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quarta-feira, 11 de maio de 2016

10 mitos sobre a ditadura militar no BRASIL


1. “A ditadura no Brasil foi branda”
Pois bem, vamos lá. Há quem diga que a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes latino-americanos. Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Mas repare bem: também foi. Afinal, direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados por aqui: torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Esses crimes contra a humanidade, hoje, já são admitidos até mesmo pelos militares (veja aqui e aqui). Para quem, mesmo assim, acha que foi “suave” a repressão, um estudo do governo federal analisou relatórios e propõe triplicar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar. Ou seja: de 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), o número pode saltar para 957 mortos
2. “Tínhamos educação de qualidade”
Naquele época, o “livre-pensar” não era, digamos, uma prioridade para o regime. Havia um intenso controle sobre informações e ideologia – o que engessava o currículo – e as disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas por Educação, Moral e Cívica e por OSPB (Organização Social e Política Brasileira, uma matéria obrigatória em todas as escolas do país, destinada à transmissão da ideologia do regime autoritário). Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) fracassou. O Mobral era uma resposta do regime militar ao método do educador Paulo Freire – considerado subversivo -, empregado, já naquela época, com sucesso no mundo todo. Mas os problemas não paravam por aí: com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades: foram afastadas dos centros urbanos – para evitar “baderna” – e sofreram a imposição do criticado sistema de crédito.
3. “A saúde não era o caos de hoje”
Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Para começar, o acesso à saúde era restrito: o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento público, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. Ou seja, só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. O resultado era esperado: cresceu a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. Essas instituições abrangeram, em 1976, a quase 98% das internações. Planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças. Além disso, o modelo hospitalar adotado relegava a assistência primária a segundo plano, ou seja, para os militares era melhor remediar que prevenir. O tão criticado SUS (Sistema Único de Saúde) – que hoje atende cerca de 80% da população – só foi criado em 1988, três anos após o fim da ditadura
4. “Não havia corrupção no Brasil”
Uma características básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.
5. “Os militares evitaram a ditadura comunista”
É fato: o governo do presidente João Goulart era constitucional. Seguia todo à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice. Em 1955, foi eleito vice-presidente com 500 mil votos a mais que Juscelino Kubitschek. Porém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de reestabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que virou motivo para a intervenção. Goulart não era o que se poderia chamar de marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
6. “O Brasil cresceu economicamente”
Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e opobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.
7. “As igrejas apoiaram”
Sim, as igrejas tiveram um papel destacado no apoio ao golpe. Porém, em todo o Brasil, houve religiosos que criaram grupos de resistência, deixaram de aceitar imposições do governo, denunciaram torturas, foram torturados e mortos e até ajudaram a retirar pessoas perseguidas pela ditadura no país. Inclusive, ainda durante o regime militar, uma das maiores ações em defesa dos direitos humanos – o relatório “Brasil: Nunca Mais” – originou-se de uma ação ecumênica, desenvolvida por dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Realizado clandestinamente entre 1979 e 1985, gerou uma importante documentação sobre nossa história, revelando a extensão da repressão política no Brasil
8. “Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas”
Esse é um argumento bem fácil de encontrar em caixas de comentário da internet. Dizem que quem não pegou em armas nunca foi preso, torturado ou morto pelas mãos de militares. Provavelmente, quem acredita nisso não coloca na conta o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo a estimativa apresentada na Comissão da Verdade, 8 mil índios morreram entre 1971 e 1985. Isso sem contar as outras vítimas da ditadura que não faziam parte da guerrilha. É o caso de Rubens Paiva. O ex-deputado, cassado depois do golpe, em 1964, foi torturado porque os militares suspeitavam que, através dele, conseguiriam chegar a Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição armada. Não deu certo: Rubens Paiva morreu durante a tortura. A verdade sobre a morte do político só veio à tona em 2014. Antes disso, uma outra versão (bem mal contada) dizia que ele tinha “desaparecido”. Para entrar na mira dos militares durante a ditadura, lutar pela democracia – mesmo sem armas na mão – já era motivo o suficiente.
9. “Todos os militares apoiaram o regime”
Ser militar na época não era sinônimo de golpista, claro. Havia uma corrente de militares que apoiava Goulart e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Houve focos de resistência em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, apesar do contragolpe nunca ter acontecido. Durante o regime, muitos militares sofreram e estima-se que cerca 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do comunismo nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.
10. “Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas”
Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Com isso, as representações sindicais foram duramente afetadas e passaram a ser controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho, o que gerou o enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. Afinal, para que as leis trabalhistas vigorem, é necessário que se judicializem e que os patrões as respeitem. Com essa supressão, os sindicatos passaram a ser compostos mais por agentes do governo que trabalhadores. E os direitos dos trabalhadores foram reduzidos à vontade dos patrões. Passeatas eram duramente repreendidas. Quando o estudante Edson Luísa de Lima Souto foi morto em uma ação policial no Rio de Janeiro, multidões foram às ruas no que ficou conhecido com o a Passeata dos Cem Mil. Nos meses seguintes, a repressão ao movimento estudantil só aumentou. As ações militares contra manifestações do tipo culminaram no AI-5. O que aconteceu daí para a frente você já sabe

Fonte: Superinteressante

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A IGREJA DE NOVA IGUAÇU NO REGIME MILITAR: Atentado a Fé. PARTE II

   
(Basta click no titulo  acima  para acessar)


II.           ORIGEM DA DIOCESE DE NOVA IGUAÇU.
Catedral de Sto Antonio de Jacutinga
A 26 de março de 1960 o Papa João XXIII criava a Diocese de Nova Iguaçu com a bula Quandoquidem Verbis[1] sendo uma Diocese com 6 municipio que são os seguintes: Nova Iguaçu,  Itaguaí, Mangaratiba, Paracambi, Nilópolis e São João Meriti.   
Nasce marcada pela graça do Concílio Vaticano II e pela desgraça da revolução de acordo com o bispo Adriano[2]. E sempre foi desafiada a responder a realidade da Baixada Fluminense que sofria violência no seu direito de ser gente e de ser cidadão.
A Diocese na Baixada Fluminense sofreu a pressão moral e física do governo militar que, baseado na ideologia da segurança nacional se fazia incapaz de entender as renovações, ou melhor, a aplicação do Concílio Vaticano II e de distingui, marxismo e doutrina social da igreja. A doutrina social da Igreja[3]nasceu em um tempo de transformações sociais e sua característica de adaptar a igreja ao tempo e a realidade vivida pela cristandade. A doutrina social evoluiu de Leão XIII em 1891 com a sua encíclica Rerum Novarum[4] ou ainda a condição dos operários. Neste período,  de mais de um século vários documentos dão a Diocese de Nova Iguaçu à certeza de construir um plano de pastoral voltado para realidade do povo da Baixada Fluminense, apoiando movimentos populares como AMAB (Associação de Moradores e amigos do Bairro), levando a Diocese que estava nascendo a apoiar os excluídos, marginalizados e os que eram perseguidos pelo regime de medo que figurava no Brasil e em alguns países da América latina.
A Diocese que nascia estava em sintonia com os documentos do Concílio Vaticano como Gaudiun et Spes (a igreja no mundo de hoje) que ressaltava a realidade da nova história da humanidade e logo no seu início destaca:
“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos discípulos de cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco em seu coração”
Abrem-se novos caminhos e novos enfoques para o ensinamento social da Igreja. Esta, por fim, resolve acertar os passos com o mundo e ritmo desenfreado das mudanças e a modernidade deixa de ser um bicho papão.
Após o concilio Vaticano II o papa Paulo VI demonstra a realidade do mundo onde os povos vivem em realidade de desigualdade social a sua carta populorum progressio, o desenvolvimento dos povos ou progresso dos povos em 1967 vem dando um choque na realidade desigual social entre os povos e questiona o preço que se paga pelo progresso da humanidade.
Nestes ares que o Bispo Adriano vai assumir a Diocese de Nova Iguaçu como o seu terceiro bispo, D. Adriano, sergipano aos 48 anos assume a diocese no dia 6 de novembro de 1966. Nomeado pelo Papa Paulo VI ele assumia a Diocese que muito nova (6 anos) já tinha tido dois bispos D. Walmor e D. Honorato , no livro o povo de Deus assume a caminhada o bispo Adriano diz que assumiu a Diocese como se tivesse caído de pára-quedas; ele que fora bispo auxiliar da Diocese de salvador, na Bahia e bispo conciliar chegava a Baixada Fluminense com a missão de colocar em prática as orientações do concilio Vaticano II ele faz uma experiência de conversão na realidade. Que tem uma Igreja alheia a realidade, nas nuvens era uma leva de pessoas vinda do nordeste, do Sul de Minas, do Espírito Santo e do norte do Estado, que sofrem pelo abandono do poder público.
A Baixada Fluminense que já foi a maior produtora de laranja até 1940 no período da II guerra mundial nesta fase estava loteando os seus laranjas e boa parte do centro onde hoje é a estação já estava ocupado.
Essa mesma Baixada que pertencia a Diocese de Barra do Piraí que tinha Pe. João Mush que atendia toda região com missa e desobrigas5 e em 1960 com a criação da Diocese e a sua missão de anuncia o evangelho e coroada de êxito ele ajudou a da forma aquilo que chamamos de Diocese de Nova Iguaçu. Em 66 quando o terceiro bispo assume tem a dura missão de levar esse povo assumir as mudanças proposta pelo Concílio Vaticano II. 
  Na realidade Nova Iguaçu há os famosos coronéis que se impunha através do  poder  financeiro  e  das armas e que neste momento o que a Igreja pregava era  marxismo segundo esses que desejavam se manter no poder. A Diocese ainda tem a sua frente os temíveis esquadrões da morte que se impunha pelo terror o profº José Luiz: destaca ainda que era comum fazer da Baixada Fluminense uma terra de desova, pois, os grupos da capital, que eram ligados ao poder assassinavam seus opositores e qualificava- os  como marginais e jogava seus corpos na Baixada dando uma ideia que a região era violenta. Na década de 60 as tais vitimas não recebiam nenhuma identificação e na década de 70 com o mito do “mão branca”, era comum se identificar os corpos com plaquetas bilhetes, falando de supostos crimes cometidos pelos defuntos.

Os municípios da Diocese de Nova Iguaçu hoje. 
Nem tudo é  era treva a Diocese com a missão de responder, a esse desafio, começa a utilizar o período da quaresma para refletir essa realidade, a CF (Campanha da Fraternidade) eram momento de que o povo precisava para pedir providência do poder público.
 Neste contexto a CF (Campanha da Fraternidade) nasce no ano do golpe e a sua primeira intenção era buscar a renovação interna da Igreja em 1968. Começa a questionar a realidade de uma fé sem ação. Inspirada pelos documentos “Luz do povo” (Lumeun Gentium) e o “desenvolvimento dos povos” (Populorum Progressio) tem o tema a Doação e lema Construir com as mãos e 1969. após nos levar ao encontro da realidade do outro é uma campanha que já vive a proposta do documento de Medellim elaborada pelo CELAM (Comissão Episcopal Latino-Americano) em 1968 em que a Igreja escolhe a sua opção radical pelos pobres e é essa diretriz que vai iluminar o Bispo Adriano.
Desde o primeiro dia de posse, Dom Adriano deu inicio ao seu serviço pastoral nesta grande porção da baixada fluminense. Mais de 25 anos de uma presença viva, atuante, forte e profética, sempre na linha de frente: anunciando, incentivando, denunciando e defendendo, como bom discípulo de São Francisco de Assis e, sobretudo, do próprio mestre Jesus, se solidarizando com os empobrecidos.
Muitas foram às realizações pastorais de Dom Adriano em Nova Iguaçu, convêm destacar algumas:
1968- Diocese introduziu o sistema colegial ou democrático de eleições para preenchimento dos cargos diocesano, naquele mesmo ano, sob sua orientação, era criado o Movimento de Integração Comunitária (MIC) como primeira resposta possível aos problemas da Baixada Fluminense. Realizava-se também o 1º Encontro Diocesano de Planejamento Pastoral.
1973- Foi inaugurado o Centro de Formação de Líderes, no Bairro de Moquetá.

Centro de Formação de Lideres Atual sede da Diocese de Nova Iguaçu 
1974- Foi criado o círculo bíblico como núcleos ou grupos de reflexão sobre a realidade da Baixada à luz da palavra de Deus (método VER, JULGAR e AGIR) da teologia da Libertação. 
1976- Foi seqüestrado por um grupo parapolicial de seis homens armados que o espancaram, pintaram-no de vermelho, o algemaram e encapuzaram. Era um daqueles grupos de extrema direita que atuavam na Baixada.
1977- Um grande debate sobre direitos humanos era impedido e proibido pelas forças de segurança, que cercaram o Centro de Formação de Lideres, ostentando um verdadeiro aparato de guerra.
1978- Foi criada a comissão Diocesana Justiça e Paz, como órgão de assessoria e enfrentamento dos problemas relacionados aos Direitos Humanos; era criada também a Pastoral da Terra da Diocese de Nova Iguaçu e ainda a Pastoral Operária era escolhida como prioridade da Ação Pastoral Diocesana.  
1979 - Catedral Diocesana e outras Igrejas filiadas da Diocese foram pichadas com acusações ao Bispo e à sua linha pastoral. Em 20 de novembro, do mesmo ano, uma bomba explodiu na Catedral, destruindo o Sacrário do Santíssimo, profanando as hóstias consagradas e danificando o altar lateral do templo. O grupo de direita que se autodenominava “Vanguarda de Caça aos Comunistas” (VCC) assumiu a autoria do bárbaro e sacrilégio atentado
1980 -  14 de março deste ano a  criação da Diocese de Itaguaí  com os  municípios de Itaguaí e Mangaratiba  da Diocese de Nova Iguaçu e parte da Diocese de Volta Redonda e  em 11 de outubro  a criação da Diocese de Duque de Caxias com o municípios  de São João de Meriti  e parte da Diocese de Petrópolis   


[1] - Quando a Palavra.
2  - II sínodo Diocesano de Nova Iguaçu
[3] - DSI
[4]  - Das Coisa Novas
5  - Celebração dos Sacramentos da iniciação Cristã (batismo,  Crisma e Eucaristia) 


VII  - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

A Folha. Recordando a Bomba de Dezembro. Rio de Janeiro, março de 1980.

_____________. Lições Sobre o Salário. Rio de Janeiro, maio de 1982.

Caderno Fé e Política. 7ª.ed. Rio de Janeiro: Reproarte, 1992.

Camurça, M. Cristãos e comunistas: uma experiência de martírio. In Bingme, M. C. e Bartholo, R. (org). Exemplanidade ética e Santidade. São Paulo: Loyola, 1994.

Comunidades Eclesiais de Base no Brasil: experiências e perspectivas. São Paulo: Edições Paulinas, 1979.

Com Causa: alternativo 19. A Cultura do Extermínio na Baixada. DIAS, Adriano. Rio de Janeiro, janeiro de 2007.

Dignidade Humana e Paz: Novo milênio sem exclusões. São Paulo: Salesianas Dom Bosco, 2000.

FRISOTTI, Heitor. Passos no Diálogo: igreja católica e religiões afro-brasileiras. São Paulo: Paulus, 1996.

HIPÓLITO, Adriano Dom. O povo de Deus assume a caminhada. Petrópolis: Vozes, 1983.

_____________. Primeiro Sínodo Diocesano de Nova Iguaçu 1987-1992. Nova Iguaçu: Diocese de Nova Iguaçu, 1992.

Jornal Caminhando. Da Comissão Justiça e Paz ao Centro de Direitos Humanos: 25 anos de caminhada. MENESES, Antonio. Rio de Janeiro, março de 2003.

_______________. Quem é Felipe Aquino. ANTONIO, Pe. Carlos. Rio de Janeiro,junho de 2007.

MESTES, C. A missão do povo que sofre. Petrópolis: Vozes, 1981.

Violência e Religião: cristianismo. islamismo e judaísmo: três religiões em confronto e diálogo. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2001.

WILGES, Irineu. Cultura Religiosa: as religiões do mundo. 6ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

Revista de cultura vozes. D. Adriano exclusivo, Petrópolis: janeiro-fevereiro, vozes.1981

Caderno de Nova Iguaçu. Nova Iguaçu. Dez anos de diocese. 1960-1970

Pe. Dinarte Duarte Passos. Edições da diocese de Nova Iguaçu 1970

P, Fernando. Outros (org.). As relações Igreja-Estado no Brasil. Volume 4. Durante o governo do general Geisel. 1974-1976

SOUZA, Marcelo de Barros e outros. Curso de verão. Ano III. 2ª edição. Cesep – ed. Paulinas - 1989

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, temas de doutrina social da Igreja, caderno 1, Projeto Nacional de Evangelização queremos ver Jesus. 2ª edição. Paulinas – SP - 2006

Arns,D Paulo Evaristo prefacio. Brasil nunca mais. 13ª edição. Vozes Petrópolis - 1986

Seminário,UFRJ,UFF,OUTRAS. 1964-2004 40 anos do Golpe. Ditadura Militar e Resistência no Brasil. Niterói/Rio de Janeiro –2004.




terça-feira, 2 de março de 2010

A IGREJA DE NOVA IGUAÇU NO REGIME MILITAR: Atentado a Fé. PARTE I

     
          1APRESENTAÇÃO, DEDICATÓRIA  E AGRADECIMENTO.

    O presente Trabalho acadêmico foi  apresentado no Curso de História da UNISUAM  / Rio de Janeiro , como parte dos requisitos para obtenção do Título de Licenciatura em História,  orientado pelo Prof. Giovanni Condeca no 1° semestre de 2008. No primeiro momento foi publicado em um única pagina neste nosso espaço de construção do saber, atendendo ao pedido de alguns amigos,   resolvemos dividi-lo   em 6 partes conforme  como pode ser observado abaixo.  
·                    Dedicamos: ao Irmão Bispo Adriano,  a todos que viveram esse momento difícil da história da República Brasileira; aos meus pais: Sr. Francisco & Sra. Iracilda , que apesar de pouco conhecimento das letras me educaram  e me ensinam na Escola da Vida.
·                    Agradecemos: ao Deus Uno e trino que nos convoca para a missão de construir o Reino de Amor aqui e agora,  a Diocese de Nova Iguaçu, de um modo especial a D. Luciano (atual Bispo diocesano que durante esse período de nossa caminhada tem partilhado conosco a sua experiência de sacerdote do povo) , Pe. Mário Luiz, Pe Maciel Bezerra, os diáconos permanentes Francisco Sales e João Vieira de Souza, e a toda família da paróquia N. Srª. da Conceição de Japeri, a Comunidade Sant'Ana de Conrado/Miguel Pereira,   aos meus companheiros de viagem “no ônibus da Prefeitura Municipal  de Japeri” que muitas vezes  sofreu com  a falta do transporte para chegar a  UNISUAM e a  você que por algum motivo parou aqui nesta pagina   para refletir um pouquinho da   nossa História.
Boa leitura e agradeço pela sua visita ao nosso blog. 

“Temos que continuar, o céu começa aqui; Jesus Cristo está conosco. Que Deus lhe pague!”
(Dom Adriano *1918-1996)

(Basta click no titulo  abaixo  para acessar)
Ao longo do governo João Goulart, diversos grupos políticos conservadores e de direita mobilizavam no sentido de conspirar contra a democracia e em 31 de março de 1964, para ser mais exato na madrugada de 1º de abril.  Nesta Publicação demonstraremos  como a situação do governo militar e da Diocese de Nova Iguaçu, se cruzou no período  da pré-abertura. Sobretudo no período de1975 a 1980, onde o Bispo Diocesano Dom Adriano e as Igrejas sofreram diversos atentados.  A principio  o golpe teve o apoio da hierarquia da Igreja católica, que temia o comunismo.
Leonel Brizola
Goulart tinha projeto com reformas na área bancária, fiscal administrativa, urbana, agrária e universitária. Além da extensão do voto aos analfabetos e oficiais não graduados das forças armadas e ainda a legalização do PCB. O controle de capital estrangeiro e o monopólio estatal de setores estratégicos da economia também faziam parte do programa reformista. A esquerda era heterogenia e logo no início do governo Goulart forma uma, “estatização radical pró-reforma” de acordo com Argelina Figueiredo. Nesta fase temos o surgimento de lideranças como Leonel Brizola. O mesmo representava o que era de mais à esquerda no trabalhismo.
Brizola chegou a ponto de defender a luta armada e era o líder da Frente de Mobilização Popular (FMP) que congregava as principais organizações dos movimentos populares: a União Nacional do Estudante (UNE); os operários urbanos, com o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT); a confederação nacional dos trabalhadores na indústria (CNTI), pacto de unidade e ação (PUA) e a confederação nacional dos trabalhadores nas empresas de créditos (CONTEC); os subalternos das forças armadas e suas associações; facções das ligas camponesas; grupos de esquerda revolucionária, como ação popular (AP); a organização revolucionária marxista - política operária (ORM – POLOP), o partido operário revolucionário (trotskista)  (POR-T), os nacionais –revolucionários brizolistas e segmentos de extrema - esquerda do PCB; por fim os políticos do grupo compacto do PTB e frente parlamentar nacionalista.  Tais movimentos eram temidos pela hierarquia da Igreja Católica e foi isso que captou o apoio das lideranças de direita. O fim da propriedade privada e o ateísmo presente nas revoluções comunistas.
Contudo,  em 1964 houve um confronto grande entre a proposta de Goulart e a FMP (Frente Mobilização Popular), com panfleto onde declarava que era impossível uma conciliação. Neste contexto, havia um choque de todos os lados sobre o presidente da república. O presidente buscava uma conciliação com a esquerda mesmo sendo uma questão quase impossível. No dia 13 de março, significou a escolha de Goulart pela política de radicalização pregada pela esquerda. À frente de mobilização popular acreditava que agora aconteceria a reforma de base e Brizola afirmava em nome da FMP:

“O congresso não dará mais nada ao povo brasileiro. O congresso não esta identificado com o povo. Se os poderes da república não decidem, por que não transferimos essa decisão para o povo brasileiro que é a fonte do poder”.1

Com esse comício a FMP (Frente de Mobilização Popular) se transformou em uma frente única da esquerda, e exigia um plebiscito para a convocação de uma assembléia constituinte na intenção de realizar a reforma de base. E no dia 23 de março o panfleto publicado pela FMP, dizia que se o povo lutasse pela reforma de base estaria correto e o congresso não deveria se opor.  Para completar a desconfiança se abate a revolta dos marinheiros que provocou a grande crise militar, desestabilizando o governo Goulart. E neste contexto a esquerda não percebeu a gravidade de tal crise, apoiava e incentivava a insurreição. Com isso a maioria de oficiais, das três forças até então contra o golpe, começou a ceder aos argumentos da minoria golpista, pois, para eles o que estava em risco era a própria dignidade das forças.
Com o comício de março de 1964, o governo entra em confronto direto, desde de sua posse em janeiro de 1963 quando assumiu o governo, ele buscava a conciliação. No momento tal decisão de tentar a reforma independente da democracia que de acordo com Argelina Figueiredo não estava na pauta da direita ou da esquerda2 e uma parte da população não estavam nem aí se o poder estava na mão da direita ou da esquerda.
Outro ato foi o seu panfletário discurso numa assembléia de marinheiros, no automóvel clube do Brasil, na noite de 30 de março. Em auditório repleto de cabos e soldados sindicalista e políticos nacionalistas transmitidos pela tv, defendia com veemência, defendeu para a redenção do país, a necessidade de um “golpe de reformas”.  É preciso relatar que as ações pré-64 da direita era de golpear a democracia na tentativa de conter o avanço comunista no Brasil. O golpe foi saudado pela direita como uma revolução que evitava o surgimento de uma nova Cuba abaixo do Equador e eram elogiados.
Pela Igreja pelas autoridades norte-americanas.

“O Brasil foi, há pouco, cenário de graves acontecimentos, que modificaram profundamente os rumos da situação nacional. Atendendo à geral e angustiosa expectativa do povo brasileiro, que via a marcha acelerada do comunismo para a conquista do poder, as Forças Armadas acudiram em tempo, e evitaram se consumasse a implantação do regime bolchevista em nossa terra. (...) Ao rendermos graças a Deus, que atendeu às orações de milhões de brasileiros e nos livrou do perigo comunista, agradecemos aos militares que, com grave risco de suas vidas, se levantaram em nome dos supremos interesses da Nação, e gratos somos a quantos concorreram para libertarem-na do abismo iminente.”3

A esquerda progressista que estava fragmentada e desarmada nada pode fazer e alegando que não desejavam a guerra civil neste momento não se opuseram. Mais tarde, em 68 alguns setores sociais se levantaram contra o regime. Inclusive a Igreja que no começo não se opôs ao golpe.
Nesta fase do golpe a Igreja Católica romana respirava os ares do Concílio Vaticano II. Em 1968; a igreja se distancia do poder e começa a trabalhar as mudanças do Concílio Vaticano II com a formação das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e ainda foi o ano de Medellim onde os bispos do CELAM (Conferencia Episcopal Latino-americano) na resolução finais afirmavam.

“Não basta refletir, obter maior clareza e falar. É preciso agir. Esta não deixou de ser a hora da palavra mas tornou-se, com dramática urgência, a hora da ação”4

Nesta fase a Igreja do Brasil começa a utilizar o período da quaresma para realizar a CF (Campanha da Fraternidade). E neste momento da história brasileira se começa à perseguição aos religiosos que onde padres eram presos por falar, ou melhor, por pregar nas missas ou em palestras acusados pelo regime de incentivar a luta de classes, os padres ou como conhecidos sacerdotes do povo, que quando não eram presos ou  assassinados eram exilados como no caso do Pe. Francisco Jentel. E também os bispos eram ameaçados e processados pelo sistema. E no caso da Diocese de Nova Iguaçu o bispo foi seqüestrado  em 1976 e em 1979 ele ainda teve as igrejas da baixada pinchada, e uma bomba detonada na catedral.




1- Jornal do Brasil: Rio de Janeiro, 14 de março 69 pp 4--5 
2 – 1964-2004, 40 anos do golpe, ditadura militar e resistência no Brasil. Pág. 202.
3  - Trecho oficial da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil em 13 de abril de 1968.
4  - Documento oficial elaborada pelo CELAM (Conferencia Episcopal Latino-Americana)




Anexo: entrevista de Dom Adriano Hipólito em março de 1980


VII  - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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