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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Um breve olhar sobre Mateus 11,25-30

O Evangelho de Mateus 11,25-30  nele, Jesus revela a ternura do Pai para com os pequenos e faz um dos convites mais consoladores de toda a Escritura:

  • "Vinde a mim, vós todos que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso" (Mt 11,28).

Esse texto  e proclamado nos seguintes  dias do calendário  litúrgico da Igreja Católica:

  • 14º Domingo do Tempo Comum (Ano A): Evangelho principal que conduz toda a reflexão litúrgica do domingo.
  • Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (Ano A) Celebração dedicada ao amor misericordioso, à mansidão e à humildade do Coração de Cristo.
  • Memória de São Francisco de Assis,  O santo que, com sua vida simples e desapegada, encarnou a pequenez e a humildade reveladas por Jesus.
  • Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos:  Uma das leituras frequentemente escolhidas para anunciar a esperança cristã e o descanso prometido por Deus aos que partiram desta vida.
  • Quarta-feira e Quinta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum:  dividido  na quarta-feira Mateus 11,25-27 e na quinta-feira Mateus 11,28-30. permitindo uma meditação mais aprofundada sobre o convite de Jesus.

Ao longo do Ano Litúrgico, a Igreja nos faz retornar a essa Palavra porque ela responde a uma das necessidades mais profundas do ser humano: encontrar repouso para a alma. Em um mundo marcado pelo cansaço, pela ansiedade e pelas inúmeras cargas da vida, Cristo continua repetindo o mesmo convite:

  • "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt 11,29).

O contexto em que essa passagem aparece é decisivo para sua compreensão. Pouco antes, Jesus havia pronunciado palavras severas contra Corazim, Betsaida e Cafarnaum, cidades que testemunharam sinais do Reino, mas permaneceram resistentes à conversão (Mt 11,20-24). A crítica não é dirigida aos pobres nem aos simples, mas àqueles que, possuindo privilégios religiosos e sociais, recusam-se a acolher a visita de Deus. É justamente após denunciar essa dureza de coração que Jesus eleva ao Pai uma das mais belas orações dos Evangelhos: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

Lucas preserva essa mesma oração e acrescenta um detalhe precioso: Jesus exulta no Espírito Santo enquanto louva o Pai (Lc 10,21). Dessa forma, somos introduzidos numa das mais luminosas manifestações trinitárias dos Evangelhos. O Filho, movido pelo Espírito, bendiz o Pai pela forma como conduz a história da salvação. O Reino não se revela prioritariamente aos autossuficientes, mas aos que permanecem abertos à graça. À primeira vista, poderia parecer que Jesus opõe fé e inteligência. Contudo, uma leitura exegética mais cuidadosa mostra exatamente o contrário. A Escritura jamais condena a sabedoria. Os livros sapienciais exaltam-na como dom divino. O livro dos Provérbios apresenta a Sabedoria participando da própria obra da criação (Pr 8,22-31), enquanto o Eclesiástico a descreve como fonte de vida para aqueles que a procuram (Eclo 24,1-22). O problema denunciado por Jesus não é o conhecimento, mas a arrogância que transforma o conhecimento em autossuficiência espiritual.

Os “sábios e entendidos” representam aqueles que acreditam possuir Deus sob controle. Os “pequeninos”, ao contrário, são os que reconhecem sua necessidade de Deus. São os pobres em espírito proclamados bem-aventurados no Sermão da Montanha (Mt 5,3). São aqueles que recebem o Reino com a simplicidade das crianças, como recorda Marcos: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele” (Mc 10,15).

Essa lógica atravessa toda a história da salvação Deus escolhe: 

  •  Abraão, um migrante sem terra (Gn 12,1-4).
  •  Moisés, um fugitivo refugiado no deserto (Ex 3,1-12). 
  • Davi, o menor dos filhos de Jessé (1Sm 16,11-13). 
  • Maria, uma jovem da periferia da Galileia (Lc 1,26-38).
  • Pescadores para anunciar o Evangelho (Mc 1,16-20). 
A pedagogia divina raramente segue os caminhos do prestígio humano ou pede um  currículo ou carta de recomendação. Deus manifesta sua força precisamente onde o mundo enxerga fragilidade. Essa realidade torna-se ainda mais significativa quando lembramos o contexto social da Palestina do século I. Sob o domínio romano, a população sofria com impostos elevados, concentração fundiária e profundas desigualdades econômicas. Muitos camponeses perdiam suas terras e tornavam-se dependentes de grandes proprietários. Nesse ambiente, a religião corria o risco de ser utilizada como instrumento de legitimação das estruturas existentes. Nem todos os grupos religiosos agiam dessa forma, mas havia setores que associavam pureza ritual, prestígio religioso e posição social,  bem  parecido  com  realidade  em algumas Igrejas atualmente 

Jesus rompe essa lógica ao afirmar que os mistérios do Reino são revelados aos pequeninos. Sua declaração possui uma força teológica e sociológica extraordinária. Deus não pode ser apropriado por nenhuma classe social, nenhuma instituição, nenhuma ideologia ou qualquer projeto de poder. O Deus revelado por Jesus permanece livre diante de todas as tentativas humanas de monopolizar sua presença. Essa convicção encontra ressonância nos profetas. Isaías denuncia uma religiosidade incapaz de libertar os oprimidos (Is 58,6-7). Amós rejeita cultos que coexistem com a injustiça social (Am 5,21-24). Miqueias resume a vontade divina em praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com Deus (Mq 6,8). Zacarias exorta o povo a defender viúvas, órfãos, estrangeiros e pobres (Zc 7,9-10). Jesus não surge isolado dessa tradição; ele a leva à sua plenitude.

O versículo 27 aprofunda ainda mais o mistério: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”Estamos diante de uma das declarações cristológicas mais densas dos Evangelhos Sinóticos. Muitos estudiosos observam que essas palavras possuem profundidade comparável às grandes afirmações do Evangelho de João. Jesus não se apresenta apenas como mestre ou profeta. Ele se apresenta como revelador definitivo do Pai.

Na linguagem bíblica, conhecer não significa apenas compreender intelectualmente. Conhecer é entrar em comunhão. É participar da vida do outro. Quando Jesus fala do conhecimento mútuo entre Pai e Filho, está revelando uma intimidade única, da qual os discípulos são convidados a participar. Por isso conhecer Deus: 

  • Não consiste simplesmente em acumular doutrinas corretas. 
  • Conhecer Deus significa aprender sua compaixão, participar de sua misericórdia e reproduzir sua justiça. 

A revelação do Pai não afasta o discípulo da realidade humana; conduz exatamente para dentro dela. É nesse contexto que surge o grande convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Essas palavras ecoam toda a história bíblica. O verbo “vir” recorda os convites dirigidos por Deus ao longo das Escrituras. Isaías proclama: “Vinde às águas todos os que tendes sede” (Is 55,1). A Sabedoria convida os simples para sua mesa (Pr 9,1-6). O Eclesiástico proclama: “Aproximai-vos de mim, vós que sois ignorantes” (Eclo 51,23).

Diversos exegetas observam que Mateus 11 apresenta Jesus assumindo para si a linguagem da própria Sabedoria divina. O Eclesiástico afirma: “Submetei o vosso pescoço ao seu jugo” (Eclo 51,26). Agora é Jesus quem oferece o jugo. O que antes era atribuído à Sabedoria de Deus encontra sua realização na pessoa do Cristo. Os cansados e sobrecarregados mencionados por Jesus não são apenas indivíduos fatigados por dificuldades pessoais. São todos aqueles esmagados por estruturas que roubam a dignidade humana. Entre eles estavam os pobres submetidos à exploração econômica, os doentes marginalizados pela cultura da pureza, os pecadores excluídos da convivência religiosa e todos aqueles que carregavam fardos impostos por interpretações distorcidas da Lei. Lucas registra uma crítica semelhante quando Jesus denuncia os especialistas da Lei: “Carregais os homens com fardos difíceis de suportar” (Lc 11,46). A questão não era a Lei em si, mas sua transformação em instrumento de opressão. A religião perde sua vocação quando deixa de curar para ferir, quando deixa de libertar para controlar, quando deixa de anunciar esperança para produzir medo. Jesus oferece um caminho diferente. Ele não exige que os cansados provem seu valor. Não pede que conquistem o descanso por mérito próprio. Simplesmente os convida a aproximarem-se dele.

O descanso prometido possui raízes profundas na tradição bíblica. Remete ao repouso de Deus após a criação (Gn 2,2-3), à Terra Prometida como lugar de descanso para Israel (Dt 12,9-10) e à promessa feita a Moisés: “Minha presença irá contigo e eu te darei descanso” (Ex 33,14). O descanso oferecido por Cristo é a continuação dessa presença libertadora de Deus no meio de seu povo. Não se trata apenas de alívio psicológico ou emocional. É reconciliação. É restauração da dignidade. É libertação das forças que desumanizam. É a possibilidade de reencontrar a própria humanidade diante de Deus.

Em seguida, Jesus acrescenta: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). À primeira vista, a imagem parece paradoxal. Como alguém pode oferecer descanso e, ao mesmo tempo, propor um jugo? Entretanto, o jugo de Cristo é completamente diferente dos fardos impostos pelos sistemas de dominação. No mundo judaico, falava-se frequentemente do jugo da Lei. Jesus retoma essa linguagem, mas redefine seu significado. Seu jugo não é um sistema opressor. Seu jugo é a participação em sua própria forma de viver. É aprender sua mansidão, sua humildade e seu serviço.

A mansidão, na Bíblia, não é passividade. É força sob controle. É recusa da violência como método de relação. É a capacidade de resistir sem reproduzir a lógica do opressor. A mesma palavra aparece nas Bem-aventuranças: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5,5)A humildade, por sua vez, não significa autodesprezo. Significa viver na verdade diante de Deus. Jesus é humilde porque toda sua existência está voltada para o serviço. A carta aos Filipenses descreve esse movimento de esvaziamento: Cristo não se apega aos privilégios, mas assume a condição de servo (Fl 2,6-8). Por isso seu jugo é suave. Não porque elimine toda responsabilidade, mas porque conduz à plenitude da vida. O jugo dos impérios existe para beneficiar os poderosos. O jugo de Cristo existe para restaurar os seres humanos. Essa diferença atravessa toda a narrativa evangélica. Marcos apresenta Jesus acolhendo crianças e marginalizados. Lucas destaca sua proximidade com os pobres, os pecadores e as mulheres excluídas. Mateus enfatiza continuamente sua compaixão pelas multidões cansadas e abatidas. Os três Sinóticos convergem para a mesma imagem: um Messias que não domina, mas serve.

Ao longo de seu ministério, Jesus atravessa fronteiras sociais e religiosas. Toca leprosos (Mc 1,40-45), senta-se à mesa com pecadores (Lc 15,1-2), conversa com excluídos, acolhe estrangeiros e oferece dignidade àqueles que haviam sido descartados pela sociedade. Seu jugo é leve porque rompe com a lógica da exclusão. Essa dimensão possui enorme relevância para o mundo contemporâneo. Vivemos numa época marcada por exaustão coletiva. Milhões carregam o peso da insegurança econômica, da ansiedade, da solidão e da perda de sentido. Muitos experimentam também um profundo cansaço espiritual, resultado de experiências religiosas marcadas por culpa, medo e manipulação.

Essa passagem continua oferecendo uma palavra de libertação. Jesus não convida à fuga da realidade. Convida a uma nova forma de habitá-la. Seu descanso não produz alienação. Produz missão. Quem encontra descanso em Cristo torna-se capaz de carregar os sofrimentos dos outros. Quem experimenta misericórdia aprende a praticar misericórdia. Quem recebe compaixão torna-se instrumento de compaixão. Uma Igreja fiel a esse Evangelho deve tornar-se sinal concreto desse descanso. Deve ser casa para os cansados, hospital para os feridos, comunidade para os solitários e espaço de esperança para os desencorajados. Não pode reproduzir lógicas de dominação, clericalismo ou exclusão. Seu modelo permanece aquele que lavou os pés dos discípulos (Jo 13,1-15).

Mateus 11,25-30 não é apenas um texto de consolação individual. É uma síntese extraordinária da Boa-Nova. Nele encontramos o Pai que se revela aos pequenos, o Filho que acolhe os cansados e o Reino que se manifesta através da mansidão e do amor. A passagem começa com um louvor e termina com um convite. Entre esses dois movimentos encontramos a essência do Evangelho. Deus aproxima-se da humanidade não através da força, mas através da misericórdia. Não através da imposição, mas através do amor. Não através da exclusão, mas através do acolhimento.

O convite “Vinde a mim” ecoa toda a trajetória de Jesus. É o mesmo Cristo que chama pescadores às margens do lago (Mc 1,16-20), que acolhe os pecadores à mesa (Lc 15,1-2), que proclama bem-aventurados os pobres (Lc 6,20), que se compadece das multidões sem pastor (Mt 9,36), que chora sobre Jerusalém (Lc 19,41) e que, após a ressurreição, continua chamando seus discípulos para segui-lo. Por isso Mateus 11 permanece como uma das páginas mais luminosas do Novo Testamento. Em um mundo frequentemente dominado pela competição, pelo medo, pela violência e pela instrumentalização da fé, a voz de Jesus continua ressoando com a mesma força das colinas da Galileia. É uma voz que não oprime, não ameaça e não exclui. É uma voz que convida. Convida os cansados ao descanso, os feridos à cura, os pecadores à misericórdia, os pequenos à dignidade e toda a humanidade à vida abundante do Reino de Deus. Nessa voz encontramos não apenas consolo para nossas fadigas, mas também a esperança de uma nova humanidade reconciliada com Deus, consigo mesma e com toda a criação. 

Que acolhamos esse chamado com fé e confiança, permitindo que o Senhor alivie nossos fardos, cure nossas inquietações e conduza nossos corações ao verdadeiro descanso que somente Ele pode oferecer.



DNonato - Teólogo do Cotidiano 

sábado, 9 de julho de 2022

Um olhar no texto de São Lucas 10,25-37 - 15ª Domingo do Tempo Comum


Neste 15ª Domingo do Tempo Comum  de forma particular não vamos olhar para realidade conforme fizemos no ultimo domingo, mas aqui vale lembrar que estamos em processo de pré-eleição e os ânimos dos eleitores e seguidores dos candidatos que são apontados como lideranças com possibilidade de vencer tem feito mais que ontem as fabricas de fakes se promoverem seja com mentiras requentadas ou reformuladas.  Mas vamos nós olhando para o modelo de Jesus e observando que na semana passada a pergunta de Jesus aos seus discípulos foi respondida por Pedro[1] e hoje Jesus é questionado sobre quem é próximo. Para aqueles que esperam o nosso texto para saber quais são  as leituras desse 15ª Domingo do tempo Comum são elas: 1ª leitura Deuteronômio 30,10-14, Salmo 68 (69) Refrão: Procurem pobres, o Senhor e encontrareis a vida, 2ª Leitura: Colossenses 1,15-20 e o evangelho Lucas 10,25-37.

Jesus esta a caminho de Jerusalém isso nos ajuda refletir que estamos todos em peregrinação e durante essa caminhada acontece  o seu desenrolar com as interlocuções daqueles que cruzam por Ele. Nesse caminho  Jesus vai ser recebido pela mulher Samaritana, , foi chamado de Samaritano pelos Judeus[2] para tentar menospreza-Lo,  no caso dos dez leprosos[3] apenas  o samaritano  voltou para agradecer, pois  os samaritanos não frequentavam  o templo em Jerusalém e  damos o  destaque para o  papel da samaritana[4] junto ao poço de Jacó ao encontrar com Jesus.  

 O povo da Samaria não era visto com bons olhos pelos judeus, pois eles não concordavam com o modelo religioso que os judeus adotaram com um culto centrado no templo de Jerusalém( por isso o leproso samaritano não foi ao sacedote  no caso dos dez leprosos), só aceitavam o Pentateuco como inspirado por Deus, resumo além de ser um povo que ocupava  o Reino de Israel , que devido às divisões fora conquistados pelos estrangeiros  e assim se misturou deixando de ser judeus puro,  eram vistos como hereges, infiéis, segundo os padrões judaicos e por isso não eram vistos como povo de Deus.

Diante dos fatos olhemos para a pergunta: Quem é meu próximo?

O doutor da Lei sabia e tinha consciência sobre o próximo, mas queria uma resposta de Jesus para ter algo para acusa-Lo e a resposta do doutor da lei  parte da consciência despertada por Jesus  a parti da parábola contada. Ser próximo é ajudar e aliviar o sofrimento e a dor. No Brasil com 33 milhões de pessoas que passam fome, sendo  o maior país cristão, ainda hoje muitos por preceitos religiosos, medo e por motivo que não vamos  citar.  O próximo  é  aquele que está no poder ou exercem cargo de poder politico ou religioso.

Devido a lei, preceitos religiosos e por motivo de sua fé o sacerdote e o levita não podiam tocar nos sangue, pois ficariam impuros para participar do culto e assim a sua visão de olhar só para o culto no templo faz com que percam  a noção do culto na vida[5]  junto ao povo, mesmo sabendo da lei do amor ao próximo.  O samaritano por não esta preso a essas convenções e normas de uma lei e o  preceito religioso, mas conhecedor da lei do amor ao próximo faz toda a diferença, (não adianta ir na Igreja rezar e fazer tudo errado), ja dizia a canção no fim da decada de 70 do seculo passado.  Aqui vale a pena observar como somos presos ao direito canônico, as normas do catecismos e se esta ou não na bíblia, fazendo de tais instrumentos armas de exclusão, perdendo a noção que todo o projeto de Jesus é acolher e cuidar dos flagelados da caminhada.  A nossa opção religiosa não pode estar acima do projeto de vida plena inaugurado por Jesus e o projeto que é para todos independente da sua vivência religiosa,  se esta vivendo dentro do  nosso ponto de vista,  seja ideológico político ou conforme a norma religiosa que adotamos.

 A diferença entre o sacerdote,  o levita, e o samaritano é que os dois primeiros contentam-se em ver e passaram ao lado, sem dúvida para não se sujarem ao tocar no sangue daquele vitima, enquanto o terceiro aproxima-se, vê e enche-se de compaixão, ter compaixão é gesto que nos falta como cristãos discípulos de Jesus de Nazaré. O sacerdote e o levita conhecem a Lei, conhecem o duplo mandamento do amor: passando ao lado no caminho, respeitam a Lei que proíbe tocar no sangue prestam o culto no templo. Eles sabem orar e o samaritano que talvez não saiba a Lei ou orar,  mas faz a prova de bondade, é ele que põe em prática a Lei de Deus. Então, é o samaritano que terá a vida eterna, como promete Jesus, na medida em que  se faz o que Deus quer, mesmo sem saber as teologias, ele coloca em pratica o projeto de Deus. E Jesus, o Mestre, do mesmo modo que convidou o doutor da Lei nos convida também  a fazer o mesmo, para ter a Vida, observando verdadeiramente a Lei divina, sendo próximo dos violados e excluídos ao logo do nosso caminho.

E quem é o meu próximo? É uma pergunta que já temos a resposta e a pergunta é outra,  que nos pede uma resposta. Como ser próximo daqueles que estão caídos em nosso caminho? 

São eles os desempregados, os que vivem no subemprego, os 33 milhões de famintos, as mulheres vitimam da violência, os jovens captados pelo tráficos e todos os demais que foram e são assaltados, violados em seu direito de ser pessoa. 

O evangelho mostra um homem assaltado, um doutor da lei, Jesus, um samaritano, um sacerdote, um levita, o homem assaltado e o dono da hospedaria. Lógicos que nos colocamos presente como os samaritanos, lógicos que ninguém ver quantas vezes agiu com base no legalismo da lei, ficamos  preocupados com o culto, se aquele canto é litúrgico ou não e achamos que a caridade e atendimento ao próximo é premissa de outro grupo e esquecemos-nos de ser próximo de quem esta a margem do caminho da vida, que foi tombado por ser quem é.   Muitas das vezes os religiosos falam de direito e até criticam o modelo econômico, mas são os  primeiros adotar o modelo famigerado que promove o abismo econômico, por esta cumprindo a lei, esses são os solidários do discurso, mas a pratica é outra.   

Vivemos em tempos que a religião e a fé virou negocio e como toda empresa vai seguir a risca a cartilha que promove a desvalorização da pessoa humana com seu trabalho e dignidade comprometida. O evangelho de hoje fala da palavra compaixão[6] e talvez isso que nos falte como Igreja, compaixão e menos legalismo, menos discursos e mais proximidade e cuidar dos feridos sem interrogar se ele faz parte ou não da nossa panela.  

No final do evangelho Jesus responde ao doutor dentro daquele contexto que podemos ainda entender hoje e somos  chamados a responder com muita sinceridade.


Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.[7]




[1]  Mateus: 16,13-19

[2] João 8,48

[3]  Lucas 17,11-19

[4]  João 4

[5]  Dt 6,5 e Lv 19,18

[6]  Lucas 10,33-34

[7] Lucas 10:36,37