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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Um breve olhar sobre Mateus 10,16-23

 


Entre Lobos com a presença  do Paráclito: O Discipulado Profético em Tempos de Cinismo Espiritual

Evangelho de Mateus 10,16-23, proclamado na Sexta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum, dá continuidade imediata ao trecho proclamado no dia anterior (Mateus 10,7-15). Depois de enviar os Doze para anunciar que o Reino dos Céus está próximo, curar os enfermos, libertar os oprimidos e viver a gratuidade da missão, Jesus aprofunda o sentido desse envio. Se, no primeiro momento, o foco estava no anúncio e na confiança providente, agora o Mestre revela o preço da fidelidade ao Evangelho. A missão não será marcada apenas pelos frutos, mas também pela oposição, pela rejeição e pela perseguição. Assim, o Discurso Missionário deixa claro que proclamar o Reino implica entrar em conflito com as estruturas que se alimentam da injustiça, do medo e da violência. Esse texto é proclamado todos os anos na liturgia ferial, permanecendo como um dos mais desconcertantes e proféticos discursos de Jesus sobre a missão. Parte dele (Mateus 10,17-22) também é lida na Festa de Santo Estêvão, em 26 de dezembro, porque o primeiro mártir da Igreja realizou de modo exemplar aquilo que Jesus havia anunciado: foi entregue aos tribunais, testemunhou diante das autoridades e entregou a própria vida por causa do nome de Cristo (cf. At 6–7). Nos Evangelhos sinóticos, esse ensinamento encontra paralelo em Lucas 21,12-19, proclamado na Quarta-feira da 34ª Semana do Tempo Comum, dentro do Discurso Escatológico, quando a liturgia dirige o olhar da Igreja para a perseverança nos tempos finais. O texto correspondente de Marcos 13,9-13, por sua vez, é amplamente utilizado no Comum dos Mártires, destacando que o testemunho cristão amadurece precisamente quando a fidelidade ao Evangelho encontra resistência e perseguição. Ao contrário das fantasias triunfalistas de um discipulado confortável, Jesus nos desinstala: "Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos" (Mt 10,16). A metáfora não é decorativa, mas profundamente reveladora. O discípulo não é enviado para dominar, conquistar ou impor-se pelos critérios do mundo, mas para testemunhar o Reino com a força da mansidão, da prudência e da fidelidade. A missão cristã não se mede pelo sucesso aparente, mas pela perseverança no amor, mesmo quando isso implica enfrentar hostilidade e sofrimento.

Nesse breve, mas densíssimo trecho, somos iniciados na gramática do Reino,   uma linguagem marcada pelo paradoxo: ternura que enfrenta, amor que denuncia, prudência que discerne, simplicidade que resiste e esperança que não se deixa vencer pelo medo. Aqui, a leveza do Espírito contrasta com a aspereza do mundo, e a missão revela-se como uma travessia entre fidelidade e risco, sustentada pela certeza de que, quando as forças humanas se esgotam, é o próprio Espírito do Pai quem fala por meio daqueles que permanecem fiéis (cf. Mt 10,19-20).ssa missão, porém, não emerge no vácuo. O pretexto imediato do texto é o envio dos doze apóstolos em missão (Mt 10,5-15). Eles são investidos de autoridade sobre os espíritos impuros, chamados a curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar demônios (Mt 10,8). Mas, antes que o entusiasmo espiritual os envolva num idealismo irreal, Jesus os coloca diante da concretude: haverá perseguições, prisões, ódio e até rupturas familiares (Mt 10,17-22). A missão não é um show de fé performática, mas uma travessia dura num mundo marcado pela resistência à verdade. A hermenêutica aqui nos convida a ver que esta palavra não foi apenas para os Doze, mas é endereçada à Igreja de todos os tempos, especialmente quando ela deseja ser fiel ao Evangelho, e não cúmplice de poderes.

A exegese do texto revela que a advertência de Jesus sobre ser entregue a tribunais, açoitado nas sinagogas e levado diante de governadores (v.17-18) não é paranoia religiosa, mas um retrato da tensão entre o anúncio do Reino e os poderes estabelecidos, tanto religiosos quanto políticos. O termo “sinagogas” sugere conflitos intra-religiosos, o que já nos remete à crítica necessária ao clericalismo  esse modo de organizar o poder eclesiástico como domínio, e não como serviço. A perseguição anunciada por Jesus não vem apenas de fora, mas também de dentro, quando a fé é domesticada, usada como ferramenta de opressão ou como escudo contra a mudança. Como o profeta Jeremias, os discípulos são enviados “como cordeiros mansos ao matadouro” (Jr 11,19), carregando nos ombros não o peso da glória, mas da fidelidade.

É nessa perspectiva que a antropologia bíblica encontra aqui sua radicalidade: Deus escolhe enviar “ovelhas”, não predadores. A fragilidade do missionário não é uma falha estratégica, mas parte da lógica do Reino. O discípulo é alguém que assume a condição da vulnerabilidade, que se deixa habitar pela força do Espírito para transformar o mundo sem reproduzir os mecanismos do poder. A recomendação de ser “prudentes como serpentes e simples como pombas” (Mt 10,16) é um binômio essencial à missão: discernimento e pureza, astúcia e candura, firmeza e ternura. Trata-se de uma espiritualidade lúcida, que compreende a complexidade do mundo sem se deixar seduzir por sua lógica cínica.

Essa espiritualidade lúcida é também profundamente teológica. A missão se sustenta na promessa de que o Espírito Santo falará pelos discípulos (Mt 10,20), desmontando qualquer pretensão de protagonismo ou glória pessoal. O missionário não é um empreendedor religioso nem um influenciador de Deus, mas um vaso de barro (cf. 2Cor 4,7), um canal de um amor que não se curva diante do ódio. Evangelizar não é repetir fórmulas, mas deixar-se guiar por uma Palavra viva que se encarna nas situações concretas. Como ensina Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, “o homem contemporâneo escuta mais facilmente as testemunhas do que os mestres” (EN 41).

O Papa Francisco, agora parte do legado profético da Igreja, recordou em sua caminhada que “a missão é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo” (Evangelii Gaudium 268). É o Espírito que transforma a perseguição em profecia, o medo em testemunho, o silêncio em anúncio. Sem Ele, a missão seria apenas ativismo ideológico; com Ele, é kenosis e pentecostes. E como o Papa afirmou com clareza em Evangelii Gaudium, a Igreja missionária não pode ser autorreferencial ou mundana, mas “ferida e suja por sair às periferias”, pois “prefere uma Igreja acidentada a uma Igreja doente por se fechar” (EG 49).

Dentro dessa encarnação concreta da Palavra, a missão adquire contornos sociológicos. O Evangelho denuncia toda tentativa de colonizar a fé com ideologias. A perseguição, aqui, não vem apenas da parte de governos estrangeiros ou sistemas ateus, mas de estruturas religiosas e políticas que deturpam a mensagem evangélica. A aliança entre setores do cristianismo e a extrema direita é uma dessas distorções: quando a fé se torna legitimadora de discursos excludentes, nacionalismos teocráticos e políticas anti-evangélicas, ela deixa de ser Boa Nova para os pobres (cf. Lc 4,18) e passa a ser instrumento de opressão. Quando a fé se converte em arma cultural, ela trai o Evangelho e se torna instrumento de exclusão. Em nome de “valores cristãos”, muitos constroem muralhas ideológicas que isolam, em vez de pontes que reconciliam. O cristianismo político que idolatra pátria, mercado e autoridade militar não é o de Jesus de Nazaré, mas o de César.

Esse mesmo desvio aparece na teologia da prosperidade e do domínio,  que vê na riqueza e na influência social os sinais da bênção divina. Jesus não promete aplausos, mas perseguição. Não promete likes, mas cruzes. A ideia de que a fé garante sucesso pessoal é incompatível com o Cristo que prepara seus discípulos para serem rejeitados. Essa teologia, popularizada por pregadores digitais e movimentos que vendem um “deus-vitrine”, é o oposto da lógica evangélica: ela evita o escândalo da cruz e propõe um Cristo sem espinhos, um discipulado sem risco, uma Igreja sem profetismo.

Não por acaso, a crítica se estende à teologia do “eu sozinho com Deus”, tão presente nas espiritualidades digitais e individualistas. O discipulado cristão é comunitário, enraizado em uma Igreja que sofre, caminha, erra e acerta em conjunto. O “evangelho do quarto fechado”, quando desconectado do corpo eclesial, corre o risco de se tornar mera espiritualidade narcisista. O Jesus de Mateus envia seus discípulos em missão pública, e não os convida ao isolamento devocional. Evangelizar é correr riscos, expor-se, comprometer-se com o bem comum.

A dimensão psicológica do discipulado, por sua vez, se torna evidente na forma como Jesus reconhece os medos e as inseguranças que acompanham a missão. Ser entregue à morte por familiares (Mt 10,21), ser odiado por todos (Mt 10,22) e ainda assim perseverar, exige uma estrutura interior ancorada na confiança profunda. A promessa: “Não vos preocupeis com o que haveis de dizer...” (Mt 10,19), alivia a angústia e nos reconecta à certeza de que não estamos sós. A fé genuína não é fuga, mas força. Não é máscara, mas coragem de ser. Não é anestesia, mas chama acesa no meio da noite.

Numa sociedade que idolatra a performance e teme a vulnerabilidade, o discipulado se torna um gesto filosófico contra o niilismo. Perseverar, aqui, não é apenas resistir a ataques externos, mas sustentar um sentido diante da banalidade. O discípulo que permanece fiel torna-se, por sua vida, uma crítica viva ao vazio existencial de uma cultura que celebra o imediato e teme o eterno. A missão cristã, como nos sugere Mateus, é uma vida vivida entre tensões: entre o já e o ainda não, entre o Reino anunciado e o mundo que resiste, entre a ternura e o confronto. A perseverança “até o fim” (Mt 10,22) não é um estoicismo estéril, mas uma fidelidade ativa, uma esperança que não se curva. O amor de Cristo é o critério que julga todas as outras fidelidades. A missão é, portanto, existência dialética: leveza do Espírito em meio ao peso do mundo.

Assim, Jesus não nos promete imunidade, mas presença. Não nos livra dos lobos, mas caminha conosco entre eles. A Igreja que se quer fiel a este Evangelho precisa abandonar os palcos e voltar às ruas, sair dos palácios e voltar aos casebres, deixar de querer influenciar e voltar a amar. O futuro da missão não está nos algoritmos, mas na carne. Não está nas estratégias de marketing, mas na conversão do coração. A Igreja que evangeliza é a que ouve o clamor dos pobres, que se deixa ferir pelas dores do povo e que se recusa a ser cúmplice de sistemas que matam.

Por isso, hoje, mais do que nunca, somos chamados a viver um discipulado que una prudência e simplicidade, coragem e humildade, lucidez e compaixão. Jesus não envia seus discípulos para conquistar poder, buscar prestígio ou construir impérios religiosos, mas para tornar visível o Reino de Deus em meio às contradições da história. A fidelidade ao Evangelho inevitavelmente confronta toda lógica de opressão, violência, hipocrisia e idolatria do poder. Por isso, o verdadeiro discípulo não negocia a verdade, mas também não responde ao ódio com mais ódio; vence o mal com o bem (cf. Rm 12,21), permanecendo firme na força do Espírito

Que o Espírito do Pai fale em nós e por meio de nós (cf. Mt 10,20), para que nossas palavras sejam expressão da Boa-Nova e nossas atitudes se tornem uma liturgia cotidiana do Reino. E, se a verdade do Evangelho nos custar incompreensões, rejeições ou perseguições, que jamais percamos a esperança. Afinal, a promessa de Cristo permanece viva: "Quem perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt 10,22). Entre os lobos, sejamos o sinal do Cordeiro; em meio às trevas, testemunhas da luz; e, num mundo marcado pelo medo e pela violência, homens e mulheres cuja vida proclame, antes mesmo das palavras, que o amor de Deus continua sendo a última e definitiva palavra da história.

DNonato – Teólogo do Cotidiano


quarta-feira, 9 de julho de 2025

Soberania e a resposta de Lula ao autoritarismo global

 

Quando o povo se levanta, o império treme: justiça, soberania e a resposta de Lula ao autoritarismo global

O império treme quando o povo se organiza. E quando esse povo, além de se organizar, começa a construir políticas soberanas, sociais e cooperativas, as engrenagens da velha dominação global tentam reagir — com chantagens, sanções, manipulação religiosa e medo. A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos marca o retorno não só de um personagem, mas de uma ideologia: protecionista, autoritária, beligerante e profundamente hostil a qualquer experiência democrática que não se submeta ao dólar, ao mercado financeiro e à supremacia anglo-americana. A tarifa de 50% imposta unilateralmente contra produtos brasileiros, anunciada por carta direta a Lula, é a face visível dessa reação imperial.

O motivo alegado por Trump é tão falso quanto estratégico: acusa o Brasil de perseguir Jair Bolsonaro e censurar redes sociais norte-americanas. Mas o que está em jogo, na realidade, é a tentativa de sabotar qualquer política latino-americana que escape ao eixo do neoliberalismo, da dependência cambial e do servilismo político. O alvo não é apenas Lula ou o Brasil: é todo projeto de mundo que queira reequilibrar relações internacionais e construir uma ordem mais justa e multipolar — como a que os BRICS tentam viabilizar. O império reage com aquilo que sabe fazer: cerco comercial, desinformação e tentativa de dividir o campo progressista.

Diante disso, Lula respondeu de forma contundente e institucional. Em nota oficial publicada no X (antigo Twitter), afirmou que o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade, aprovada em abril, sancionada por seu governo, que permite suspender concessões, rever tratados, sobretaxar produtos estrangeiros e até quebrar patentes de países que ajam de maneira hostil ou unilateral contra o Brasil. E declarou: “O Brasil é um país soberano com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por ninguém”. A resposta rompe com a postura passiva que, por décadas, marcou a diplomacia comercial brasileira diante das grandes potências. Agora, o governo afirma que o Brasil deixará de ser colônia tarifária ou refém de interesses externos disfarçados de “parcerias”. 9

Esse posicionamento não é bravata. É uma retomada histórica da tradição altiva do Itamaraty soberano, do anti-imperialismo democrático, da América Latina que se recusa a ser o quintal dos Estados Unidos. Durante o século XIX, os EUA impuseram tarifas a seus parceiros como forma de forjar sua industrialização. Mas hoje, quando o fazem novamente, querem justificar-se com uma retórica moral — fingem proteger valores como liberdade de expressão, enquanto protegem, de fato, o bolsonarismo e os mercados que os sustentam. Trump não taxa o Brasil por causa de princípios: taxa porque não tolera um governo popular e soberano em sua zona de influência.


A hipocrisia salta aos olhos. Os mesmos setores da extrema direita brasileira que gritam contra o “peso dos impostos” no Brasil silenciam quando Trump taxa o Brasil. Reclamam do ICMS, mas aplaudem um tarifão de 50% que vai encarecer produtos, esmagar exportações e prejudicar diretamente os pequenos e médios produtores — principalmente do agro que eles dizem representar. São os mesmos que atacam o Bolsa Família como “esmola”, mas nada dizem quando o governo dos EUA injeta trilhões no sistema financeiro com políticas que salvam banqueiros e corporações. Essa gente, que idolatra Trump e protege Bolsonaro, não está preocupada com o povo: está preocupada em manter seus privilégios. 

E não nos enganemos: Bolsonaro não é vítima de perseguição. É réu por tentativa de golpe, conspiração criminosa, espionagem ilegal e ataque à democracia. Condenado e inelegível até 2030, tenta se blindar nos EUA sob a sombra de Trump, que agora se vale de sua figura para justificar ataques ao governo brasileiro. É um jogo coordenado: enquanto Bolsonaro serve como mártir de uma causa reacionária, Trump age como patrono de uma nova ordem autoritária global, onde a mentira, a força e o lucro valem mais que o direito dos povos.

Mas o povo não é cego. Quem pagará essa conta são os assalariados, os trabalhadores da indústria, os agricultores familiares, os consumidores. O aumento de tarifas significa queda nas exportações, inflação interna, retração do mercado e mais vulnerabilidade cambial. Enquanto os rentistas continuarão lucrando e os especuladores operarão no câmbio e nos derivativos, o povo sentirá o peso no pão, no feijão, na energia, no combustível. A profecia bíblica já advertia: “Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem sentenças opressoras para negar justiça aos pobres” (Isaías 10,1-2). Não há neutralidade possível diante de um projeto de opressão econômica travestido de patriotismo.

A resposta de Lula é, assim, mais do que diplomática — é profética. Rompe o ciclo da submissão e afirma que reciprocidade não é vingança, mas justiça. E justiça, quando vem dos pobres e para os pobres, sempre incomoda os impérios. A lei da reciprocidade, nesse contexto, se torna um símbolo da reorganização popular e do rompimento com a lógica colonial. Porque não é o Brasil que deve se explicar ao mundo, mas o mundo que deve reconhecer o direito do Brasil de se autodeterminar.

Esta não é apenas uma disputa entre dois presidentes. É a revelação de dois projetos de mundo: de um lado, a lógica da dominação, da desigualdade e da mentira; de outro, a teimosia da justiça, da soberania e da dignidade popular. E nós, que somos povo, não podemos hesitar. Precisamos assumir o lado dos que resistem — e fazer tremer os alicerces do império com a força da verdade organizada.

Porque no fim, não se trata apenas de tarifas ou decretos: trata-se de quem controla o destino dos povos. E quando a justiça tenta florescer num terreno sufocado pelo lucro, os impérios se agitam. Mas não há decreto que vença o clamor dos que têm fome e sede de justiça. A história não é propriedade dos poderosos — ela pertence aos que ousam resistir, aos que trabalham, sonham e lutam com os pés no chão e os olhos voltados para o céu. Que o império ouça e tema: o povo acordou, e quando o povo se organiza, nem o aço das tarifas, nem o ouro das bolsas, nem os mitos da extrema-direita conseguirão silenciar a marcha dos que se levantam. Porque onde há justiça, aí também está Deus. E com Ele, ninguém cala a esperança.

DNonato – Teólogo do Cotidiano