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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Discurso do Papa Francisco aos jovens argentinos na JMJ RIO 2013

Na quinta-feira; 25 de julho de 2013,  a Catedral  Metropolitana do Rio de Janeiro ficou pequena para acolher os jovens vindo da Argentina,   que desejavam encontra-se com o Papa Francisco,  seu conterrâneo e foi um dos discursos mais infamados na JMJ Rio 2013,   que temos a honra de compartilhar com todos na integra com certo atraso mas vale a pena ser lido. 
Daniel Nonato
Obrigado! Obrigado pela presença! Obrigado por terem vindo! Obrigado àqueles que estão cá dentro! E muito obrigado àqueles que ficaram lá fora, aos trinta mil – dizem-me – que estão lá fora. Lhes saúdo daqui. Estão à chuva… Obrigado pelo gesto de virem ter comigo, obrigado por terem vindo à Jornada da Juventude. Eu tinha sugerido ao Doutor Gasbarri – que é a pessoa que gere, que organiza a viagem – que encontrasse um lugarzinho para um encontro com vocês e, em metade de um dia, arranjou tudo. Quero agradecer publicamente ao Doutor Gasbarri também por isso que ele conseguiu fazer hoje.

Desejo dizer-lhes qual é a consequência que eu espero da Jornada da Juventude: espero que façam barulho. Aqui farão barulho, sem dúvida. Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente.

Mas eu quero que se façam ouvir também nas Dioceses, quero que saiam as ruas, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos.

As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho. Obrigado pelo que vocês puderem fazer.
Olhem! Eu penso que, neste momento, a civilização mundial ultrapassou os limites, ultrapassou os limites porque criou um tal culto do deus dinheiro, que estamos na presença de uma filosofia e uma prática de exclusão dos dois pólos da vida que constituem as promessas dos povos. A exclusão dos idosos, obviamente: alguém poderia ser levado a pensar que nisso exista, oculta, uma espécie de eutanásia, isto é, não se cuida dos idosos; mas há também uma eutanásia cultural, porque não se lhes deixa falar, não se lhes deixa agir. E a exclusão dos jovens: a percentagem que temos de jovens sem trabalho, sem emprego, é muito alta e temos uma geração que não tem experiência da dignidade ganha com o trabalho. Assim, esta civilização nos levou a excluir os dois vértices que são o nosso futuro. Por isso os jovens devem irromper, devem fazer-se valer; os jovens devem sair para lutar pelos valores, lutar por estes valores; e os idosos devem tomar a palavra, os idosos devem tomar a palavra e ensinar-nos! Que eles nos transmitam a sabedoria dos povos!
Pensando ao povo argentino, de coração sincero peço aos idosos: não esmoreçam na missão de ser a reserva cultura do nosso povo; reserva que transmite a justiça, que transmite a história, que transmite os valores, que transmite a memória do povo. E vocês, por favor, não se ponham contra os idosos: deixem-nos falar, ouçam-nos e sigam em frente. Mas saibam, saibam que neste momento vocês, jovens, e os idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. Não se deixem descartar. Claro, para isso acho que vocês devem trabalhar. A fé em Jesus Cristo não é uma brincadeira; é uma coisa muito séria. É um escândalo que Deus tenha vindo fazer-se um de nós. É um escândalo que Ele tenha morrido numa cruz. É um escândalo: o escândalo da Cruz. A Cruz continua a escandalizar; mas é o único caminho seguro: o da Cruz, o de Jesus, o da Encarnação de Jesus. Por favor, não “espremam” a fé em Jesus Cristo. Há a espremedura de laranja, há a espremedura de maçã, há a espremedura de banana, mas, por favor, não bebam “espremedura” de fé. A fé é integral, não se espreme. É a fé em Jesus. É a fé no Filho de Deus feito homem, que me amou e morreu por mim. Resumindo: primeiro, façam-se ouvir, cuidem dos extremos da população que são os idosos e os jovens. Não se deixem excluir e não deixem que se excluam os idosos. Segundo, não “espremam” a fé em Jesus Cristo. Com as Bem-aventuranças… que devemos fazer, Padre? Olhe! Você leia as Bem-aventuranças, que lhe farão bem. 

Se, depois, você quer saber concretamente o que deve fazer, leia o capítulo 25 de Mateus, que é o regulamento segundo o qual vamos ser julgados. Com essas duas coisas, vocês têm o Plano de Ação: as Bem-aventuranças e Mateus 25. Você não precisam ler mais. Isso lhes peço de todo o coração. Está bem? 

Obrigado por essa unidade. Tenho pena que vocês estejam aí enjaulados; eu lhes digo uma coisa: às vezes também eu sinto isso; e não é uma boa coisa estar enjaulado. Isso lhes confesso de coração, mas paciência! Eu entendo vocês. Também eu gostaria de estar mais perto de vocês, mas entendo que, por razões de segurança, não se pode. Obrigado por terem vindo! Obrigado por rezarem por mim! Isto lhes peço de coração. Preciso. Eu preciso de suas orações, tenho tanta necessidade. Obrigado por isso! Bem! Eu quero lhes dar a Bênção e, depois, benzeremos a imagem da Virgem que vai percorrer toda a República… e a cruz de São Francisco; viajarão em missão. Mas não esqueçam! Façam-se ouvir; cuidem dos dois extremos da vida: os dois extremos da história dos povos que são os idosos e os jovens; e não “espremam” a fé. E agora façamos uma oração para benzer a imagem da Virgem e, em seguida, dar-lhes a Bênção.
Pomo-nos de pé para a Bênção, mas antes quero agradecer as palavras que disse-me Dom Arancedo, porque, como verdadeiro mal-educado, não lhe agradeci. Portanto, obrigado pelas suas palavras!
ORAÇÃO
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Ave Maria…
Senhor, Tu deixaste no meio de nós tua Mãe para que nos acompanhasse.
Que Ela cuide de nós e nos proteja o nosso caminho, o nosso coração, a nossa fé.
Que nos faça discípulos como Ela o foi, e missionários como Ela o foi também.
Que nos ensine a sair pelas estradas.
Que nos ensine a sair de nós mesmos.
Benzemos esta imagem, Senhor, que vai percorrer o país.
Que Ela, com a sua mansidão, a sua paz, nos indique o caminho.
Senhor, Tu és um escândalo! Tu és um escândalo: o escândalo da Cruz. Uma Cruz que é humildade, mansidão; uma Cruz que nos fala da proximidade de Deus. Benzemos também esta imagem da Cruz que percorrerá o país.


Muito obrigado! Vemo-nos nestes dias. Que Deus lhes abençoe. Rezem por mim. Não se esqueçam!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A paróquia entre os dois "R" Renovação e Resistência


Na antiguidade a PAROKIA,  era o espaço dos não cidadãos, e o espaço daqueles que não tinham direitos a voz na sociedade. Contudo, com o cristianismo a Paróquia toma nova conotação[1] e passa classificar a região próxima de uma Igreja.  E durante anos, foi uma marca territorial. Conforme os Cânones 515 § 1º e 374 § 1 e hoje somos obrigados a repensar as nossas estruturas paroquial.  Como por exemplo, pessoas que moram uma região e participar em outra paróquia.
Então, se conclui que a paróquia toma outro sentido que não aquele, discutido nos séculos passados. A questão da pertença a uma paróquia bastavam ser batizado e morar na região paroquial, não havia a necessidade de participar de forma ativa da liturgia dominical. Contudo,  o paroquiano e o pároco se faziam presente nos momentos de festa ou de tristeza daquela região e da Igreja. 
A reforma sonhada por São Carlos Borromeu, era que a Paróquia fosse um centro da Vida, que a Igreja fosse mais dinâmica e presente na vida daqueles que a estão nas suas proximidades,  que a presença do Bispo fosse algo comum e não somente em momentos de festa.
Toda a vida litúrgica,  é o  fundamento da realidade religiosa da Paróquia. A  Eucaristia  nos congrega desde origem, é o culto ao Deus que se faz  humano  e nos  concede de forma gratuita  a imortalidade. Algo que se perdeu com idade média e até pouco tempo, que tornou  a vida paroquial um serviço  burocrático,  ali que se fazia  o registro dos nascimentos, dos óbitos, casamentos e todo registro da vida dos moradores da região,  deixando o culto em segundo plano.  Hoje, nós temos o efeito contrário alguns párocos deixam tudo e reduzem a sua função ao culto, reduzindo a vida paroquial à sombra do mistério celebrado na comunidade.  Aqui vale a pena ressaltar,. que temos que olhar para toda a realidade que esta na área paroquial, a Igreja deve buscar a evangelização alem do seu quintal.
Como foi dito,  a de ser pensar a nossa pertença a uma paróquia, pois, pode se morar em uma cidade e participar da vida paroquial em outra e até mesmo da vida Diocesana de outra Diocese, devido alguns conflitos de ideias ou não. Contudo, a missão paroquial deve ser mais que a construção de prédios, e a missão dos párocos é muito mais que conduzir as obras de reparo,  de construção ou de administrar recursos financeiros. Em nossos tempos percebemos ainda o desafio agregar valores de fé no pluralismo religioso. Nossos  presbíteros  devem ser mais que sacerdotes, rompendo  as barreiras do clericalismos medieval, respondendo os desafios do um de um pluralismo pós-moderno   é os isolamentos que somos levados através de uma religiosidade  do individualismo.[2] Nossas paróquias tem uma multidão de que não  praticam sua  Fé, nos esperando para missão, temos paróquias que agrega três municípios com uma estimativa de 28.000[3] pessoas com as assistências de dois padres e um Diácono e no centro urbano temos paróquias que atendem apenas um bairro como, por exemplo, a Igreja de São Jorge no Rio de Janeiro que nas suas missas diárias das 9 da manhã  há  uma multidão de fieis   que vem de toda parte do Rio de Janeiro, que estão ali apenas para o culto.
Partindo, deste pressuposto a vida paroquial deve ir além daquilo que tínhamos nas décadas passadas, fazendo  desta pratica algo que agrega pessoas em torno de um propósito de vida em comum. A paróquia deve sair de si e fazer frente a esse desafio de congregar pessoas, não somente para o culto, mas para a construção de um projeto de vida comum, nem que pra isso seja preciso repensar o nosso modelo de Paróquias.
As paróquias devem  se enraizarem em pastoral de conjunto, trazendo aos diversos mundos a  presença  do Cristo. A pratica de Fé não pode  ser reduzida ou  confundida com um serviço público,  já passamos desta fase. como dissemos conhecemos pessoas que moram em nova Iguaçu, mas partilham sua vida e sua Fé em outra paróquia e temos que zelar para que as nossas Igrejas não seja apenas um mercado onde pagamos pelo serviço ou pela mercadoria. O maior desafio urbano é vencer o individualismo do "eu" ou dos grupo, guetos e tribos.  Nestes tempos, a Igreja se sente desafiada a forma verdadeiras família paroquial,  sendo uma família que congrega valores da Fé.  Que acolhe o patrão e o assalariado, o jovem e idoso, o marginal e o cidadão,  os santos e os  pecadores em sociedade urbana desigual.
Ainda,  há de se destacar uma ausência do tempo para o Sagrado, nas diversas classes onde o ser humano é reduzido a massa,  com as diversas dificuldades de locomoção[4] o tempo de oração e de prática do apostolado para evangelização deve ser repensado e uma  Pastoral de conjunto é algo urgente. Reconhecemos  que há muitos anos os presbíteros não conseguem responder a demanda da sociedade. A proposta do Vaticano II  que a Igreja é toda ministerial[5], por isso nestes tempos se queremos fazer a vida acontecer, é necessário à presença nas atividade dos Agentes de Pastoral não como parte de uma hierarquia, mas na função de batizado,  discípulos e missionários olhando para o humano e social assumindo o compromisso com a realidade que vai além dos muros do prédio do culto.
Um dos grandes problemas que podemos destacar,  é o  pluralismo católico onde as pastorais e movimentos defendem o seu modo de evangelização como eficaz para aquela realidade e neste contexto que o pároco e o bispo entram como sinal da Unidade daquele povo. E com isso, deixamos os feudos pastorais e damos o passo importante de construir uma pastoral orgânica onde todos têm seu espaço, sua missão e com isso venceremos o individualismo Pastoral e até Paroquial.
Devemos reconhecer,  que o concilio Vaticano II não veio para agradar esse grupo ou aquele, mas é um passo que nos trouxe mudanças, ou melhor, resgatou projetos que a muito estavam empoeirados em nossas sacristias.
 Aqui podemos concluir,   com a máxima de Tertuliano que deve ser nossa mola mestra na Pastoral Urbana ou em qualquer espaço que religioso Cristão:
·           “Cristão não se nasce, cristão se torna”.
  Há uma frase de atribuída a dom Helder Camâra,  que citada em certos ambiente pode causar reboliço que não podemos deixar citar:
·           “Não basta ser católicos, é preciso ser cristão”.
Neste sentido deixamos aqui algumas perguntas:
1.    Nossas Igrejas são espaços de construção da vida?
2.    Somos burocráticos  em nossas pastorais?
3.    Temos trabalhado em nossas Igrejas como Povo de Deus, que deseja transforma a realidade?
4.    Sem criticar como temos visto a questões dos ministérios em nossas Igrejas?
5.    A pastoral de Conjunto ou  Orgânica tem sido uma realidade em nossas paróquias?




[1] Do Grego. PARA-, “ao lado, perto”, mais OIKOS. Descrevia aqueles que moravam nas proximidades de uma igreja
[2]  Lucas 19:10, João 12:47, Salmos 35:9...
[3]  Paróquia N. Senhora da Conceição com os municípios Japeri, Seropédica e Miguel Pereira.
[4]  Engarrafamento, transporte público etc.
[5] Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Mudanças na Igreja?


Senhores, senhoras existe um rumor no coração do povo que diz que com o Papa Francisco a Igreja Católica entrará em ciclo de mudança e acham que agora sim a Igreja esta entrando na modernidade. O Papa esta lançando um modo de ser Igreja.   Recusando um tratamento diferenciado dos demais pares, sendo um bispo entre os bispos, um cristão entre os Cristãos pedindo oração ao povo que tanto rezou pela eleição do novo Pontífice.   Citam reformas em estrutura de poder na Cúria romana.  E comparações com os Papas Paulo VI, João XXIII e até mesmo com João Paulo II é algo que não pode ser evitado. Recordamos a todos que cada momento da História é vivido conforme a realidade do seu presente e hoje temos outra conjuntura social que necessita de outras respostas ou a confirmação das mesmas resposta já dada pela Igreja em outros momentos. 
Para aqueles que esperam grandes reformas, anunciamos que ela já aconteceu, escolheram um Papa Latino Americano esse pode ser o maior avanço da Igreja neste século os demais poderão ocorrer conforme o momento histórico desta realidade. Quanto às recusas do crucifixo de ouro recordamos a todos que Pedro primeiro Papa nunca em tempo algum usou tal acessório ou qualquer tipo de vestimenta que o diferenciasse dos outros irmãos. O gesto do Papa Francisco deve ser copiado em nossas Dioceses Paróquias e Comunidades pelo nosso Clero, religiosos e religiosos e até mesmo por leigos que em nome da Fé ostentam o poder exigindo exclusivismo em momentos comum da vida do Povo.  A Cúria Romana precisa ser reformada, isso todos concordam e cobram do Papa, também precisamos de reformas em algumas Igrejas Paróquias onde algumas lideranças exige para si o melhor, cobrando o direito de príncipes no meio da plebe. Não adiantará reforma toda Cúria Romana se em nossas realidades de Igreja não faça as mudanças estruturais e até mesmo Pastorais.

Não estamos aqui atacando esse ou aquele, estamos dizendo que a reforma da Cúria Romana não pode ficar somente em Roma, mas deve ser iniciada em nossas comunidades em nossas vidas. Cobramos um moralismo dos lideres quando também nós somos imorais com nossas atitudes perante a sociedade, cobramos exigimos, às vezes uma fé baseada em diversas fabula[1], ligando a evangelização ao poder e ao acumulo de bens.     Aqui não se tratar do presbítero poder se casar e constituir família, ou a ordenação de mulheres para o serviço do altar.  Pois, acreditamos que mais cedo ou mais tarde a Igreja irá permitir um ou outro se não ocorrer os dois. Tratasse da questão estrutural, da forma que nos relacionamos com o sagrado, com o divino e com o mandamento de Jesus[2].  Não podemos ficar admirados com a humildade de Francisco, isso não pode ser algo extraordinário, pois Jesus de Nazaré viveu e esteve conosco sendo um simples judeu, passou longe da estrutura de poder do seu tempo e com certeza estaria fora de toda a bajulação que envolve os nossos Papas, Bispos, Diáconos, seminaristas e alguns leigos.  Jesus viveu a vida do seu Povo, foi chamado de filho do Carpinteiro[3] e não ostentou títulos[4]. Então não há nada de sensacional no comportamento do Papa Francisco se ele traz para o nosso meio a figura do Cristo Servidor de todos.

  Quanto à questão doutrinal, a Igreja não pode abrir mão para agradar este ou aquele grupo, dever se manter fiel a proposta de Jesus e parafraseando o nosso Irmão Don Giuseppe em seu blog        “Não é a doutrina da Igreja católica que deve mudar. É a humanidade que necessita se converter a Cristo, a fim de que haja vida abundante para todos” [5]



[1]  - I Timóteo 4,4- 7 e II São Pedro 1, 16.
[2]  - Mateus 28,16-20
[3]  - São Mateus 13, 55 e São Marcos 6, 3
[4]  - Filipenses 2,7