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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Um breve olhar sobre .Marcos 2,18-22

A liturgia da Igreja proclama Marcos 2,18-22 na segunda-feira da 2ª Semana do Tempo Comum, tal passagem  também  encontramos em Mateus 9,14-17 proclamado no sábado da 13ª Semana do Tempo Comum  e em   Lucas 5,33-39  proclamado  na proclamado na sexta-feira, da 22ª Semana do Tempo Comum
Marcos 2,18-22 é  proclamado  logo no início do ciclo ordinário, quando a comunidade cristã é novamente convocada a reaprender o essencial da fé fora das molduras do extraordinário. Essa escolha não é um detalhe acidental do calendário litúrgico, mas uma decisão pedagógica profundamente espiritual e pastoral. Após o Natal e o Batismo do Senhor, momentos em que a identidade de Jesus é solenemente revelada e celebrada, a Palavra de Deus reconduz a fé ao ritmo do cotidiano, ao chão concreto da existência, onde se verifica se o Evangelho permanece apenas como memória ritualizada ou se se torna, de fato, força viva capaz de recriar a vida.
O chamado Tempo Comum não é um tempo menor ou desprovido de sentido, mas o tempo da maturidade espiritual, no qual a fé deixa de viver de exceções e milagres espetaculares para aprender a sustentar-se no chão áspero da história. É nesse espaço aparentemente sem brilho, atravessado por ambiguidades, conflitos e rotinas, que o Evangelho revela sua potência mais autêntica: não a de fugir da realidade, mas a de habitá-la, transformá-la e redimi-la a partir de dentro.
É exatamente nesse horizonte que Marcos 2,18-22 se apresenta como Palavra profundamente desinstaladora. O texto nasce de uma pergunta aparentemente legítima e até piedosa: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os teus discípulos não jejuam?” À primeira vista, trata-se de uma questão disciplinar; em profundidade, porém, ela revela uma concepção inteira de Deus, de espiritualidade e de poder religioso. O jejum, no judaísmo do Segundo Templo, não era simples prática ascética individual. Ele expressava luto, penitência, espera escatológica e pertencimento comunitário. Jejuar era reconhecer a ausência de Deus, confessar a fragilidade do povo e clamar por restauração (cf. Jl 2,12-15; Ne 9,1; Jn 3,5). A pergunta, portanto, não é inocente: ela carrega uma teologia da ausência e da espera.

A resposta de Jesus não se move nesse mesmo terreno. Ele não entra na lógica da casuística religiosa, nem discute a legitimidade do jejum em si. Em vez disso, desloca o eixo da questão ao tocar seu núcleo simbólico: “Podem os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo está com eles?” Com essa imagem, Jesus não apenas responde; Ele se revela. A metáfora nupcial o insere deliberadamente na tradição profética de Israel, onde Deus é apresentado como Esposo fiel de um povo frequentemente infiel. Oséias falou do Deus que reconduz Israel ao deserto para falar-lhe ao coração e renovar a aliança (Os 2,16-22). Isaías anunciou um Deus que se alegra com seu povo como um esposo com sua esposa (Is 62,4-5). Jeremias evocou o amor primeiro do deserto, quando o povo seguia o Senhor sem seguranças (Jr 2,2). O Cântico dos Cânticos, com sua linguagem de desejo, busca e repouso, permanece como pano de fundo dessa revelação (Ct 1,7; 2,16).

Ao assumir essa imagem, Jesus afirma algo teologicamente decisivo: em sua pessoa, Deus já não é apenas esperado, mas encontrado. O tempo messiânico não se caracteriza mais pelo luto da ausência, mas pela alegria da presença. A pergunta sobre o jejum revela, assim, uma incompreensão mais profunda: os interlocutores continuam vivendo como se Deus estivesse distante, enquanto o Reino já se faz próximo (Mc 1,15). A fé deixa de ser mera preparação e se torna encontro; deixa de ser expectativa e passa a ser comunhão.

Esse deslocamento permite compreender o centro da experiência cristã. O verbo que sustenta silenciosamente todo o texto é “estar com”. Os discípulos não jejuam porque estão com o Esposo. A fé cristã não nasce da observância, mas da relação. Trata-se de uma espiritualidade da comunhão, não do desempenho. Psicologicamente, isso desloca a religião do campo da compensação — onde práticas tentam preencher vazios — para o campo do vínculo, onde a prática brota da experiência de ser amado. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). A iniciativa é sempre de Deus, e toda ética cristã nasce dessa precedência do amor, não do medo nem da culpa.

Entretanto, essa presença não é idealizada nem romantizada. O próprio Jesus introduz a tensão ao anunciar a ausência: “Dias virão em que o noivo lhes será tirado; então jejuarão.” O verbo empregado por Marcos sugere violência e ruptura. O Esposo não simplesmente se afasta; Ele é retirado. Aqui se abre o horizonte da cruz. A ausência de Deus não será metafísica nem abstrata, mas histórica e concreta. O conflito faz parte da lógica do Reino. A comunhão com Deus não isenta da dor; ao contrário, torna-a inteligível e a inscreve na história da salvação.

Essa afirmação conduz naturalmente o texto à sua dimensão histórica e sociopolítica. Jesus será retirado porque seu modo de viver, de interpretar a Lei e de se relacionar com os pobres ameaça estruturas religiosas e políticas consolidadas. Marcos não suaviza esse conflito: “Os fariseus, com os herodianos, tomaram a decisão de matar Jesus” (Mc 3,6). A cruz não é um acidente espiritual nem um simples destino individual, mas consequência histórica de um amor que não se submete à lógica do poder. João expressa essa tensão ao afirmar que a luz veio ao mundo, mas as trevas resistiram a ela (Jo 3,19).

É nesse clima de conflito que as duas pequenas parábolas — o remendo novo em roupa velha e o vinho novo em odres velhos — adquirem sua plena densidade. Elas não funcionam como máximas genéricas sobre mudança, mas como uma crítica direta à religião incapaz de conversão. O pano novo não serve para preservar a roupa velha; o vinho novo não pode ser contido em odres endurecidos. A novidade do Reino não se deixa instrumentalizar para manter intactas estruturas que já não geram vida. Onde isso ocorre, perde-se tanto o vinho quanto o odre.

Do ponto de vista antropológico, o odre simboliza o ser humano e as instituições como recipientes de sentido. Toda cultura cria formas para conter, transmitir e proteger a vida. Contudo, quando essas formas se absolutizam, tornam-se opressoras. A tradição bíblica denuncia repetidamente esse risco: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Is 29,13; Mc 7,6). Jesus não rejeita a Lei nem a tradição; Ele rejeita sua fossilização. Em Mateus 9,14-17 e Lucas 5,33-39, a mesma cena reaparece. Lucas acrescenta uma observação decisiva: “Ninguém, depois de beber vinho velho, deseja o novo; diz: o velho é melhor.” Trata-se de uma intuição profunda sobre a resistência humana à conversão, tanto pessoal quanto institucional.

Essa resistência atravessa toda a Escritura e a história. Israel prefere o Egito conhecido ao deserto libertador (Ex 16,3). O povo pede um rei para se assemelhar às outras nações (1Sm 8,5). Os profetas são perseguidos porque desinstalam falsas seguranças (Jr 20,7-9; Am 7,10-13). Jesus se insere nessa linhagem profética, não como reformador moral pontual, mas como portador de uma novidade que exige conversão integral: do coração, das relações e das estruturas.

Quando esse texto é lido à luz da realidade brasileira, sua força profética se intensifica sem necessidade de enxertos artificiais. Vivemos também um tempo de odres rompidos: instituições desacreditadas, linguagem religiosa capturada por interesses econômicos e políticos, espiritualidades transformadas em mercadorias, enquanto a vida da maioria é marcada por precarização, fome, violência e abandono. Nesse cenário, a fé corre o risco de ser reduzida a produto de sucesso individual, e o vinho do Reino é adulterado pelo marketing religioso.

É nesse contexto que as teologias da prosperidade e do domínio se revelam como odres velhos disfarçados de novidade. Transformam Deus em instrumento, o sofrimento em culpa e a bênção em resultado mensurável. O Cristo de Marcos, porém, não domina nem acumula; Ele se doa. Ele toca os leprosos (Mc 1,40-45), come com pecadores (Mc 2,15-17), coloca a vida acima da lei (Mc 3,1-6). Seu Reino se constrói pela lógica do serviço: “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 9,35). Essa lógica entra em choque com qualquer espiritualidade que legitime a exclusão ou sacralize a desigualdade.

O individualismo religioso, amplamente difundido, é outro sinal de endurecimento dos odres. A fé reduzida à esfera privada rompe o vínculo comunitário e neutraliza a potência transformadora do Evangelho. Marcos escreve para comunidades concretas, não para indivíduos isolados. Em um país marcado por desigualdades estruturais, uma fé individualista torna-se cúmplice da exclusão. A Escritura é incisiva: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). A comunhão com o Esposo se verifica na responsabilidade pelo outro.

Também o clericalismo aparece, nesse horizonte, como forma refinada de resistência à novidade do Reino. Quando o ministério se converte em poder e a autoridade se distancia do serviço, o vinho novo se perde. O Concílio Vaticano II recorda que a Igreja é, antes de tudo, Povo de Deus em caminho (Lumen Gentium, 9), chamada a ler os sinais dos tempos (Gaudium et Spes, 4). O Papa Francisco denuncia uma Igreja autorreferencial e clerical que sufoca o Espírito e impede a conversão pastoral (Evangelii Gaudium, 93; 102).

Os documentos da Igreja na América Latina aprofundam essa leitura evangélica da realidade. Medellín denunciou a violência institucionalizada como pecado estrutural. Puebla afirmou a opção preferencial pelos pobres como critério de fidelidade ao Evangelho. Aparecida recordou que não somos uma ONG religiosa, mas discípulos missionários chamados a comunicar vida plena (Jo 10,10). Essas intuições não pertencem ao passado; constituem chaves vivas para discernir o presente e julgar as práticas eclesiais.

Nesse mesmo horizonte se situam as vozes proféticas de São Oscar Romero, Pedro Casaldáliga e Dom Paulo Evaristo Arns. Romero compreendeu que o Esposo continua sendo retirado sempre que os pobres são crucificados pela injustiça. Casaldáliga insistiu que o Evangelho não se entende sem os pés fincados na terra dos pobres e o coração desarmado. Arns fez da memória dos mortos e desaparecidos um ato de fidelidade ao Cristo crucificado na história. Neles, o vinho novo não foi domesticado nem diluído.

O texto ilumina, por fim, o sentido do jejum hoje. Jejuar não é prática mágica nem demonstração de superioridade espiritual. É gesto de solidariedade, protesto e conversão. Isaías já denunciava o jejum vazio e convocava à partilha do pão e à libertação dos oprimidos (Is 58,6-7). Jesus retoma essa tradição profética e a inscreve na lógica do Reino, onde a espiritualidade se mede pela vida que gera.

Marcos 2,18-22 permanece, assim, uma Palavra perigosa e necessária. Ele impede que a fé se acomode, que a Igreja se transforme em empresa religiosa ou que o

Evangelho seja reduzido a discurso motivacional. O Esposo continua presente onde a vida é defendida, onde a justiça é buscada e onde a misericórdia se torna concreta. E continua sendo retirado onde a religião se alia à morte, ao lucro e ao poder.

Ser odre novo hoje implica aceitar o risco da ruptura. Significa renunciar a seguranças religiosas, perder privilégios, atravessar incompreensões e sustentar a esperança no meio do conflito. Não se trata de rebeldia estéril, mas de fidelidade exigente ao dinamismo do Reino. Somente assim o vinho novo pode ser preservado sem ser desperdiçado pelas estruturas que já não conseguem contê-lo.

Por isso, a palavra de Jesus permanece atual e incômoda: “Quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la” (Mc 8,35). Trata-se de uma lógica pascal que atravessa a história, desinstala a religião acomodada e convoca a fé a sair de si mesma. Que esta Palavra, proclamada na liturgia e confrontada com a realidade concreta do povo, continue rasgando odres envelhecidos, libertando o Evangelho de suas prisões e fazendo brotar vida nova onde o mundo insiste em decretar cansaço, medo e morte.

DNonato – Teólogo do Cotidiano

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

7 de Setembro, Romaria e o Falso Patriotismo

Mais um 7 de setembro atravessa a história recente do Brasil. No Santuário Nacional de Aparecida, os passos de trabalhadores e trabalhadoras se transformaram em oração e denúncia, na 38ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Ali, o clamor não era por desfiles ou armas, mas por soberania, justiça social e dignidade. Enquanto isso, em tantas cidades, os desfiles oficiais se misturavam a gritos de rua: de um lado, o 31º Grito dos Excluídos, que pedia o fim da jornada desumana 6x1, a defesa do trabalho, da terra e da vida; do outro, grupos que, sob a máscara de patriotismo, gritavam pela manutenção de privilégios e erguiam bandeiras estrangeiras como se fossem mais importantes do que o verde e amarelo.

É preciso dizer com clareza: ali, em Aparecida, estava o verdadeiro sentido da pátria. Porque pátria não se resume a um pano colorido tremulando ao vento, mas se encarna na vida concreta de quem acorda cedo, enfrenta ônibus lotado, sustenta a casa com salário mínimo e ainda assim encontra forças para lutar. É esse povo que constrói o Brasil, não aqueles que se travestem de patriotas enquanto servem a interesses externos, carregando com orgulho bandeiras de outros países como se fossem extensão de nossa identidade.

A contradição chega a ser gritante. Muitos repetem como mantra: “Minha bandeira jamais será vermelha.” Mas, se tiver vermelho, branco e azul com estrelas, tudo bem. O falso perigo do comunismo se tornou espantalho útil, alimentado por décadas de propaganda ideológica e medo. Desde os tempos da ditadura militar, disciplinas como Educação Moral e Cívica e OSPB tentaram forjar uma noção de patriotismo domesticado: cantar o hino, decorar símbolos, mas nunca aprender a questionar as estruturas sociais que mantinham a desigualdade e a exclusão. O amor à pátria virou cartilha para silenciar e adestrar, não para libertar.

Hoje vemos os frutos desse ensino torto. Uma parte da população acredita que defender soberania, direitos trabalhistas e justiça social é sinal de “ameaça comunista”. Como se pedir pão fosse subversão. Como se a luta pelo SUS, pela escola pública e pela dignidade do trabalho fosse conspirar contra o Brasil. O mais irônico é que os mesmos que gritam contra o “vermelho” da bandeira não enxergam que, ao se ajoelharem diante do vermelho, branco e azul dos Estados Unidos, rasgam a soberania que dizem defender.

A filosofia política já nos ensinou que o verdadeiro patriotismo não é obediência cega ao poder, mas compromisso com a liberdade e a justiça. Rousseau diria que não há pátria onde há miséria. Marx lembraria que a pátria dos trabalhadores é o mundo inteiro, mas que, antes de tudo, é preciso conquistar dignidade em sua própria terra. Paulo Freire mostraria que o amor à pátria nasce na consciência crítica, não na repetição de hinos em salas de aula militarizadas. O patriotismo sem justiça social é apenas máscara para esconder privilégios.

Neste 7 de setembro, vimos duas pátrias se confrontando: uma pátria viva, feita de povo em marcha, trabalhadores e trabalhadoras em romaria, gente que grita porque sabe que silêncio é cumplicidade; e uma pátria falsa, de quem veste verde e amarelo como fantasia, mas se curva diante de bandeiras estrangeiras. A pergunta que ecoa é: 

  • Quem ama mais o Brasil? 
  • Quem denuncia a exploração e exige soberania, ou quem se contenta em ser colônia de interesses alheios?

O profetismo da Romaria e do Grito dos Excluídos revela que a bandeira verdadeira não é de tecido, mas de carne e sangue, de suor e esperança. Ela é tecida nas fábricas, nas roças, nas periferias, nas mãos calejadas que constroem a nação dia após dia. E essa bandeira, sim, pode ser vermelha: não do comunismo temido, mas do sangue derramado por aqueles que nunca deixaram de lutar por justiça.

No fim, o falso patriotismo se desmancha como pó, porque amar o Brasil não é temer o vermelho, mas cuidar do verde das florestas que ainda resistem, do amarelo das riquezas que não podem ser entregues a poucos, do azul do céu que não se negocia, e do branco da paz que só se constrói com justiça. A bandeira não é um pedaço de pano, mas um compromisso vivo. Ela pulsa nas mãos dos que lutam, nas vozes que gritam, nos pés que caminham, nos olhos que ainda sonham.

Sim, a bandeira verdadeira pode ser vermelha — não do fantasma do comunismo inventado para amedrontar corações ingênuos, mas do sangue que escorreu de homens e mulheres que tombaram em greves, marchas, lutas pela terra e pela dignidade. Vermelho como o coração que insiste em bater, mesmo quando a pátria o sufoca.

E o grito dos excluídos ecoa como profecia: não haverá independência enquanto houver fome, não haverá soberania enquanto houver miséria, não haverá pátria enquanto houver trabalhadores tratados como descartáveis. O desfile oficial pode encher as avenidas de fardas e canhões, mas o verdadeiro 7 de setembro está nas ruas, nas romarias, nos clamores que se levantam contra a injustiça. O tempo das cartilhas de OSPB e de Educação Moral e Cívica passou; não precisamos mais repetir hinos de olhos fechados, precisamos abrir os olhos para enxergar o Brasil real, aquele que os livros oficiais tentaram esconder. Não há civismo sem crítica, não há moral sem justiça, não há pátria sem povo.

Por isso, que neste tempo de sombras ressoe a palavra dos profetas: ai dos que confundem idolatria com fé, que trocam soberania por submissão, que preferem bandeiras estrangeiras ao compromisso com o seu próprio povo. Ai dos que dizem amar o Brasil, mas se alimentam da sua miséria.

Mas benditos são os que caminham em romaria, os que gritam nas ruas, os que insistem em sonhar com um país onde a vida seja maior do que a morte, a justiça maior do que o lucro, a esperança maior do que o medo.

Essa é a bandeira que merece ser hasteada. E ela não se rasga, não se vende, não se cala. Porque ela é feita do tecido indestrutível da esperança.

DNonato