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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Um breve olhar sobre Lucas 15, 3-7


A Ovelha Perdida e o Coração que Ama Até o Fim

Na liturgia do Sagrado Coração de Jesus, contemplamos o mistério de um amor que se dá por inteiro, que se consome em fidelidade, e que insiste em amar mesmo quando não é amado (cf. Os 11,1-4; Jr 31,3). Neste dia, a Palavra nos coloca diante de uma das imagens mais conhecidas e paradoxais do Evangelho: o Pastor que deixa noventa e nove ovelhas no deserto para ir em busca da única que se perdeu (Lc 15,3-7). O que parece, aos olhos da lógica racional, uma atitude imprudente ou até negligente, é, na verdade, a mais pura revelação da radicalidade do amor de Deus.

Este texto faz parte de um capítulo profundamente unitário no evangelho de Lucas. Todo o capítulo 15 — com as parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida (vv. 8-10) e do filho pródigo (vv. 11-32)  proclamado no 4⁰ Domingo da Quaresma  e retorna  no 24⁰ domingo  do Tempo  Comum  inserido  de forma fluida  na proclamação  de Lucas 15, 1-32 — constitui uma resposta de Jesus às murmurações dos fariseus e escribas, que o criticavam por acolher pecadores e comer com eles (Lc 15,1-2). Não estamos diante de três parábolas soltas, mas de uma tríade pedagógica que revela, em crescendo, o escândalo da misericórdia divina e a centralidade do “buscar e encontrar”. A estrutura é repetida: algo se perde, alguém busca, algo é encontrado, e há festa.

"Qual de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma..."

 Jesus inicia a parábola com uma pergunta que desestabiliza o senso comum. Quem, de fato, deixaria noventa e nove para buscar uma? Nenhum pastor sensato faria isso. E é justamente aí que se revela a diferença entre Deus e o homem. Como diz Isaías, “meus pensamentos não são os vossos pensamentos” (Is 55,8). O que para nós parece irracional, para Deus é sinal de justiça e fidelidade. A justiça de Deus não se mede por quantidade ou mérito, mas por um compromisso visceral com cada vida, especialmente com a que está à margem.

O texto carrega ecos do Antigo Testamento. O próprio Deus, no livro de Ezequiel, se apresenta como pastor que busca a ovelha perdida: “Procurarei a que estiver perdida, reconduzirei a que se desgarrar, enfaixarei a ferida, darei força à fraca” (Ez 34,16). Jesus não apenas narra essa parábola: Ele encarna esse Deus-pastor, que se lança em missão até as periferias humanas (cf. Mt 9,36; Mc 6,34). Não é por acaso que o Bom Pastor da parábola carrega nos ombros a ovelha reencontrada — gesto de ternura, de responsabilidade, de dignidade restaurada (cf. Is 40,11).

Esse reencontro é celebrado com alegria, porque “há mais alegria no céu por um só pecador que se converte” (Lc 15,7). A festa no céu contrasta com a frieza dos religiosos que murmuravam contra Jesus por acolher os pecadores (Lc 15,2). A parábola, portanto, não é apenas doutrina; é denúncia. Ela põe em xeque uma religião que contabiliza fiéis, mas não conhece seus nomes; que exige pureza moral, mas não tem compaixão; que se envergonha dos fracos e bajula os fortes. Jesus, ao contrário, não se envergonhava de se deixar tocar por leprosos, comer com publicanos, dialogar com samaritanas, curar em dia de sábado. Ele é o Coração que sangra por amar (cf. Jo 19,34).

Nesse sentido, a ovelha que se perde pode ser também aquela que não suportou mais a hipocrisia do redil. Talvez não tenha se desviado por rebeldia, mas por fome de sentido. Talvez tenha sido empurrada para fora por uma comunidade que, ao invés de pastorear, policiava. Quantas vezes a ovelha se afasta porque a Igreja falhou em ser refúgio? Quantas vezes nossas estruturas eclesiais — marcadas por clericalismo, legalismo, autorreferência — produziram mais afastamento que comunhão? Como advertia o Papa Francisco, de santa memória, em sua exortação Evangelii Gaudium: “Prefiro uma Igreja acidentada por sair às ruas do que uma Igreja doente por se fechar em si mesma” (EG, 49). Francisco recuperava com força a intuição de que a fé cristã é caminho, dinamismo, travessia. Como a mulher que acende a lâmpada ou o pastor que atravessa o deserto, também a comunidade eclesial é chamada a sair, a iluminar, a buscar com perseverança — mesmo aquilo que outros julgariam perdido para sempre.

A pastoral do coração não calcula perdas, mas busca o que falta. A missão do Cristo, revelada no próprio evangelho de Lucas, é “buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10). O mesmo verbo usado para descrever a missão de Jesus reaparece aqui na ação do pastor: ele vai atrás da ovelha. A fé cristã não é estática. É movimento, saída, peregrinação. O amor do Sagrado Coração é dinâmico, inquieto, sempre em busca.

Essa busca envolve riscos. O deserto é perigoso. As noventa e nove ficam desprotegidas. Mas o que está em jogo não é uma organização pastoral eficiente; é o coração do Evangelho. Jesus jamais fundou um modelo de controle, mas de compaixão. Ele mesmo diz que o pastor verdadeiro não foge diante do lobo, mas entrega a vida (Jo 10,11-15). E o apóstolo Paulo interpreta esse gesto como loucura do amor: “Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). Ou seja, antes mesmo do arrependimento, o amor já nos alcançou. Nesse movimento de busca e encontro, revela-se também a dimensão eucarística da parábola. A festa ao reencontrar a ovelha é um banquete de reconciliação. Lembra o pai do filho pródigo que manda matar o novilho gordo para celebrar o retorno (Lc 15,23). Na Eucaristia, a Igreja revive essa alegria do reencontro, mas ela só é autêntica quando todos têm lugar à mesa. Não podemos comungar o Corpo de Cristo e, ao mesmo tempo, excluir os corpos concretos dos irmãos e irmãs feridos. Não há comunhão sem inclusão.

O drama da religião sem coração, do rito sem vida, é a cegueira diante da ovelha ferida. A extrema-direita religiosa, ao instrumentalizar o cristianismo para justificar políticas de exclusão, violência e supremacia, trai o Evangelho do Pastor que se perde por amor. A verdadeira tradição eclesial está ao lado dos pobres, dos marginalizados, dos que choram (cf. Mt 5,3-12). A ovelha perdida, para muitos desses movimentos, é escandalosa. Mas é ela que provoca a festa no céu e  talvez seja necessário ir além: quem disse que a ovelha perdida está fora? E se o redil não for sinal de comunhão, mas de conformismo? E se o que chamamos de “segurança” for, na verdade, o aprisionamento de consciências? O profeta Isaías já dizia: “todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho” (Is 53,6). A ovelha perdida, portanto, não é exceção: é espelho. Todos somos, de algum modo, buscados por um amor que se recusa a desistir de nós. 

A crítica filosófica pode nos iluminar aqui: Friedrich Nietzsche, embora crítico da religião institucional, intuía que muitas vezes é o doente quem enxerga melhor a doença da sociedade. A ovelha "perdida", nesse sentido, pode ser a mais lúcida. Há uma denúncia implícita contra uma espiritualidade massificada, onde a segurança de estar “dentro” faz com que ninguém mais questione se o caminho é realmente justo. A ovelha perdida pode ser o artista que se afastou porque não havia espaço para sua sensibilidade na rigidez litúrgica; pode ser a mulher excluída por ser mãe solteira; pode ser o jovem que se levantou contra o racismo estrutural da comunidade de fé; pode ser o pobre que se cansou de ouvir sermões sobre obediência enquanto era oprimido.

Nesse sentido, ela não apenas precisa ser buscada — ela nos desafia. O retorno da ovelha perdida não é apenas salvação pessoal, é uma provocação comunitária. Ela carrega consigo o clamor de uma Igreja mais inclusiva, mais humana, mais aberta ao Evangelho como libertação. E é nesse reencontro — com suas feridas, perguntas e esperanças — que o Coração de Jesus se regozija e nos convida a fazer festa.

O Sagrado Coração de Jesus, transpassado e vivo, continua a pulsar por cada um que se distancia. Ele não pergunta o motivo da perda, mas se lança na busca. E o faz com pressa, como a mulher que varre a casa para encontrar a moeda (Lc 15,8-10), como o pai que corre ao encontro do filho (Lc 15,20). Esse Deus corre, busca, carrega, celebra.

Que esta parábola — breve, mas abismal — nos desinstale. Que nos liberte da ilusão de estarmos já salvos só porque permanecemos no “rebanho”. Que nos converta a um cristianismo do coração, onde a prioridade seja sempre o que está fora, ferido, perdido. E que a Igreja, à imagem do seu Senhor, tenha a coragem de deixar os noventa e nove e sair pelas estradas, pelos becos, pelos desertos... até encontrar a que falta. Porque é ela que faz falta ao Coração de Deus e talvez essa saída não seja apenas para buscar, mas para aprender. Talvez o reencontro com a ovelha nos mostre o que esquecemos no redil: o frescor do Evangelho, a dor do povo, o clamor por justiça, o grito de quem nunca foi ouvido. A festa no céu, afinal, começa quando o amor vence o medo, e a misericórdia desfaz os muros da indiferença.

Celebrar o Coração de Jesus é comprometer-se com sua compaixão que não calcula, com sua ternura que não se escandaliza, com sua fidelidade que não desiste. Se nos deixarmos encontrar por esse amor — e se formos capazes de buscá-lo nos caminhos esquecidos — então a parábola deixa de ser apenas palavra e se faz carne em nós e  a Igreja se tornará, enfim, o que é chamada a ser: não um curral fechado de justos, mas casa aberta onde até a ovelha mais ferida encontre abrigo, dignidade e pão.



DNonato – Teólogo do Cotidiano


domingo, 15 de junho de 2025

Santidade existe? Entre os quatro "erres" da Rua, da Rejeição, do Reino e da Religião


Diante de um mundo que mercantiliza a fé, surge a pergunta: Santidade existe?

Entre a Rua, a Rejeição, o Reino e a Religião, buscamos a resposta. As Escrituras nos conclamam: 
  • "Sede santos, porque Eu sou santo" (Lv 19,2)
  • "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48)
  • "Tornai-vos santos em todo o vosso proceder" (1Pd 1,15)
Contudo, essa santidade não está à venda. Ela não se encontra nas vitrines da fé, nem nos púlpitos dourados onde a espiritualidade se tornou um mero mercado. Jesus, em sua indignação, entrou no templo e expulsou os vendedores (Mt 21,12).

E por que Ele o fez? 

Porque a santidade não se negocia.  Ela é inegociável. Vale lembrar que, no contexto do Segundo Templo, os comerciantes e cambistas se beneficiavam do sistema sacrificial, transformando a casa de oração num espaço de opressão econômica e exclusão social. A ação de Jesus foi mais que simbólica: foi profética e revolucionária, uma denúncia contra a religião institucionalizada e vendida. A verdadeira santidade nasce na rua, no cotidiano, na realidade  sofrida  da quebrada, da comunidade, ela sofre na rejeição, nas incompreensões do mundo, vive pelo Reino, em serviço e amor, e resiste à religião do domínio que, por vezes, perdeu o coração.  
A Santidade é amor que não se dobra diante das adversidades, é a justiça que não se vende por preço algum, é a graça que não se compra, mas se recebe e se doa livremente. 

A santidade, no Antigo Testamento, é chamada à separação para Deus e compromisso ético com o próximo. Esse compromisso está enraizado na Torá, onde ser santo implica viver de forma justa, defender o estrangeiro, o órfão e a viúva — e isso se prolonga nos profetas.
Não esqueçamos: foi fora do templo que crucificaram o Santo. E é fora dos holofotes que muitos santos ainda caminham hoje, sem aplauso, sem reconhecimento, mas com inabalável fidelidade.

Essa reflexão surgiu em uma madrugada, quando assistimos a um filme nada ortodoxo, quase bobo, chamado “Um Santo Vizinho” (St. Vincent, 2014), estrelado por Bill Murray. O filme apresenta Vicente, um senhor alcoólatra e ranzinza que, apesar de parecer o avesso da santidade para os puritanos, encarna uma realidade dura e um amor profundo: cuida da esposa com Alzheimer, a quem se mantém fiel e dedicado (chegando a se vestir de médico, lembrando seu passado como herói de guerra condecorado), e ainda ajuda uma prostituta do bairro que  esta gravida (Naomi Watts) e uma mãe solo com uma criança necessitada de atenção (Melissa McCarthy).
Um garoto, Oliver (interpretado por Jaeden Martell), diz que não crê em santos durante uma aula e professor passa uma tarefa de cada um pesquisar um santo para apresentar em seminário da escola. Sabemos  que sua descrença nasce dos modelos que ele conhece: pessoas que rezam muito e vivem somente na igreja, mas sem praticar o amor, a compaixão e a solidariedade no cotidiano. Sua fé parece oca, como alerta a Escritura: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Será que tal fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisando de alimento diário, e um de vocês lhes disser: 'Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se', sem, contudo, lhes dar o que comer, de que adiantará isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2,14-17).

Oliver, contudo, reconhece a santidade encarnada em Vicente, que não tem “cara de santo”, mas vive o amor concreto. O menino, mesmo em sua ingenuidade, pratica uma leitura espiritual mais autêntica e coerente do que muitos adultos de fé institucionalizada.
Esse filme nos recordou outro clássico brasileiro, “Deus é Brasileiro” (2003), dirigido por Carlos Diegues, com Antônio Fagundes no papel de Deus e Wagner Moura como Quinca das Mulas — um pescador ateu do sertão que é considerado por Deus como possível substituto para governar o céu enquanto Ele tira férias. Curiosamente, Quinca, mesmo sem fé institucional, vive uma santidade prática e profunda, mais real que a de muitos cristãos nominais. Ele é generoso, justo, cuidadoso com os outros, e sobretudo, profundamente humano.

Esses dois personagens, Vicente e Quinca, de mundos tão distintos, e longe dos modelos pintados em nossas Igrejas, convergem em um ponto crucial: nos ajudam a compreender que a santidade não é uma moldura religiosa nem um diploma canônico. É presença, é serviço, é ternura concreta. É a mística do cotidiano que se transforma em prática amorosa.
Isso ecoa a exortação de Paulo em Filipenses 2,3-4: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.”

E como Jesus mesmo ensinou:
“Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20,26-28).

A Bíblia está cheia de histórias assim, onde Deus age de maneiras inesperadas e através de pessoas improváveis, mostrando que sua escolha vai além da lógica humana:
“Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Escolheu as coisas humildes do mundo, as desprezadas e as que não são, para anular as que são, a fim de que ninguém se vanglorie na sua presença” (1 Coríntios 1,27-29).

Naamã, o sírio pagão, cura-se pela fé e pelo gesto humilde de obedecer à palavra do profeta (2Rs 5). A viúva de Sarepta acolhe Elias com o pouco que tem e é exaltada por Jesus (Lc 4,26). A mulher samaritana, rejeitada e marcada por feridas existenciais, se torna evangelizadora (Jo 4). Pedro negou, Paulo perseguiu — mas ambos foram alcançados pela graça que ultrapassa qualquer doutrina.
“O homem vê a aparência, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16,7).
Essa verdade é um chamado à autenticidade. O profeta Oséias já nos lembrava: “Pois desejo misericórdia, e não sacrifícios; conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Oséias 6,6).

A verdadeira adoração não está nos ritos vazios, nas missa, cultos  mas na transformação do coração em atos de justiça e bondade, como clamava Isaías: “Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, ajudai o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Isaías 1,17).

Dom Oscar Romero, mártir do nosso tempo, viveu a santidade profética da compaixão. Enfrentou as “semanas injustas” com o corpo e a voz em defesa dos pobres. Sua santidade nasceu da fidelidade à carne ferida do povo. Um episódio marcante foi sua homilia em 23 de março de 1980, onde, diante das Forças Armadas salvadorenhas, exclamou:
“Em nome de Deus, e em nome deste povo sofrido, cujas lamentações sobem até o céu cada dia mais tumultuosas, eu lhes peço, eu lhes suplico, eu lhes ordeno: parem com a repressão!”
No dia seguinte, foi assassinado enquanto celebrava a Eucaristia. Sua vida, como a dos profetas, foi semente de um novo mundo.

E como repete um velho padre sábio:
“Há mais comunhão entre cachaceiros e prostitutas do que em muitas igrejas"  e ousamos  completar: Deus falou por uma jumenta contra um profeta vendido (Nm 22,28); por que não falaria hoje por pecadores rejeitados por normativas que fecham a porta para eles, enquanto tantos de batina , de mitra e com milhares de seguidores nas redes vendem o nome de Deus a serviço do poder? 
 Jesus mesmo declarou diante dessa realidade: “Os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus” (Mt 21,31).

Santidade não se mede por presença em cultos,  conhecimento  teológico ou diploma de sacramento  recebido, mas pela capacidade de encarnar o amor de Deus no mundo.
Como diz a canção popular de Fernando Mendes: “Não adianta ir à igreja e fazer tudo errado. Você quer a frente das coisas olhando de lado
O céu que te cobre não cobra a luz da manha. Desperte pra vida, acredite: a sorte é irmã”

E ainda:
“Não adianta um pé de coelho no bolso traseiro. Nem mesmo a tal ferradura suspensa atrás da porta
Pois toda sorte tem quem acredita nela”
É quase como dizer: não adianta ter aparência de fé sem uma vida de fé. A “sorte” da santidade é irmã da confiança, da prática, da coerência — não do teatro.
E essa mesma denúncia atravessa o rap profético de Godzila do Rap, no seu “Evangelho dos Fariseus”, que questiona a hipocrisia dos que oram alto e pregam prosperidade, mas ignoram o pobre à porta. Godzila, com sua linguagem contundente, escancara a contradição de uma fé que acumula e exclui. É voz periférica, profética, que remete aos clamores dos salmos e dos profetas.
E nessa mesma trilha, o saudoso Papa Francisco, profeta da ternura e da coerência, dizia com firmeza: “É melhor ser ateu do que um cristão hipócrita.” (Audiência Geral, 23 de fevereiro de 2017).
Ele nos lembrava que não basta usar o nome de Cristo — é preciso viver como Ele viveu: com compaixão, verdade, justiça e serviço. O escândalo não está no mundo, mas em cristãos que dizem crer, mas agem como se Deus fosse uma ideia vazia ou uma moeda de troca religiosa.
Essa crítica poética nos remete diretamente ao Evangelho segundo Mateus 25,35-40, onde Jesus aponta com clareza os critérios do juízo final:
Tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes me ver.”
“Sempre que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”

A pergunta que emerge é dura:  Quem são, então, os verdadeiros santos? 

Aqueles que rezam e condenam, ou aqueles que amam sem alarde, servem sem palco e cuidam sem manual? Jesus foi direto: Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai” (Mt 7,21).
E qual é essa vontade, senão amar como Ele amou (Jo 13,34), fazer da vida um dom para os outros (1Jo 3,16), e ser presença viva de ternura e justiça?
“Deus é amor, e aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4,7-8).
“Não há amor maior do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15,13).
Talvez por isso, aquele garoto no filme, mesmo sem saber rezar o credo, conseguiu fazer o mais verdadeiro dos atos de fé: reconhecer um santo onde o mundo só via um velho bêbado. Porque santo é quem ama. Santo é quem cuida. Santo é quem fica, mesmo quando todos vão embora.
E isso, nenhuma norma consegue medir. 
Nenhuma teologia sistemática consegue conter. Só a vida, vivida em profundidade,  consegue revelar.

DNonato – Teólogo do Cotidiano, longe da santidade pintada por muitos

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sim a doutrina Cristã, sim a Vida


Durante esses dias vimos um grupo de irmãos lançando a campanha que “O Pastor Feliciano não me representa”, deixamos bem claro que também não nos representa. Não concordamos com as definições deste homem que o negro é amaldiçoado, com  a discriminação de Gays e Lésbicas e de religiões de matriz africana.    Mas temos que nos atentar que se estado é Laico, como que elegem para o cargo público um líder religioso? Como permite que certas religiões tenham certas concessões obtendo emissoras de rádio e  TV?
 Usam o Estado para  servi a  esse ou aquele interesse deste ou daquele grupo. Bem,  essa é outra discursão que ficará para mais tarde. Sabemos do projeto de Lei da união homoafetiva, que  esta acontecendo e não podemos nos opor, mas  não podemos aceitar  que o direito da família  no modelo tradicional seja  colocado para debaixo do tapete ou esquecido em uma sociedade que a cada dia busca novas experiência e preza pelo  hedonismo e aqui vale a pena cita as palavras  dos ministros do STJ que vale tanto para os pares homossexuais como para os casais heterossexuais :
·                       Ministro Ayres Britto: “Aqui é o reino é da igualdade absoluta, pois não se pode alegar que os heterafetivos perdem se os homoafetivos ganham. Essa dedução, essa conclusão, não se coloca”.
·                       Ministra Ellen Gracie: “Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes”.
·                       Ministro Celso de Mello: “Ninguém pode ser privado de seus direitos políticos e jurídicos por conta de sua orientação sexual.”
·                       Ministra Cármen Lúcia: “Pluralismo tem que ser social para se expressar no plano político. E os cidadãos precisam ser livres para que tenham uma sociedade plural”.
Tais frases foram ditas na audiência que foi votado a PLC 122[1].  A questão do direito dos homossexuais deve ser olhada com carinho, mas também eles não têm direito de entra em nossas Igrejas criminalizando nossas doutrinas e a nossas práticas vejamos a Bíblia:
·                     Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos[2]...
·                     Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação[3]...
É preciso ver todo o contexto em que o texto foi produzido e que tais versículos não nos dá base, para condenar nenhum ser humano, reconhecemos o pluralismo do mundo que há diferenças de opiniões, mas a verdade do evangelho não pode ser descartada para agradar esse ou aquele grupo.  Uma certeza todos devemos ter, que a misericórdia de Deus é infinita. Alguns grupos como a Igreja Católica no novo catecismo deixa bem claro que os Homossexuais podem integrar a comunidade[4] desde que aceitem viver de forma casta.
A Igreja na atualidade não  pode impor ao Estado sua doutrina como base para um tratado social e nem o Estado impor Igreja suas leis  para um tratado doutrinário, mas temos  considerar a voz da Igreja no tange a defesa da vida.  Não podemos viver uma Fé fundamentalista ou limitando-a a uma crença que outro vai para o inferno por ser ou agir diferente da maioria ou não esta de acordo com os parâmetros que acreditamos. Não podemos ignorar fatos ocorridos em vários locais do Brasil onde os alguns ativistas da causa LGBT apelam para o escândalo ou a desordem  com a finalidade de  se impor, vejamos o caso narrado neste blog  pelo Cardeal Schecer em 28/06/2011 com o titulo: Respeito a liberdade e respeito a Fé que aconselhamos a todos a ler, recordamos ainda alguns conflitos  nas portas da Igreja Católicas, Evangélicas e em praça pública devido a opção deste ou daquele pensamento, é algo que deve ser evitado.  
Quanto aos homossexuais que militam por esse ou aquele direito lembre-se que outros também têm o seu direito de pensar e agir livremente.  A lei não dá direito para gays e Lesbicas atacarem qualquer pensamento religioso e também não dá direito a qualquer religioso a ofender a opção sexual de um grupo ou pessoa.  A bíblia Cristã pode ser considerada ultrapassada ou homofóbica para os grupos LGTB, mas e ela que rege a Igreja e não podemos tirar dela algumas verdades de Fé.   Não concordamos com Feliciano, Crivela e outros religiosos no comando de qualquer órgão público, pois o Estado é Laico. E no caso do Feliciano temos que concorda que é uma escolha Infeliz.



[2] I Coríntios 6, 9
[3] Levítico 18, 22
[4] CIC: 2357 à 2359

domingo, 10 de março de 2013

Carta ao Jovens, lembre-se da importância da Fé


O período da juventude é o momento de experimentar todo tipo sentimento,  um dos convites que queremos que a juventude conheça é à força da Fé.  Sabemos,  que há muita dificuldade de crer em Deus.     Devemos responder ao mundo dos adultos como pessoas de espiritualidade e oração e revelando  aos outros  a  Teofania de Deus  em nossas atitudes.    A experiência da Fé é algo não deve ser banalizada,  ou ignorada somos seres imortais criados para revelar Deus ao mundo. Devemos fazer de nossa prática de fé muito mais que uma religião,  que engessa nossa energia, a  força e vigor de Jovens. Ela   valoriza o divino no humano e o humano no Divino na Pessoa de um   Jovem Judeu de Nazaré que ousou ser diferente,  fazendo  de sua vida algo maior que qualquer religião.    Ele é nosso modelo de vida, pois certamente Ele não seguiria as regras ditadas por uma sociedade consumista e desigual de nosso tempo.   Acreditar, ter fé não é viver isolado como um ser de outra época, ou em outra realidade fora de todo contexto social.  Somos marcados por momentos de desolação, alegria causadas  por certos sentimentos experimentados na juventude, que  costumamos confundir com o Amor de Deus.   
  Aos jovens que estão nas diversas Igrejas, que professam sua fé, lembre-se de viver a juventude e fazer deste momento um uma experimentação e de aprendizado para toda sua vida. Jovens acreditem e m Deus, acreditem na vida, acreditem no amor e faça de Crer em uma força que te orienta e te faz ser melhor a cada dia.  Não tenha vergonha de rezar, de orar de ir à missa, ao culto ou revelar para o outro que a nossa vida ela é muito mais que essa realidade visível e imperfeita.  Sejam, diferente, nas diversas culturas, tribos e mundos que habitamos, não deixe de lado essa força maravilhosa que  chamamos de juventude e sejam uma juventude que aceitam e reconhecem que Deus existe e esta conosco.