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domingo, 2 de agosto de 2026

Um breve olhar sobre Mateus 14,22-36

 "Travessia e grito: quando o Evangelho exige sair da margem"

Na segunda-feira da 18ª Semana do T.empo Comum, a liturgia nos apresenta o episódio de Jesus caminhando sobre as águas Mateus 14,22-36, à primeira vista, isso pode causar estranheza, pois, na sequência habitual do Lecionário nos anos B dedicada a leitura  do Evangelho  de Marcos  e C dedicada ao evangelho  de Lucas, essa perícope é proclamada na terça-feira, enquanto a segunda-feira é dedicada ao relato da multiplicação dos pães Mateus  14,13-21 e proclamada na segunda-feira da 18ª semanado Tempo Comum. Essa alteração ocorre quando o Ano A dos domingos coincide com o dos dias de semana. Como o Evangelho do 18º Domingo do Tempo Comum já proclama a multiplicação dos pães  a Igreja evita repetir o mesmo texto na segunda-feira contudo o.referido texto volta na versão  reduzida  no 19⁰ Domingo  do Tempo  Comum  no ano A e prossegue diretamente para a narrativa da terça-feira  da 18ª semanadoTempoComum. Trata-se de uma adaptação pedagógica do Lecionário, que preserva a riqueza da proclamação dominical e, ao mesmo tempo, mantém a continuidade do capítulo 14 de Mateus. Essa opção litúrgica possui também um profundo significado teológico. Somos conduzidos imediatamente da mesa da abundância para a travessia da tempestade,  o mesmo Jesus que alimenta a multidão é aquele que obriga os discípulos a entrarem na barca e seguirem para a outra margem. O verbo grego anankázō ("obrigar", "compelir"), empregado por Mateus (14,22), revela que não se trata de um simples convite, mas de um imperativo: os discípulos precisam partir, mesmo sem compreender plenamente o caminho. A cena se desenrola durante a noite. A barca encontra-se no meio do mar, o vento é contrário e Jesus ainda não está visivelmente com eles. Na tradição bíblica, o mar simboliza as forças do caos e da morte (cf. Sl 74,13-14; Is 51,9-10), enquanto a travessia representa o caminho da fé, marcado por provações e amadurecimento. A ausência momentânea de Jesus não significa abandono, mas torna-se uma pedagogia espiritual: é nas noites escuras da existência que os discípulos são chamados a confiar na presença daquele que, mesmo invisível, continua conduzindo a história.

Então na sequência  a liturgia estabelece uma ligação inseparável entre os dois episódios. O milagre do pão desemboca na prova da fé,  a providência experimentada na multiplicação prepara os discípulos para enfrentar os ventos contrários. Aquele que sacia a fome do povo é o mesmo Senhor que caminha sobre as águas, vence o caos e revela sua identidade divina. A mesa da abundância conduz à travessia da confiança, ensinando que a fé amadurece quando reconhecemos Cristo não apenas no pão repartido, mas também nas tempestades da vidaNeste cenário hostil, Jesus se aproxima, mas os discípulos não o reconhecem. O medo distorce o olhar. Acham que é um fantasma. É sempre assim: quando estamos dominados pelo medo, até Jesus nos parece ameaça. A resposta dele, porém, é imediata: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" (Mt 14,27). O "Sou eu" (ἐγώ εἰμι) evoca o nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente (Ex 3,14). É mais do que uma autodeclaração de identidade; é uma epifania. Jesus se revela como o Deus presente na tempestade, Aquele que domina o caos e atravessa conosco as noites escuras da história.

Pedro, então, pede para ir ao encontro dele sobre as águas. É um pedido ousado, expressão de uma fé que deseja caminhar além da segurança da barca. Jesus consente. Pedro caminha. Mas, ao sentir a força do vento, se atemoriza e começa a afundar. O medo paralisa, afunda, derruba. Pedro grita: "Senhor, salva-me!". Jesus estende a mão, segura-o e diz: "Homem fraco na fé, por que duvidaste?" (Mt 14,31). A travessia exige confiança. Duvidar é tirar os olhos de Jesus e fixá-los no vento. Mas, mesmo na dúvida, o grito por salvação é escutado, e a mão de Jesus nos alcança. Esse grito ressoa hoje nos recantos mais dolorosos da Igreja: nos silêncios cúmplices diante dos abusos, nas liturgias desconectadas da vida, nas alianças que trocam o Evangelho pelo prestígio político. É o grito de um corpo eclesial que precisa mais do que reformas administrativas: precisa reaprender a gritar por salvação. A fé que se recusa a sair da margem para permanecer em portos seguros torna-se cúmplice do sistema, como os sacerdotes e levitas que evitam o ferido à beira do caminho (cf. Lc 10,31-32), a religião que não se lança à travessia transforma o Evangelho em retórica, e não em revolução.

Santo Agostinho comentava que "a barca é figura da Igreja; o mar, do mundo; e o vento, das tentações. Quando a caridade esfria, o barco se agita" (In Iohannis Evangelium Tractatus, 2),  a  cena não é só eclesial, também  não  só  pessoal. Cada um de nós é Pedro, cada um de nós precisa ousar sair da barca, arriscar-se na direção de Jesus e, ao sentir o peso do vento e das ondas, aprender a gritar: "Senhor, salva-me!". Ninguém caminha sobre as águas sem medo e  ninguém é salvo sem confiar na graça  e misericórdia .

Os relatos de Mateus 14,22-36 e Marcos 6,45-52 proclamado quarta-feira após a Solenidade da Epifania do Senhor, quarta-feira após  epifania que apresenta a travessia como consequência direta da multiplicação dos pães , enfatizando o afastamento de Jesus para o monte e a permanência dos discípulos no mar agitado. Em ambos, Jesus caminha sobre as águas e acalma os discípulos. No entanto, Mateus é o único que insere o episódio de Pedro tentando caminhar sobre as águas, sublinhando o drama pessoal da fé em crise, o grito por salvação e o toque da mão de Jesus,  um detalhe com alto valor teológico e simbólico. Lucas não narra este episódio. Já João, que não é sinótico, relata o mesmo acontecimento (Jo 6,16-21) com seu estilo próprio: omite o episódio de Pedro e acentua que a barca chegou “imediatamente” ao destino ao acolherem Jesus,  símbolo joanino da presença que realiza a travessia. Cada evangelista oferece, assim, uma lente própria: Marcos destaca o endurecimento do coração dos discípulos, João acentua a presença reveladora de Jesus, e Mateus foca na fé que se arrisca e vacila, mas é sustentada pelo Senhor. O mar agitado também habita a interioridade humana. Há noites em que a fé parece diluir-se na ansiedade, em que o rosto de Deus desaparece sob as brumas da dúvida. Como ensina São João da Cruz, essas são noites purificadoras, onde o silêncio de Deus é mais presença do que ausência, mais fogo do que ausência de luz. A travessia do lago continua sendo a travessia da Igreja e de cada discípulo. Depois do pão partilhado, chega a hora da confiança; depois do entusiasmo da multidão, vem a noite da fé. O Evangelho nos recorda que os milagres não eliminam as tempestades, mas revelam Quem caminha conosco em meio a elas. Cristo não promete um mar sem ventos, mas a sua presença no coração da tormenta.

Também hoje a Igreja enfrenta ondas violentas: a tentação do poder, o clericalismo, os escândalos que ferem a credibilidade do Evangelho, a indiferença diante dos pobres e a sedução de ideologias que instrumentalizam a fé. Nesse cenário, a resposta não está em permanecer ancorados em portos seguros, mas em voltar o olhar para Cristo. Quando a comunidade fixa os olhos apenas nas ondas da crise, afunda no medo; quando os fixa no Senhor, reencontra a coragem para continuar a travessia. Cada um de nós é chamado a descer da barca das falsas seguranças, enfrentar as águas da própria história e aprender que a fé não é ausência de medo, mas confiança que permanece apesar dele. E, quando as forças faltarem, basta repetir a oração mais sincera do Evangelho: "Senhor, salva-me!". A mão de Cristo continua estendida. Ele não abandona quem vacila, mas sustenta quem, mesmo entre dúvidas e lágrimas, persevera em buscá-lo.

Que esta Palavra nos ensine a atravessar as noites da vida com esperança, certos de que Aquele que venceu o caos continua dizendo à sua Igreja e a cada um de nós: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" (Mt 14,27). Essa é a certeza que transforma a tempestade em caminho, o medo em confiança e a travessia em encontro com o Senhor. Avancemos, mesmo com o medo nos ombros. Caminhemos, mesmo com as águas sob os pés. A barca está viva, porque Aquele que caminha sobre o caos ainda diz: "Coragem! Sou eu!" E sua mão continua estendida. Que ninguém se iluda com calmarias compradas; que todos se deixem curar pelas travessias que tocam. E que a fé, entre ventos e ondas, permaneça como travessia que salva.

DNonato - Teólogo do Cotidiano 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Um breve olhar sobre Marcos 8,14-21

A perícope de Marcos 8,14-21 é proclamada na terça-feira da 6ª Semana do Tempo Comum no ciclo ferial, inserida no itinerário catequético que a liturgia propõe após as multiplicações dos pães e antes da profissão de fé de Pedro. No dinamismo do Ano B, quando o Evangelho segundo Marcos é lido de modo semicontínuo, esse trecho emerge como ponto de inflexão pedagógica: a comunidade ouve a narrativa da travessia no barco e é convidada a reconhecer que o verdadeiro deslocamento não é geográfico, mas espiritual. A Igreja, reunida em assembleia, é colocada dentro da barca com os discípulos; a Palavra não descreve apenas um episódio passado, mas interpela o presente litúrgico, onde memória e promessa se encontram.

O contexto imediato recorda o confronto com os fariseus que pedem um sinal do céu (Mc 8,11-13). A recusa de Jesus ecoa a advertência de Dt 6,16 contra a tentação de Massa (Ex 17,1-7), onde o povo exigiu provas da presença divina. A tradição sinótica confirma a gravidade desse pedido: Mt 16,1-4 e Lc 11,29-32 insistem que uma geração que busca sinais espetaculares revela dureza de coração. Na hermenêutica marcana, o sinal já foi dado na compaixão concreta, nas mesas abertas, na autoridade que liberta. O pedido de prodígio não nasce de fé amadurecida, mas de uma religiosidade que deseja controlar Deus. A exegese do verbo “suspirar profundamente” (Mc 8,12) revela o peso existencial desse embate: não se trata de impaciência, mas de dor diante da incompreensão.

Ao entrar no barco, os discípulos esquecem o pão; têm consigo apenas um. A cena é densa de simbolismo. O mar, na tradição bíblica, representa o caos primordial (Sl 74,13-14; Jó 38,8-11). Em Mc 4,35-41 e 6,45-52, ele já fora cenário de medo e revelação. A barca, figura antiga da comunidade, atravessa águas instáveis. Historicamente, a Galileia do século I vivia sob domínio romano, com tributação pesada e concentração de terras; o pão não era metáfora romântica, mas questão de sobrevivência. A antropologia do Mediterrâneo antigo reconhece a centralidade da mesa como lugar de identidade e honra. Ter apenas um pão no barco expõe a ansiedade do grupo e revela como a lógica da escassez pode obscurecer a memória das obras de Deus.

Jesus adverte: “Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes” (Mc 8,15). O fermento, pequeno e invisível, transforma toda a massa. Em Lc 12,1 simboliza hipocrisia; em Mt 13,33, a força discreta do Reino. Aqui, o símbolo denuncia ideologias que contaminam. Mc 3,6 já registrara a aliança entre fariseus e herodianos; religião e poder político convergem quando ameaçados pela compaixão que descentraliza privilégios. O banquete de Herodes (Mc 6,17-29) termina em morte profética; as mesas organizadas por Jesus no deserto (Mc 6,30-44; 8,1-10) culminam em partilha e vida. Duas mesas, dois projetos civilizatórios. A sociologia contemporânea reconhece como sistemas autoritários se sustentam por controle simbólico e econômico; o fermento herodiano representa a sedução do poder que instrumentaliza o sagrado, enquanto o fermento farisaico aponta para a sacralização de fronteiras identitárias que excluem.

A incompreensão dos discípulos não é simples falta de informação. “Ainda não compreendeis?” (Mc 8,21) ecoa a tradição profética: Is 42,18-20, Jr 5,21 e Ez 12,2 falam de olhos que não veem e ouvidos que não ouvem. O coração, centro das decisões (Pr 4,23), pode endurecer-se como o do faraó (Ex 7–11). A psicologia social observa que grupos sob ameaça tendem a regressar a narrativas de medo e autopreservação; a ansiedade coletiva obscurece a memória de experiências positivas. Jesus, porém, recorre à pedagogia da recordação: evoca as duas multiplicações, pergunta pelos cestos recolhidos. Em Mt 16,9-10 os números são explicitados: doze e sete. Doze remete às tribos de Israel; sete evoca plenitude universal. A catequese não é abstração, mas memória concreta que fundamenta confiança histórica.

O maná no deserto (Ex 16) ilumina a cena. O povo devia recolher o necessário a cada dia; acumular era inútil. Dt 8 interpreta a fome como pedagogia que conduz à confiança. Em Jo 6,26-27, Jesus distingue o pão que perece do que permanece para a vida eterna. Marcos não espiritualiza a fome; organiza o povo em grupos, distribui o alimento, recolhe sobras. Contudo, denuncia a incapacidade de perceber que o “único pão” no barco é sinal de presença suficiente. A teologia eucarística nascente, refletida em 1Cor 10,16-17 e 11,17-34, insiste que o pão único faz um só corpo e que a celebração contradita pela exclusão social torna-se escândalo. At 2,42-47 e 4,32-35 descrevem comunidade que traduz liturgia em partilha concreta. A fé bíblica recusa o divórcio entre culto e justiça, como já proclamavam Am 5,21-24 e Is 1,11-17.

A advertência contra o fermento possui também densidade filosófica. Trata-se de discernir estruturas invisíveis que moldam percepções. Ideologias não se impõem apenas por coerção, mas por internalização simbólica. A filosofia crítica recorda que sistemas de dominação operam através de narrativas naturalizadas. O Evangelho desvela tais mecanismos e propõe alternativa fundada no serviço: Mc 10,42-45 redefine autoridade; Lc 22,25-27 apresenta o maior como aquele que serve; Fl 2,6-11 descreve o esvaziamento como revelação da glória. A cruz, anunciada logo após (Mc 8,31), confronta expectativas messiânicas triunfalistas. Mt 16,23 mostra Pedro resistindo a essa lógica. A comunidade é chamada a abandonar paradigmas de dominação e abraçar a kenosis que gera comunhão.

Nesse horizonte, tornam-se problemáticas as teologias que identificam bênção com acúmulo. A narrativa do pão único no barco desautoriza a leitura da fé como mecanismo de prosperidade individual. Lc 6,20-26 proclama bem-aventurados os pobres; Tg 2,14-17 e 1Jo 3,17 vinculam fé a obras concretas de justiça. A tentativa de mercantilizar o dom divino é denunciada em At 8,18-23; a purificação do Templo (Mc 11,15-17; Jo 2,13-16) expõe a incompatibilidade entre graça e comércio. A teologia do domínio, que confunde Reino com hegemonia cultural ou política, encontra crítica direta no fermento herodiano. O individualismo religioso, fortalecido por culturas de performance, contradiz a antropologia paulina de 1Cor 12,12-27 e Rm 12,5, onde a identidade é relacional. O pão único não legitima acumulação, mas comunhão.

A dimensão eclesial exige autocrítica. O clericalismo, denunciado pelo magistério contemporâneo, distorce o serviço em privilégio. 1Pd 5,2-3 adverte pastores a não dominarem; a constituição Lumen Gentium recorda o sacerdócio comum dos fiéis; Evangelii Gaudium convoca à conversão pastoral missionária. A assembleia de At 15 oferece paradigma sinodal de discernimento. A barca não pertence a uma elite sagrada; nela todos aprendem a ver. Quando ministérios se fecham em autorreferencialidade, repetem a cegueira que Marcos denuncia.

A cura do cego em duas etapas (Mc 8,22-26), imediatamente após nossa perícope, funciona como comentário narrativo. A visão é gradual; primeiro vê-se “como árvores que andam”, depois com clareza. A psicologia da conversão confirma que mudanças profundas exigem tempo, memória e comunidade. Hb 3,7-15, retomando o Sl 95, adverte contra o endurecimento que esquece as maravilhas divinas. A transfiguração (Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36) revela luz que não legitima triunfalismos, mas fortalece para a cruz. A experiência luminosa é dom para a travessia, não fuga da história.

No cenário contemporâneo, marcado por desigualdades estruturais e crises socioambientais (Rm 8,22), a pergunta de Jesus permanece atual. Mt 25,31-46 identifica o próprio Cristo no faminto e no estrangeiro. Dt 10,18 e Tg 1,27 recordam a defesa do órfão e da viúva. Comunidades que ignoram a fome real esvaziam o sentido do pão partilhado. Nacionalismos excludentes e projetos de poder que instrumentalizam o sagrado repetem o fermento denunciado. A ciência histórica mostra como alianças entre altar e trono produziram exclusões; a memória bíblica resiste a tais pactos. O Reino cresce como fermento humilde (Mt 13,33), não como imposição.

A hermenêutica de Mc 8,14-21 revela, portanto, uma catequese sobre memória, discernimento e confiança. O único pão no barco é Cristo presente, suficiente mesmo quando as urgências históricas parecem esmagadoras. A exegese do texto mostra progressão dramática: advertência, incompreensão, recordação, interrogação final. Não há condenação definitiva, mas convite à maturidade. A pedagogia divina educa pelo caminho, não pelo espetáculo. A liturgia, ao proclamar esse texto na 6ª Semana do Tempo Comum, situa a comunidade em permanente travessia, entre memória das multiplicações e anúncio da cruz.

Assim, a perícope não encerra a narrativa; inaugura etapa mais profunda do discipulado. O Cristo continua a perguntar. A resposta não se reduz à ortodoxia verbal, mas manifesta-se em comunidades que recusam transformar fé em mercadoria, resistem à sedução do poder, superam o individualismo e partilham o pão como sinal concreto do Reino. Entre o caos das águas e a promessa da terra firme, a Igreja é chamada a ver além da escassez aparente, discernir fermentos que corroem e recordar que a presença do Senhor no barco basta para sustentar esperança ativa. A travessia permanece, e o único pão continua a ser sinal de comunhão, critério de justiça e profecia viva no coração da história.