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quinta-feira, 26 de março de 2026

Um breve olhar sobre João 8,51-59

A perícope de Evangelho de João 8,51-59 é proclamada na liturgia da Igreja Católica no tempo quaresmal, especificamente na quinta-feira da quinta semana da Quaresma no lecionário ferial. A escolha desta passagem dentro do itinerário quaresmal possui densidade teológica e espiritual, pois este tempo litúrgico conduz progressivamente à revelação do mistério pascal, no qual a identidade de Cristo se manifesta plenamente na cruz e na ressurreição. A afirmação solene de Jesus como o “Eu Sou” encontra eco em outras leituras quaresmais que enfatizam a fidelidade de Deus à sua aliança, como em Êxodo 3,14 e Isaías 43,10-13. Em tradições litúrgicas de Igrejas históricas, especialmente nas Igrejas Orientais, textos joaninos com forte densidade cristológica também são proclamados em períodos penitenciais, reforçando o chamado à conversão e ao reconhecimento da presença divina em Cristo.

A narrativa se insere no contexto da festa das Tendas, conforme o desenvolvimento de Evangelho de João 7–8, uma das grandes celebrações de Israel que recordava a travessia do deserto e a fidelidade de Deus que sustentou o povo com água e luz. Esses elementos simbólicos aparecem reinterpretados na pessoa de Jesus. Ele se apresenta como a água viva em Evangelho de João 7,37-38, em continuidade com Êxodo 17,6 e Números 20,11, e como a luz do mundo em Evangelho de João 8,12, em consonância com Salmos 27,1 e Isaías 9,1. Assim, João constrói uma releitura teológica das instituições e símbolos de Israel, apresentando Cristo como sua plenitude e cumprimento, conforme também se sugere em Colossenses 2,17.

O pré-texto imediato revela uma crescente tensão entre Jesus e seus interlocutores, especialmente em Evangelho de João 8,31-47, onde a questão da liberdade e da filiação é central. Jesus afirma que a verdade liberta em Evangelho de João 8,32, mas também denuncia que aquele que comete o pecado torna-se escravo em Evangelho de João 8,34. Essa escravidão não é apenas moral, mas existencial e estrutural, como se pode compreender à luz de Romanos 7,14-24 e Efésios 2,1-3. A verdadeira filiação a Abraão não é biológica, mas se manifesta na prática da justiça e na abertura à Palavra, como já indicava Gênesis 15,6 e é retomado em Gálatas 3,7.

Quando Jesus declara em Evangelho de João 8,51 que quem guarda sua palavra jamais verá a morte, ele introduz uma perspectiva escatológica que transcende a compreensão imediata dos ouvintes. A morte, neste contexto, deve ser entendida como ruptura da comunhão com Deus, conforme já se delineia em Gênesis 2,17 e Sabedoria 1,13-16. Esta compreensão é aprofundada em Romanos 6,23 e também em Tiago 1,15, onde o pecado é apresentado como gerador da morte. Em contraste, a vida prometida por Cristo é participação na própria vida divina, conforme Evangelho de João 17,3.

O verbo “guardar”, proveniente do grego tēreō, indica mais do que observância externa. Trata-se de uma atitude de fidelidade vigilante, de interiorização e de prática constante. Essa dimensão aparece também em Evangelho de João 14,23, onde guardar a palavra está associado ao amor, e em Salmos 119,11, onde a Palavra é guardada no coração como fonte de vida. A antropologia bíblica mostra que o coração é o centro da decisão e da identidade, conforme Deuteronômio 6,5.

A reação dos interlocutores revela incompreensão e fechamento. Eles recorrem à figura de Abraão e dos profetas, afirmando que todos morreram, como se vê em Evangelho de João 8,52-53. Essa leitura literal ignora a dimensão espiritual da palavra de Jesus, repetindo um padrão já observado em Evangelho de João 3,4, quando Nicodemos não compreende o novo nascimento, e em Evangelho de João 6,52, quando o discurso do pão da vida é interpretado de forma material. Essa incapacidade de compreender revela um fechamento existencial, semelhante ao denunciado em Isaías 6,9-10 e retomado em Mateus 13,13-15. A figura de Abraão, central no argumento dos interlocutores, é reinterpretada por Jesus. Em Evangelho de João 8,56, ele afirma que Abraão exultou ao ver o seu dia. Esta afirmação pode ser compreendida à luz de Gênesis 12,3 e Gênesis 22,18, onde a promessa feita a Abraão aponta para uma bênção universal. O autor da carta aos Hebreus também interpreta Abraão como aquele que viu pela fé as realidades futuras, conforme Hebreus 11,13.

O ponto culminante ocorre em Evangelho de João 8,58, quando Jesus declara “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Esta afirmação remete diretamente a Êxodo 3,14, onde Deus revela seu nome a Moisés. Também encontra paralelo em Isaías 41,4 e Isaías 43,10, onde Deus se apresenta como o “Eu Sou”. A cristologia joanina atinge aqui sua máxima expressão, identificando Jesus com o próprio ser divino, em continuidade com Evangelho de João 1,1 e Filipenses 2,6. A reação violenta dos ouvintes, que tentam apedrejá-lo em Evangelho de João 8,59, deve ser compreendida à luz da legislação de Levítico 24,16. No entanto, essa reação também revela a resistência humana à verdade quando esta desafia estruturas estabelecidas. Esse padrão se repete na rejeição dos profetas, conforme 2 Crônicas 36,16, e culmina na rejeição de Cristo, como anunciado em Evangelho de João 1,11. 

O diálogo com os Evangelhos Sinóticos permite ampliar a compreensão. Em Evangelho de Marcos 1,15, o anúncio do Reino de Deus está no centro da pregação de Jesus. Em Evangelho de Mateus 22,32, Deus é apresentado como Deus dos vivos, e em Evangelho de Lucas 4,24-30, a rejeição de Jesus antecipa o conflito. João, porém, aprofunda a dimensão ontológica, revelando que o Reino se manifesta na própria pessoa de Cristo, conforme Evangelho de João 14,6. A tradição da Igreja reforça a centralidade da Palavra. A Dei Verbum do Concílio Vaticano II afirma que a Palavra deve ser acolhida e vivida. A Gaudium et Spes conecta a fé com as realidades humanas, enquanto a Conferência de Aparecida insiste na dimensão missionária e libertadora da Palavra, especialmente em relação aos pobres, em sintonia com Lucas 4,18-19.

A tradição profética denuncia a religião desvinculada da justiça. Em Amós 5,21-24 e Isaías 1,11-17, Deus rejeita o culto vazio. Jesus retoma essa crítica em Mateus 23,27-28, denunciando a hipocrisia religiosa. Essa denúncia permanece atual diante de formas de instrumentalização da fé para fins de poder, em contradição com Miqueias 6,8.  Na prática de Jesus, que redefine a autoridade como serviço em Evangelho de João 13,14-15 e Marcos 10,42-45. A comunidade cristã é chamada a viver a fraternidade, conforme Mateus 23,8-12.

A realidade contemporânea, marcada por desigualdade, violência e crise de sentido, exige uma resposta que brota da Palavra. A vida prometida por Cristo se manifesta na prática da justiça, conforme Mateus 25,31-46, e na vivência do amor, conforme 1 João 3,14-18. A fé autêntica se traduz em compromisso concreto, conforme Tiago 2,17. Assim, a afirmação “Eu Sou” continua a ecoar como revelação e chamado. Ela convida à conversão, à superação do medo e à abertura à vida plena. Guardar a Palavra significa permitir que ela transforme a existência, conforme Romanos 12,2, e conduza à comunhão com Deus e com os irmãos, conforme Atos dos Apóstolos 2,42-47.

A conclusão nos conduz a uma síntese viva que não pode permanecer apenas no plano da contemplação, mas exige encarnação histórica e decisão concreta. Permanecer em Cristo é participar da vida que vence a morte, conforme Evangelho de João 11,25-26, mas essa participação não se reduz a uma esperança futura; ela se manifesta já no presente como ruptura com tudo aquilo que gera morte, exclusão e negação da dignidade humana. É uma adesão que desinstala, que desloca, que impede qualquer acomodação diante das injustiças naturalizadas. Assumir compromisso com a verdade, à luz de Evangelho de João 8,32, significa recusar as narrativas falsas que sustentam sistemas de opressão, significa denunciar a manipulação da fé que transforma o sagrado em instrumento de poder. A verdade de Cristo não se negocia com interesses ideológicos, não se curva diante de projetos autoritários, não legitima estruturas que esmagam os pobres. Pelo contrário, ela desmascara toda forma de idolatria, conforme Isaías 44,9-20, e convoca a uma fidelidade que pode custar rejeição, conflito e até perseguição, como já advertia Evangelho de Mateus 5,10-12. Resistir às estruturas de morte é mais do que uma postura ética individual; é uma exigência evangélica que implica confrontar sistemas injustos. A Escritura é clara ao afirmar que existem realidades que produzem morte coletiva, como se vê em Amós 5,11-12, onde a exploração dos pobres é denunciada, e em Miqueias 2,1-2, onde se condena a acumulação injusta. Permanecer em Cristo exige romper com essas lógicas, ainda que estejam revestidas de linguagem religiosa. Não há fidelidade ao “Eu Sou” onde há conivência com a injustiça. O anúncio da esperança do Reino, conforme Apocalipse 21,1-5, não pode ser reduzido a consolo alienante. Trata-se de uma esperança ativa, que antecipa no presente os sinais da nova criação. Onde há partilha, ali o Reino começa a emergir, conforme Atos dos Apóstolos 4,32-35. Onde há cuidado com os pequenos, o Reino se torna visível, conforme Evangelho de Mateus 25,40. Onde há reconciliação e justiça, ali se rompe o ciclo da morte.

A Palavra guardada no coração não pode permanecer silenciosa. Ela se torna fogo que arde, como em Jeremias 20,9, e não permite neutralidade diante da realidade. Uma fé que não incomoda as estruturas injustas já perdeu sua força evangélica. Uma espiritualidade que não gera compromisso com os crucificados da história se distancia do Cristo crucificado. É necessário dizer com clareza que toda religião que se alia ao poder para oprimir, que se cala diante da violência, que legitima desigualdades, trai o Evangelho. Neste horizonte, a comunidade cristã é chamada a recuperar sua vocação profética. Isso implica romper com o clericalismo que concentra poder e silencia o povo, em contradição com Evangelho de Marcos 10,42-45, e assumir uma Igreja servidora, pobre com os pobres e comprometida com a justiça. Implica também denunciar as distorções da fé que transformam Deus em meio para prosperidade individual, esquecendo que o Evangelho aponta para a solidariedade e a partilha, conforme Lucas 12,15. 

 permanência em Cristo, portanto, não é refúgio intimista, mas inserção radical na história com um olhar transfigurado pela Palavra. É viver como sinal de contradição, conforme Evangelho de Lucas 2,34, recusando a lógica da morte e afirmando, com a própria existência, que outra realidade é possível. É caminhar na contramão de uma sociedade marcada pelo individualismo e pela indiferença, assumindo a lógica do Reino que privilegia os últimos, conforme Evangelho de Mateus 20,16. Assim, a conclusão não é um encerramento, mas um envio. Guardar a Palavra é tornar-se Palavra viva no mundo. É fazer da própria vida um espaço onde Deus continua a dizer “Eu Sou”, não como abstração, mas como presença concreta que liberta, cura e transforma. É permitir que a existência se torne denúncia contra tudo que nega a vida e anúncio de tudo que a promove. É, enfim, viver de tal modo que, ao olhar para a história marcada por tantas sombras, ainda seja possível reconhecer sinais da luz que não se apaga, conforme Evangelho de João 1,5.



DNonato - Teólogo do cotidiano 

terça-feira, 17 de junho de 2025

Um breve olhar sobre Mateus 6,1-6.16-18

 

Quando ouvimos Mateus 6,1-6.16-18 na liturgia da Quarta-feira de Cinzas e, novamente, na Quarta-feira da 11ª Semana do Tempo Comum, somos colocados diante de uma das páginas mais incisivas do Evangelho. Trata-se de uma palavra afiada como espada (Hb 4,12), capaz de discernir não apenas nossas ações, mas também as intenções ocultas do coração. Jesus não oferece um simples conselho moral nem uma recomendação para aperfeiçoar a vida espiritual. Ele realiza uma crítica profética que desmascara uma religião transformada em espetáculo e denuncia toda prática religiosa utilizada para conquistar prestígio, poder ou reconhecimento.  A escolha deste evangelho para a Quarta-feira de Cinzas não é acidental. A Igreja o proclama justamente na abertura da Quaresma, quando os fiéis são convidados ao caminho da conversão, da penitência e do retorno ao Senhor. Nesse contexto, Jesus apresenta as três práticas tradicionais da piedade judaica: A esmola,  a oração   e o  jejum.
Não para rejeitá-las, mas para purificá-las. O problema não está nas práticas em si, mas na motivação que as sustenta. O Reino de Deus não se mede pela visibilidade da devoção, mas pela autenticidade do coração que busca a vontade do Pai.
A liturgia das Cinzas reforça essa mensagem. Enquanto os cristãos recebem sobre a cabeça o sinal da fragilidade humana "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gn 3,19) ou o chamado à conversão  "Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15),  o evangelho alerta contra a tentação de transformar até mesmo os sinais da penitência em instrumentos de exibição religiosa. A Quaresma começa, portanto, com um convite à verdade interior: não basta parecer convertido; é necessário deixar-se transformar por Deus.
Quando o mesmo texto retorna na 11ª Semana do Tempo Comum, fora do contexto quaresmal, a Igreja recorda que a conversão não é uma exigência sazonal, limitada a quarenta dias do ano. A autenticidade do discipulado deve marcar toda a existência cristã. A esmola, a oração e o jejum permanecem como expressões permanentes da fé, mas sempre orientadas para a comunhão com Deus e para o serviço aos irmãos, jamais para a autopromoção.
Essa perícope  esta  centro do Sermão da Montanha (Mt 5–7), a grande síntese da ética do Reino. Depois de apresentar as Bem-aventuranças na segunda-feira da 10 semana do tempo comum,  e de exigir uma justiça superior à dos escribas e fariseus (Mt 5,20) proclamada na 6ª-feira da 1ª semana da Quaresma e também na 5ª-feira da 10ª semana do Tempo ComumJesus aprofunda o significado da verdadeira piedade. O foco desloca-se do exterior para o interior, da aparência para a consciência, da busca dos aplausos humanos para a relação filial com o Pai. A expressão repetida ao longo do texto  "teu Pai, que vê o que está oculto" revela o centro da espiritualidade cristã: Deus não se impressiona com performances religiosas; Ele contempla o coração.
Jesus vivia  a religiosa do seu tempo. Em uma sociedade ondce a honra pública possuía enorme valor, práticas como a esmola, a oração e o jejum podiam tornar-se mecanismos de distinção social. A religião corria o risco de converter-se em capital simbólico, instrumento de status e legitimação. Contra essa lógica, Jesus proclama uma verdadeira contracultura do Reino. O discípulo não vive para ser visto, admirado ou celebrado. Sua recompensa não está nos aplausos da praça, mas na comunhão silenciosa com o Pai. denúncia permanece extraordinariamente atual. Também hoje a fé pode ser capturada pela lógica da visibilidade, da autopromoção e da busca de reconhecimento se   tornando um vivência  hipócrita 
A palavra "hipócrita", no grego original (hypokritēs), significava literalmente “ator”, alguém que representa um papel. O uso desse termo não é inocente, pois Jesus denuncia uma espiritualidade teatral, onde o altar vira palco e a fé é usada como maquiagem para encobrir estruturas de dominação e conveniência pessoal. Essa mesma denúncia ecoa nos profetas: 
  • Isaías 1,13-17 rejeita os sacrifícios de mãos sujas de sangue
  • Amós 5,21-24 repudia os cultos vazios sem justiça; 
  • Oséias 6,6 nos recorda que Deus prefere a misericórdia ao ritual. 
O problema não são as práticas, mas as intenções corrompidas. A oração verdadeira é silenciosa, o jejum autêntico é discreto, e a esmola legítima é secreta  porque o Pai “vê o que está oculto” (Mt 6,4.6.18). E Jesus questiona a sociedade onde a honra pública possuía enorme valor, práticas como a esmola, a oração e o jejum pode se  tornar um  mecanismos de distinção social. Vivemos  esse  perigo hoje, onde   a  religião converter-se em capital simbólico,  instrumento de status e legitimação. Contra essa lógica, Jesus proclama uma verdadeira contracultura do Reino. O discípulo não vive para ser visto, admirado ou celebrado. Sua recompensa não está nos aplausos da praça, mas na comunhão silenciosa com o Pai.

A pergunta fundamental não é quanto rezamos, quanto jejuamos ou quanto damos aos pobres. Mas  para quem fazemos essas coisas? 
O evangelho nos conduz ao exame mais profundo da vida espiritual: buscamos a glória de Deus ou a nossa própria? 
A resposta a essa pergunta determina se nossas práticas religiosas são expressão do Reino ou apenas encenação diante dos homens. O Sermão da Montanha, anuncia o Reino de Deus como contracultura, um caminho de justiça superior (cf. Mt 5,20), rompendo com uma religiosidade fortemente institucionalizada onde práticas como o jejum, a oração e a esmola haviam se tornado ferramentas de distinção social e autoexaltação. A crítica de Jesus, portanto, é profundamente enraizada numa realidade concreta: a religião usada como instrumento de prestígio e poder 
Essa crítica, tão particular ao seu contexto, ressoa em uma verdade universal. Afinal, do ponto de vista antropológico e histórico, todas as civilizações desenvolveram ritos que expressam relação com o sagrado. O jejum, por exemplo, já era praticado em contextos mesopotâmicos, egípcios e greco-romanos como forma de purificação, luto ou preparação espiritual.

  • Entre os povos indígenas do Brasil, o jejum aparece em contextos iniciáticos, como preparação para rituais de cura, escuta do espírito ou contato com os encantados. A oração, nesses contextos, não é discurso, mas relação cósmica — diálogo com a natureza, com os ancestrais, com os mistérios. A esmola, por sua vez, se manifesta em formas comunitárias de partilha, em que o bem coletivo supera o individual.
  • As religiões de matriz afro-brasileira nos oferecem outro exemplo vigoroso de autenticidade: a oração é canto, dança, corpo que se doa. O jejum se dá nas restrições alimentares ligadas ao orixá ou ao processo ritual. A caridade, o axé que circula, é força de vida compartilhada. Essas práticas são vividas com reverência e verdade, sem a pretensão de parecer mais espirituais que outros. 
  • No judaísmo, de onde vêm as práticas que Jesus menciona, oração, jejum e esmola são parte inseparável da halachá, a caminhada do justo. O jejum de Yom Kippur é arrependimento profundo, a oração é mergulho na Palavra, e a tzedaká é justiça social. 
  • No Islã, o Ramadã é um grito coletivo de sobriedade e compaixão — jejum diário, orações comunitárias e caridade obrigatória.
  •  Nas religiões orientais, como o budismo e o hinduísmo, o jejum é disciplina do desapego, a oração é meditação, e a generosidade é um dos caminhos para a iluminação.

Desde Durkheim a Bourdieu  que a fé pode ser tanto instrumento de libertação quanto de dominação. No Brasil contemporâneo, vemos essa fé sequestrada por lideranças que a utilizam como capital político. A extrema-direita brasileira invadiu o sagrado: jejuns manipulados por políticos corruptos, orações nas redes usadas como marketing de guerra cultural, e caridades exibidas com câmeras na mão. O nome de Jesus é invocado não para salvar, mas para excluir. Transformaram o altar em palanque e o Evangelho em doutrina de ódio. Essa fé não liberta; ela oprime, revelando-se a religião de Caifás, não a de Jesus. Vivemos  esse narcisismo religioso. O ego que busca aplauso se traveste de piedade. O jejum é usado para autopunição neurótica ou para exibir força de vontade. A oração vira monólogo do ego com o espelho. A esmola, feita para os likes, é caridade colonizadora. Mas o verdadeiro encontro com Deus desmascara, descentra e transforma. Jung dizia: “Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta.” A verdadeira espiritualidade não é estética, mas ética. Ela nos obriga a encarar nossos abismos e os rostos dos que sofrem.

A teologia bíblica  fiel à tradição dos profetas e de Jesus não pode compactuar com o cristianismo de fachada. A oração cristã nasce da escuta da Palavra e da solidariedade com os crucificados da história. O jejum cristão é recusa concreta aos ídolos do consumo, do egoísmo, da indiferença. A esmola cristã é profecia contra a miséria institucionalizada. O Papa Francisco é contundente ao dizer que "não há verdadeira piedade sem justiça" (EG 186) e que “a fé que não se traduz em defesa dos pobres é ideologia sem alma” (FT 275). O Concílio Vaticano II, em Gaudium et Spes 1, afirma que o sofrimento da humanidade deve ecoar no coração da Igreja. E não há sofrimento maior hoje do que ver o nome de Deus usado para legitimar o racismo, o machismo, a homofobia e a desigualdade

.É  preciso  lembrar que 

  •  A filosofia , nos lembra que a verdade religiosa precisa ser crítica. 
  • Paulo Freire nos ensinou que a educação  e a fé precisam ser libertadoras, não domesticadoras. 
  • Nietzsche, apesar de crítico da religião, denunciava a moral de rebanho e a fé sem coragem.
  •  Kierkegaard clamava por uma fé que não fosse espetáculo, mas risco existencial. 
  • Simone Weil escreveu que “a atenção pura é a forma mais rara e generosa de oração”. 
  • Todos esses ecos nos recordam:  que o Evangelho é  o convite ao abismo de Deus, não ao conforto do palco. 
Em tempos de “culto-show”, de missas que viram apresentações, de padres que se comportam como celebridades e de pastores que vendem bênçãos como produtos, Mateus 6 nos devolve à essência. A fé não precisa de aplausos. Deus não está nos holofotes, mas no quarto fechado, no rosto do pobre, no pão dividido em silêncio. O Pai que vê no oculto não se impressiona com redes sociais, mas com o coração quebrantado. Se nossa religião virou entretenimento, então perdemos o Cristo. Se nossas igrejas se parecem mais com shoppings do que com comunidades de partilha, então é hora de voltar ao deserto. Nos tempos de exposição constante, de espiritualidade transformada em espetáculo e de religião usada para acumular influência social, econômica ou política, a palavra de Jesus conserva toda a sua força profética. Ela interpela o clericalismo, a ostentação religiosa e toda forma de devoção vazia, convidando-nos a redescobrir a simplicidade do Evangelho.Contra essa lógica, Jesus proclama uma verdadeira contracultura do Reino. O discípulo não vive para ser visto, admirado ou celebrado. Sua recompensa não está nos aplausos da praça, mas na comunhão silenciosa com o Pai.

Que esta Palavra não nos deixe tranquilos. Que ela desinstale nossas falsas seguranças e derrube os altares da vaidade religiosa erguidos em nosso coração. Não sejamos cúmplices de uma fé domesticada, reduzida a espetáculo, capturada pelos interesses do mercado, pelo moralismo sem misericórdia ou pela sedução do poder. O Evangelho não foi dado para legitimar privilégios, mas para gerar discípulos. Como clamava o profeta Joel: "Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes" (Jl 2,13). É tempo de abandonar as máscaras da piedade aparente que escondem o orgulho, a indiferença diante do sofrimento humano e a busca de reconhecimento. O Pai, que vê o que está oculto, não procura exibicionismo religioso; procura corações convertidos. Por isso, deixemos que a oração nos reconduza à intimidade com Deus, que o jejum nos liberte da tirania do ego e do consumo, e que a esmola nos devolva aos irmãos e irmãs que o mundo descarta. Essas práticas não são troféus espirituais, mas caminhos de transformação, sinais concretos de uma vida configurada ao Reino. Não há mais espaço para uma religião de aparência, para um cristianismo sem cruz, sem justiça, sem misericórdia e sem compromisso com os pequenos. A fé autêntica nasce no segredo do encontro com Deus, amadurece na escuta da Palavra e floresce no serviço ao próximo. É a fé que se ajoelha diante do Pai e se levanta para lavar os pés dos irmãos.

Voltemos ao Evangelho. Retornemos ao silêncio que nos permite ouvir a voz de Deus. Reencontremos os pobres, porque neles o próprio Cristo continua a nos visitar. Sejamos, como pede o Sermão da Montanha, sal da terra e luz do mundo; não atores em busca de aplausos, mas testemunhas do Reino. A  Palavra foi proclamada. O chamado foi feito. A conversão não pode esperar. A hora da profecia é agora. O tempo favorável é hoje. E o Reino de Deus já está entre nós, aguardando discípulos que tenham a coragem de viver o Evangelho sem máscaras

DNonato — Teólogo do Cotidiano, servo do Evangelho e filho da Igreja.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Hino da Campanha da fraternidade 2023

  Alguns aspectos que podiamos aborda neste nosso espaço já fora abordados nos textos:
A  historia da Campanha da  Fraternidade  e A Quaresma sua origem  e aqui temos o prazer como acontece anualmente trazer o hino da Campanha da Fraternidade e aqui vale a pena ressalta as motivações para escolha do tema, dentro de um pais  com 33 milhões de famintos  o tema chegou atrasado ao nosso ver, pois a realidade fome é fato real,  ouviremos das pessoas o comentários de fome de justiça e de direitos, além da fome  de alimentos que  mantém o corpo de pé.  Sabemos que a Campana da fraternidade vem dá uma direção para um gesto concreto da nossa quaresma, ainda temos pessoas que ousar dizer que a mesma atrapalha a vivência quaresmam, não vamos entrar nos aspectos mas ressalmos que a escolha do tema envolve os seguintes aspecto: 
  • A vida da Igreja e da sociedade (eventos especiais, como centenário da Rerum Novarum em 1991 - Solidários na Dignidade do Trabalho; ano da família em 1994 - A Família, como vai?);
  • Desafios sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira;
  • As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e documentos do Magistério da Igreja Universal;
  • A Palavra de Deus e as exigências da Quaresma. Já ser passaram 6  décadas e campanha continua atualizada

    vamos aprender a cantar o hino da Campanha da fraternidade que nos ajudará a rezar durante a quaresma.  Um santo e abençoado etiro quaresmal para todos!

    Hino da Campanha da fraternidade 2023

    Fraternidade e Fome lema: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b)


    1 - Vocação e missão da Igreja: Responder ao apelo do Senhor (Mt 14,16b) de sermos no mundo a certeza da partilha, Milagre do amor (Mt 14,13-21)  O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)



    4. A ausência da fraternidade nos leva a desviar o olhar (Eclo 4,5) do irmão que tem necessidade de valor, alimento e lugar. . O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)

    2. Jesus Cristo , PÃO da vida plena, (Jo 6,35) em sua mesa nos faz assentar(1 Sm 2,8) e sacia a nossa pobreza para o mundo mais justos forma  O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)


    5. A fome agravada no mundo, vem de uma visão arrogante ( Pr 2q,24). A carência do amor mais profundo(1 Jo 4, 20-21) que nos torna irmão tão distantes.  O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)

    3. Únidos nesse tempo propício de jejum, (Mt 6, 1-18) oração, caridade recordemos, pois é nosso ofício cultivar e plantar a bondade . O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)

    6 -Nas cidades em todo lugar, que se abra o nosso coração (Ef 1,18) À alegria de poder partilhar (At 2,42) o pão nosso em feliz oração(Mt 6,11) O Bom Mestre, a vós Recorremos (Mt14,13b) Ajudai-no a fome vencer recordai-nos o que nós devemos: “Dai-lhes vós mesmo de comer”! (Mt 14,16b) “Dai-lhes vós mesmo de comer ”! (Mt 14,16b)

     

    Composição: Clark Victor Frena e Geovan Luiz Alberton,



domingo, 27 de março de 2022

Um Olhar no texto de Lucas 15,1-3.11-32 - 4º Domingo da Quaresma

  A temática do evangelho de hoje  que fala do perdão e reconciliação  é cantada por vario artistas e tem canções que nos emociona como por exemplo:  Este pranto em minhas mãos que cantamos Muito alegre eu te pedi o que era meu partir / Um sonho tão normal / Dissipei meus bens e o coração também / No fim meu mundo era irreal…

Ainda temos uma bela oração muitos fazem sem  perceber o  quanto nos compromete  reze conoso depois de ler o artigo abaixo: Oração do Filho Prodigo 

A parábola dos filhos, do Filho ingrato, dos filhos egoístas ou o nome mais bonito que ela carrega que é: O Pai Rico em Misericórdia. Uma parábola que parece uma novela, na semana passada quando lemos o texto de Lucas 13,1-9 ou ainda quando lemos o texto do 3º sábado da quaresma Lucas 18,9-14,  que serve para nos ajudar a entender essa Parábola.  Somos convidados com as leituras de hoje: Josué 5,9a.10-12; Salmo 33 (34); 2 Coríntios 5,17-21 e Lucas 15,1-3.11-32 à descoberta de Deus que nos ama como um Pai amoroso,  como diz o Professor: Carlos Henrique Meditti com um coração de mãe ou ainda como uma galinha com seus pintinhos citado por Jesus[i].  Deus não segue a lógica do revanchismo ou da magoa, Deus tem um jeito todo especial de lidar com cada pessoa. Ele esta longe da religião excludente e legalista que muitos ainda praticam nos dias de hoje.

Desde primeiro domingo da quaresma estamos seguindo um ciclo. O deserto, a montanha e inicio da viagem para Jerusalém e durante essa viagem ele vai sendo questionado, na semana passada a parábola de Figueira que precisava de mais um ano e hoje sendo o domingo da alegria, Jesus vem nos dizer que todos podemos volta ao convívio do Pai, que É Deus, que Ele  nos aguarda de forma amorosa e não tem uma prática  condenatória como o filho mais velho.   Todo o capitulo 15 de Lucas vai apresentar Parábolas que nos convida ao retorno e vai nos alerta a pratica excludente em nossas Igrejas.  Os religiosos daquele contexto traziam consigo uma opinião que Deus não ouvia o pecador e por isso que o autor sagrado apresenta o fato. Lucas sendo grego faz questão ressaltar a oportunidade de retorna comunhão, dos evangelhos sinóticos, ele faz questão de ressaltar essa possibilidade de retorno.

A parábola conta com alguns personagens, sendo três centrais.

O Pai

Lucas: 15, 11

O Filho mais velho

Lucas 15,25

O Filho mais novo

Lucas 15,12

Os amigos da gastança

Lucas 15,13-14

O dono dos porcos

Lucas 15,15

O funcionário fofoqueiro

Lucas 15,26-27

 

No Contexto bíblico o Pai tinha toda autoridade sobre os filhos, os filhos eram quase que  uma propriedade, mas esse Pai é diferente, ela permite toda liberdade, ofertando um amor sem igual.  No domingo da transfiguração o Pai diz que Aquele é seu Filho amado, aqui neste contexto, cuidando dos porcos  esse filho da parábola  se torna um invisível, pois o seu patrão não se preocupa se ele tem fome ou esta doente. O filho faz uma reflexão, de toda miserabilidade que estava vivendo, uma reflexão  que devemos fazer, ser ver na  sua condição e ser servo e  na casa paterna era diferente. Esse momento nos faz refletir sobre os donos das Comunidades, os irmãos que não percebem o quanto devemos nos colocar como bons servos. 

O filho mais velho sempre foi o primeiro herdeiro e ele teria a disponibilidade de toda herança, quando o filho mais novo solicita a sua parte, para muitos é um escândalo, se percebe que  naquele núcleo podemos ter um conflito, pedir a parte da herança para muitos é declara o óbito do Pai, contudo nesse contexto patriarcal ninguém comenta sobre a mãe, se ela esta viva etc. Os Filhos querem ser independente, a famosa frase dos adolescentes quando: “Eu fizer 18 anos vou fazer isso ou aquilo e ninguém vai mandar em mim”.

Chamar o filho mais novo de ingrato ou de outra coisa poderá ser uma Injustiça de nossa parte. Lemos esse evangelho com tanta piedade e nos colocamos sempre como o filho que voltou que pediu perdão e que o Pai de amor acolheu.  Quantas vezes somos o filho mais velho que fecha a porta da Comunidade, colocamos todo direito Canônico, os versículos bíblicos diversos, os catecismos e vamos perguntar o Bispo, o Papa se concordam com a volta daquele filho. Quando não somos o empregado fofoqueiro que conta o fato com lasciva de veneno, os amigos pra hora da coisa boa ou ainda nas relações profissionais tratamos os nossos semelhantes como escravos ou inferiores, pois aqui se fala em comer lavagem dos porcos, nem a isso ele tinha direito.
Mas não podemos olhar para o filho mais novo como o modelo de arrependimento e não nos arrependermos de verdade.


Na Igreja de Jesus somos todos irmãos uns dos outros, sempre estamos como o filho ingrato tomando a herança que é nossa vida e gastando com coisas inúteis e muitos daqueles que deveriam se inspirar no modelo do agricultor do domingo anterior, do pai de misericórdia do evangelho de hoje, mira no modelo farisaico onde a lei é todo preceito é o único sentido.

A parábola nos convida a sermos firmes em nosso propósito de permanecer com o Pai, pelo seu amor e não sair por ai seguindo qualquer vento ou modismo, se alguém se afasta da Comunidade devemos manter a porta aberta se deixando guiar pela Justiça sem abandonar a Misericórdia de Deus que nos ama.

O Pai que acolhe o filho como seu coração feliz pelo retorno deveria ser o coração das nossas Igrejas quando alguém retorna, deveríamos fazer festa por todos que estão conosco, mas uma festa maior pelo retorno dos arrependidos. A quaresma na origem da Igreja era o momento de acolher os novos cristãos e nesse domingo os neófitos ouviam que eles eram esse filho que volta e por isso a comunidade esta feliz, no Movimento de Cursilhos de Cristandade o Pai Rico de Misericórdia é uma das meditações mais importante, pois diz para os cursilhistas que o Pai esta nos esperando com coração cheio de saudade. O filho mais velho até tem sua razão pela situação pelo sofrimento que o Pai vivenciou, imaginamos quantas vezes o Pai chorou pela saudade do filho ingrato.  Mas, ele se perdeu quando foi dá ouvido ao servo que  pintou  o quadro da sua maneira, a Alegria do Pai deveria ser  a Alegria do filho mais velho. O Pai recorda de tudo que eles passaram juntos e de  tudo que ele tem,  sempre lhe pertenceu.

Em Lucas 15 Jesus apresenta três relatos e todos falam da alegria do encontro:

A ovelha perdida

Lucas 15,4-7

A Moeda Perdida

Lucas 15,8-10

O Pai de Misericórdia

Lucas 15,11-32

 Tanto a ovelha, a moeda é o proprietário que a procura, mas no caso do filho,  o pai espera que ele  caia em si e decida retorna. O filho se recorda do profundo amor que o Pai lhe transmitia.

Aqui vale a pena contar a História de Jovem padre que no meio do processo vocacional no seminário resolveu sair por suas crises etc., arrumou um trabalho e sempre passava na frente de uma Igreja. Quando passava via aquele povo feliz, ele se encantava por ver o povo feliz, se interrogava como ele não via aquela alegria quando era seminarista. Ele sentiu saudade daquele convívio e voltou para o seminário e já vai completar 10 anos de Padre. 

A moeda, a ovelha tem que ser buscada e filho tem que ser acolhido. Qual filho não discordou do Pai, qual cristão que no meio da caminhada não pensou em pegar tudo que é seu e meter o pé?

Quem de nós, não teve o comportamento do filho mais velho que exclui e se faz dono da vontade de Deus ou como o empregado fofoqueiro?

Somos convidados para uma festa, o Pai fala que filho estava morto, mas a ressurreição maior foi a do Pai, pois todos sabem como um pai sofre sem noticia de um filho.

Vivemos a lógica do humano, o Pai por amor espera o filho cair em si, por amor não se contenta em esperar e vendo filho vir ainda distante parte ao encontro e lhe restitui a dignidade. Ele recebe uma roupa nova sinal da veste batismal, um anel sinal de aliança e compromisso e a sandália sinalizando  que ele voltou à condição de filho.

O cordeiro (que representa  Jesus neste contexto) que o Pai sacrifica estava reservado para aquele momento de reencontro e do resgate desse filho do inicio da nova vida, agora sim ao lado do Pai e devido reconhecimento.

O Pai nos conhece e sabe muito bem o quanto somos falhos em nossas escolhas e o quanto precisamos dele para não perde a dignidade de filhos amados e aqui parafraseando o Apostolo Paulo:[ii]

 

E, porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho para habitar em vossos corações, e ele clama: “Abba, Pai!” Portanto, tu não és mais escravo, mas filho; e sendo filho, és igualmente pleno herdeiro por decreto de Deus. Zelo por uma doutrina sadia




[i]  Mateus 23,27

[ii] Gálatas 4,6-7


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

A HISTÓRIA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE.

Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la, assim, autôno­ma financeiramente.
A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN), com adesão de outras três dioceses e apoio financei­ro dos bispos norte-americanos.
No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste realizaram a Campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País. Em seu início, teve destacada atuação o Secretariado Nacional de Ação Social da CNBB, sob cuja dependência estava a Cáritas Brasileira, que fora fundada no Brasil, em 1957.
Na época, o responsável pelo Secretariado de Ação Social era Dom Eugênio de Araújo Sales, e por isso, presidente da Cáritas Brasileira. O fato de ser admi­nistrador apostólico de Natal (RN) explica que a Campanha tenha iniciado naquela circunscrição eclesiástica e em todo o Rio Grande
 A Campanha da Fraternidade firmou  durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II. O primeiro documento conciliar aprovado foi sobre a Liturgia. O documento Lumen Gentium, constituição dogmática sobre a Igreja - sua natureza e missão evangelizadora - foi também dos primeiros documentos refletidos e aprovados pelo Concílio. Surgiu de um discurso do Cardeal Suenens, no final da primeira sessão. Foi aprovado no final do Concílio.
A primeira das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano, após o período conciliar, em Medellín (1968), foi convocada para a implementação do Concílio, no Continente. A reflexão sobre a realidade latino-americana levou a Igreja a enfrentar o desafio da pobreza e da urgente presença transformadora nas estruturas sociais. A Conferência de Puebla, dez anos depois, acentuou ainda mais a dimensão social da fé e da vivência cristã, a fim de superar a situação de marginalização, opressão e exclusão em que vive a maioria do povo, criando-se um clima de comunhão e participação.
Os temas da Campanha da Fraternidade, inicialmente, contemplaram mais a vida interna da Igreja. A consciência sempre maior da realidade sócio-econômico-política, marcada pela injustiça, pela exclusão e por índices sempre mais altos de miséria, fez escolher como temas da Campanha aspectos bem determinados desta realidade em que a Fraternidade está ferida e cujo restabelecimento é compromisso urgente de fé. A partir do início dos encontros nacionais sobre CF, em 1971, a escolha de seus temas vem tendo sempre mais ampla participação dos 16 regionais da CNBB que recolhem sugestões das Dioceses e estas das paróquias e comunidades.
Alguns pontos de referência na escolha dos temas são:
Aspectos da vida da Igreja e da sociedade (eventos especiais, como centenário da Rerum Novarum em 1991 - Solidários na Dignidade do Trabalho; ano da família em 1994 - A Família, como vai?);
Desafios sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira;
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e documentos do Magistério da Igreja Universal;
A Palavra de Deus e as exigências da Quaresma. Já ser passaram 6  decadas e campanha contnua atualizada.
1a Fase: Renovação da Igreja e do cristão

2a Fase: A Igreja se preocupa com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça (Vaticano II, Medellín e Puebla)

3a Fase: A Igreja se volta para situações existenciais do povo brasileiro

4ª Fase; A campanha da Fraternidade torna-se ecumênica e a cada cinco anos é realizada em comunhão com as Igrejas que fazem parte do CONIC

1º  Fase: Renovação da Igreja

 

Ano

Tema

Lema

64:

Igreja em renovação

Lembre-se: você também é Igreja 

65

Paróquia em renovação

Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor

66:

Fraternidade

Somos responsáveis uns pelos outros 

67

Corresponsabilidade

Somos todos iguais, somos todos irmãos 

68

 Doação

Crer com as mãos 

69

Descoberta

Para o outro, o próximo é você 

70

Participação

Ser cristão é participar

71

 Reconciliação

Reconciliar 

72

Serviço e vocação

Descubra a felicidade de servir

 

2º Fase: A Igreja se preocupa com a realidade social do povo

 

73:

Fraternidade e libertação

O egoísmo escraviza, o amor liberta

74

Reconstruir a vida

Onde está o teu irmão?

75

 Fraternidade é repartir

Repartir o pão 

76

 Fraternidade e comunidade

Caminhar Juntos 

77

Fraternidade na família

 Comece em sua casa 

78

Fraternidade no mundo do trabalho

Trabalho e Justiça para todos 

79

Por um mundo mais humano

Preserve o que é de todos 

80

Fraternidade no mundo das migrações: exigência da eucaristia

Para onde vais? 

81

Saúde e fraternidade

 Saúde para todos 

82

Educação e fraternidade

A verdade vos libertará 

83

Fraternidade e violência

Fraternidade sim, violência não 

84

Fraternidade e Vida

Para que todos tenham vida

 

3º Fase: A Igreja se volta para situações existenciais

 do povo brasileiro

 

85

Fraternidade e fome

Pão para quem tem fome 

86

Fraternidade e terra

Terra de Deus, terra de irmãos 

87

A fraternidade e o menor

Quem acolhe o menor, a Mim acolhe 

88

A fraternidade c o negro

Ouvi o clamor deste povo! 

89

A fraternidade e a comunicação

Comunicação para a verdade e a paz 

90

A fraternidade e a mulher

Mulher e homem: imagem de Deus 

91

A fraternidade e o mundo do trabalho

Solidários na dignidade do trabalho 

92

Fraternidade e juventude

 Juventude: caminho aberto 

93

Fraternidade e moradia

Onde moras? 

94

A fraternidade e a família

A família, como vai?

95

A fraternidade e os excluídos

Eras Tu, Senhor 

96

A fraternidade e a política

justiça e paz se abraçarão! 

97

A fraternidade e os encarcerados

Cristo liberta de todas as prisões!

98

A fraternidade e a educação

A serviço da vida e da esperança! 

99

Fraternidade e os desempregados

Sem trabalho... Por quê?

 

4ª Fase; A campanha da Fraternidade torna-se ecumênica e a cada cinco anos é realizada  em comunhão com as Igrejas que fazem parte do CONIC

2000

Dignidade Humana e Paz (ecumênica)

Novo Milênio sem Exclusões

2001

Fraternidade e as Droga 

Vida sim, Drogas não!

2002

Tema-Fraternidade e Povos Indígenas e Lema

Por uma terra sem males

2003

Fraternidade e Pessoas Idosas

Vida, Dignidade e Esperança

2004

Fraternidade e Água

Água, fonte de Vida

2005

Solidariedade e Paz (ecumênica)

e Lema "Felizes os que promovem a Paz" (Mt 5,9)

2006

Fraternidade e Pessoas com Deficiência

"Levanta-te, vem para o meio!" (Mc 3,3)[7]

2007

Fraternidade e Amazônia

Vida e Missão neste chão

2008

Fraternidade e Defesa da Vida

"Escolhe, pois, a Vida" (Dt 30,19)

2009

Fraternidade e Segurança Pública

"A Paz é fruto da Justiça" (Is 32,17)

2010

Economia e Vida (ecumênica)

"Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro" (Mt 6,24)

2011

Fraternidade e a Vida no Planeta

"A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22)

2012

Fraternidade e saúde pública

Que a saúde se difunda sobre a terra! (cf. Eclo 38,8)

2013

Fraternidade e Juventude

"Eis-me aqui, envia-me!" (is 6,8)

2014

Fraternidade e Tráfico Humano 

"É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1)

2015

Fraternidade: Igreja e Sociedade

"Eu vim para servir" (Mc 10,45)

2016

Casa Comum, Nossa Responsabilidade (ecumênica)

"Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca" (Am 5,17)

2017

Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida 

"Cultivar e guardar a criação" (Gn 2,15)

2018

Fraternidade e Superação da Violência 

"Vós sois todos irmãos" (Mt 23,8)

2019

Fraternidade e Políticas Públicas

"Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1,27)

2020

Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso

Viu, sentiu compaixão e cuidou dele. (cf. Lc 10,33-34)

2021

Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor (ecumênica)

"Cristo é a nossa paz. Do que era dividido Ele fez uma unidade." (Ef 2,14)

2022

Fraternidade e Educação Fala com sabedoria, ensina com amor. (cf. Pr 31,26)

Fala com sabedoria, ensina com amor. (cf. Pr 31,26)

2023

Fraternidade e Fome

 Daí-lhes vós mesmo de comer (Mateus 14,16)

 

2024

Fraternidade e Amizade Social

Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt. 23, 8).

2025

“Fraternidade e Ecologia Integral”

Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

2026

Fraternidade e Moradia

“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
 1 - Equipe Regional da CF 
Compete-lhe a) estimular a formação e/ou assessorar e articular as equipes diocesanas; b) planejar a CF em nível regional: o que organizar, quem envolver, calendário a ser seguido, onde e como atuar.

Sugestão de algumas atividades a serem desenvolvidas:

Antes da Campanha: a) encontro regional de estudo do texto base, estudo da melhor utilização das diversas peças, com definição de atividades comuns nas Dioceses para operacionalização da CF, intercâmbio de informações, experiências e subsídios; b) produção de subsídios adaptados à realidade; c) informação e repasse de subsídios relacionados com o tema produzidos em outros Regionais ou provenientes de outras fontes; d) assessoria, se solicitada, às Dioceses.

Durante a Campanha: a) contato com as equipes diocesanas para animação, intercâmbio de experiências mais significativas; b) acompanhamento das atividades comuns programadas.

Antes da Campanha: a) encomenda dos subsídios para as paróquias, comunidades religiosas, colégios, meios de comunicação, movimentos de Igreja; b) encontro diocesano para estudo do texto base, busca comum da melhor forma de utilizar as diversas peças da Campanha, definição de atividades comuns nas paróquias, intercâmbio de informações e subsídios, sugestão ou escolha do gesto concreto; c) programação do lançamento; d) constituição de equipes para atividades específicas; e) informação e repasse de subsídios alternativos.

Durante a Campanha: a) acompanhamento das diversas equipes; b) verificação do andamento das atividades comuns programadas; d) contatos com as paróquias para perceber o andamento da Campanha; e) conferir se os subsídios chegaram a todos os destinatários em potencial; "alimentar" com pequenos textos motivadores ("release") os meios de comunicação, colégios e outros segmentos.

Depois da Campanha: a) encontro diocesano de avaliação; b) redação e envio da síntese da avaliação à equipe regional; c) participação no encontro regional de avaliação; d) repasse às equipes paroquiais da avaliação regional e outras informações; e) concretização do gesto concreto e garantia do repasse da parte da coleta para a CNBB Regional e Nacional; f) repasse, ao longo do ano, às paróquias de subsídios oportunos sobre o tema da CF.

3. Equipe Paroquial da CF

A Campanha da Fraternidade acontece mesmo é nas famílias, nos grupos e nas comunidades eclesiais articulados pela paróquia. Como em relação a outras atividades pastorais, o papel do pároco ou da equipe presbiteral é preponderante. Mesmo que, por vezes, muitas coisas aconteçam bem sem ou até apesar do pároco, tudo anda melhor quando ele estimula, incentiva, articula e organiza a ação pastoral. Em toda paróquia com dinamização pastoral, não faltarão equipes para todos os serviços, o Conselho Paroquial de Pastoral, e outros organismos necessários. A equipe de coordenação pastoral, por si ou pela constituição de comissão específica, garantirá a Campanha da Fraternidade.

Sugestão de algumas atividades:

Antes da Campanha: a) pedido de material junto à Diocese; b) encontro paroquial para estudo do texto base, estudo da melhor utilização das diversas peças, definição de atividades comuns nas comunidades, programação da abertura em nível paroquial, previsão de como a CF atingirá colégios, hospitais, meios de comunicação, e outros espaços ou ambientes da realidade paroquial, escolha do gesto concreto; c) planejamento da coleta; d) encontros conjuntos ou específicos com as diversas equipes paroquiais para programação de toda a quaresma e semana santa; e) previsão de como colocar o maior número possível de subsídios da Campanha e a quem oferecer, ao menos, o texto base.

Durante a Campanha: a) divulgação permanente; b) conferir se os subsídios chegaram a todos os destinatários em potencial; c) motivação de sucessivos gestos concretos de fraternidade; c) realização da coleta.

Depois da Campanha: a) avaliação da CF; b) participação do encontro diocesano de avaliação; c) repasse à(s) equipe(s) da avaliação diocesana e outras informações; d) concretização do gesto concreto e repasse à Diocese da parte da coleta devida; e) retomada do tema ao longo do ano.

Gesto(s) Concreto(s) da CF

A Campanha da Fraternidade, fundamentalmente, é programa global conjunto de evangelização. A Palavra anunciada desperta a fé, a conversão e a inserção na vida comunitária, conduz à vida sacramental e faz desabrochar para a vida fraterna, para o serviço, para o estabelecimento de novas relações sociais. Não há verdadeira evangelização sem o compromisso pessoal, social e comunitário de transformação do mundo segundo critérios evangélicos. Quem acolhe o anúncio do Evangelho vive como Jesus viveu, adere "ao programa de vida - vida doravante transformada - que Ele propõe, ao ‘mundo novo’, ao novo estado de coisas, à nova maneira de ser, de viver, de estar junto com os outros, que o Evangelho inaugura" (EN 23). Esta adesão se expressa em gestos concretos.

Cartaz da CF 2021
Estes gestos são múltiplos e variados, mas não podem constituir ações isoladas. São expressões diferentes da vivência quaresmal, iluminada pela pregação da Campanha da Fraternidade, em preparação à Páscoa. Estes gestos podem ser de:
oração, necessária para discernir a realidade, ver a missão de cada cidadão brasileiro e do cristão comprometido em face da situação de todos os marginalizados na história de nosso País; jejum, que ganha conotação de compromisso com a população empobrecida, em permanente jejum forçado por não ter acesso à educação, ao trabalho, à moradia, à cultura, ao exercício pleno da cidadania. Os que têm o suficiente são chamados a jejuar livremente, num ato de culto a Deus através dos bens materiais. São chamados, também, a renunciarem à convivência com os mecanismos de opressão e marginalização para todas as pessoas viverem como irmãos;

esmola, vivenciada através da partilha e da libertação. Para isso é essencial não apenas dar esmola, mas transformar-se em "esmola" (doação), aliando-se a todos, a partir dos oprimidos e discriminados em sua aspiração por verdadeira fraternidade. Por isso, gestos de promoção humana libertadora. Diante de quem tem fome, de quem não tem roupa, não tem casa, está doente, está preso ou morto há ações imediatas indispensáveis: dar de comer, matar a sede, vestir, abrigar, visitar, sepultar.

Mas o dar de comer e matar a sede é também empenhar-se para que todos consigam capacitação profissional, emprego digno e salário justo; é buscar estruturas que não gerem a fome dos irmãos. Vestir é também trabalhar por todos os despojados, devolvendo-lhes a dignidade, possibilitando o retorno ao convívio social. Abrigar o peregrino é também acolher o migrante e promover sua integração na comunidade, batalhar para que todos tenham acesso à terra para trabalhar, promover uma política que não crie sempre mais novos sem-teto, sem terra e sem dinheiro. Visitar doentes é também criar novos serviços de assistência médica e hospitalar. Visitar os presos é também garantir-lhes assistência jurídica, proteger os direitos humanos do preso e criar condições de vida digna que contribuam para diminuir a criminalidade.

A variedade de gestos que cada um/a pode realizar ao longo da quaresma, concretizando sua caminhada de conversão, é imensa. Mas há um gesto concreto comum a todos: é a coleta da Campanha da Fraternidade - a contribuição financeira.

Cartaz da CF 2022
No final da Campanha, cada comunidade é chamada a um gesto generoso, cuja destinação não contemplará apenas necessidades dela. Pela sua doação, a comunidade vai ajudar a Igreja desenvolver obras de promoção humana e a sustentar a ação pastoral. Certamente não há Diocese do Brasil que não tenha já recebido ajuda de irmãos e instituições eclesiais de outros países. Numerosas paróquias e comunidades receberam ajuda financeira de entidades católicas do estrangeiro para as mais diversas finalidades: construção de igrejas, de centros comunitários, programas de formação, seminários...

Na coleta da Campanha, cada comunidade dá conforme pode. Se ela tem pouco, dá pouco. Se tem mais, reparte mais. Se tem muito, partilha muito. O que não pode é ser mesquinha, dar uma sobra por descargo de consciência. A colaboração deve ser generosa, gratuita, solidária e libertadora.
A coleta da Campanha da Fraternidade, grande gesto concreto de fraternidade, deve tornar-se logo meio privilegiado para a auto-sustentação da Igreja no Brasil, garantindo recursos financeiros para ela manter obras sociais, programas de formação de leigos engajados, a infra-estrutura pastoral. A CNBB já recebe razoável recurso desta coleta para preparar a Campanha de cada ano e para as atividades que desenvolve.

A destinação da coleta é a seguinte: 45% para a própria paróquia aplicar em programas de promoção humana; 35% para a Diocese aplicar na mesma finalidade; 10% para a CNBB Regional e 10% para a CNBB Nacional.

No final da Campanha, quando a comunidade faz a coleta, ela estará oferecendo não apenas dinheiro. Estará oferecendo todo seu esforço quaresmal, sua alegria de dar, sua corresponsabilidade, sua solidariedade fraterna


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