreição do Cristo, mas a satisfação por terem conseguido “sanear as contas” da diocese — com demissões cruéis e cortes impiedosos no sustento dos pequenos funcionários, catequistas, agentes de pastoral — enquanto os banquetes episcopais seguem intocados, e a mesa do bispo continua farta. O altar da Eucaristia contrasta com a mesa da cúria: um é sacramento de doação e partilha; o outro, símbolo de acúmulo e exclusão.

E tudo isso se faz em nome da “ordem”, do “zelo administrativo”, da “boa imagem da diocese”. Vestido com os paramentos mais caros, atento à simetria das mitras e à solenidade das entradas processionais, o bispo se apresenta diante do povo como um senhor feudal — não como servidor do povo de Deus. Não caminha com suas ovelhas, não conhece os seus nomes, não sente o cheiro delas (cf. Papa Francisco, Missa Crismal, 28/03/2013). Suas homilias são genéricas, cuidadosamente desprovidas de qualquer conteúdo profético. Falam da “alegria do Evangelho”, mas evitam nomear a dor do povo. Falam de “família”, mas se esquecem das mães que enterram filhos por falta de políticas públicas. Falam de “vida”, mas silenciam diante da fome institucionalizada e do genocídio da juventude negra. 

Essa figura, tão distante do Cristo Bom Pastor, é fruto de uma cultura eclesial adoecida pelo clericalismo — essa “caricatura do ministério” (cf. Papa Francisco, Discurso à Cúria Romana, 2019), que transforma servidores em patrões, ministros em chefes, e celebrações em teatros litúrgicos. Esses bispos não conduzem rebanhos, administram estruturas. Não cuidam dos feridos, protegem orçamentos. Não rompem com os fariseus, alinham-se a eles.

E ainda ousam se indignar com as vozes proféticas que brotam das comunidades, dos leigos e leigas que resistem, dos pobres que denunciam com sua própria carne o escândalo de uma Igreja cúmplice dos poderosos. Têm medo do povo; por isso, preferem cercas, portões e tapetes vermelhos. Rejeitam a profecia e se escudam na tradição. Usam o magistério como escudo para não se converterem. “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Is 29,13; cf. Mc 7,6). O Ressuscitado, no entanto, não se deixa domesticar por essa lógica. Ele continua rompendo sepulcros e se revelando aos que têm o coração queimando, mesmo que não tenham poder institucional. Ele aparece onde há partilha, serviço e compaixão. Ele se deixa tocar pelos que choram, pelos que esperam, pelos que ainda acreditam — mesmo em meio a tanta traição e mediocridade. “Sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, abandona as ovelhas e foge” (Jo 10,11-13). Quem hoje está fugindo, e quem está dando a vida?

Diante dessa realidade, não basta lamentar. É preciso despertar. O Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos é o mesmo que habita o coração dos batizados. A omissão é pecado. O silêncio é cumplicidade. O Evangelho não é propriedade do clero, nem privilégio dos doutores da Lei: é missão de todo o povo de Deus. Por isso, é chegada a hora de uma nova insurreição da fé — uma rebelião do Espírito nas comunidades de base, nas pastorais vivas, nos movimentos que não se venderam ao sistema, nas paróquias que ainda alimentam a esperança.

Cabe ao laicato, cada vez mais consciente de sua dignidade batismal e corresponsabilidade na missão da Igreja (cf. Lumen Gentium, 33), levantar-se como voz profética diante dos abusos dos que se sentam em tronos episcopais, mas não conhecem o rosto do povo. Cabe às comunidades resgatar o que é essencial: a Palavra, a partilha, a solidariedade, a vida vivida em comunhão — sem medo dos censores da ortodoxia de fachada. É preciso romper com a lógica da obediência cega e do respeito autoritário que ainda impera em tantas estruturas eclesiásticas. Nosso Senhor não nos chamou a servir a homens, mas a construir o Reino. E esse Reino jamais será compatível com o clericalismo opressor, com a extrema direita que se esconde atrás da cruz, com uma Igreja que nega o pobre e negocia com o poder. Como nos ensinou o próprio Jesus: “Não será assim entre vós. Quem quiser ser grande, seja o servo de todos” (Mt 20,26).

Que o Ressuscitado nos dê coragem para anunciar e denunciar. Que Maria, mulher pascal e profeta da esperança, nos acompanhe no caminho. E que, a exemplo de tantos mártires da nossa terra latino-americana — padres, bispos, religiosas e, sobretudo, leigos e leigas — sejamos Igreja em saída, samaritana, insurgente e fiel até o fim.

Porque o Reino não será construído com o dinheiro bem investido da cúria, nem com liturgias de luxo, mas com as mãos calejadas dos pequenos que, mesmo em meio às dores do mundo, continuam a acreditar: “mais um pouco, e me vereis de novo”. 

DNonato – Graduado em História, teólogo do cotidiano, um leigo vivendo o seu sacerdócio batismal.



sábado, 3 de junho de 2023

Um olhar no texto de São João 3, 16-18. - Domingo da Santíssima Trindade

 

 Durante a semana que passou  a Câmara voltou o marco temporal e pelo que se percebe  a Pátria perdeu de novo e tivemos  visita do Chefe de Estado  de um pais vizinho que usa  a censura como arma e não  permite a livre  manifestação segundo alguns  filhos dessa terra que conversamos  recentemente, mas o atual presidente   diante de uma realidade tão complexa que é governa uma pátria com  6 anos de neoliberalismo, dos pobres que estão endividados de  um congresso  corrupto na essência que legitimou o toma lá da cá com seu presidente vindo dizer que o Executivo tem que negociar para ter governabilidade,  sobrevivemos o fim de maio e iniciamos o mês de junho, olhando os primeiros 6 meses do atual governo  ainda com esperança  e observando que estamos melhor que 2019, nesse sentido vamos celebrar o


domingo da Trindade que  nos ajuda a meditar   sobre o quanto somos de fato fieis ao Deus Uno e Trino.  As leituras para esse dia  são as seguintes:  Êxodo  34,4b-6.8-9;  Salmo de hoje é de - Dan 3,52-256 com  a resposta  Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre; 2 Coríntios  13,11-13 e  evangelho de João  3,16-18 que narra o encontro de Jesus com o Mestre da lei Nicodemos .
Semana passada infelizmente tivemos dificuldade de posta a reflexão aqui em  nosso espaço e já pedimos perdão  e nesse dia da trindade voltamos a  nosso texto de Um olhar no texto de São João 16,12-15. - Domingo da Santíssima Trindade  e ao vídeo Reflexão: Boa Nova de Jesus Cristo segundo São João 16,12-15. - Domingo da Santissima Trindade  do dia 12 de junho de 2012, que nos ajuda a refletir.  Como  sempre vamos meditar    o evangelho que narra esse nosso encontro, não queremos explicar  o mistério da Trindade  que é um amor que não se explica ou se entende com os olhos humanos e sabemos que a Trindade é o Amante, o Amado e Amor  que se soma em único  sentimento de viver a unidade,  e para outro a Trindade pode ser definida como a vela que é a chama, a cera e pavio E ESSA e essa solenidade nos convidado a reconhecer que somos criados por Amor, salvo por esse Amor e no batismo recebemos a graça do Amor em nosso dia-a-dia. 

Deus nosso Pai que envia seu Filho para nos salvar e nos ajudar entender como devemos viver a plena liberdade como  diz o texto : Gálatas 5, 1  que diz “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.”  Essa proposta  que Jesus apresenta no sentido da vida de cristã de liberdade que nos leva para cima e nesse sentido que Jesus veio ao mundo. De uns tempos pra cá muitos cristãos tem pregado um Deus radical  que só conhece o julgamento e a condenação  e aqui temos a definição do motivo da vinda de Jesus para terra, Jesus  não vem como juiz, o Espirito Santo e chamado de Paraclito  e o Pai é o Criador da humanidade que nos cria no seu Amor e por seu Amor

Que seria crer em Jesus?

Na semana passada recebemos o mandado de ir e batizar em nome da Trindade  ensinando a observar os mandamentos,  essa semana temos a narrativa que quebra qualquer tentativa de  se fazer da comunidade um tribunal de condenação ou julgamento Crer certamente não é regular  ou se achar mais santo que  o outro  que não viveu ou não tem a mesma linha teológica  que a gente, disso temos certeza.  A trindade  nos ajuda a pensar como nos relacionamos com o diferente, pois sabemos quem é o Pais,o Filho e o Espírito Santos, se não sabemos devemos saber, esta faltando Catequese ou Escola Dominical,  pois é um  dos digmas mais importante da Fé cristão e aqui deixamos um outro  texto Dogmas segundo a Tradição apostólica recomendado para aqueles que desejam entender  que seria dogma[1].  Embora no inicio do texto tenhamos uma verbo em algumas traduções no verbo passado o termo correto é que seja lido no presente. (Deus ama), pois segundo  os pensamentos de Santo Agostinho Deus não se cansa de amar que  foi cantada por Adriana Arydes  e aqui vale pena entende que a  medida do Amor é amar sem medida e foi por isso que Jesus veio ao mundo e por isso fomos criados por Deus e  ainda nesse sentido que Espírito Santo vem sobre a nossa vida de cada pessoa  ele age sem show ou gritaria que muitos  costumam invocar como ação do Espírito.  O evangelista é chamado de  discípulo amado por  apresentar uma proposta de amor e  de uma riqueza  que fala da Pessoa do Pai, Espírito Santo e nos revela a intima comunhão com o Filho e aqui rezamos o credo   desde de 325 e devemos ler o no Catecismos da Igreja para os Católicos  o número 35,36,122 e 164 do Youcat Brasil ou ainda ou CIC numero 48.

Que Deus Uno e Trino nos abençoe!!!




[1] Os dogmas de doutrina incluir explicitamente presentes no texto da Bíblia, tal como consta da Tradição e formalizado pelo ensinamento da Igreja (Magistério).

 

sábado, 22 de abril de 2023

Um olhar sobre Lucas 24,13-35 - 3º Domingo de Páscoa

 

Entraríamos na fala do Presidente, poderíamos ainda escrever sobre o feriado de Tiradentes. ou sobre a 60º Assembleia da CNBB.  Mas vamos refletir nesse inicio sobre São Jorge, associado ao orixá  Ogum, para os seguidores das religiões de matriz africana,  todos querem a força do  Orixá e ainda há aqueles que se associam ao Santo Guerreiro por causa do uso das armas, mas se faz necessário resgatar que São Jorge foi um homem justo que viveu sua fé em um contexto de perseguição e o  Orixá Ogum é uma força  de um  Povo que foi escravizado que resistiu a dominação religiosa de um outro povo que através de uma doutrinação com uso até da  tortura e da força tentou tirar desse Povo suas  sacralidade ancestral  e a fé intima e particular.  Precisamos ter em nossas mentes que tanto o Santo Jorge que que deu sua vida pela causa do evangelho como o Orixa  Ogum são sinais do sagrados  de uma resistência e representam  força do povo que vive em  uma realidade de dificuldades. 


 

Ogum Yê! ou São Jorge Rogai por nós!

São duas  saudações de religiões diferentes que evoluiu para o Salve Jorge!  Deixemos esse assuntos para os devotos tantos na religião de Matriz Africanas que  tem Ogum como exemplo  ou para os cristãos que se devotam a São Jorge que viveu em 303  e foi decapitado por sua fidelidade  ao projeto  de Jesus.


Vamos para a Liturgia do dia que é a seguinte: Atos 2,14.22-33;  Salmo 15 (16) Refrão 1: Mostrai me, Senhor, o caminho da vida; 1 Pedro 1,17-21 e  o  evangelho Lucas 24,13-35 neste 3º domingo do tempo Pascal e como é nosso costume vamos nos prender a reflexão do evangelho e o texto de hoje nos ajuda a pensar sobre a esperança.   O Capitulo 24 do Evangelho  de Lucas tem 50 versículos que falam da ressurreição e da ascensão do Senhor, incluindo  a narração do episódio  dos discípulos de Emaus que    esta bem no centro do capitulo. Um texto que  podemos dividir em duas partes.  Do versículos 13-27 a caminhada  dos discípulos com Jesus  e os versículos 28-35 que pode se subdividido em 3 partes

1.   Versículos: 28-29 - Quando pedem pra Jesus ficar com Eles

2.    Versículos: 30-31 -  O parti do pão  e o reconhecimentos de

do Mestre.

3.    Versículos:  32-35 – A consciência que precisam volta  e anunciam para  seus amigos a novidade.

Devemos responder uma pergunta: Aonde vamos nos encontrar com Jesus? 

  Em um mundo marcado pelas cruzes e dores,  a liturgia desse domingo nos convida a estar com Jesus nos caminhos da vida, mesmo quando parecer que tudo acabou ou que não podemos sair da situação vexatória e se estamos tendo dificuldades neste caminho somos convidados a parar e rezar, celebrar cultuar ao Deus da vida, para assim poder encontrar a ressurreição. 

O evangelho desse dia, nos traz uma memória  sobre  com estamos caminhando,  pois diante da falta de esperança daqueles dois discípulos (alguns dizem que seria um casal), o Forasteiro  se aproxima e faz uma  reflexão  apresentando o projeto do Reino, o Cristo chagado por causa dos  egoísmos e das  ideologias seja política ou religiosa, mas também um Cristo que vence essa peleja ressuscitando.  O autor sagrado faz questão de relatar cada detalhe, de onde eles vinham e para onde estavam indo e evangelista Lucas é o único que faz questão de fazer tal narração e se prende ao detalhe do partir do Pão para uma revelação da pessoa do Cristo Ressuscitado.

Atualizando o evangelho dentro de uma perspectivas  de hoje onde sofremos desencantos com a vida comunitária, somos omissos e até colaboramos com as crucificações virtuais, morais e aqui   vale a pena lembrar  que o  pior não fogo real que te consome,    mas a fogueira das vaidades humanas que  queimam  e continua acesas no egos de muitos que se acham mais  santos ou perfeitos ao ponto de falar de perdão e amor  no discurso, mas a pratica é outra e é desses que o Forasteiro de Emaús se fará  companheiro,  talvez precisemos compreender esse mistério, todos somos discípulos que durante um momento do caminho bate a desolação, bate o desespero e não acha saída, mas todos somos obrigados a levar a esperança para aqueles que sofrem tal desolação e da falta de fé. Porém para levar essa esperanças se faz necessário ouvir o Mestre Jesus, o Senhor da Historia que não se apresentou  com vestes caras ou com uma  autoridade para ninguém. Somos discípulo do Senhor que assumiu nossa  humanidade, que viveu plenamente  a sua realidade que não fez acordos pra obter vantagens, que não vendeu o irmão pra ficar bem na fita com um grupo.

 Temos dificuldades de ver esse Jesus que caminha conosco que aqueles discípulos pediram para ficar com eles?

Queremos o Cristo sentado em um trono, um Cristo que precisa de não sei quantas vestes, velas e incenso para se transubstanciar no altar,  um Cristo Servo obediente  aos nossos caprichos e manias que condena essa ou aquela forma de viver a fé, um Cristo que só caminha com vencedores e poderosos com certos acordos que nem vamos nos prender pra evitar processos (na atualidade ta difícil até para comprar o feijão e o arroz, imagina se formos processados). Para enxergar o verdadeiro Cristo se faz necessário ter um coração sensível para a dor do próximo,  se faz necessário ter consciência que  temos pessoas desempregadas famílias inteiras que passam fome, que sofrem  na cruz  da falta de atendimento digno na saúde (embora alguns cegos pela ideologia não vejam  os milhões de faminto ou os milhões de desempregados).  Ouvir a palavra e ter compromisso de  mudar essa realidade, não adianta missa da graça enquanto não fizermos nada para acabarmos com as desgraças que muitos irmãos vivem.  Levar a noticia do Ressuscitado envolve  fazer ressuscitar ao longo da nossa caminhada.  

Deixemos uma mensagem do Papa Francisco de Domingo, 26 de abril de 2020

  •       Há uma antiga regra de peregrinação, que diz que o verdadeiro peregrino deve ir ao ritmo da pessoa mais lenta. E Jesus é capaz disto, faz isto, não acelera, espera que demos o primeiro passo. E quando chega o momento, faz-nos a pergunta. Neste caso, é claro: «De que estais a falar?» (cf. v. 17). Faz-se de ignorante para nos impelir a falar. Gosta que falemos. Gosta de ouvir, gosta que falemos, ouçamos e respondamos, faz-nos falar. Como se fosse ignorante, mas com muito respeito. E depois responde, explica até ao ponto necessário. «Aqui diz: “Porventura não convinha que Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras» (v. 26). Explica, esclarece. Confesso que tenho a curiosidade de saber como Jesus explicou, para fazer o mesmo. Foi uma catequese muito boa! E depois, o próprio Jesus que nos acompanhou, que se aproximou de nós, finge ir além, para ver a medida da nossa inquietação: «Não. Vem, fica um pouco conosco!» (cf. v. 29). E é assim que se realiza o encontro. Contudo, o encontro não é apenas o momento de partir o pão, mas todo o caminho. Encontramos Jesus na escuridão das nossas dúvidas, até na dúvida horrível dos nossos pecados, Ele está lá para nos ajudar, nas nossas inquietações... Está sempre conosco! O Senhor acompanha-nos porque quer encontrar-nos. É por isso que dizemos que o núcleo do cristianismo é um encontro: o encontro com Jesus. “Por que és cristão? Por que és cristã?”. E muitas pessoas não sabem responder. Alguns, por tradição. Outros não sabem dizer porque encontraram Jesus, mas não se aperceberam de que era realmente um encontro com Jesus. Jesus está sempre à nossa procura. Sempre. E nós temos a nossa inquietação. No momento em que a nossa inquietação encontra Jesus, começa a vida da graça, a vida da plenitude, a vida do caminho cristão!   Que o Senhor conceda a todos nós a graça de encontrar Jesus todos os dias; de conhecer, de saber que Ele caminha conosco em todos os nossos momentos. Ele é o nosso companheiro de peregrinação.


sábado, 25 de março de 2023

Um Olhar no texto de João 11,1-45; 5º domingo da quaresma

 


Estamos  no 5º domingo da quaresma e na  próximo já estaremos  celebrando a semana das semanas e  olhando para realidade  temos ai uma fala do atual presidente que recordou o discurso do ex com palavras  nada publicáveis, mas também foi nessa semana que tivemos a queda de braço entre  o Banco Central e atual onde se percebe claramente que o BC esta a serviço de uma minoria  que concentra a riqueza do Brasil e sem deixar de fora que durante essa semana a Policia Federal independente  que frustrou um possível sequestro do ex-juiz, ex-ministro da Justiça e atual senador  que tenta fazer discurso de acusação como sempre sem prova. Mas vamos lá, dia 30 de  março  o Embusteiro disse que vem ai.  Em resumo uma semana cheia de emoções  para  todos os gostos, vamos para a liturgia desse domingo.
As leituras são as seguintes: Ezequiel  37,12-14; Salmo 129 (130) com o refrão: No Senhor está a misericórdia e abundante redenção;  Romano  8,8-11, e evangelho de João  11,1-45.   A proposta de hoje da liturgia  nos apresenta  a ressurreição como base para os seguidores de Jesus. Hoje temos todo o capitulo 11 de João  com a narrativa da ressurreição de Lazaro o seu amigo revelando para todos quem de fato Ele era,  o Messias esperado. O evangelho de João também é conhecido como o livro dos sinais começando com o milagre de Caná e encerra  com a ressurreição de Lazaro em Betânia a 3 km  onde ele faz catequese da vida. Aqui pedimos uma parte para refletir como nos sétimos triste quando não estamos juntos com os amigos na hora de um funeral de um parente e aqui o autor fala que  já teria ocorrido a 4 dias o falecimento sendo o único evangelho que narra tal fato.

Diante da realidade da morte o evangelho hoje nos chama para  comunicarmos a vida e podemos dividir esse texto em 4 partes

1ª parte:

 João 11,1-16

O texto inicia falando da doença de Lazaro e termina falando da morte do mesmo.  Aqui temos uma comunidade Apostólica que não percebe ainda a missão de Jesus e chega ao ponto de apresenta  uma realidade de perseguição e até mesmo de uma possível reação

 

2ª parte:

João11,17-29

Jesus encontra a Marta que não espera Jesus chegar e ali faz sua profissão de fé e volta pra comunicar sua irmã que Jesus estava a caminho e também faz sua profissão de fé e é seguida pelos religiosos presentes no funeral

3ª parte:

João: 11,30- 37

Jesus procura saber onde estar o corpo  e  pede para remover a pedra e se emociona diante da realidade revelando sua profunda amizade aqueles seus amigos e

4ª parte:

João 11-38-45

 

Se percebe o deboche dos fariseus diante do fato e Jesus pergunta onde esta o tumulo, e ali se percebe a falta de fé, pois todos  falam do mal cheiro do corpo de lazaro, pois já tinha passado 4 dias, mas diante do desafio removem a pedra.  E lazaro sai do sono da morte com o chamado do Senhor.

Diante dos mortos nas diversas realidades que vivemos somos convidados a  abrir e chamar para vida, a morte pode ser social para aqueles que estão nas dependências químicas, no desemprego  e outras mortes que fechamos os olhos   e aqui  recordamos São Oscar Romero que celebramos  a data do seu martírio  no dia 24 de março. Ele  denuncia uma religião sem comunhão com a vida pregada por Jesus: 

  • “Uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas não agrada ao Deus da Vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração não é cristã. Uma Igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças não é a verdadeira igreja de nosso Divino Redentor.”[1]
E ele nos   traz para nossa reflexão uma  meditação do papel da igreja :

  •  "Quando lutamos pelos direitos humanos, pela liberdade, pela dignidade, quando sentimos que é um ministério da igreja Para se preocupar com aqueles que estão com fome, pois aqueles que não têm escolas, para aqueles que são privados, não estamos partindo da promessa de Deus. Ele vem nos libertar do pecado, e a igreja sabe que as consequências do pecado são tais injustiças e abusos. A igreja sabe que é salvar o mundo quando se compromete a falar também de tais coisas."

Em resumo ser Igreja é remover as pedras  que sepultam os 33 milhões de famintos, os 14 milhões de desempregados e aqueles escravizados pela rede de juros ditados pela economia.  Lazaro que esta doente, Lazaro que esta na sepultura é uma realidade que não queremos ver. No batismo recebemos a graça da vida eterna que receberemos segundo a nossa profissão de fé com a nossa ressurreição e devemos ser agentes de ressurreição, chamando  Lazaro para fora dos túmulos. Lazaro, Maria e Marta eram irmãos e    autor faz questão de ressaltar essa linha parental, demonstrando a relação fraterna aqui  voltamos a dos textos que  convidamos todos a leitura  o primeiro é: Como se faz uma hermenêutica II. A ressurreição de Lázaro  e segundo é uma fala de Leonardo Boff que nos pede para olhar para outro e para natureza   como irmão e irmã: Leonardo Boff fala da Encíclica do Papa Francisco em resumo a relação empatia ao sofrimento do outro.  Que sejamos um Cristo ressuscitando os mortos.

Encerramos como um texto desse domingo  com a fala  do Papa Francisco[2]: 

  • "Aqui constatamos diretamente que Deus é vida e dá vida, mas Ele assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do seu amigo Lázaro, mas ele quis fazer sua a nossa dor pela morte de entes queridos, e acima de tudo ele quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte. Neste trecho do Evangelho, vemos que a fé do homem e a omnipotência de Deus, do amor de Deus procuram-se e, por fim, encontram-se. É como um caminho duplo: a fé do homem e a omnipotência do amor de Deus que se procuram,  no final encontram-se. Vemo-lo no grito de Marta e de Maria e de todos nós com elas: «Se Tu estivesses aqui!». E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida... Tende fé! No meio do choro continuai a ter fé, mesmo que a morte pareça ter vencido. Tirai a pedra do vosso coração! Que a Palavra de Deus restitua a vida onde há a morte». Ainda hoje Jesus nos repete: «Tirai a pedra».   Deus não nos criou para o túmulo, Ele criou-nos para a vida, bela, boa, alegre. Mas «a morte entrou no mundo por inveja do diabo» (Sb 2, 24), diz o Livro da Sabedoria, e Jesus Cristo veio para nos libertar dos seus laços. Por isso, somos chamados a remover as pedras de tudo o que cheira a morte: por exemplo, a hipocrisia com que se vive a fé é morte; a crítica destrutiva dos outros é morte; a ofensa, a calúnia, é  morte; a marginalização dos pobres é morte. O Senhor pede-nos para remover estas pedras do coração, e a vida então florescerá novamente ao nosso redor. Cristo vive, e aquele que o acolhe e adere a ele entra em contacto com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, não só a vida não está presente, mas cai-se de novo na morte. A ressurreição de Lázaro é também um sinal da regeneração que se dá no crente através do Batismo, com plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e poder do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida e que vai em direção à vida."

Que Deus nos Ajude!!!




[1] Dom Óscar Romero (04/12/1977)

[2] Domingo, 29 de março de 2020

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Um Olhar no texto de Mateus 5, 13-16 - 5º domingo do tempo comum

 


Iniciamos o mês de fevereiro com a posse  no Parlamento brasileiro, com a eleição da nova presidência da câmara e do senado e ainda continua no centro da noticia a historia  de um golpe que estava sendo orquestrado pelo  grupo do ex-presidente e a novidade que agora alguém disse que ele estaria junto,  sem  medo podemos dizer que a nomeação de certa ministra do Rio de Janeiro no atual  governo deveria nos causar indignação e pedir que o atual  presidente tenha coragem de demiti-la e ainda a oposição de alguns parlamentares da base do governo a possível CPI para investigar os atos de 8 de janeiro é algo deveria fazer qualquer cidadão comprometido  a ligar o alerta, diante dessa realidade que iremos meditar a Palavra de Deus NESSE 5º domingo do tempo Comum que tem a seguinte liturgia:   Isaias 58, 7-10, salmo 111 (112) Refrão 1: Para o homem recto nascerá uma luz no meio das trevas.  I Coríntios  2, 1-5 e o evangelho de  Mateus 5, 13-16

 A Igreja do Brasil  colocou como Lema do documento 105 da CNBB[1]  o versículo 14 do capitulo 5º do evangelho de Mateus  fazendo ecoar  a ideia e papel do Povo batizado frente a realidade, aqui vale para todos nós que devemos estar em nossas realidades  compromissados e ser mais solução que problema.  Vivemos tempos de espiritualidade das multidões, dos  simbolismo, das veste e roupas de valores absurdo diante de um pais de uma população  que recebe  menos que 200 dólares para viver o texto de hoje é um desafio de romper  essa estrutura da religião trancada em si mesmo,  fechada em  sua  posição titulo e honra da mediocridade  e da hipocrisia, por isso  Jesus apresenta essa obrigação logo após as bem aventuranças, pois a condição para receber os benefícios  da mesma é esta inserido na realidade do mundo, o Cristão comprometido com sua cidadania batismal tem por obrigação esta inserido no desafio de viver a realidade conforme São Paulo  Apóstolo nos orienta em 1º Coritios 12,2:

·         E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. 

Neste cotexto a Exortação Apostólica   Evangelii  Gaudium nos números 93 e 94   nos convida a dizer não a religião que vive  isolada em si mesma:
  

·         O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, é buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal. É aquilo que o Senhor censurava aos fariseus: «Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único?» (Jo 5, 44). É uma maneira subtil de procurar «os próprios interesses, não os interesses de Jesus Cristo» (Fl 2, 21). Reveste-se de muitas formas, de acordo com o tipo de pessoas e situações em que penetra. Por cultivar o cuidado da aparência, nem sempre suscita pecados de domínio público, pelo que externamente tudo parece correto. Mas, se invadisse a Igreja, «seria infinitamente mais desastroso do que qualquer outro mundanismo meramente moral». Este mundanismo pode alimentar-se sobretudo de duas maneiras profundamente relacionadas. Uma delas é o fascínio do gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos. A outra maneira é o neopelagianismo auto-referencial e prometeuco de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico próprio do passado. É uma suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente. São manifestações dum imanentismo antropocêntrico. Não é possível imaginar que, destas formas desvirtuadas do cristianismo, possa brotar um autêntico dinamismo evangelizador.

O texto  de hoje  nos convoca  um compromisso, todos nós queremos os benefícios de Mateus 5,1-12, mas para tê-los se faz necessário viver o texto de hoje,  ser sal e  dar sabor e conservar o alimento,  ser luz é  compromisso com a verdade do evangelho, é ter transparência  em seus atos, dando um testemunho coerente com atitudes da defesa da vida, da dignidade da pessoa humana, ser sal é saber a medida certa, pois na medida errada tudo perde o sabor e o sentido.



[1]  Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil.

sábado, 28 de janeiro de 2023

Um Olhar no texto de Mateus 5, 1-12 - 4º domingo do tempo comum

Fechamos o mês de Janeiro nessa epopeia de viver no Brasil, muitos garantiram que não haveria posse do atual presidente e no segundo domingo houve uma invasão onde esta sendo investigada, infelizmente   continua a fabricação de notícias falsas, também as noticias falsas velhas sendo requentadas, sem esquecer o genocídio dos Indígenas por omissão e e percebe uma  política especifica para o extermínio dos povos indígenas no governo que terminou em dezembro de 2022, em resumo janeiro  se vai mas ainda temos uma  esperança em 2023,  com novo governo e neste inicio do novo ano.

Na liturgia da Igreja Católica chegamos ao 4º Domingo do Tempo Comum que continua a temática do domingo passado que é,  o anuncio do Reino e as leituras são as seguintes: Sofonias 2, 3; 3,12-13; Salmo 145 (146) com refrão Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus;[1] I Coríntios 1, 26-31 e o evangelho de Mateus 5, 1-12 que já fizemos uma breve reflexão no domingo dedicado a Todos os Santos que  vale a pena ler, pois lá fazemos uma leitura comparativa com Lucas 6, 20-26[2]. Neste texto se percebe que  ser discípulo  de Jesus é andar na contramão do mundo que apresenta o ideal do acumulo do patrimônio financeiro, a busca da posição social e toda preocupação em estar nos primeiros lugares[3] e a pobreza no contexto histórico de Jesus era um sinal de maldição. A palavra pobre aparece em 5 textos (quadro abaixo) nos evangelhos e 133 vezes em toda bíblia e todas às vezes apresenta dentro do contexto positivo.

Citação

Texto

Lucas 1, 48

Porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

Mateus 5, 3

Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!

Marcos 12, 42-43

Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um qua­drante. E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes:

“Em verdade vos digo: esta pobre viú­va deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,

Lucas 21, 3

"“ Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros.

Marcos 14.7

O “pobre sempre os tende convosco”

O evangelho anunciado por Jesus muitas das vezes entra em conflito com modelo de alguns lideres religioso que estão preocupados em manter sua estrutura de poder financeiro sendo oposto do presente no evangelho, tentando mascarar o texto ce hoje  com termo pobre de espírito,  já que no antigo testamento o termo pobre é ebyôn  significa: “necessitado” ou seja, é o individuo que foi “maltratado ou está sofrendo algum problema social” e ganham o adjetivo “aflito”, “angustiado”, “desamparado”.  Uma das causas da pobreza real como no antigo testamento era a morte do chefe da família, que na lógica humana representava que Deus abandonou essa família e Jesus rompe com essa lógica se referindo os mesmo com bem aventurado no sentido de feliz, de alegre, afortunado em grego makarios

Ainda na lógica do mundo reação espontânea a provocação Jesus novamente traz uma resposta que não agrada a muitos.  Olhando para o texto da promoção da Paz, sendo um sinal aqui a lógica de construir a paz, neste contexto muito nos admira um discurso  pró-armas da parte de alguns que dizem ler a bíblia, pois sew fato fossem cristãos teriam lido o Salmo 127, 1b“Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”.  Sabemos que texto de hoje é  um mapa que nos ajuda a caminhar na realidade do mundo e citando uma das catequeses do Papa Francisco[4]

  • ·         Mas o que significa ter fome e sede de justiça? Certamente não estamos a falar daqueles que querem vingança, pelo contrário, na bem-aventurança precedente falamos de mansidão. Certamente as injustiças ferem a humanidade; a sociedade humana tem uma necessidade urgente de equidade, verdade e justiça social; recordemos que o mal sofrido pelas mulheres e pelos homens do mundo chega ao coração de Deus Pai. Que pai não sofreria pela dor dos seus filhos?

Aqui vale a pena recorda que há três tipos de justiça:

1.    Justiça de Divina: Sendo a verdadeira justiça que muitas das vezes não compreendemos.

2.   Justiça humana: seguindo algumas normas códigos, partido do principio das provas e julgamento.

3.   Justiça pessoal: o principio da vingança, da reação e de garantir sua opinião

  O texto de hoje de forma indireta é continuação do chamado da semana passada[5] onde Jesus anuncia o Reino,  no texto de hoje ele coloca as condições para fazer parte do Reino.  As três primeiras bem aventuranças[6] contempla os ditos amaldiçoados e segunda parte[7] fala do convívio social na questão moral e a as bens  aventuranças abrem o sermão da montanha, que  acontece nos capítulos: 5, 6 e 7 de Mateus sendo a base para a doutrina dos cristãos e  temos varias adaptações do referido texto e por isso voltamos a  catequese do Papa Francisco[8]

  • ·        Por esta razão, a Igreja é enviada a proclamar a todos a Palavra de Deus, imbuída de Espírito Santo. Pois o Evangelho de Jesus Cristo é a maior justiça que pode ser oferecida ao coração da humanidade, que tem uma necessidade vital dele, mesmo sem se aperceber (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2017: «A graça do Espírito Santo confere-nos a justiça de Deus. Unindo-nos, pela fé e pelo batismo, à paixão e ressurreição de Cristo, o Espírito Santo faz-nos participar da sua vida»

Que Deus nos ajude a viver o mês de fevereiro que chega com carnaval e a abertura da Campanha da Fraternidade com o Tema Fraternidade e fome” e o lema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16), não deixemos de participa e não esqueçamos a bem aventuranças  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.[9]




[3] Mateus 6, 33

[4] Catequese do Papa Francisco da Quarta-feira, 11 de março de 2020

[5]  Mateus 4, 12-23

[6] Mateus 5,3–5

[7] Mateus 5,6–12

[8]  Indem ao nº4

[9] Mateus 5,6