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domingo, 18 de maio de 2025

Homilia de Leão XIV na missa inaugural do Pontificado

Neste domingo, 18 de maio de 2025, durante a celebração do Jubileu das Confrarias, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao mundo por meio dos meios de comunicação social e à multidão de 200 mil pessoas que se fazia presente na Praça de São Pedro. Na homilia da missa inaugural de seu pontificado, o Sucessor de Pedro pronunciou palavras que ressoaram com a herança espiritual do Papa Francisco, cuja recente partida encheu de saudade o coração da Igreja, mas também reacendeu a fé na promessa do Senhor, que nunca abandona o seu povo.

Inspirad.o pelo testemunho de seu predecessor, Leão XIV reafirmou que a missão do Papa não é dominar, mas servir na caridade, presidindo na comunhão e no amor oblativo. Com humildade tocante, reconheceu que iniciou seu ministério “sem mérito algum”, desejando ser um servo da fé e da alegria do povo de Deus, ecoando as palavras de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti”.

O Evangelho proclamado neste V Domingo da Páscoa (Jo 13,31-33a.34-35) iluminou sua mensagem. Nele, Jesus oferece aos discípulos um novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. Leão XIV destacou que esse amor mútuo é o sinal distintivo dos discípulos de Cristo e o fundamento de uma Igreja que deseja ser fermento de unidade e reconciliação no mundo.

O novo Pontífice fez também um forte apelo à paz, denunciando os males da guerra, da violência e das desigualdades. Com atenção pastoral, voltou-se aos migrantes e refugiados, exortando a Igreja e a humanidade a reconhecê-los como irmãos e irmãs. Defendeu uma Igreja sinodal, missionária e acolhedora, que se compromete com os pobres e com o cuidado da Casa Comum.

Seu apelo é simples e profundo: unidade e amor. Uma Igreja que, em comunhão com todos os homens e mulheres de boa vontade, se coloca como sinal da ternura de Deus e fermento de reconciliação no coração do mundo.

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Abaixo publicamos  a homilia  na integra  segundo o site  Isto é  Dinheiro 

Boa leitura!

DNonato*

Homilia  de inicio do ministério  Petrino 

Queridos irmãos cardeais, irmãos do episcopado e do sacerdócio, distintas autoridades e membros do Corpo Diplomático, uma saudação. Os peregrinos, vindo. Os peregrinos, vindo para o jubileu das Irmandades. Irmãos, irmãs, saúdo a todos vocês, com um coração cheio de gratidão no início do ministério que me foi confiado.

Escreveu Santo Agostinho: fizeste-nos para vós, Senhor, e nosso coração está inquieto enquanto não repousar em vós.

Nos últimos dias, vivemos tempos particularmente intensos. A morte do Papa Francisco encheu os nossos corações de tristeza. E, naquelas horas difíceis, sentíamo-nos como as multidões, como o Evangelho diz: como ovelhas sem pastor. No entanto, precisamente no dia de Páscoa, recebemos a sua última bênção. E, à luz da ressurreição, enfrentamos esse momento na certeza de que o Senhor nunca abandona o seu povo, mas congrega-o quando se dispersa e guarda-o.

Nesse espírito de fé, o Colégio Cardinalício reuniu-se para o conclave. Chegando de histórias diferentes e a partir de caminhos diversos, colocamos nas mãos de Deus o desejo de eleger o novo sucessor de Pedro, Cristo de Roma, um pastor capaz de guardar o rico patrimônio da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para longe, para ir ao encontro das interrogações, das inquietações e dos desafios de hoje.

Acompanhados pela vossa oração, sentimos a ação do Espírito Santo, que harmonizou os diferentes instrumentos musicais e fez vibrar as cordas do nosso coração numa única melodia.

Fui escolhido sem qualquer mérito e com temor e tremor. Venho até vós como um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família.

Amor e unidade. Essas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro. É o que nos narra o trecho do Evangelho que nos leva ao lago de Tiberíades, o mesmo onde Jesus iniciou a missão recebida do Pai: pescar a humanidade para salvá-la das águas do mal e da morte.

Passando pela margem daquele lago, chama Pedro e os outros primeiros discípulos para serem, como ele, pescadores de homens. E agora, após a Ressurreição, cabe precisamente a eles levar em frente esta missão: lançar sempre novamente a rede, emergindo nas águas do mundo a esperança do Evangelho, e navegar no mar da vida, para que todos se possam reencontrar no abraço de Deus.

Como pode Pedro levar adiante esta tarefa? 

O Evangelho diz-nos que isso só é possível porque ele experimentou, na própria vida, o amor infinito e incondicional de Deus, mesmo na hora do fracasso e da negação. Por isso, quando Jesus se dirige a Pedro, o Evangelho usa o verbo grego agapáō, que se refere ao amor que Deus tem por nós: a sua entrega, sem reservas nem cálculos. Diferente do usado na resposta de Pedro, que descreve o amor de amizade que cultivamos entre nós.

Quando Jesus pergunta: “Pedro, Simão, filho de João, tu amas-me?”, refere-se ao amor do Pai. É como se Jesus lhe dissesse: “Só se conheceste e experimentaste este amor de Deus, que nunca falha, poderás apascentar as minhas ovelhas.” Só no amor de Deus Pai poderás amar os teus irmãos com algo mais, isto é, oferecendo a vida por eles.

A Pedro, portanto, é confiada a tarefa de amar mais e dar a sua vida pelo rebanho. O ministério de Pedro é marcado precisamente por esse amor oblativo. Porque a Igreja de Roma preside na caridade, e a sua verdadeira autoridade é a caridade de Cristo.

Não se trata nunca de capturar os outros com a prepotência, com a propaganda religiosa ou com os meios do poder. Mas trata-se sempre — e apenas — de amar como fez Jesus. Ele, afirma o próprio apóstolo Pedro, é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que se transformou em pedra angular.

E, se a pedra é Cristo, Pedro deve apascentar o rebanho sem nunca ceder à tentação de ser um líder solitário ou um chefe colocado acima dos outros, tornando-se dominador das pessoas que lhe foram confiadas. Pelo contrário, é-lhe pedido que sirva à fé dos irmãos, caminhando com eles.

Todos nós, com efeito, somos pedras vivas, chamados pelo nosso batismo a construir o edifício de Deus na comunhão fraterna, na harmonia do espírito, na convivência das diversidades. Como afirma Santo Agostinho: a Igreja é constituída por todos aqueles que mantêm a concórdia com os irmãos e que amam o próximo.

Esse, irmãos, gostaria que fosse o nosso primeiro grande desejo: uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado. No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelos preconceitos, pelo medo do diferente; por um paradigma econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os mais pobres.

E nós queremos ser, dentro dessa massa, um pequeno fermento de unidade, de comunhão, de fraternidade. Queremos dizer ao mundo, com humildade e alegria: olhai para Cristo, aproximai-vos d’Ele. Acolhei a Sua Palavra, que ilumina e consola. Escutai a Sua proposta de amor, com a qual vos tornareis a Sua única família. No único Cristo, somos um.

E esse é o caminho a percorrer juntos: entre nós, mas também com as Igrejas cristãs e irmãs; com aqueles que percorrem outros caminhos religiosos; com quem cultiva a inquietação da busca de Deus; com todas as mulheres e todos os homens de boa vontade — para construirmos um mundo novo, onde rime a paz.

Esse é o espírito missionário que deve animar-nos, sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo, nem nos sentirmos superiores ao mundo. Somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo.

Irmãos e irmãs, esta é a hora do amor: a caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho. E, como meu predecessor Leão XIII, podemos hoje perguntar-nos: não se viria, em breve prazo, a estabelecer a pacificação, se esses ensinamentos pudessem vir a prevalecer nas sociedades?

Com a luz e a força do Espírito Santo, construamos uma Igreja fundada no amor de Deus — e será dom de unidade. Uma Igreja missionária, que abre os braços ao mundo, que anuncia a Palavra, que se deixa inquietar pela história e que se torna fermento de concórdia para a humanidade.

Juntos, como um único povo, todos irmãos, caminhemos ao encontro de Deus e amemo-nos uns aos outros.”

Praça de São Pedro, 18 de maio de 2025 – 5º Domingo da Páscoa

Pp Leão XIV

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DNonato – Graduado em História, teólogo do cotidiano,  membro do Movimento  de Cursilhos, esteve  5 anos  secretário do CNLB  Regional Leste I 


sábado, 20 de maio de 2023

Um olhar no texto de Mateus 28,16-20; Domingo da Ascensão

 

 Estamos encerrando o tempo pascal, sendo um momento do envio solene da comunidade para o grande Ide e aqui em Mateus 28,16-20 as ordens são  diretas, o Ide, pregai,  batizar e ensinai  a observar a doutrina ensinada por ele.   Vivemos durante a semana toda a despedida  do Senhor  com a solenidade  das ascensão que tem a seguinte liturgia: Atos 1,1-11; Salmo 46 (47) Refrão 1: Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue Se Deus, o Senhor;   Ef 1,17-23  e o evangelho Mateus  28,16-20 hoje também celebramos o dia mundial das comunicações sociais com um a mensagem do Papa Francisco que nos convidou para uma linguagem não violenta que abordou o tema:   «Falar com o coração. “Testemunhando  a verdade no amor” (Ef 4, 15)»no seguinte contexto.

       

  • Num período da história marcado por polarizações e oposições – de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial está imune – o empenho em prol duma comunicação «de coração e braços abertos» não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. De modo particular nós, cristãos, somos exortados a guardar continuamente a língua do mal (cf. Sl 34, 14), pois com ela – como ensina a Escritura – podemos bendizer o Senhor e amaldiçoar os homens feitos à semelhança de Deus (cf. Tg 3, 9). Da nossa boca, não deveriam sair palavras más, «mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam» (Ef 4, 29).

Quem quiser ler a mensagem na integra basta acessa: Mensagem do Papa Francisco para LVII dia Mundial das Comunicações Sociais. Como nos domingos  anteriores  vamos aborda o evangelho de hoje com mais atenção, o tema  Ascensão já abord abordamos  esse tema   via youtube em 2020 em plena pandemia  no vídeo: Reflexão Mateus 28,16-20 / Ascensão do Senhor e ano passado Reflexão: Boa Nova de Jesus Cristo segundo São Lucas 24,46-53. E hoje voltamos d e novo ao texto de Mateus com a temática da ascensão. 

Vamos aborda a temática da solenidade de hoje dividindo o texto em quatro.(recordamos que não temos pretensão nenhuma em ditar normas para uma reflexão, sejamos livre para aborda a temática)

 Versículo

Ação

Mt: 28,16-17

 Obediência,  adoração e duvida

Mt: 28, 18

 Jesus se aproxima e se apresenta como Alguém que recebeu a autoridade.

Mt: 28,19

 Jesus ordena que faça discípulos para Ele através do batismo em nome da trindade

Mt: 28,20

Não basta fazer discípulos, é preciso ensinar, pois Jesus esta conosco.

 Com a morte de Jesus na sexta-feira santa muita seguidores debandaram e aqui na ascensão temos apenas onze e entre eles havia a insegurança em relação da Pessoa de Jesus. Esse é o ultimo momento presencial com o Mestre.  O momento de despedida nos convida a tomar consciência daquilo que somos, essa é a realidade do texto de hoje Mateus faz questão de dizer que eram 11 e os demais autores que narram ascensão não diz um numero exato.   A comunidade deve continuar o projeto de Jesus  e continuar o projeto Dele envolve  manter viva sua presença em nossos gestos e atitudes e aqui olhando o modelo que ele nos traz de falar com autoridade(Mateus 7,29) diferente daquilo que temos na pratica de falar mesmo que baixo com autoritarismo. O Bispo Adriano da Diocese de Nova Iguaçu nos falava: “O céu começa aqui!”  só começa aqui por trazermos em nossas vidas a presença do Ressuscitado que se elevou na frente dos seus discípulos. O Senhor que subiu permanece com comunidade dando o sustento e força pra se manter na dignidade. E ainda olhando para o contexto onde alguns  estão ocupando certos ministérios nas comunidade agem  com perfídia sendo tudo menos cristão, diante do evangelho não cumprido Ide ou tão pouco preocupados em ensinar, mas em manter a estrutura de poder, como uma corte formada partindo do  principio do autoritarismo. 

 Aqui neste texto temos a primeira  apresentação da formula do sacramento do batismo e ordem no imperativo do ide que nos falta hoje em nossas comunidades, cada vez se fala de um projeto missionário para nós mesmo, pois a exemplo da parusia que os primeiros cristãos viviam e nesses tempos  perdemos, pois já se foram dois mil anos e ele não voltou, também nos acomodados no ide e atualmente com numero recorde de Igrejas surgindo todo dia como nova empresas,   o evangelho virou negócio.

Pelo batismo querendo ou não devemos ser construtores do Reino que rezamos na oração do Senhor, todos somos discípulos e missionários pelo mesmo  batismo que nos foi confiado, somos uma comunidade não só de adoradores, mas de pessoas comprometidas em viver dentro de realidade a ordem de Jesus do Ide, mas não pode ser o ide de alguns religiosos que visam o ide buscando o retorno financeiro. Jesus assumiu plenamente a nossa condição e sua volta para direita do Pai é algo que professamos, é dogma da fé como também a sua volta. Nos falta as duas temáticas de hoje o Ide e o Ensinai  e pedimos que leiamos os números  154 e 155 do Documento de Aparecida para melhor entendermos a questão do ser discípulos e talvez nos falte isso. No âmbito da vocação  o nosso primeiro chamado não é para um ministério na comunidade,  mas para o discipulado e aqui mergulhamos no texto do profeta Isaias 50,4 

  • "O Soberano, o Senhor, deu-me uma língua instruída, para conhecer a palavra que sustém o exausto. Ele me acorda manhã após manhã, desperta meu ouvido para escutar como alguém que está sendo ensinado."  
Nesse contexto que aqueles homens são enviados, como discípulos e por isso que esses dias resolvemos ler o Documento de Aparecida, pois a nossa vocação do Ide esta presa as possíveis facilidades ou da autoridade que recebemos  celebrar o subida do Senhor deve nos motivar a construção desse Reino para que Ele volte como no contexto citado no texto de Apocalipse 3,11-12

"Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome."



quarta-feira, 24 de julho de 2013

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NO SANTUÁRIO NACIONAL DE NOSSA SENHORA APARECIDA EM 24/07/2013

"“Venerados irmãos no episcopado e sacerdócio, queridos irmãos e irmãs”!
Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério.
Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.
Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja.
E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.
Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno.
Para tal, gostaria de chamar atenção para três simples posturas: conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.
Conservar a esperança: A segunda leitura da missa apresenta uma cena dramática: uma mulher, figura de Maria e da Igreja, sendo perseguida por um dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo.
Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família,  quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados!
Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar a esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer.
Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade.
Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo.

Neste santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.
A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Paraíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus!
Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.
A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria.
O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura. Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados.
O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI, aqui, neste santuário: “o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”.
Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ele nos pede: “Fazei o que Ele vos disser”. Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria.
Assim seja."