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sábado, 14 de junho de 2025

Um outro olhar sobre João 16,12-15 - Domingo da Santíssima Trindade


Os textos proclamados no Domingo da Santíssima Trindade nos convidam a contemplar o mistério de um Deus que é comunhão viva de amor. Neste domingo, a liturgia nos oferece Provérbios 8,22-31, o Salmo 8,4-5.6-7.8-9 (com o refrão do versículo 2a), Romanos 5,1-5 e o Evangelho segundo João 16,12-15 — este último também proclamado na quarta-feira da sexta semana da Páscoa em 2025 no dia 27 de maio em  no domingo  da Santíssima Trindade em 2022,  mas hoje, à luz da solenidade trinitária, somos chamados a voltar a ele com um novo olhar, mais atento à revelação progressiva de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. O texto de João nos oferece não uma explicação racional da Trindade, mas uma porta de entrada existencial, espiritual e profética para vivê-la. Neste espírito, queremos aprofundar esse Evangelho com as lentes da hermenêutica bíblica, da exegese, da teologia, da antropologia, da sociologia, da patrística e da realidade contemporânea, reconhecendo os apelos e denúncias que ele nos propõe hoje.

Jesus diz aos seus discípulos: “Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade” (Jo 16,12-13). Esse versículo revela um Deus que respeita os tempos da escuta e da maturação. A verdade divina não é jogada sobre nós como imposição, mas nos é confiada por meio de um processo de amor pedagógico. O próprio Jesus, o Logos encarnado, não diz tudo de uma vez, porque a verdade plena não é só conteúdo, mas relação, processo, caminho. Como nos lembra São Gregório de Nazianzo, "é melhor tropeçar em mistério do que ser arrastado por presunção." A verdade é o próprio Deus, e Deus é Amor, e esse amor se revela no tempo, pela escuta e pela experiência vivida. A revelação trinitária não acontece por decretos, mas pela convivência com o Deus que é comunhão eterna.

O Espírito da Verdade é apresentado não como ideologia, mas como sopro livre (Jo 3,8), como presença que “anuncia” o que vem do Filho e, portanto, do Pai. A Trindade é relação que comunica. O Espírito não fala de si mesmo, mas comunica aquilo que é do Filho, que por sua vez recebe do Pai — uma circulação de amor, doação e acolhimento. Não há competição, não há disputa de poder, mas uma perfeita reciprocidade. É o oposto da lógica que domina nossas estruturas eclesiásticas e políticas: estruturas hierárquicas, fechadas, patriarcais, que usam o nome de Deus como instrumento de exclusão. Onde a autoridade se impõe sem escuta, onde a liturgia se transforma em espetáculo, onde o poder é mais valorizado que o serviço, ali o Espírito é entristecido (Ef 4,30). O clericalismo, em todas as suas formas — seja no altar elevado, seja nas decisões solitárias, seja na supressão do sensus fidei do povo — é uma blasfêmia contra a Trindade, pois nega sua lógica circular e comunitária.

Santo Agostinho nos recorda que “Deus é amor, mas não um amor solitário. O Pai ama o Filho, o Filho é o Amado, e o Espírito é o Amor entre ambos” (De Trinitate, VIII). Assim, a Trindade não é um mistério abstrato, mas o fundamento de toda relação humana. Somos criados à imagem de um Deus que é relação. Isso nos desafia em tempos de individualismo extremo, de tribalismo ideológico, de muros e cercas erguidos entre povos, classes e religiões. A antropologia bíblica é relacional: o ser humano só é plenamente humano quando está em comunhão. Por isso, viver segundo o modelo trinitário é resistir ao egoísmo neoliberal, ao autoritarismo teocrático, à religião sem espírito e à espiritualidade sem carne. É viver o Reino como comunidade de irmãos e irmãs que escutam, partilham, cuidam e denunciam a injustiça.

A teologia trinitária, que floresceu com mais força nos concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381), nunca foi apenas uma discussão sobre as essências divinas, mas uma afirmação da comunhão como identidade de Deus. Este ano celebramos os 1700 anos do Concílio de Niceia — o primeiro concílio ecumênico da Igreja —, marco fundamental da fé cristã, onde se professou que o Filho é “consubstancial ao Pai” (homoousios), refutando as heresias que negavam a divindade plena de Jesus. Niceia não apenas protegeu o mistério, mas indicou que Deus não é um tirano solitário, mas uma comunhão de igualdade, eternidade e unidade. A fé trinitária selada em Niceia ainda hoje nos convida a rever nossa vida pessoal e eclesial: será que nossas comunidades vivem a comunhão ou reproduzem desigualdades e exclusões? O Credo Niceno-Constantinopolitano afirma que o Espírito “procede do Pai” (e no Ocidente se acrescentou “e do Filho”), e é “Senhor que dá a vida”. Dar a vida é um verbo trinitário. Onde a Trindade é crida, a vida é promovida. Onde há dominação, opressão, morte e exploração em nome de Deus, o dogma trinitário está sendo traído. A idolatria do poder — seja dentro da Igreja, seja nos sistemas de governo — é o grande desafio de nossa fé trinitária hoje.

Na atualidade, o Espírito da Verdade continua sendo perseguido. Ele incomoda os donos da verdade, desinstala os que se acomodaram nas certezas. Hoje vemos o nome de Deus ser usado por grupos que se dizem cristãos, mas promovem discurso de ódio, armamento, excludência social e violência contra os pobres. A extrema direita, ao cooptar símbolos religiosos, está cometendo uma nova idolatria: a idolatria da pátria, da arma, da autoridade sem serviço. A cruz se torna símbolo de exclusão, e não de reconciliação. Essa perversão do nome de Deus precisa ser denunciada com coragem profética. A Trindade, quando celebrada com fidelidade, desmascara toda tentativa de utilizar Deus como instrumento de dominação. O Deus trinitário está do lado dos pobres, dos deslocados, dos migrantes, das mulheres silenciadas, das crianças esquecidas, dos povos ocupados e das vítimas da guerra.


É preciso dizer com clareza evangélica: o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um escândalo. A justificativa religiosa para uma guerra de extermínio é blasfema. Não há direito de defesa que justifique a morte indiscriminada de civis, o bombardeio de hospitais, a fome deliberada de um povo confinado. O Deus da Trindade não está com os drones, mas com as mães que choram seus filhos. O mesmo vale para o ataque ao Irã: o ciclo de violência entre nações, legitimado por ideologias religiosas nacionalistas, é um escárnio à santidade de Deus. Como calar diante do sangue derramado por impérios que se travestem de escolhidos de Deus? Como aceitar que “cristãos” aplaudam essas guerras em nome de suposta “justiça divina”? O Espírito da Verdade é aquele que grita por paz, por justiça, por reconciliação entre os povos. A guerra não é vontade de Deus, mas consequência do pecado humano e da idolatria do poder.

O Concílio de Constantinopla I (381), ao reafirmar a divindade do Espírito Santo, declarou: “Com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado; ele falou pelos profetas.” Hoje, Ele continua falando, mas muitos se recusam a escutá-lo. Preferem a rigidez doutrinária ao frescor da profecia. Preferem a obediência cega à comunhão ativa. Preferem uma igreja piramidal a uma igreja povo de Deus, como sonha o Vaticano II. A eclesiologia trinitária nos exige romper com a idolatria do poder clerical e abraçar o modelo sinodal, onde todos — leigos, mulheres, pobres, consagrados, ministros ordenados — têm voz e escuta. Como nos lembra o Papa Francisco, “o clericalismo é uma perversão do sacerdócio”, e acrescenta que “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio”.

A carta aos Romanos nos recorda que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Não se trata de um sentimento genérico, mas de uma presença concreta que transforma. O amor trinitário é derramado em nós para gerar reconciliação, pacificação, resistência ao mal. Ele é a força que sustenta os que lutam por justiça, os que defendem a vida ameaçada, os que constroem pontes em vez de muros. Ele é o sopro que dá vida às comunidades que celebram, mas também àquelas que lutam. Como dizia São Basílio de Cesareia, “o Espírito Santo é luz, que ilumina os que estão nas trevas; é força, que sustenta os fracos; é comunhão, que une os dispersos”.

A Trindade, portanto, é muito mais que uma doutrina a ser ensinada: é uma verdade a ser vivida. É mística que se torna política. É amor que se torna denúncia. É fé que se torna prática. É Deus que, sendo comunhão, nos convida a comunhar com os pobres, com os feridos, com os oprimidos. Que este domingo da Trindade não seja apenas uma data litúrgica, mas um chamado a reorganizar nossa vida pessoal, eclesial e social segundo o modelo do Deus Uno e Trino: o Pai que cria com liberdade, o Filho que salva com compaixão e o Espírito que renova com coragem. Que sejamos, pela graça do batismo e pela força da escuta, sinais vivos dessa comunhão divina que resiste à lógica do mundo e anuncia a verdade libertadora do Evangelho.



DNonato – Teólogo do Cotidiano


sábado, 3 de junho de 2023

Um olhar no texto de São João 3, 16-18. - Domingo da Santíssima Trindade

 

 Durante a semana que passou  a Câmara voltou o marco temporal e pelo que se percebe  a Pátria perdeu de novo e tivemos  visita do Chefe de Estado  de um pais vizinho que usa  a censura como arma e não  permite a livre  manifestação segundo alguns  filhos dessa terra que conversamos  recentemente, mas o atual presidente   diante de uma realidade tão complexa que é governa uma pátria com  6 anos de neoliberalismo, dos pobres que estão endividados de  um congresso  corrupto na essência que legitimou o toma lá da cá com seu presidente vindo dizer que o Executivo tem que negociar para ter governabilidade,  sobrevivemos o fim de maio e iniciamos o mês de junho, olhando os primeiros 6 meses do atual governo  ainda com esperança  e observando que estamos melhor que 2019, nesse sentido vamos celebrar o


domingo da Trindade que  nos ajuda a meditar   sobre o quanto somos de fato fieis ao Deus Uno e Trino.  As leituras para esse dia  são as seguintes:  Êxodo  34,4b-6.8-9;  Salmo de hoje é de - Dan 3,52-256 com  a resposta  Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre; 2 Coríntios  13,11-13 e  evangelho de João  3,16-18 que narra o encontro de Jesus com o Mestre da lei Nicodemos .
Semana passada infelizmente tivemos dificuldade de posta a reflexão aqui em  nosso espaço e já pedimos perdão  e nesse dia da trindade voltamos a  nosso texto de Um olhar no texto de São João 16,12-15. - Domingo da Santíssima Trindade  e ao vídeo Reflexão: Boa Nova de Jesus Cristo segundo São João 16,12-15. - Domingo da Santissima Trindade  do dia 12 de junho de 2012, que nos ajuda a refletir.  Como  sempre vamos meditar    o evangelho que narra esse nosso encontro, não queremos explicar  o mistério da Trindade  que é um amor que não se explica ou se entende com os olhos humanos e sabemos que a Trindade é o Amante, o Amado e Amor  que se soma em único  sentimento de viver a unidade,  e para outro a Trindade pode ser definida como a vela que é a chama, a cera e pavio E ESSA e essa solenidade nos convidado a reconhecer que somos criados por Amor, salvo por esse Amor e no batismo recebemos a graça do Amor em nosso dia-a-dia. 

Deus nosso Pai que envia seu Filho para nos salvar e nos ajudar entender como devemos viver a plena liberdade como  diz o texto : Gálatas 5, 1  que diz “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.”  Essa proposta  que Jesus apresenta no sentido da vida de cristã de liberdade que nos leva para cima e nesse sentido que Jesus veio ao mundo. De uns tempos pra cá muitos cristãos tem pregado um Deus radical  que só conhece o julgamento e a condenação  e aqui temos a definição do motivo da vinda de Jesus para terra, Jesus  não vem como juiz, o Espirito Santo e chamado de Paraclito  e o Pai é o Criador da humanidade que nos cria no seu Amor e por seu Amor

Que seria crer em Jesus?

Na semana passada recebemos o mandado de ir e batizar em nome da Trindade  ensinando a observar os mandamentos,  essa semana temos a narrativa que quebra qualquer tentativa de  se fazer da comunidade um tribunal de condenação ou julgamento Crer certamente não é regular  ou se achar mais santo que  o outro  que não viveu ou não tem a mesma linha teológica  que a gente, disso temos certeza.  A trindade  nos ajuda a pensar como nos relacionamos com o diferente, pois sabemos quem é o Pais,o Filho e o Espírito Santos, se não sabemos devemos saber, esta faltando Catequese ou Escola Dominical,  pois é um  dos digmas mais importante da Fé cristão e aqui deixamos um outro  texto Dogmas segundo a Tradição apostólica recomendado para aqueles que desejam entender  que seria dogma[1].  Embora no inicio do texto tenhamos uma verbo em algumas traduções no verbo passado o termo correto é que seja lido no presente. (Deus ama), pois segundo  os pensamentos de Santo Agostinho Deus não se cansa de amar que  foi cantada por Adriana Arydes  e aqui vale pena entende que a  medida do Amor é amar sem medida e foi por isso que Jesus veio ao mundo e por isso fomos criados por Deus e  ainda nesse sentido que Espírito Santo vem sobre a nossa vida de cada pessoa  ele age sem show ou gritaria que muitos  costumam invocar como ação do Espírito.  O evangelista é chamado de  discípulo amado por  apresentar uma proposta de amor e  de uma riqueza  que fala da Pessoa do Pai, Espírito Santo e nos revela a intima comunhão com o Filho e aqui rezamos o credo   desde de 325 e devemos ler o no Catecismos da Igreja para os Católicos  o número 35,36,122 e 164 do Youcat Brasil ou ainda ou CIC numero 48.

Que Deus Uno e Trino nos abençoe!!!




[1] Os dogmas de doutrina incluir explicitamente presentes no texto da Bíblia, tal como consta da Tradição e formalizado pelo ensinamento da Igreja (Magistério).