Brasília ; sede da PF 26 de novembro de 2025
Aos meus ilustres colegas de xilindró
Meus caros detentos,
Acabou. Acabou MESMO! Agora não tem mais essa de prisão preventiva, domiciliar ou “fica em casa, coloca a tornozeleira e vai trabalhar”. É cadeia raiz. Cana, xilindró, quartinho apertado… mas, pelo menos, estou na PF. Papuda? Não, obrigado. Nem o Molusco merece esse encontro… eu menos ainda.
O Careca, esse gênio, resolveu me dar um presente: usou um trecho da condenação do Molusco pra me manter aqui. Ou seja: me igualou ao meu inimigo histórico. Que carinho, né? Mas gentileza é coisa de maricas, então nem vou agradecer.
Não é minha primeira vez atrás das grades, é verdade. No Exército já fiquei alguns dias. Prisão militar, claro. Ambiente acolhedor, café quentinho, punição que termina com aposentadoria de capitão. Aqui? Ah, aqui é diferente… agora militar paga, e justo na minha vez. Parece que todo mundo resolveu cobrar o atraso
E que turma de luxo pra dividir a pena com vocês! Mesmo em celas diferentes, tem Braga Netto, Sem Pescoço — digo, Heleno —, Garnier, Paulo Sérgio Nogueira… Tudo general, almirante, gente fina. Nunca antes na história deste país alguém conseguiu reunir tanta hierarquia num quartinho apertado. Parece até formatura militar, só que sem banda, sem espada, sem pompa, sem honra… e só com cheiro de comida de refeitório e rangido de corrente.
Eu até gostaria de abraçar todos vocês nesse momento tão “especial” — abraço hetero, tá? Nada de confusão. Só aquela cordialidade básica de quem observa de fora, rindo da estranheza dessa cena toda.
O Anderson Torres foi direto pra Papudinha, eu também quase, eu disse quase fugi, mas a tornozeleira não aguentou o calor — quase um “fail” histórico de fuga. O Ramage? Esperto, já está em Miami, rindo da bagunça.
E o Mauro Cid… ah, esse só levou dois anos, vítima da “tortura do Xandão”, e acabou delatando. E ainda tem a cara do Patrick da Zorra Total, pra completar o quadro tragicômico dessa galeria de personagens que jamais imaginaram que acabariam assim.
Agora, a cereja do bolo: Michelle. Coitada, já não aguentava mais me ouvir em casa repetindo meus mantras de capitão aposentado: “48 horas!”, “forças do bem!”, “Grande Dia!”. Na sexta, véspera da prisão, ela nem dormiu em casa, ocupadíssima, cheia de compromissos. Veio outro dia, podia ficar duas horas, mas só conseguiu ficar 37 minutos, porque tinha reunião com o Valdemar no PL. Mulher ocupada, hetero raiz que nem eu respeita agenda.
E o melhor: ela vai me mandar marmitas durante os próximos 27 anos de prisão. Isso mesmo, 27 anos de marmita! E ela está estudando a fundo: sempre assistiu Globo, mas agora está vendo Ana Maria Braga pra aprender a cozinhar direito, e o “Mais Você” também, já que tem o Louro José e o maquiador pessoal da família. Gente ocupada, organização nível chef.
Vocês, meus colegas de prisão, devem estar rindo à beça. Sei das piadas que vão surgir
— “Bolsonaro vai fazer pronunciamento em cadeia nacional.”
— “O choro é livre, mas ele não.”
— “Vai brindar com Moet Xandão.”
— “A lojinha da internet agora vende tornozeleira eletrônica e solda.”
— “Finalmente está 100% preso.”
— “O Grande Dia chegou.”
E claro, pra não perder a pose: eu ainda convidei o Alexandre de Moraes para ser meu vice. Sim, meu vice! Ele recusou, mas fiquem tranquilos: só eu consigo fazer esse tipo de oferta sem precisar de gentileza. Gentileza é coisa de maricas, e eu sou hetero raiz.
Agora, pra esclarecer de uma vez: isso não é diário nem cartas da prisão. Coisa de comunista escrever memórias de cárcere, e eu não sou comunista, nem poeta, nem rapper. Além disso, ninguém vai me enganar: eu não sei escrever de verdade. Isso aqui é só pra registrar o deboche, a ironia e a realidade de quem está 100% preso, mas continua rindo.
Então é isso, meus colegas: escrevo minha última folha neste diário que não é diário, cheio de sarcasmo, deboche e uma pitada de rancor. Amanhã acabou. Mas continuem rindo de mim… eu também estou rindo. Porque se eu não rir, vou chorar, e aí vocês vão dizer que “o choro é livre”… e sinceramente, não estou a fim de dar esse prazer.
Com ironia de capitão, marmitas garantidas e a graça do destino,
J M B.. - Preso ainda sem soluço


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