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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 52º DIA MUNDIAL DA PAZ (1º DE JANEIRO DE 2019)


A boa política está ao serviço da paz

1. «A paz esteja nesta casa!»
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz.[1] A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.
Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»

2. O desafio da boa política
A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy;[2] é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».[3]
Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade.

3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz
O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A ação do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana».[4] Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.
A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:
Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.
Bem-aventurado o político que não tem medo.[5]
Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.

4. Os vícios da política
A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.

5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro
Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».[6]
Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.

6. Não à guerra nem à estratégia do medo
Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.
O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.

7. Um grande projeto de paz
Celebra-se, nestes dias, o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a II Guerra Mundial. A este respeito, recordemos a observação do Papa São João XXIII: «Quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular de direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão da sua dignidade; nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos».[7]
Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:
– a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;
– a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado…, tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
– a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.
A política da paz, que conhece bem as fragilidades humanas e delas se ocupa, pode sempre inspirar-se ao espírito do Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz, canta em nome de todos os homens: A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (…), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).



Vaticano, 8 de dezembro de 2018.


FRANCISCUS
________________________
[1] Cf. Lc 2, 14: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado».
[2] Cf. Le Porche du mystère de la deuxième vertu (Paris 1986).
[3] Carta ap. Octogesima adveniens (14/V/1971), 46.
[4] Carta enc. Caritas in veritate (29/V/2009), 7.
[5] Cf. «Discurso na Exposição-Encontro “Civitas” de Pádua»: Revista 30giorni (2002-nº 5).
[6] Bento XVI, Discurso às Autoridades do Benim (Cotonou, 19/XI/2011).
[7] Carta enc. Pacem in terris (11/IV/1963), 24 (44).

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

UM OLHAR SOBRE A INTERVENÇÃO NO RIO

Senhores e senhoras!
Como todo texto sério, inicio tratando todo como senhores e senhoras. (Mesmo que não o sejamos).
Vejo ai o governador Pezão, do MDB (que no momento atual que todo partido é sinal de corrupção, retirou o "P" PARA PARECER MENOS CORRUPTO), reconhecendo sua incompetência diante da marginalidade que tomou conta do Rio de Janeiro. Que com sua UPP, espalhou todos o trafico por todo Estado. Eis que vem a intervenção, eis que vem solução. Gostaria que fosse a solução, mas não será. como em outros tempos as Forças Armadas serão massa de manobra politica, serão colocadas em evidências diante de tantas falhas no segurança pública federal. Na favelas não se fabrica de fuzil, nas favelas não tem tem plantação de maconha etc
O problema é estrutural a nível de Brasil, as drogas e armas vem de outros estados e países etc. O menino que ver o traficante dando aos seus pais as condições que estado não dá, terá o vilão como herói e o herói se tornará vilão, mas a solução é coloca outros meninos na linha do conflito, a solução é ser massa de manobra no jogo politico eleitoral, a solução e achar que as Forças Armadas irão fazer o milagre da pacificação. Os grandes traficantes não estão as margens da sociedade, estão nos seus carros importados e são chamados de doutor, usam terno e gravata com corte italiano e alguns são reconhecidos como autoridades onde chegam. O menino que porta fuzil e o comando dos morros não são donos de avião, fazenda de plantação ou possui fabrica de arma.
Mas o governo precisa mostra pra mídia que agora tem a solução, a droga pode entrar, como também as armas que vem Israel, da Russia ou EUA. Combater o traficante que porta fuzil é muito fácil, o difícil é combater o traficante que porta a caneta, e as vezes consegue até um mandato para um cargo público.
Hora nenhuma eu quero, minimizar a realidade da violência que tomou conta da nossa realidade do Estado. Sabemos que ela pode ser comparada a uma febre. A febre nada mais é que um sinal que o corpo esta em desordem e que há algo errado, a violência é o alerta para uma realidade onde não temos investimento em educação, lazer, saúde ou emprego.
Quando se tem uma febre e você toma o antitérmico e ele não abaixa a febre, a solução não é aumenta a dose, mas é fazer outros exames para descobri as causas reais de tal estado febril e de forma consciente usar o medicamento correto.
O pior, a cobertura midiática nos ajudam a esquecer todos os outros percalços que a sociedade vive, as enchentes do Rio, a rebelião nos presídios, a febre amarela que volta com força, o aumento do custo de vida, as privatizações de Temer, toda a falta de atendimento digno na saúde e falta de emprego. Isso tudo é balela, o negócio é que agora, estamos seguro: O exército esta nas ruas e com ele na rua somos imortais, nenhuma virose ou crise social nos derruba. Na verdade a presença da forças armadas tem o efeito placebo, você acha que é o remédio, mas não é.


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Um olhar sobre a Cidadania (POLITICA)

O tempo todo somos tomados por situações na vida em sociedade que nos leva a interrogar: Como que esse governo esta governando errado? Como aceitar essa situação, esse imposto, tanta corrupção e outras coisas?
Na década de 80 tivemos o fim da ditadura que  nos privava  do direito do voto livre.  Foi uma grande festa com eleição do Collor o primeiro presidente, eleito de forma democrática  e toda grande mídia fez disso uma noticia do século, o então presidente se mostrou imaturo não se dobrou a um congresso conservador e viciado e foi cassado  e condenado pela mesma mídia que o apontava como a solução da  nação. Logo assumiu o tal do mineiro Itamar que foi o mandato tampão  que ousou lança o Plano Real que  estava  na gaveta a muitos anos.
Depois o FHC que foi eleito  e foi reeleito e  o PT na oposição gritava cheio de ética e moral (POIS AINDA A TINHA) - Fora FHC!
Chegou a vez do povo, dos operários etc, chegou ao poder um presidente de esquerda, um homem que experimentou o  sofrimento do povo.   Contudo, se alia ao patrão  dizendo que assim iria melhorar a vida do povo, manteve a politica neoliberal, fugiu do modelo socialista ou comunista. Comprou e  negociou com o lado mais podre do parlamentarista para assim  governa sem alteração. Foi pego em delito  grave  através do seu homem de confiança e assim negou tudo, fabricou uma sucessora e se aliou a serpente perigosa do PMDB,  para não deixarem o poder.
Contudo, a exemplo de Collor a  sucessora não negocia favores com o congresso e se mantém inabalável, com o discurso de vitimização de conduta. Se nega assumir o erro cometido, se diz vitima da conjuntura e no fim fica licenciada da presidência.  Agora como não era licito grita FORA DILMA!, é legal FORA TEMER?  
Me desculpe os petistas esquerdista e outras coisas, o atual governante está aparado dentro da legalidade tanto quanto a senhora Dilma.   Ambos estão sujos pela lama da politica corrupta e injusta. Nós não escolhemos Temer para vice,  não fizemos  alianças com PMDB  e outras coisas feias da politica para manter o poder.
Por isso quando vejo alguns gritando que atual governo é golpista ou não é de direito,  devemos nos questionar sobre oque de fato é um golpe. A cassação de Collor foi legal?, gritar fora FHC era democrático? Gritar fora Dilma é falta de maturidade? Grita fora Temer é justo?
 O atual governo não é ilegítimo quando  a aliança construída para pleito na qual fora eleita a senhora Dilma que no seu ego insuflado fazia questão de ser chamada de presidenta, como se tal tratamento salvasse uma nação.  Não podemos ser massa de manobra e  se deixar levar pela mídia, não podemos  nos deixar de levar por  uma militância que perdeu sua vergonha e negocia sua condição  por um pão com mortadela.     Somos sujeitos politico e nosso grito deve ser:
FORA DILMA, FORA PT, FORA CORRUPÇÃO E TODO TIPO DE SUJEITO CORRUPTO  DA NOSSA POLITICA NACIONAL