segunda-feira, 22 de junho de 2026

Mensagens ao Povo Brasileiro - 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga em todo ano   eleitoral  sua mensagem ao povo brasileiro por ocasião das eleições. Trata-se de um texto que não apoia candidatos nem partidos, mas recorda valores fundamentais para a convivência democrática: a defesa da vida, da dignidade humana, da justiça social, da verdade e do bem comum. Em um tempo marcado pela polarização, pela disseminação de notícias falsas, pelo abuso do poder econômico e pela transformação dos adversários em inimigos, a mensagem dos bispos nos convida ao discernimento, à responsabilidade cidadã e ao compromisso com a democracia. Como cristão, eleitor e cidadão de um país democrático, considero este documento uma importante contribuição para o debate público. Ele nos recorda que a fé não pode ser usada para justificar o ódio, a violência ou o desprezo pelas instituições democráticas. Pelo contrário, o Evangelho nos chama a construir pontes, promover o diálogo e cultivar a fraternidade. Por isso, recomendamos  a leitura atenta desta mensagem e convido você a manifestar seu apoio aos princípios nela defendidos: respeito à democracia, combate à corrupção, compromisso com a verdade, justiça social e promoção da paz.

"Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência" (Dt 30,19).

DNonato – Teólogo do Cotidiano, cri⁶stão leigo e cidadão comprometido com a democracia, a justiça social e a dignidade humana.

Segue  a mensagem: 

MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES DE 2026

  • "Examinai tudo e guardai o que for bom" (1Ts 5, 21).

Ao aproximar-se mais uma eleição nacional, nós, membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dirigimo-nos ao povo brasileiro. A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos. Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum. Ela parte da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade.

As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

À luz do Evangelho, não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news). Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas. Não existe democracia sólida quando a divergência legítima é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.

A democracia, além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República, especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã. Exige também confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.

Convidamos cada eleitor e eleitora a assumir sua responsabilidade. A abstenção não é a melhor escolha. O discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos. O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social.

A esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça. Convidamos todos os homens e mulheres de boa vontade a serem testemunhas da cultura do encontro, promotores da paz social e construtores da fraternidade.

Confiamos nosso país à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro. Que Ela nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.

Que Deus abençoe o Brasil e ilumine cada eleitor e eleitora.

Brasília - DF, 17 de junho de 2026

Pelo Conselho Permanente da CNBB:

Dom Jaime Cardeal Spengler   
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre - RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia - GO
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília - DF
Secretário-Geral da CNBB.

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