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sábado, 14 de junho de 2025

Um outro olhar sobre João 16,12-15 - Domingo da Santíssima Trindade


Os textos proclamados no Domingo da Santíssima Trindade nos convidam a contemplar o mistério de um Deus que é comunhão viva de amor. Neste domingo, a liturgia nos oferece Provérbios 8,22-31, o Salmo 8,4-5.6-7.8-9 (com o refrão do versículo 2a), Romanos 5,1-5 e o Evangelho segundo João 16,12-15 — este último também proclamado na quarta-feira da sexta semana da Páscoa em 2025 no dia 27 de maio em  no domingo  da Santíssima Trindade em 2022,  mas hoje, à luz da solenidade trinitária, somos chamados a voltar a ele com um novo olhar, mais atento à revelação progressiva de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. O texto de João nos oferece não uma explicação racional da Trindade, mas uma porta de entrada existencial, espiritual e profética para vivê-la. Neste espírito, queremos aprofundar esse Evangelho com as lentes da hermenêutica bíblica, da exegese, da teologia, da antropologia, da sociologia, da patrística e da realidade contemporânea, reconhecendo os apelos e denúncias que ele nos propõe hoje.

Jesus diz aos seus discípulos: “Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade” (Jo 16,12-13). Esse versículo revela um Deus que respeita os tempos da escuta e da maturação. A verdade divina não é jogada sobre nós como imposição, mas nos é confiada por meio de um processo de amor pedagógico. O próprio Jesus, o Logos encarnado, não diz tudo de uma vez, porque a verdade plena não é só conteúdo, mas relação, processo, caminho. Como nos lembra São Gregório de Nazianzo, "é melhor tropeçar em mistério do que ser arrastado por presunção." A verdade é o próprio Deus, e Deus é Amor, e esse amor se revela no tempo, pela escuta e pela experiência vivida. A revelação trinitária não acontece por decretos, mas pela convivência com o Deus que é comunhão eterna.

O Espírito da Verdade é apresentado não como ideologia, mas como sopro livre (Jo 3,8), como presença que “anuncia” o que vem do Filho e, portanto, do Pai. A Trindade é relação que comunica. O Espírito não fala de si mesmo, mas comunica aquilo que é do Filho, que por sua vez recebe do Pai — uma circulação de amor, doação e acolhimento. Não há competição, não há disputa de poder, mas uma perfeita reciprocidade. É o oposto da lógica que domina nossas estruturas eclesiásticas e políticas: estruturas hierárquicas, fechadas, patriarcais, que usam o nome de Deus como instrumento de exclusão. Onde a autoridade se impõe sem escuta, onde a liturgia se transforma em espetáculo, onde o poder é mais valorizado que o serviço, ali o Espírito é entristecido (Ef 4,30). O clericalismo, em todas as suas formas — seja no altar elevado, seja nas decisões solitárias, seja na supressão do sensus fidei do povo — é uma blasfêmia contra a Trindade, pois nega sua lógica circular e comunitária.

Santo Agostinho nos recorda que “Deus é amor, mas não um amor solitário. O Pai ama o Filho, o Filho é o Amado, e o Espírito é o Amor entre ambos” (De Trinitate, VIII). Assim, a Trindade não é um mistério abstrato, mas o fundamento de toda relação humana. Somos criados à imagem de um Deus que é relação. Isso nos desafia em tempos de individualismo extremo, de tribalismo ideológico, de muros e cercas erguidos entre povos, classes e religiões. A antropologia bíblica é relacional: o ser humano só é plenamente humano quando está em comunhão. Por isso, viver segundo o modelo trinitário é resistir ao egoísmo neoliberal, ao autoritarismo teocrático, à religião sem espírito e à espiritualidade sem carne. É viver o Reino como comunidade de irmãos e irmãs que escutam, partilham, cuidam e denunciam a injustiça.

A teologia trinitária, que floresceu com mais força nos concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381), nunca foi apenas uma discussão sobre as essências divinas, mas uma afirmação da comunhão como identidade de Deus. Este ano celebramos os 1700 anos do Concílio de Niceia — o primeiro concílio ecumênico da Igreja —, marco fundamental da fé cristã, onde se professou que o Filho é “consubstancial ao Pai” (homoousios), refutando as heresias que negavam a divindade plena de Jesus. Niceia não apenas protegeu o mistério, mas indicou que Deus não é um tirano solitário, mas uma comunhão de igualdade, eternidade e unidade. A fé trinitária selada em Niceia ainda hoje nos convida a rever nossa vida pessoal e eclesial: será que nossas comunidades vivem a comunhão ou reproduzem desigualdades e exclusões? O Credo Niceno-Constantinopolitano afirma que o Espírito “procede do Pai” (e no Ocidente se acrescentou “e do Filho”), e é “Senhor que dá a vida”. Dar a vida é um verbo trinitário. Onde a Trindade é crida, a vida é promovida. Onde há dominação, opressão, morte e exploração em nome de Deus, o dogma trinitário está sendo traído. A idolatria do poder — seja dentro da Igreja, seja nos sistemas de governo — é o grande desafio de nossa fé trinitária hoje.

Na atualidade, o Espírito da Verdade continua sendo perseguido. Ele incomoda os donos da verdade, desinstala os que se acomodaram nas certezas. Hoje vemos o nome de Deus ser usado por grupos que se dizem cristãos, mas promovem discurso de ódio, armamento, excludência social e violência contra os pobres. A extrema direita, ao cooptar símbolos religiosos, está cometendo uma nova idolatria: a idolatria da pátria, da arma, da autoridade sem serviço. A cruz se torna símbolo de exclusão, e não de reconciliação. Essa perversão do nome de Deus precisa ser denunciada com coragem profética. A Trindade, quando celebrada com fidelidade, desmascara toda tentativa de utilizar Deus como instrumento de dominação. O Deus trinitário está do lado dos pobres, dos deslocados, dos migrantes, das mulheres silenciadas, das crianças esquecidas, dos povos ocupados e das vítimas da guerra.


É preciso dizer com clareza evangélica: o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um escândalo. A justificativa religiosa para uma guerra de extermínio é blasfema. Não há direito de defesa que justifique a morte indiscriminada de civis, o bombardeio de hospitais, a fome deliberada de um povo confinado. O Deus da Trindade não está com os drones, mas com as mães que choram seus filhos. O mesmo vale para o ataque ao Irã: o ciclo de violência entre nações, legitimado por ideologias religiosas nacionalistas, é um escárnio à santidade de Deus. Como calar diante do sangue derramado por impérios que se travestem de escolhidos de Deus? Como aceitar que “cristãos” aplaudam essas guerras em nome de suposta “justiça divina”? O Espírito da Verdade é aquele que grita por paz, por justiça, por reconciliação entre os povos. A guerra não é vontade de Deus, mas consequência do pecado humano e da idolatria do poder.

O Concílio de Constantinopla I (381), ao reafirmar a divindade do Espírito Santo, declarou: “Com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado; ele falou pelos profetas.” Hoje, Ele continua falando, mas muitos se recusam a escutá-lo. Preferem a rigidez doutrinária ao frescor da profecia. Preferem a obediência cega à comunhão ativa. Preferem uma igreja piramidal a uma igreja povo de Deus, como sonha o Vaticano II. A eclesiologia trinitária nos exige romper com a idolatria do poder clerical e abraçar o modelo sinodal, onde todos — leigos, mulheres, pobres, consagrados, ministros ordenados — têm voz e escuta. Como nos lembra o Papa Francisco, “o clericalismo é uma perversão do sacerdócio”, e acrescenta que “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio”.

A carta aos Romanos nos recorda que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Não se trata de um sentimento genérico, mas de uma presença concreta que transforma. O amor trinitário é derramado em nós para gerar reconciliação, pacificação, resistência ao mal. Ele é a força que sustenta os que lutam por justiça, os que defendem a vida ameaçada, os que constroem pontes em vez de muros. Ele é o sopro que dá vida às comunidades que celebram, mas também àquelas que lutam. Como dizia São Basílio de Cesareia, “o Espírito Santo é luz, que ilumina os que estão nas trevas; é força, que sustenta os fracos; é comunhão, que une os dispersos”.

A Trindade, portanto, é muito mais que uma doutrina a ser ensinada: é uma verdade a ser vivida. É mística que se torna política. É amor que se torna denúncia. É fé que se torna prática. É Deus que, sendo comunhão, nos convida a comunhar com os pobres, com os feridos, com os oprimidos. Que este domingo da Trindade não seja apenas uma data litúrgica, mas um chamado a reorganizar nossa vida pessoal, eclesial e social segundo o modelo do Deus Uno e Trino: o Pai que cria com liberdade, o Filho que salva com compaixão e o Espírito que renova com coragem. Que sejamos, pela graça do batismo e pela força da escuta, sinais vivos dessa comunhão divina que resiste à lógica do mundo e anuncia a verdade libertadora do Evangelho.



DNonato – Teólogo do Cotidiano


sábado, 31 de maio de 2025

Um olhar no texto de Lucas 24,46-53, Domingo da ascensão

A celebração da Ascensão do Senhor é um momento culminante da missão terrena de Jesus,  temas que ja abordamos no YouTube e nosso  blog que retorna ao Pai não como quem se ausenta, mas como quem inaugura um novo modo de presença entre nós. As leituras deste domingo nos conduzem à contemplação de um Cristo glorificado, que, ao subir aos céus, não nos abandona, mas nos envia a continuar sua obra no mundo.

A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 1,1-11) narra a despedida visível de Jesus e o início da missão da Igreja: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu?” (At 1,11). O Salmo responsorial (Sl 47[46],2-3.6-7.8-9) entoa a alegria da realeza divina: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!” (Sl 47[46],6), na segunda leitura (Efésios 1,17-23), Paulo nos convida a abrir “os olhos do coração” (Ef 1,18) para reconhecer a esperança à qual somos chamados, contemplando Cristo elevado acima de todo poder, como cabeça da Igreja, “que é o seu corpo” (Ef 1,23).

O Evangelho de Lucas (24,46-53), que refletiremos abaixo.

A missão cristã brota da travessia pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus. O Cristo Ressuscitado não nos envia ao mundo como meros administradores da fé ou burocratas do sagrado, mas como testemunhas do escândalo do amor, que ousou vencer a cruz, o túmulo e todas as estruturas de morte que insistem em se levantar. "Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e em seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados..." (Lc 24,46-47). E esse anúncio não é um murmúrio neutro; ele é um grito que irrompe contra o pecado estruturado em desigualdade, a idolatria do poder e a religião domesticada que nos tenta aprisionar.

Jesus interpretou sua vida e morte à luz das Escrituras, abrindo a inteligência de seus discípulos para entendê-las (Lc 24,45). Não se trata de uma leitura superficial ou acomodada, mas de uma hermenêutica que confronta os poderes estabelecidos. Como os profetas que o precederam, Jesus não interpretou a Lei para legitimar os poderosos, mas para libertar os pobres. Ele não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude (Mt 5,17) — a plenitude do amor, da misericórdia, da justiça. A Palavra de Deus, quando lida a partir dos pobres, se transforma em uma espada afiada que corta o falso sagrado: "A palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes" (Hb 4,12). Por isso, a fé não pode ser reduzida a um mero moralismo, a um rito vazio, ou à bênção de projetos políticos que pisoteiam os pequenos. "Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim" (Is 29,13; Mc 7,6), ressoa como um alerta eterno.

A missão confiada aos discípulos se tece em dois verbos fundamentais: converter e perdoar (Lc 24,47). A conversão (metanoia) não é uma simples troca de religião ou uma adesão a doutrinas, mas uma ruptura radical com o pecado social, com a idolatria do dinheiro, da violência e da mentira institucionalizada. "Ai dos que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores!" (Is 10,1), brada o profeta. O perdão, por sua vez, não é indiferença moral nem reconciliação sem justiça. É uma graça que liberta e reconstrói o tecido humano, esgarçado por um sistema de morte. O Cristo ressuscitado carrega as marcas da crucifixão (Jo 20,27), um sinal indelével de que a ressurreição não é amnésia do sofrimento, mas a memória viva das vítimas e um clamor por justiça histórica.

Como testemunhou Estêvão, primeiro mártir cristão, “eu vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé à direita de Deus” (At 7,56). Cristo exaltado é presença solidária no sofrimento de seus mártires e discípulos perseguidos. Não é ausência, é cumplicidade redentora com os injustiçados.

"Permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto" (Lc 24,49). A missão nasce do Espírito, e não do poder clerical. Não é a cátedra que legitima o missionário, mas a compaixão transbordante do Ressuscitado. O Espírito não sopra apenas nos sacrários; Ele se faz presente nas ruas, nos acampamentos sem terra, nas favelas, nas prisões, nas escolas em greve, nas cozinhas solidárias. O Pentecostes que se anuncia aqui é libertador e desinstalador. Quando o Espírito se manifesta, "os montes se derretem como cera" (Sl 97,5), os muros de exclusão caem por terra (Ef 2,14), e a religião de aparências desaba. O Espírito não apenas consola — Ele desinstala, desorganiza o templo dos acomodados, derruba os "vendilhões" do sagrado e reergue o povo em marcha.

O Espírito que unge Jesus para evangelizar os pobres (Lc 4,18-19) é o mesmo que envia hoje sua Igreja a libertar, curar e anunciar o ano da graça do Senhor. Não há outro critério de autenticidade.

Essa missão não é tarefa solitária nem monopólio clerical, mas caminho sinodal, onde todos — leigos, mulheres, jovens, povos originários — têm voz. O Documento de Aparecida recorda: “Todos os membros da Igreja, em virtude do Batismo, são discípulos missionários” (DAp 549). A missão não é privilégio de alguns, mas vocação de todos. E continua: “A missão é inseparável do compromisso com os pobres e a transformação da sociedade” (DAp 362). O Ressuscitado convoca uma Igreja que escuta e caminha junto, como corpo ferido e em saída.

Jesus encerra sua missão em Jerusalém, mas não para fixar-se nela, e sim para lançar seus discípulos ao mundo: "Vocês serão minhas testemunhas até os confins da terra" (At 1,8). Jerusalém, um lugar de contradições, representa tanto o centro religioso quanto o palco do martírio — ali onde a religião se corrompeu e silenciou os profetas (cf. Mt 23,37). Hoje, inúmeras Jerusaléns e templos modernos voltaram a crucificar o justo, em nome da moral, da segurança e da economia. Igrejas que apoiam projetos armamentistas, racistas e antissociais tornaram-se Jerusaléns de morte, não lugares de ressurreição. Como na voz de Amós, o Senhor grita: "Eu odeio e rejeito vossas festas, não suporto vossas assembleias litúrgicas (...) em vez disso, que o direito corra como a água, e a justiça como um rio perene" (Am 5,21-24). Celebrar a Eucaristia sem partilhar o pão com os pobres é comer e beber a própria condenação (cf. 1Cor 11,29). A missão brota do altar, mas só se realiza quando o altar se prolonga na mesa dos excluídos.


Neste contexto de sombras e desafios, torna-se urgente recordar as palavras proféticas de Dom Adriano Hipólito: "A aclamação a Cristo Rei só tem sentido se for feita com os punhos cerrados contra todas as formas de opressão." A fé não pode ser domesticada nem convertida em instrumento de dominação. A missão cristã é, antes de tudo, um ato de resistência, uma presença solidária, um compromisso inabalável com aqueles que continuam sendo crucificados pelos sistemas de morte.

A missão cristã exige coragem profética. Em tempos de extrema direita, de fake news religiosas, de manipulação das Escrituras e de cruzadas moralistas contra os direitos humanos, é urgente uma Igreja com os pés descalços e o coração em chamas. A Igreja que Jesus envia não é aliada de imperadores, mas irmã dos pobres. É com eles que se reconhece a presença viva do Ressuscitado: "Tive fome e me destes de comer..." (Mt 25,35). A ressurreição é um grito que irrompe contra o sistema de morte. O Cristo que subiu aos céus não fugiu do mundo, mas o plenificou com a esperança dos crucificados. Onde há povo em luta, onde há comunhão solidária, onde há resistência contra o ódio que insiste em se espalhar, ali está a força que vem do alto.

A Ascensão não é uma evasão; é, na verdade, a própria missão. É olhar para o alto, mas com os pés firmes no chão. É contemplar a glória, mas sem fugir da cruz que a vida nos apresenta. É saber que "nosso combate não é contra carne e sangue, mas contra os principados e potestades deste mundo tenebroso" (Ef 6,12). E, como nos assegura Paulo: "Nada poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8,38-39). A esperança cristã não se esconde nos altares dourados, mas brota nos olhos marejados daqueles que acreditam, ainda que tudo ao redor insista em dizer o contrário. Por isso, não fiquemos "olhando para o céu" (At 1,11), enquanto tantos continuam sendo crucificados pela fome, pela injustiça e por uma religião sem alma. Se somos testemunhas do Ressuscitado, devemos gritar com Isaías: "Quebrar as cadeias da injustiça, repartir o pão com o faminto, acolher os pobres e errantes – esse é o jejum que agrada ao Senhor" (Is 58,6-7).

A missão não acabou. Ela apenas começa. E começa exatamente onde o povo sofre e clama por justiça.

DNonato – Testemunha do Ressuscitado no mundo dos crucificados, Graduado em História, teólogo do cotidiano.




sábado, 20 de maio de 2023

Um olhar no texto de Mateus 28,16-20; Domingo da Ascensão

 

 Estamos encerrando o tempo pascal, sendo um momento do envio solene da comunidade para o grande Ide e aqui em Mateus 28,16-20 as ordens são  diretas, o Ide, pregai,  batizar e ensinai  a observar a doutrina ensinada por ele.   Vivemos durante a semana toda a despedida  do Senhor  com a solenidade  das ascensão que tem a seguinte liturgia: Atos 1,1-11; Salmo 46 (47) Refrão 1: Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue Se Deus, o Senhor;   Ef 1,17-23  e o evangelho Mateus  28,16-20 hoje também celebramos o dia mundial das comunicações sociais com um a mensagem do Papa Francisco que nos convidou para uma linguagem não violenta que abordou o tema:   «Falar com o coração. “Testemunhando  a verdade no amor” (Ef 4, 15)»no seguinte contexto.

       

  • Num período da história marcado por polarizações e oposições – de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial está imune – o empenho em prol duma comunicação «de coração e braços abertos» não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. De modo particular nós, cristãos, somos exortados a guardar continuamente a língua do mal (cf. Sl 34, 14), pois com ela – como ensina a Escritura – podemos bendizer o Senhor e amaldiçoar os homens feitos à semelhança de Deus (cf. Tg 3, 9). Da nossa boca, não deveriam sair palavras más, «mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam» (Ef 4, 29).

Quem quiser ler a mensagem na integra basta acessa: Mensagem do Papa Francisco para LVII dia Mundial das Comunicações Sociais. Como nos domingos  anteriores  vamos aborda o evangelho de hoje com mais atenção, o tema  Ascensão já abord abordamos  esse tema   via youtube em 2020 em plena pandemia  no vídeo: Reflexão Mateus 28,16-20 / Ascensão do Senhor e ano passado Reflexão: Boa Nova de Jesus Cristo segundo São Lucas 24,46-53. E hoje voltamos d e novo ao texto de Mateus com a temática da ascensão. 

Vamos aborda a temática da solenidade de hoje dividindo o texto em quatro.(recordamos que não temos pretensão nenhuma em ditar normas para uma reflexão, sejamos livre para aborda a temática)

 Versículo

Ação

Mt: 28,16-17

 Obediência,  adoração e duvida

Mt: 28, 18

 Jesus se aproxima e se apresenta como Alguém que recebeu a autoridade.

Mt: 28,19

 Jesus ordena que faça discípulos para Ele através do batismo em nome da trindade

Mt: 28,20

Não basta fazer discípulos, é preciso ensinar, pois Jesus esta conosco.

 Com a morte de Jesus na sexta-feira santa muita seguidores debandaram e aqui na ascensão temos apenas onze e entre eles havia a insegurança em relação da Pessoa de Jesus. Esse é o ultimo momento presencial com o Mestre.  O momento de despedida nos convida a tomar consciência daquilo que somos, essa é a realidade do texto de hoje Mateus faz questão de dizer que eram 11 e os demais autores que narram ascensão não diz um numero exato.   A comunidade deve continuar o projeto de Jesus  e continuar o projeto Dele envolve  manter viva sua presença em nossos gestos e atitudes e aqui olhando o modelo que ele nos traz de falar com autoridade(Mateus 7,29) diferente daquilo que temos na pratica de falar mesmo que baixo com autoritarismo. O Bispo Adriano da Diocese de Nova Iguaçu nos falava: “O céu começa aqui!”  só começa aqui por trazermos em nossas vidas a presença do Ressuscitado que se elevou na frente dos seus discípulos. O Senhor que subiu permanece com comunidade dando o sustento e força pra se manter na dignidade. E ainda olhando para o contexto onde alguns  estão ocupando certos ministérios nas comunidade agem  com perfídia sendo tudo menos cristão, diante do evangelho não cumprido Ide ou tão pouco preocupados em ensinar, mas em manter a estrutura de poder, como uma corte formada partindo do  principio do autoritarismo. 

 Aqui neste texto temos a primeira  apresentação da formula do sacramento do batismo e ordem no imperativo do ide que nos falta hoje em nossas comunidades, cada vez se fala de um projeto missionário para nós mesmo, pois a exemplo da parusia que os primeiros cristãos viviam e nesses tempos  perdemos, pois já se foram dois mil anos e ele não voltou, também nos acomodados no ide e atualmente com numero recorde de Igrejas surgindo todo dia como nova empresas,   o evangelho virou negócio.

Pelo batismo querendo ou não devemos ser construtores do Reino que rezamos na oração do Senhor, todos somos discípulos e missionários pelo mesmo  batismo que nos foi confiado, somos uma comunidade não só de adoradores, mas de pessoas comprometidas em viver dentro de realidade a ordem de Jesus do Ide, mas não pode ser o ide de alguns religiosos que visam o ide buscando o retorno financeiro. Jesus assumiu plenamente a nossa condição e sua volta para direita do Pai é algo que professamos, é dogma da fé como também a sua volta. Nos falta as duas temáticas de hoje o Ide e o Ensinai  e pedimos que leiamos os números  154 e 155 do Documento de Aparecida para melhor entendermos a questão do ser discípulos e talvez nos falte isso. No âmbito da vocação  o nosso primeiro chamado não é para um ministério na comunidade,  mas para o discipulado e aqui mergulhamos no texto do profeta Isaias 50,4 

  • "O Soberano, o Senhor, deu-me uma língua instruída, para conhecer a palavra que sustém o exausto. Ele me acorda manhã após manhã, desperta meu ouvido para escutar como alguém que está sendo ensinado."  
Nesse contexto que aqueles homens são enviados, como discípulos e por isso que esses dias resolvemos ler o Documento de Aparecida, pois a nossa vocação do Ide esta presa as possíveis facilidades ou da autoridade que recebemos  celebrar o subida do Senhor deve nos motivar a construção desse Reino para que Ele volte como no contexto citado no texto de Apocalipse 3,11-12

"Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome."



domingo, 7 de maio de 2023

Um olhar no texto de João 14,1 -12 - 5º Domingo de Páscoa

 


 Essa  semana estamos  no país que uma cidade do Rio de Janeiro conseguiu registrar a vacina de um  presidente, de sua filha e do ajudante de ordens, sem esquecer sem se quer eles  passarem perto da cidade na data do ocorrido.  Seria vacina online?  Responda quem puder. Estamos as porta de aprovar a PL 2630 que visa coibir as fake news  e acreditamos que todos que se opõem ao projeto são possíveis praticantes de atos nada cristãos na rede social.  Não adianta vir com discurso de liberdade de expressão, quando a mesma traz consigo a mentira, o constrangimento,   até mesmo o  cibercrimes em todos os níveis e a violência  de todo tipo. A PL visa responsabilizar  tais criminosos  que atuam nas redes de forma livre, recordamos que na Austrália e no USA já  existe leis que  responsabilizam os internautas que postam  “M” na rede social e outros espaços. Não podemos confundir liberdade de expressão com direito cometer crimes de forma anônima.  Deixemos  esse assunto para outro momento  olhemos para a liturgia do 5º domingo da páscoa  que é a seguinte: Atos 6,1-7; Salmo 32 (33) com refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia; 1 Pedro 2,4-9 e o evangelho  João 14,1-12.  

Na liturgia de hoje estamos nos preparando para encerrar o tempo pascal,  Jesus se despende dos seus amigos falando da sua partida  pedindo que acreditem nele e aqui neste texto temos a  proposta que Jesus fala em voltar para busca-los  e o texto temos  tem outra frase muito recitada por cristão  o versículo 6 “Eu Sou Caminho a Verdade e a Vida, ninguém vai  ao Pai a não ser por mim.  E na semana passada ouvimos  o texto de  João 10,10 “Eu vim  para todos tenham vida e vida em abundancia” dois textos que citamos fora do contexto, npo sentido de apresentar Jesus. Ele É  o Caminho no texto de João  10,10 a sua missão  de gerar vida em abundancia. O texto tambem cita a  relação que Jesus tem   com o Pai e  pede que tenhamos fé nele e no Pai e  o pedido de Felipe demonstra claramente a insegurança  da clmjni por  não  ver o Pai.  Aqui representa todos os cristão que estão dentro da comunidade  por causa de um sinal, um milagre,  por causa de possíveis e Jesus nos pede para construir uma relação intima com Deus, trazendo para nós a proposta do Caminho e o Caminho é o amor.  

Devemos refletir como estamos apontando o Caminho?

Semana passada Jesus falou que era a Porta, agora ele se apresenta como o Caminho e imagina como a comunidade Apostólica deve ter ficado. Jesus diz que é o  Pão Vivo que desceu do céu(Jo 6,51), que é a Porta (Jo 10,9) e aqui diz que é o Caminho e ainda mas a Verdade, sem deixar de dizer que tem uma água que mata a sede(Jo,4,14) todas aa analogias somente  em João. Em resumo Jesus sempre utilizando do momento que esta vvendo para falar do projeto do Reino de Deus. Neste contexto ele esta celebrando a Pascoa com seus amigos, esses fatos acontecem durante a ceia onde ele fala da sua partida e da sua intimidade com Deus Pai, que talvez nos falte.  Queremos sempre uma fé emocional, uma experiência do sagrado que nos desperte uma emoção etc, esquecemos que somos chamados a exemplo de  Jesus,  mesmo tomados pela tristeza anunciar a Salvação que vem de Deus e não por causa das nossas qualidades.

Somos uma sociedade  composta pela diversidade de ideias e religiões e se todos procurassem viver  e  partilhar os melhores valores de sua fé, certamente o mundo estaria melhor.

Jesus fala que irá até o Pai e voltará, aqui citando um  velho professor que dizia que Jesus traz consigo uma marca de conciliar os diferentes, ali naquele grupo tinha  adultos, idosos, jovens, artesão, pescadores, zelotas, essênios e por ai vai, sem deixar de citar mulheres  e crianças,  porém todos tinham um propósito e nesse sentido que a religião deveria ser, nos dá um propósito para fazer o bem, nunca para  o mal ou tão pouco se omitir diante da injustiça. Aderir o Caminho é  aderir a Verdade por causa da Vida.  No inicio da Igreja  uma adesão a Jesus, era aderir a um Caminho e era  assim que  os seguidores dele são chamados,  e nesse primeiro  momento, esse Caminho envolvia o martírio e hoje diante do mundo cristão, esquecemos  essa  realidade, da martiria e invocamos uma autoridade que beira o autoritarismo.   Jesus  durante esse evangelho pede que creia nem que seja pelas obras que ele tinha feito, atualmente devido as  obras que alguns  padres, pastores e outras lideranças religiosas  cristãs  tem promovido, temos cada vez mais pessoas deixando o Caminho. Alguns  procuram pavimentar esse Caminho de testemunho com atitudes que  fogem da proposta de intimidade  com Deus  de Amor, estão preso no legalismo  dos estatutos, regimentos e normas. 

Somos bons pregadores, somos  bons igrejeiros mas precisamos  volta ao Caminho que nos leva ao Pai, essa é a proposta desse evangelho. Se temos que pedir perdão que peçamos, se temos que perdoar que seja o verdadeiro perdão, se temos que fazer a caridade que seja uma caridade sem interesse ou flash e por fim, se temos que  rezar/orar como preferir que seja uma prática autêntica, uma  ação que envolva nossa fé e nossa vida, por isso Jesus é o Caminho e não é um caminho fácil, não se compara com as vias modernas pavimentadas.  Esse é o maior desafio, a  proposta de Jesus quando diz que vai para o Pai e se apresenta como Caminho.

Neste século dos desigrejados,  cristão sem referência  de uma comunidade, devido  essas mesmas comunidade viver  fechada em um grupo, uma elite de perfeitos que se acham já  conpletos por motivos que não vem a caso,. Jesus na ceia se despedindo fala que Ele é o Caminho e não  o Bispo, o Pastor ou seja qual for o pregador que invoca pra si um don que não tem nada do Espírito Santo e ouvindo certas pregações que fogem daquilo que o evangelho pede e daquilo que Jesus pregou e viveu. Falamos  de uma acolhida, afastamos, falamos de retorno, mas somente aqueles que não tem pensamento critico, falamos  de paz,  promovemos conflito, falamos de justiça e  no fim promovemos a injustiça, sem deixar de falar no perdão e guardarmos todo rancor.

 Diante do pedido de Jesus para que creiamos por causa Dele é algo que olhamos com muito carinho, pois só por Ele e com Ele ousamos a continuar nossa missão de pregar, de anunciar e mesmo olhando pra comunidade que vive a dualidade paulina  de Romanos 7, 19-20.

Ø Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.

Antes pedimos o Espírito Santo precisamos ver se temos uma intimidade profunda com o Pai e conhecer o Caminho que é Filho, para que pecado não habite em nós.