Mostrando postagens com marcador dignidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dignidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Um breve olhar sobre Lucas 9,11b-17 - Corpus Christi: a Eucaristia que se faz compromisso

 

Celebrar a Solenidade de Corpus Christi é muito mais do que confeitar ruas com tapetes coloridos por onde passa o Corpo do Senhor em ostensório.
  Já  comentamos  no texto: para  transmitirr  ao mundo no ano 2012  sobre a origem  desta festa  e também  já  fizemos um vídeo  sobre  essa importante  celebração   da Igreja  Católica 
 Celebrar  esse  momento é mergulhar no coração do Evangelho, onde o pão que se parte revela o próprio Cristo que se dá. A beleza da festa só encontra sentido quando a forma se alinha com o conteúdo, quando a arte popular reflete uma fé encarnada na vida concreta, nas dores e esperanças do povo. O Evangelho de Lucas (9,11b-17) nos coloca diante de uma cena que é ao mesmo tempo denúncia e anúncio: o povo tem fome, os discípulos querem dispensá-lo, mas Jesus os desafia com firmeza: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

Essa ordem de Jesus desestabiliza a lógica do comodismo. Ela é uma convocação à responsabilidade eclesial e pessoal. Jesus, que acabara de falar do Reino e de curar os doentes, não faz mágica para alimentar a multidão — convida à partilha. Os cinco pães e dois peixes, aparentemente insuficientes, tornam-se abundantes nas mãos daquele que não despreza o pouco oferecido com fé. Os doze cestos cheios que sobram falam de um Deus que não age por escassez, mas por superabundância da graça. A partilha é milagre quando brota da confiança e da solidariedade. A lógica do Reino não é a da acumulação, mas a do dom. Como dirá o profeta Isaías, no capítulo 55, o convite de Deus é para que todos venham à água e comam, mesmo sem dinheiro — porque a graça não é mercadoria, é gratuidade.

É importante perceber os símbolos e números presentes no texto. 

  • Os cinco pães aludem à Torá, fonte da vida e sabedoria de Israel
  •  Os dois peixes apontam para a totalidade da criação, o humano em sua integralidade. 
  • Os doze cestos que sobram remetem às doze tribos, ou seja, ninguém está excluído da mesa do Reino.

 Essa multiplicação não é apenas de alimentos, mas de sentido, de comunhão, de esperança. É a pré-figuração da Eucaristia, como nos lembrará Paulo ao narrar: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (1Cor 11,26). É o memorial do Cristo que se entrega, mas também da comunidade que se compromete. Por isso Santo Irineu dizia: “Nossa doutrina está de acordo com a Eucaristia, e a Eucaristia, por sua vez, confirma nossa doutrina”.

Essa cena ecoa o Banquete Messiânico prometido por Isaías: “O Senhor dos Exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de pratos suculentos, um banquete de vinhos refinados” (Is 25,6). A partilha não é apenas gesto ético, é sinal escatológico — antecipa a plenitude do Reino, onde não haverá mais fome nem lágrimas.

No contexto atual, a fome volta a ser um grito que atravessa nossas ruas, silenciado por discursos religiosos vazios e por líderes que abençoam o poder enquanto desprezam os pobres. Segundo a Rede PENSSAN, mais de 33 milhões de pessoas enfrentam a fome no Brasil. E não é por falta de alimentos, mas por excesso de injustiça, corrupção, concentração de renda e desprezo pelas políticas públicas. O pão está na mesa dos ricos, mas falta nos lares de milhões. E o milagre da multiplicação não virá do céu — ele começa quando rompemos o ciclo do egoísmo. Isaías já alertava que o jejum verdadeiro consiste em “partilhar o pão com o faminto, acolher os pobres sem abrigo, vestir o nu” (Is 58,6-7). E também o profeta Amós, com palavras duras, denuncia a religião descolada da justiça: “Odeio e desprezo as vossas festas, e com vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. Mas corra o direito como as águas, e a justiça como um ribeiro perene” (Am 5,21.24). Ignorar esse apelo é fazer da religião uma caricatura: um culto que agrada aos homens, mas desagrada a Deus.

Diante dessa realidade, é inaceitável que alguns ministros ordenados — padres e pastores — se contentem em rezar, consagrar e enviar o povo de volta para casa com fome. Tornam-se como os discípulos que queriam dispensar a multidão. Pregam um Cristo espiritualizado e inofensivo, alienado da carne sofredora do povo. A Eucaristia que celebram se torna contraditória: é culto sem compaixão, liturgia sem justiça, fé sem obras (cf. Tg 2,14-17). E como recordava o Papa Bento XVI em Deus Caritas Est (§14), “um cristianismo do culto, sem consequências éticas, é uma caricatura”. O risco de se viver uma fé sem encarnação é o mesmo que Jesus denunciou nos fariseus: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Mt 15,8).

Mas não se trata apenas de crítica. Trata-se de conversão. Porque a verdadeira comunhão só se dá quando nos deixamos tocar pelas feridas do outro. A “fome de Deus”, de que tanto falamos, não se separa da fome de pão, de dignidade, de reconhecimento. Há uma profunda ligação entre o espiritual e o material, entre o culto e a vida. A antropologia nos ensina que o comer é um gesto de pertencimento, um elo entre os corpos e as culturas. A psicologia social fala em solidariedade afetiva: uma empatia ativa que rompe o isolamento e recria vínculos. E é exatamente por isso que Jesus escolhe o pão — simples, cotidiano — para se tornar presença permanente no meio de nós. Como dizia São João Paulo II, “o cristianismo é a religião da encarnação”, e não há Eucaristia autêntica onde o corpo do irmão é ignorado.

A psicologia também nos ajuda a compreender que a fome, em suas muitas formas, provoca angústia, desorientação, apatia. A fome não é só ausência de nutrientes — é ausência de sentido, de esperança, de vínculo. E quando falta pão, falta também confiança. Por isso, alimentar alguém não é apenas um ato de caridade: é um gesto de cura, é devolver ao outro a certeza de que ele importa. É dar à pessoa o que nenhuma doutrina sozinha pode dar: dignidade. A Eucaristia, nesse sentido, torna-se sacramento terapêutico — cura a solidão, a indiferença, o abandono. Ela não é prêmio para os perfeitos, mas remédio e sustento para os fracos, como bem frisou o Papa Francisco.

Na Bíblia, há outras multiplicações — como as narradas em Mateus 15 e Marcos 8 — mas todas apontam para o mesmo horizonte: o Reino de Deus se manifesta quando há partilha. E em todas elas, a iniciativa de Jesus contrasta com a inércia dos discípulos. No deserto, Deus alimentou o povo com o maná (Ex 16), mas o fez como ensaio para que aprendessem a confiar. No livro de Reis, Eliseu multiplica pães para cem homens (2Rs 4,42-44), sinal de que Deus age por meio de seus profetas. E hoje, quem serão os profetas que romperão o ciclo da indiferença? Onde estão os que anunciam e vivem a lógica do Reino, desafiando os mecanismos da exclusão?

Os documentos da Igreja são claros. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, afirma que “a Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã” (LG 11), o que significa que tudo converge para ela, e tudo deve dela derivar. E o Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, recorda que “o culto separado da promoção da justiça é inaceitável” (EG 183). A Eucaristia nos educa para a comunhão, mas também para a missão. Comungar é comprometer-se. É tornar-se pão para os outros. É assumir as dores dos crucificados da história. A Igreja não é fim em si mesma; é sacramento do Reino, e o Reino não é feito de teorias, mas de práticas que libertam. Como bem afirma Amoris Laetitia (§108):

A Eucaristia exige a integração da dimensão social”.

É preciso lembrar, como dizia Santo Agostinho, que “ninguém comunga este corpo sem antes comungar o corpo místico de Cristo” — ou seja, os irmãos. Celebrar Corpus Christi não é apenas carregar Jesus pelas ruas, mas reconhecê-lo nos rostos esquecidos, feridos, invisibilizados. O mesmo Cristo que adoramos no altar está também no chão da vida, esperando que o reconheçamos como Ele mesmo nos alertou: “Tive fome e não me destes de comer...” (Mt 25,42). A procissão verdadeira é a que continua depois da missa, no cuidado com os que caíram à beira do caminho. É a liturgia que se estende nas calçadas, nas filas do hospital, nas periferias, nos centros de acolhida. É a Igreja em saída, que não teme se sujar nas ruas do mundo.

Ao final, o apelo de Jesus ecoa como um grito que não pode ser silenciado: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” É um imperativo que não admite terceirização, nem desculpas, nem adiamentos. Não haverá milagre enquanto o pão estiver trancado em nossos celeiros, enquanto a fé for um discurso sem prática, enquanto a Igreja for um refúgio para os acomodados e não um abrigo para os necessitados.

Corpus Christi nos lembra que o milagre é possível. Mas ele começa quando abrimos as mãos, o coração, os olhos. Quando deixamos de nos esconder atrás da religiosidade e assumimos o Evangelho como estilo de vida. Quando, ao partilhar o pão, nos tornamos nós mesmos Eucaristia viva. Só assim a festa fará sentido. Só assim a procissão será autêntica. Só assim a Igreja será fiel ao seu Senhor.

DNonato - Teólogo do Cotidiano


sexta-feira, 13 de junho de 2025

Um breve olhar sobre Mateus 5,33-37

 O Evangelho de Mateus 5,33-37 é mais do que uma instrução moral acerca do uso da linguagem. Ele representa uma convocação radical à autenticidade, à fidelidade ao Reino de Deus e à transformação integral do ser humano em sua relação com a verdade. Jesus, ao afirmar: "Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. Tudo o que passar disso vem do Maligno", não está apenas proibindo o juramento em si, mas está revelando um princípio fundamental do discipulado cristão: a integridade interior como reflexo de uma adesão real ao Reino.


Na tradição judaica, os juramentos eram usados como garantia de veracidade, especialmente quando a palavra humana havia se tornado suspeita. A Lei mosaica já regulava os juramentos (cf. Lv 19,12; Nm 30,3; Dt 23,22), proibindo o uso do nome de Deus em vão e exigindo que fossem cumpridos. No entanto, o que vemos nos tempos de Jesus é um uso casuístico dos juramentos, permitindo que, dependendo da fórmula utilizada, a pessoa pudesse se esquivar da responsabilidade moral. Jesus denuncia esse sistema e aponta para algo mais profundo: uma sociedade onde a palavra não vale mais por si mesma está corrompida em sua base relacional.

Sob uma perspectiva hermenêutica, este trecho se insere no conjunto das "antíteses" do Sermão da Montanha (Mt 5,21-48), em que Jesus não revoga a Lei, mas a leva à plenitude (cf. Mt 5,17). O que está em jogo não é a letra da norma, mas o espírito que a anima. A ética do Reino é uma ética da transparência, da coerência entre o interior e o exterior, entre o discurso e a prática. Assim, a palavra que não reflete a verdade do coração é palavra vazia — e, portanto, cúmplice do Maligno.

Hoje, vivemos em um contexto onde a mentira se sofisticou. A duplicidade não se manifesta apenas no cotidiano interpessoal, mas também nas estruturas de poder político, religioso e midiático. A extrema-direita, por exemplo, tem se apropriado de símbolos religiosos e da linguagem cristã para legitimar projetos de poder autoritários e excludentes. Essa apropriação ideológica do cristianismo constitui, na prática, uma perversão da fé. Ao invocar o nome de Jesus para defender políticas que atentam contra os direitos humanos, a dignidade dos pobres, dos migrantes, das minorias e da criação, comete-se um pecado grave: instrumentaliza-se o Evangelho para fins mundanos.

Essa crítica está em consonância com a longa tradição profética das Escrituras. Os profetas denunciavam não apenas a idolatria religiosa, mas também a injustiça social (cf. Is 1,11-17; Jr 7,3-11; Am 5,21-24; Mq 6,6-8). Isaías acusa um povo que honra a Deus com os lábios, mas cujo coração está distante (Is 29,13). Jeremias censura o culto que ignora o cuidado com o órfão, a viúva e o estrangeiro (Jr 22,3). Miqueias resume: "Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus" (Mq 6,8).

O próprio Jesus retoma essa crítica contra o farisaísmo religioso, que privilegia a aparência em detrimento da verdade interior (Mt 23,25-28). A condenação aos que juram falsamente e usam a linguagem de forma hipócrita é também uma condenação à religião usada como fachada. Como bem afirmou o Papa Francisco, de saudosa memória, “não se pode servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24; cf. Evangelii Gaudium, n. 55). Francisco nos alertou sobre os riscos de uma fé aliada ao poder econômico e político, que perde sua dimensão profética e encarnada.

A Doutrina Social da Igreja, a partir de documentos como a Gaudium et Spes, a Evangelii Nuntiandi e a Laudato Si’, reforça essa visão: não há Evangelho sem compromisso com os pobres, com a justiça social e com a integridade da criação. O uso da linguagem, portanto, não é apenas uma questão ética, mas teológica e política. A palavra que sai da boca do cristão deve ser um reflexo da Palavra que se fez carne (Jo 1,14).

Vivemos tempos em que as fake news, os discursos de ódio e a manipulação da fé são amplamente utilizados para legitimar injustiças. A fidelidade ao Evangelho exige que nos posicionemos com clareza: nosso “sim” ao Reino de Deus deve implicar um “não” corajoso a todas as estruturas de mentira, opressão e idolatria. O Apóstolo Tiago ecoa Jesus ao afirmar: “Que o vosso sim seja sim, e o vosso não, não, para que não caiais em condenação” (Tg 5,12). Paulo, em Efésios 4,25, exorta: “Por isso, deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.”

Importa reconhecer que as fake News — embora hoje impulsionadas por algoritmos e redes digitais — não são uma invenção da era da internet. Desde os tempos bíblicos, a mentira organizada foi usada como instrumento de poder e opressão. Os profetas eram frequentemente alvos de difamações e campanhas de descrédito por denunciarem as injustiças dos reis e sacerdotes (cf. Jr 20,7-10). Jesus, ele próprio, foi vítima de fake news políticas e religiosas ao ser acusado falsamente de blasfêmia e subversão contra Roma (cf. Lc 23,1-2). Ao longo da história, vimos o uso sistemático da calúnia para manipular as massas, legitimar perseguições — como na Inquisição, no antissemitismo cristão e na propaganda fascista — e silenciar vozes proféticas. Hoje, essas mentiras vêm embaladas em discursos religiosos e travestidas de verdade divina, mas continuam a servir aos mesmos interesses: manter o poder, oprimir os vulneráveis e desfigurar a imagem de Deus nos rostos humanos. Nesse sentido, a palavra se torna ato profético. Dizer a verdade em uma sociedade marcada pela mentira é uma forma de resistência. Como João Batista, somos chamados a preparar o caminho do Senhor com coragem (Lc 3,4-14), mesmo quando isso implica confronto com Herodes ou com o templo. O Evangelho não pode ser neutro diante da injustiça. O silêncio cúmplice, o discurso morno ou a ambiguidade frente ao mal são formas de traição à verdade de Cristo.

O clericalismo, igualmente, contribui para essa deformação da fé. Quando a autoridade religiosa se distancia da vida do povo, fecha-se em uma sacralidade autorreferencial e legitima poderes opressores, ela trai o Cristo Servo. O Papa Francisco denunciou o clericalismo como uma das maiores pragas da Igreja contemporânea (cf. Carta ao Povo de Deus, 2018). A verdadeira autoridade cristã é serviço, não dominação (cf. Mc 10,42-45). Por isso, é urgente uma espiritualidade da verdade e da coerência. O batismo nos configura a Cristo, que é Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). Ser discípulo é viver com transparência, com retidão, com integridade. Não basta frequentar celebrações ou ostentar símbolos religiosos: é preciso encarnar o Evangelho no cotidiano, nas relações, nas escolhas políticas, no cuidado com os pobres e com a criação. 

Como nos alerta o Apocalipse: “Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, estou para vomitar-te da minha boca” (Ap 3,15-16). O tempo da ambiguidade passou. É hora de assumir com coragem a vocação profética de dizer "sim" ao Reino e "não" a tudo que o contradiz. 

Eis o tempo de levantar a voz como trombeta, denunciar a hipocrisia revestida de religiosidade, de romper com alianças cúmplices e proclamar a justiça do Reino. Que sejamos profetas da Palavra e da ação, testemunhas fiéis do Cristo que não pactua com a mentira, com a violência institucionalizada nem com a opressão justificada por discursos piedosos. É tempo de decisão. É tempo de coragem. É tempo de profecia.

Que o Espírito Santo, Espírito da Verdade (Jo 16,13), nos conduza em fidelidade e ousadia.

Amém.



DNonato – Teólogo do Cotidiano, em algum momento  já foi vítima  de fake news 




sábado, 8 de abril de 2023

Um outro olhar sobre João: 20,1-9; 1º Domingo da Páscoa

 


Iniciamos o período pascal, a liturgia católica sempre aponta para esse momento. Sabemos que o inicio de abril é marcado por alguns momentos que somos obrigados a recordar, como o atentado em Blumenau ,  nesta semana e os 12 anos do atentado de uma escola em Realengo no Rio de Janeiro e durante a semana também foi marcado pelo atentado em um ônibus  na cidade de Duque de Caxias na Baixada Fluminense, são esses sinais que devemos trazer para altar da eucaristia do domingo da ressurreição, sem mencionar  o depoimento do ex-presidente do USA sobre ter usado um  o serviço de uma atriz pornô e  no Brasil o ex-presidente tendo que explicar o motivo que o levou a se apropriar de certos mimos que recebeu de presente  do lideres sauditas, em resumo  é situação que muitos querem explicar sem sentido nenhum.

 Diante de tantas sombras somos convidados a esperançar, pois o Senhor ressuscitou e aqui a vale a pena trazer de volta o ditado do interior de Minas que diz, quando a coisa esta ruim é sinal que vai melhorar é isso que nossa liturgia nos traz  a tona  depois da sexta-feira da paixão  e  vamos ler  em nossas celebrações as seguintes liturgia: Atos 10,34a.37-43, Salmo 117 (118) coma seguinte resposta: Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria; Colossenses  3,1-4 e o evangelho de hoje João  20,1-9.  O evangelho nos aponta o sepulcro vazio,  pois  a morte não pode conter a força da vida que nasce de uma proposta e aqui temos a atitude da comunidade  que de imediato duvida,  e parte de encontro  e confirma o mistério do sepulcro vazio, o amor motiva o discípulo amado parte na frente, o amor é uma mola que nos leva para frente diante de um momento de dor. Aqui pedimos uma pausa para contemplar a saudade das mães e pais de Realengo no Rio de Janeiro  que a 12 anos viveram um momento sem igual, pois seus filhos foram assassinados dentro de uma escola e durante essa semana  revivemos o terror em uma creche na cidade de Blumenau em Santa Catarina com o assassinato de 5 crianças em uma creche, todos os pais  gostariam que essa data não existisse, que tal fatalidade não tivesse acontecidos e certamente imagina o quantos esse pais devem ter corrido  para ver seus filhos e filhas, seja em Realengo como em Blumenau.

O evangelho de sexta-feira fala que João  que entendemos como o discípulos amado testemunhou o Cristo morrer juntamente com a Mãe de Jesus e sua corrida até o tumulo é algo é motivado por esse amor, mas não é um amor sentimental que  o faz agir de forma emocional.  A certeza que o Senhor voltará que  reúne homens e mulheres nas Igrejas e comunidades até os dias de hoje, a glória da cruz narrada hoje em nossas comunidades foi algo vivido por seus amigos de forma plena por mais que tenhamos fé não será a mesma experiência,  da comunidade desolada pela morte do seu Mestre, a noticia de sua vitória sobre a morte  é algo que se faz necessário que mais de uma testemunha. Pedro e João juntos testemunham o fato,  aqui temos um idoso da altura de sua experiência  e um jovem com seu vigor.

O evangelho fala dos panos dobrados  e aqui vale pena recordar o relato como os servos judeus montavam a mesa para refeição do seu senhor. Se Conta que o senhor  na mesa s deixasse o panos jogados sobre a mesa de qualquer jeito, era sinal que teria terminado sua refeição, mas se deixar dobrado é sinal que voltará. O evangelho fala que os panos que envolveram o corpo de Senhor estavam dobrados sinalizando que o senhor voltará. Sabemos que o Senhor ressuscita  na radicalidade do amor  

    O evangelista faz questão de narrar  que é primeiro dia de semana, pois  demonstra que é o momento da nova criação gerada  da cruz do Senhor,  sendo a conclusão da nova aliança que envolve uma vida alem desta vida, o papel das mulheres sendo as primeiras testemunhas do amor, fazendo uma ligação com primeira mulher que traz para o homem o fruto proibido, nesse contexto elas  comunicam a vida imortal trazida por Jesus e como esta se tornando tradição a fala  do Papa Francisco em 17 de maio de 2017

·         “Como é bonito pensar que a primeira aparição do Ressuscitado — segundo os Evangelhos — teve lugar de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Em volta de Jesus há muitas pessoas que procuram Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há sobretudo Deus que se preocupa com a nossa vida, que a quer reanimar, e para fazer isto chama-nos pelo nome, reconhecendo o semblante pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve nesta terra. Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Deus chama cada um de nós pelo nome: conhece-nos pelo nome, olha para nós, está à nossa espera, perdoa-nos, tem paciência com cada um de nós. É verdade ou não? Cada um de nós vive esta experiência. E Jesus chama-a: «Maria!». A revolução da sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ressoa no jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos descrevem-nos a felicidade de Maria: a Ressurreição de Jesus não é uma alegria concedida a conta-gotas, mas é uma cascata que abrange a vida inteira. A existência cristã não é constituída por pequenas felicidades, mas por ondas que subvertem tudo. Procurai pensar também vós, neste instante, com a bagagem de desilusões e de reveses que cada qual tem no seu coração, que há um Deus perto de nós que nos chama pelo nome, dizendo: «Ergue-te, para de chorar, porque Eu vim libertar-te!». Isto é bonito! Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdurem a morte, a tristeza, o ódio, a destruição moral das pessoas... O nosso Deus não é inerte, mas o nosso Deus — permiti-me esta palavra — é um sonhador: sonha a transformação do mundo, tendo-a já realizada no mistério da Ressurreição”

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estou chegando a nova idade.


Há mais de 40 anos venci uma corrida em  fevereiro. Em Novembro, estreio neste mundo,  sem copa do mundo, eleição ou novidade. Vivo assim,  na simplicidade, não quero um carro zero ou uma casa grande ou tão pouco  um amor egoista. 
Simplicidade, isso que devo busca viver com aquilo que tenho,  sabendo que nada me pertence ou vou poder levar comigo na hora de meu julgamento perante o verdadeiro Juiz.
Aquilo que uso  não é meu, aquilo que me foi confiado pretendo devolver, mas quero ter no meu coração e na minha mente algumas coisas que não serão deixado de lado na minha história.
As boas lembranças de minha mãe e de  meu pai me levando no armazém do seu Mário e nas vezes que disse que eu queria ser pedreiro,  do momento do banho no balde dado pela minha irmã Iracema quando eu era uma criança de colo,  o momento da mamadeira junto com meu irmão Gabriel, momento do café da manhã onde comíamos o angu assado (que até hoje me pergunto como foi feito), minhas idas no boteco do seu Nenzin,  as compras de doce na  barraca do seu Alcides e do velhinho que até hoje não sei o nome e nunca  mais vi,  o momento que a prima Terezinha me libertava do minha prisão me tirando do berço, os domingos que meu pai tocava fórro na vitrola e  comprava a galinha  pra minha mãe matar e fazer pra  família,  o copo de leite(sem açúcar) que minha mãe me dava aos domingos ou feriados o momento de ver TV e tantos  outros momentos bons e ruins que me vem na memória como na vez que queimamos o pé, eu e Samuel  com angu quente por causa da panela que virou e por isso tomamos as santas agulhadas  do seu Joaquim. 



Não posso esquecer-me do primeiro dia de aula, com a professora Ana Lúcia (como eu chorei), depois fui para sala da  professora Iriam, dos meus melhores amigos da escola e da rua, da gangue Força da Liberdade,  das brigas de rua que venci (as vezes com mais de dois), das brincadeira:  de policia ladrão, pique lateiro, salada mista, garrafão, pique alto, pique cola, bandeirinha, queimada, um toque, pau-na-lata, banhos no Rio Guandu,  as peripécias com a bicicleta, minhas visitas na casa de minha tia e dona Nelma, dos presente de natal (geralmente roupas)  e muitas coisas boas que não vou esquecer porque foi importante pra eu ser eu. Não posso esquecer-me das surras com varas de goiabeira.

Do primeiro beijo aos 13 anos, da forma que algumas moças me chamava carinhosamente (Dnonato, donatinho ou Dani), da minha preocupação em  não fazer covardia e ser covarde,  das notas boas em história, do concurso de redação que venci, das minhas professoras: Iriam, Inês, Adelaide (que exigia a tabuada), Maria  Pereira (que me reprovou), Fátima Helena, Nazaré, Elvira, Rosa, Soninha, Regina e  Neuza e professores: Zezão (perneta), Zinho, André, Marcos e tantos outros que não recordo.

Minhas noites de baile (onde fumava e bebia pra  passar a imagem de adulto),  meus amigos que morreram por estupidez,  o meu encontro com Jesus na Igreja Católica (isso esta me salvando),  a minha primeira Eucaristia, a celebração de Crisma (última  da paróquia  de Japeri presidida por Dom Adriano Hipólito),  a primeira celebração no 12 de dezembro de 1993 na Matriz de Japeri, a minha participação nos Grupos Jovens GRuJJA na Matriz de Japeri,  SHOC como fundador na Comunidade São José em Nova Belém, o serviço militar obrigatório  e toda descoberta feita nessa vida que Deus me concedeu naquele momento.

Não esquecerei jamais,  a sensação de pegar a minha pequena Desirée no colo no seu segundo dia de vida,  nas experiências vividas com ela e por ela, vivemos a graça da vida.  Simples, não tenho nada somente memórias de uma graça que esta vivo e celebrando as boas memórias, sem esquecer as experiências não deram certo. Por isso daqui a 7 dias irei celebra a primavera com a graça de um Deus que me ama e me  livrou de várias armadilhas, que possamos ser aquilo que somos, na simplicidade de não possuir, mas ser um amigo, um irmão e companheiro na missão de ser feliz  e fazer  um mundo melhor.