- Atos 1,1-11: aprofunda de maneira decisiva a compreensão da Ascensão ao apresentar Jesus não apenas como aquele que sobe aos céus, mas como aquele que envia uma comunidade para continuar sua missão na história. Lucas escreve para Teófilo retomando “tudo o que Jesus fez e ensinou” (At 1,1), deixando claro que o Evangelho não termina com a Ressurreição, mas continua agora através da Igreja. O detalhe dos discípulos olhando para o céu enquanto Jesus é elevado possui enorme riqueza hermenêutica. Os anjos perguntam: “Por que ficais aqui parados olhando para o céu?” (At 1,11). A pergunta rompe qualquer espiritualidade alienante. O céu não pode servir como fuga da realidade histórica. A Ascensão inaugura responsabilidade missionária. Assim como em Mateus 28,19 o Ressuscitado ordena “Ide”, em Atos os discípulos recebem a missão de serem testemunhas “até os confins da terra” (At 1,8). A nuvem que encobre Jesus retoma o simbolismo do Êxodo, onde a nuvem representava a presença divina conduzindo o povo (Ex 13,21). A Ascensão, portanto, não significa ausência, mas nova forma de presença. O Cristo exaltado continua agindo através de uma comunidade chamada a testemunhar justiça, esperança e Reino num mundo marcado pela opressão imperial romana, realidade que encontra paralelos profundos nas estruturas contemporâneas de exclusão, violência social e manipulação religiosa. Também hoje muitos permanecem “olhando para o céu” enquanto ignoram os crucificados da história. A fé cristã, porém, não é fuga espiritualista nem alienação religiosa. O Ressuscitado envia sua Igreja para dentro das feridas humanas, para as periferias existenciais, para os lugares onde a dignidade humana é negada.
- Salmo 46(47): proclamado na liturgia da Ascensão, celebra Deus como rei universal: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta” (Sl 46,6). A linguagem litúrgica do salmo remete às cerimônias de entronização do antigo Oriente, onde reis eram exaltados publicamente. Entretanto, na hermenêutica bíblica, a realeza divina difere radicalmente dos impérios humanos. Enquanto os reis da terra consolidavam poder através da violência, Deus manifesta sua soberania através da justiça e da misericórdia. Relacionado a Mateus 28,18, quando Jesus afirma “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”, o salmo revela que a Ascensão é a proclamação do verdadeiro senhorio de Cristo diante dos falsos absolutos da história. Em pleno contexto romano, onde César era chamado de “senhor” e “salvador”, proclamar o reinado universal de Deus possuía dimensão profundamente política e profética. Hoje, o salmo continua confrontando idolatrias modernas que absolutizam mercado, nacionalismos, extremismos ideológicos e líderes autoritários. O verdadeiro Reino anunciado por Cristo não se fundamenta na lógica da dominação, mas na comunhão, na dignidade humana e na libertação dos pobres. A Ascensão proclama que nenhum poder econômico, militar, religioso ou político possui autoridade definitiva sobre a vida humana. O único Senhor é aquele que lavou os pés dos discípulos, acolheu os marginalizados e entregou sua própria vida na cruz.
- Efésios 1,17-23: oferece uma das mais profundas interpretações teológicas da Ascensão dentro do Novo Testamento. Paulo apresenta Cristo exaltado “acima de todo principado, potestade, força e dominação” (Ef 1,21), utilizando categorias políticas e espirituais do mundo helenístico para afirmar que nenhum poder humano ou cósmico possui autoridade definitiva diante do Ressuscitado. A exegese do texto revela que Paulo escreve para comunidades vivendo sob o peso do Império Romano, cercadas por estruturas religiosas, econômicas e políticas opressoras. A Ascensão aparece então como anúncio de esperança e resistência. O Cristo exaltado não abandona sua Igreja, mas torna-se cabeça do corpo que é a comunidade dos discípulos. Essa imagem dialoga profundamente com Mateus 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo.” A presença do Ressuscitado sustenta uma Igreja chamada a viver em comunhão e missão. A oração paulina para que os cristãos recebam “espírito de sabedoria e revelação” (Ef 1,17) também possui enorme atualidade hermenêutica diante de um mundo marcado por manipulação ideológica, pós-verdade e instrumentalização da religião. A verdadeira sabedoria cristã não é domínio religioso nem poder clerical, mas discernimento espiritual capaz de reconhecer o Reino de Deus no meio das contradições da história e permanecer fiel ao Evangelho da justiça, da misericórdia e da esperança.
A Ascensão não é o fim da presença de Cristo, mas a preparação para Pentecostes. O Senhor sobe ao Pai para que o Espírito seja derramado sobre a comunidade. A Igreja da Ascensão é também a Igreja da espera vigilante, reunida em oração, aprendendo que missão sem Espírito transforma-se em ativismo religioso, propaganda ideológica e estrutura vazia. O mesmo Cristo que sobe é aquele que promete o Paráclito. Por isso a comunidade cristã vive entre a memória da Ressurreição e a expectativa do Pentecostes, entre a promessa e a missão, entre o já e o ainda não do Reino de Deus.
Mateus encerra seu evangelho não descrevendo literalmente Jesus subindo aos céus, mas apresentando a promessa decisiva da permanência do Ressuscitado: “Eis que eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Enquanto Lucas enfatiza visivelmente o movimento da Ascensão em direção ao céu (At 1,9), Mateus silencia sobre a subida física de Jesus e concentra-se na permanência do Ressuscitado junto à comunidade. Isso revela duas perspectivas complementares da tradição primitiva: Cristo exaltado junto ao Pai e Cristo permanentemente presente na missão da Igreja. O foco não está na ausência, mas numa nova forma de presença. O céu, dentro da mentalidade bíblica, não é um espaço geográfico acima das nuvens, mas a plenitude da comunhão com Deus. Assim, afirmar que Cristo sobe aos céus e senta-se à direita do Pai significa proclamar sua participação plena na autoridade divina. Em pleno contexto do Império Romano, onde César era chamado de senhor do mundo, proclamar Jesus como Kyrios possuía uma dimensão profundamente profética e subversiva diante de todo absolutismo político e religioso. A Ascensão proclama que nenhum império humano é eterno. Nenhuma ideologia possui autoridade absoluta. Nenhum sistema econômico pode ocupar o lugar de Deus. A narrativa de Mateus revela que os discípulos enviados eram apenas onze. A ausência de Judas permanece como marca da fragilidade humana. A Igreja nasce ferida, incompleta, marcada pela dúvida e pela contradição. Mesmo diante do Ressuscitado, “alguns, porém, duvidaram” (Mt 28,17). O evangelho desmonta qualquer espiritualidade triunfalista. A fé autêntica não elimina automaticamente o conflito interior. A missão nasce em meio às ambiguidades humanas. Isso aproxima profundamente o texto da realidade contemporânea, onde muitos vivem crises espirituais em meio à violência, às desigualdades, ao sofrimento social e ao aparente silêncio de Deus diante das injustiças. A sociedade contemporânea também é marcada por medos profundos: medo da exclusão, da pobreza, da violência, da solidão e da irrelevância. Muitos aderem a discursos religiosos autoritários porque procuram segurança emocional em tempos de instabilidade. Entretanto, o Ressuscitado não governa pelo medo, mas pela presença. A primeira palavra do Cristo pascal não é ameaça, mas esperança. O Ressuscitado não espera uma comunidade perfeita para enviá-la. Ele envia pessoas frágeis, feridas e inseguras. A missão não nasce da perfeição humana, mas da graça divina.
A Galileia escolhida por Jesus possui forte significado teológico e social. Não é Jerusalém, centro político e religioso do judaísmo. A missão nasce da periferia, da “Galileia dos gentios” (Is 9,1), região marginalizada e culturalmente misturada. Deus inicia seu projeto libertador entre pobres, pescadores, trabalhadores e invisibilizados. O monte onde ocorre o encontro remete ao Sinai e ao Horeb, lugares bíblicos de revelação. Jesus aparece como o novo legislador que não entrega tábuas de pedra, mas uma missão viva fundamentada no discipulado. A escolha da Galileia revela que Deus continua agindo a partir das margens da história e não dos centros do poder religioso. A Galileia continua existindo. Ela está nas periferias esquecidas, nos rostos cansados dos trabalhadores, nas mães que sofrem pela violência, nos jovens sem horizonte, nos pobres esmagados pelas injustiças sociais e nos que continuam esperando uma palavra de esperança. É para essa Galileia humana que o Ressuscitado continua enviando seus discípulos. Quando Jesus afirma: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28,18), não fala da lógica autoritária dos impérios humanos. Sua autoridade nasce do serviço, da misericórdia e da coerência entre palavra e prática, como já aparecia em Mateus 7,29. Isso confronta diretamente as deformações religiosas contemporâneas marcadas pelo clericalismo, pelo autoritarismo espiritual e pela instrumentalização da fé como mecanismo de controle político, econômico e psicológico. O evangelho de Mateus desmonta toda lógica clerical quando mostra que o Ressuscitado envia uma comunidade de discípulos frágeis e não uma elite religiosa perfeita. O poder no Reino nasce do serviço. Onde a Igreja busca privilégios, prestígio e domínio, afasta-se do monte da Galileia e aproxima-se perigosamente dos palácios de Jerusalém. O Concílio Vaticano II, especialmente em Lumen Gentium, recorda que a Igreja é antes de tudo Povo de Deus caminhando na história. Já Gaudium et Spes afirma que as alegrias e esperanças, tristezas e angústias da humanidade são também as da Igreja. Não existe discipulado verdadeiro desconectado do sofrimento humano.
O imperativo do “Ide” em Mateus 28,19, já que já refletimos no texto: Entre o Vinde e o Ide: Igreja, Conflito e Comunhão no Corpo em Tensão que rompe qualquer espiritualidade fechada sobre si mesma. A Igreja existe para sair. A Ascensão não legitima alienação religiosa nem fuga do mundo. O Cristo exaltado continua presente nos pobres, nos marginalizados e nos crucificados da história, como recorda Mateus 25,31-46. Uma espiritualidade desconectada do sofrimento humano transforma-se em abstração religiosa. Medellín, Puebla, Santo Domingo e Documento de Aparecida insistiram fortemente que a missão da Igreja passa necessariamente pela defesa da dignidade humana e pela opção preferencial pelos pobres. Não se trata de ideologia, mas de fidelidade ao próprio Cristo que se identificou com os pequenos. A Evangelii Gaudium também recorda que a Igreja deve ser “em saída”, capaz de abandonar comodismos pastorais e estruturas autorreferenciais para encontrar os feridos da história. O batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” revela que a missão nasce da própria comunhão trinitária. Deus não é solidão de poder, mas comunhão de amor. Isso confronta o individualismo contemporâneo e também os modelos religiosos empresariais que transformam a fé em mercado espiritual. A teologia da prosperidade e a teologia do domínio deformam o Evangelho ao substituir o Reino de Deus pela lógica do sucesso individual e da acumulação econômica. Jesus nasceu pobre, viveu entre os pobres e proclamou bem-aventurados os pobres (Lc 6,20). O Evangelho não legitima desigualdades sociais nem projetos autoritários travestidos de religião. Em muitos contextos contemporâneos, o nome de Deus é utilizado para justificar intolerância, violência simbólica e projetos políticos excludentes. O Evangelho, porém, continua sendo denúncia profética contra toda idolatria do poder.
A crítica profética permanece atual. Isaías, Amós e Miqueias denunciaram governantes injustos e líderes religiosos corruptos. Jesus expulsou os vendedores do templo porque a religião havia se tornado instrumento econômico de exclusão. Também hoje a fé é frequentemente manipulada para alimentar extremismos políticos, discursos de ódio e projetos de poder. O Evangelho, porém, continua sendo força libertadora que denuncia idolatrias políticas, econômicas e religiosas. A mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais torna-se profundamente necessária dentro desse contexto. “Preservar vozes e rostos humanos” significa resistir à cultura da desumanização. Em tempos de redes sociais marcadas pela violência verbal, fake news, manipulação ideológica e radicalização política, comunicar o Evangelho exige responsabilidade ética e espiritual.
A comunicação cristã nasce da encarnação. Deus não salvou a humanidade à distância. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Em Jesus, Deus assume linguagem humana, rosto humano, lágrimas humanas e relações humanas. Toda comunicação que desumaniza contradiz o mistério da encarnação. Na tradição bíblica, o rosto possui dimensão profundamente teológica. O rosto revela dignidade, presença e relação. O cristianismo é a religião do rosto humano porque Deus assumiu um rosto humano em Jesus Cristo. Preservar vozes e rostos humanos significa resistir à desumanização promovida pelas estruturas de ódio, exclusão e manipulação ideológica. As redes sociais frequentemente transformam pessoas em alvos, números ou inimigos. O Evangelho faz o contrário: devolve rosto aos invisibilizados. Jesus olhava para os pobres, os doentes, os pecadores públicos e os marginalizados não como objetos descartáveis, mas como filhos e filhas amados de Deus. Tiago 3,9 denuncia a contradição de bendizer a Deus e amaldiçoar seres humanos feitos à sua imagem. Efésios 4,29 recorda que da boca do cristão devem sair palavras que edifiquem. O “Ide” missionário passa também pela responsabilidade ética da comunicação. O discípulo de Jesus não pode utilizar a palavra para humilhar, manipular ou destruir. O anúncio do Evangelho exige verdade unida à misericórdia. Comunicar Cristo não é espalhar medo, intolerância ou fanatismo religioso. É anunciar esperança, dignidade e reconciliação num mundo profundamente ferido pela violência simbólica e pela cultura do descarte.
A contemporaneidade vive uma crise profunda de sentido marcada pela violência, desigualdade, precarização da vida e radicalizações ideológicas. Nesse cenário, a promessa de Cristo “Eu estarei convosco” torna-se fonte de esperança e resistência. O Reino já começou na Ressurreição, mas ainda não alcançou sua plenitude. Vivemos entre a promessa e o cumprimento definitivo. Por isso a Ascensão não autoriza conformismo histórico. Enquanto aguardamos a volta do Senhor, somos chamados a antecipar sinais do Reino através da justiça, da reconciliação e da defesa da vida. O Ressuscitado voltará, mas enquanto isso a Igreja é chamada a construir sinais concretos do Reino através da solidariedade e da dignidade humana. Isaías 50,4 ilumina profundamente o discipulado missionário ao afirmar: “O Senhor despertou meu ouvido para escutar como discípulo.” Antes de falar, é preciso aprender a escutar. O verdadeiro missionário não é propagandista religioso, mas alguém que ouve o clamor dos pobres, das vítimas e dos excluídos. A Igreja frequentemente fala demais e escuta de menos. Escutar os que sofrem é parte essencial do Evangelho. O discipulado missionário nasce da capacidade de reconhecer Deus presente na dor humana.
Celebrar a Ascensão do Senhor é, portanto, olhar para o céu sem abandonar a terra. É compreender que o Reino começa aqui quando o Evangelho se transforma em prática concreta de misericórdia, justiça e comunhão. Nesse horizonte ressoa profundamente a memória profética de Dom Adriano Hypólito, que afirmava com simplicidade e radicalidade evangélica: “O céu começa aqui”. Sua expressão não era um slogan religioso vazio, mas uma profunda síntese teológica e pastoral da esperança cristã. O céu começa aqui quando se cumpre a oração ensinada por Jesus: “Venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” (Mt 6,10). O céu começa aqui quando os pobres são reconhecidos como bem-aventurados (Lc 6,20), quando os que têm fome e sede de justiça são saciados (Mt 5,6), quando os pacificadores são chamados filhos de Deus (Mt 5,9), quando o pão é repartido, o estrangeiro é acolhido e o ferido da estrada deixa de ser ignorado, como na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37). O céu começa aqui quando a comunidade cristã compreende que o Ressuscitado continua presente nos crucificados da história, porque “todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Começa aqui quando a Igreja deixa de buscar prestígio e volta a lavar os pés da humanidade ferida (Jo 13,14-15). Começa aqui quando o poder deixa de ser instrumento de dominação e se transforma em serviço, pois o próprio Jesus afirmou: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27). Começa aqui quando o discípulo aprende que seguir Cristo não é ocupar tronos religiosos, mas carregar a cruz da solidariedade e do compromisso com a vida (Mt 16,24).
A Ascensão não afasta Cristo da história humana. Pelo contrário, revela que sua presença ultrapassa os limites do espaço e do tempo e continua sustentando os que lutam pela dignidade humana em meio às contradições do mundo. O Senhor exaltado continua caminhando entre os pobres, os invisibilizados, os cansados e os que choram. Ele continua passando pelas periferias humanas como passou pelas aldeias da Galileia, tocando leprosos (Mc 1,40-42), sentando-se à mesa com pecadores (Lc 5,29-32), defendendo mulheres humilhadas (Jo 8,1-11) e anunciando libertação aos oprimidos (Lc 4,18-19). O Cristo que sobe aos céus é o mesmo que prometeu: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). Por isso a Igreja da Ascensão não pode permanecer imóvel contemplando nostalgicamente o passado nem aprisionada em estruturas de poder, vaidades clericais ou projetos religiosos autorreferenciais. Deve ser comunidade em saída, discípula, missionária, profética e misericordiosa, como recorda o Evangelho. O Senhor subiu aos céus, mas seus pés continuam caminhando na história através daqueles que vivem o Evangelho com coragem, ternura e compromisso com o Reino. A Ascensão não é despedida, mas envio. Não é ausência, mas presença transformada. Não é fuga da terra, mas compromisso ainda mais profundo com ela.
O Cristo que sobe aos céus continua dizendo à sua Igreja aquilo que disse aos onze na Galileia: “Ide” (Mt 28,19). Ide às periferias esquecidas. Ide aos pobres feridos pela injustiça. Ide aos jovens sem esperança. Ide aos que perderam a fé na humanidade. Ide aos que foram esmagados por estruturas econômicas excludentes e por religiões sem misericórdia. Ide anunciar que a morte não venceu, que o Reino continua germinando como semente escondida (Mc 4,26-32) e que o Ressuscitado permanece conosco “todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). E enquanto a humanidade muitas vezes constrói torres de orgulho, violência e exclusão como em Babel (Gn 11,1-9), o Evangelho continua reunindo povos, línguas e nações numa mesa comum de fraternidade. A esperança cristã permanece viva porque o Cordeiro morto e ressuscitado continua sendo “o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era e que vem” (Ap 1,8). A última palavra da história não pertence aos impérios, ao ódio, aos mercados ou aos falsos profetas da prosperidade e do poder. A última palavra pertence ao Ressuscitado. E por isso a Igreja continua caminhando entre lágrimas e esperança, ouvindo a promessa do Apocalipse: “Eis a tenda de Deus com a humanidade. Deus habitará com eles” (Ap 21,3). O céu começa aqui, mas caminha para sua plenitude definitiva quando Deus será “tudo em todos” (1Cor 15,28).
DNonato - Teólogo do Cotidiano


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