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domingo, 30 de abril de 2023

Um olhar no texto de João 10,1-10 - Domingo do Bom Pastor.

 


No  domingo do Bom Pastor somos convidados  a pensar sobre a nossa vocação em relação a tudo que vivemos no campo religioso e profissional.  Na sexta-feira  houve o encerramento da 60º Assembleia Geral da CNBB e foi a semana das  eleições para todas as funções  de direção dentro da CNBB  incluindo para o Rio de Janeiro e certamente diante do quadro no campo macro e micro o resultado não devia nos surpreender,   aqui entre nós  acreditamos que a Igreja ainda tem o Espírito Santo e esse mesmo Espírito que conduz nesses tempos de pós-verdade onde as vestes (rendas da vovó)  são mais que a causa do evangelho, sem deixar de citar a Carta aberta de um irmão que se manifestou referente as transferências pastorais diante   da falta de tato e de zelo com o povo e aqui entre nós talvez nos falte a consciência de Moisés (retirar as sandálias) ,  no aspecto geral quando se assume uma missão, sobretudo de Pastorear se faz necessário respeitar  a realidade do povo  as suas lutas, sofrimento e esperanças, sentir o ambiente.  Esse é o contexto que sou tentado a entrar no espaço sagrado sem retirar as sandálias e impor todo nosso carisma.

 Um tempo atrás em um congresso conversando com um Padre  do centro-oeste Brasileiro ele dizia que a disputa entre eles sobre quem tem o carro, a casa e paróquia melhor no aspecto de beleza  é algo que ocorre de forma  direta e indireta  e  isso deve ser combatido, pois ser Pastor envolve viver no meio do povo e ainda ousamos dizer que muitos lideres Religiosos tem mais de mercenários que  do Pastor, pois a preocupação  gerenciar  buscando o lucro  como verdadeiros empresários   e não tem o mínimo vocação de pastor, fazendo do seu ministério uma profissão que deve ter o retorno financeiro que dar o lucro. Mas ainda cremos que essa Igreja tem o Espirito de Deus e isso nos ajuda  a continuar

Que essa temática do  Domingo de Bom Pastor que tem a seguinte liturgia Atos 2,14a.36-41, Salmo 22 (23) O Senhor é meu pastor: nada me faltará; 1 Pedro 2,20b-25, João 10,1-10.

Temos consciência que todos gostam de citar João 10,10 mas não percebem que o texto esta de forma intima ligado aquilo que aconteceu no capitulo 9 de João, a cura do cego e aqui Jesus se coloca como porta e apresenta a proposta que ele conhece cada um pelo nome, que  as ovelhas do Bom Pastor sabem que ele é.  Fazendo criticas a modelo religioso daquele contexto,  onde a preocupação era com  o rito, com a observação da lei.   Ser Pastor é algo que nos faz desenhar na nossa mente  um homem forte,  quando de verdade o Pastor  é uma pessoa simples e devido a vida que levava  era excluídos do convívio social,algumas vezes eram  não, são crianças que são colocadas para cuidar das ovelhas junto com seus pais, pois a ovelha conhece o cheiro do seu Pastor, se chegar um estranho ela não seguirá   e nesse evangelho Jesus se apresenta como Pastor  e a porta e fala dos mercenário que  só visam explorar as ovelhas. 

Seguir o Bom Pastor é ouvi-Lo e seguir e aceitar as devidas correções, seguindo o Senhor mesmo diante das nossas dores. A bíblia apresenta de Abel, Abraão, Isaac, Jaco , Moises, Davi  como pastores e Jesus se  identifica também como Pastor, agora nos resta nos identificarmos como ovelhas e ser Ovelha é esta dentro do redil,  ser Pastor é ter atitude de Davi  que enfrentou leão e urso para proteger o rebanho, talvez nos falte essa disposição, pois basta ouvir um rumor que abandonamos o rebanho a própria sorte e muitos quadros  pintam as ovelhas brancas, limpas e  bonitas, quando na verdade muitas ovelhas tem sua pelagem são amarelada e de verdade o cheiro que exalam não é nenhum perfume, ainda tem o contexto de Jacó que deu golpe no sogro e  ficou com as ovelhas manchadas.

Ser Pastor é ter profundo amor pelas ovelhas e ser Ovelha é se deixar  guiar pelo Pastor e discernir quem de fato é o verdadeiro Pastor. Diante de uma realidade ilusória onde  a religião virou um produto, que usa como embalagem a fé, onde se fala de amor  de respeito e a pratica  é outra, sem deixar de mencionar a realidades daqueles que se promovem e buscam alguma espécie de retorno financeiro pela escolha de vida que fez, que fogem da vocação de pastor sendo verdadeiros mercenários, sagrando e maltratando as ovelhas.  Parando por aqui nesta data do domingo do Pastor que é celebrado não somente pela Igreja Romana, mas também pelos Anglicanos e Luteranos era celebrado  no 2º domingo de Páscoa  até 1970 e  depois foi para o 4º Domingo  dedicando também a oração pelas  vocações, sobretudo neste ano vocacional quando a Igreja toma consciência em relação a vocação do leigo e clero. 

Temos no texto algumas palavras: ovelha, o pastor, porta  e o ladrão, sejamos ovelhas sempre, pastores quando necessários  a porta da inclusão da acolhida e nunca o ladrão. Hoje de fora especial rezemos pelas vocações.

Oração para o Ano vocacional

Senhor Jesus,  enviado do Pai e Ungido do Espírito Santo, que fazeis os corações arderem e os pés se colocarem a caminho, ajudai-nos a discernir a graça do vosso chamado e a urgência da missão. 

 Continuai a encantar famílias, crianças, adolescentes, jovens e adultos, para que sejam capazes de sonhar e se entregar, com generosidade e vigor, a serviço do Reino, em vossa Igreja e no mundo.

 

Despertai as novas gerações para a vocação aos Ministérios Leigos, ao Matrimônio, à Vida Consagrada e aos Ministérios Ordenados.

 

Maria, Mãe, Mestra e Discípula Missionária,

ensinai-nos a ouvir o Evangelho da Vocação

e a responder com alegria.

 

Amém!

 

 




sábado, 29 de outubro de 2022

Um Olhar no texto de Lucas: 19, 1-10; 31º Domingo do Tempo Comum

 

Neste domingo que  o povo Brasileiro tem um  compromisso de construir  um pais melhor,   no meio de um feriadão. Como cristãos temos um compromisso cidadão, embora observando grupos que falam em  agir com violência  se por acaso seu candidato perder, isso  nos causa certa  preocupação, diante da realidade de um ex-deputado que recebe  a policia a tiros,  fazendo o  lançamento de granadas e ver que indignação ficou para poucos. Ainda temos  o uso da mentira e a pregação do ódio, que  fez  até  o Papa Francisco se manifesta na  Catequese de quarta-feira  pedindo para Mãe Aparecida que nos ajude,   falando na Mãe Negra de Aparecida  recordamos que no ultimo domingo estivemos lá no Santuário Nacional em um ato de desagravo,  rezamos pela Pátria  fizemos um manifesto contra o comportamento dos seguidores de um certo candidato,  que estiveram no santuário e entraram em conflito com a imprensa.  Destacamos que  foi um momento de  oração animado e organizado pelo Conferência dos  Religiosos do Brasil e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil   reunindo cristãos do Rio de Janeiro, Minas e São Paulo, sobre o lema: Pela paz, pela vida plena e democracia, destacamos que em nenhum momento foi citado o nome de um candidato seja de um lado ou de outro.   Agora chegou o domingo que o nosso gesto concreto se faz necessário, depositaremos um voto com esperança de uma Mãe Pátria que de fato cumpra seu papel, que aquele que foi eleito tenha compromisso pleno com os mais pobres e que  saiba que ele esta dentro do Pais, nesta realidade,  temos 34 milhões de brasileiros  que passam fome, um numero maior que toda  população da   Venezuela ( 28 milhões).  Por isso nosso voto consciente para que a Pátria cumpra seu papel, sendo mãe, que o patriotismo não seja um modismos para defender nossos egoísmos e interesses de um grupo que tem sua mesa farta.


Então vamos para a nossa reflexão dominical a liturgia desse domingo é a seguinte:  Sabedoria 11,22-12,2; Salmo 144(145) com o refrão: Louvarei para sempre o vosso nome,
Senhor meu Deus e meu Rei; 2 Tessalonicenses  1,11-2,2 e evangelho é Lucas 19,1-10 que iremos  refletir  neste domingo eleitoral.

Recordamos que na semana passada  Jesus nos apresentou dois personagens o publicano e fariseu  no texto de Lucas: 18, 9-14 do 30º Domingo do Tempo Comum.   Jesus esta próximo  de Jericó uma cidade próspera (devido à produção de bálsamo),  com seus belos jardins e palácios (graças a Herodes, o Grande, que fez de Jericó a sua residência de inverno). Era uma importante rota comercial, o lugar das oportunidades, que devia proporcionar bons negócios.  Jesus  já tinha anunciado aos doze que ele iria sofrer  e logo na entrada cura um cego e sua entrada  na cidade que era o ultimo ponto antes de Jerusalém se torna um evento,  contando  com uma grande multidão.  Aqui Ele revela o  universalidade do amor de Deus.

O publicano ou cobrador de  imposto era uma pessoa  proibida de participar do culto, pois estavam a serviço dos dominadores e devido seu contato com o dinheiro e com os pagãos  eram vistos como impuro, por isso que no domingo passado o publicano não ousava entrar  ou se aproximar do altar no templo e hoje temos um publicano que recebe Jesus e sua casa.   No novo testamento temos dois publicano que  conviveram diretamente com Jesus.  Mateus e Zaqueu (o segundo  tem o nome que significa inocente ou puro)  e sabemos que ambos eram excluídos por causa do seu trabalho, mas Jesus fez o primeiro seu discípulo e hoje neste evangelho ele se encontra com Zaqueu  um pecador, marginalizado e desprezado pelos seus patrícios, que se encontra com Jesus e  n'Ele  consegue ver o rosto do Deus que  o ama,  talvez nos falte essa visão que Deus nos ama. Jesus se convida para jantar  na casa de dele.  Zaqueu recebe com alegria e pela sua profissão de fé e compromisso de mudança de atitude,  é chamado  a sentar-se à mesa do "Reino", deixou a pratica do  homem egoísta, abraçou o amor de Deus e se transformou em  um homem generoso, capaz de reconhecer seus erros  e assumindo  que irá  partilhar os seus bens.

Jesus olha para Zaqueu e o  chama pelo nome demonstrando que Deus nos vê , e não considera  os nossos pecados como muitos assim o fazem, ele não aponta para nossas mazelas e falhas, o seu amor é incondicional.  Ele esta além da lei, Lucas traz sempre essa vertente, do pecador que retorna para  comunhão com Deus.  No momento que pregamos que Deus é amor, mas ousamos ter o comportamento de exclusão, não demonstramos um empatia ou um mínimo de acolhida com aqueles que estão ao longo do nosso caminho estamos sendo apenas fariseus dos tempos modernos. Infelizmente muitas vezes agimos contra o evangelho, ate dentro das  nossas Igrejas como  o fariseu  da semana passada.  Sempre  estamos  fiscalizando a moral alheia e a acolhida de Zaqueu que  acolhe Jesus em sua casa e ali faz um voto de mudança de atitude, voto que devemos fazer todos os dias, de sermos melhores uns para com os outros. Neste tempo eleitoral tivemos candidatos se declarando pardo para obter vantagens para obter vantagens da lei, como também  alguns políticos que fazem do altar um palanque eleitoral com a benção dos pastores, padres e bispos que querem o povo silenciado  e vice e versa.

Somos todos chamados a combater nossas inclinações para o egoísmo, a exclusão e tudo aquilo que reflete o homem velho, não podemos ser  os mesmos depois de nos encontrados com Jesus, não podemos a exemplo dos fariseus,  nos escondermos no véu da religião.  Nos últimos tempos temos muitos  cristãos tem  feito de tudo para defender as suas ideologia  políticas, o seu candidato  se esquecendo de testemunhar o projeto do Reino dos céus.  Deus nos convida a sermos um outro Cristo que acolhe a todos, sem preconceitos  e essa é mensagem desse evangelho. Jesus podia entrar na casa dos religiosos,  dos oficiais ou dos comerciantes com prestigio,  mas Ele escolhe ir ate  a casa de Zaqueu, um pecador público.

O autor fala que Zaqueu subiu em uma figueira  para ver Jesus e  ainda fala que ele era um homem rico e na naquela multidão ele era mais um, talvez nos falte essa  humildade de saber que na comunidade somos apenas mais um. Que para ver Jesus precisamos subir na figueira da oração, da penitência, do silencio e da leitura diária da palavra de Deus. Não somos melhores por ainda podermos entrar na fila da comunhão em nossas Igrejas ou tão pouco por ocupar um cargo de direção na comunidade, somos apenas parte de um todo,  que forma o Povo de Deus. Precisamos  nos esvaziar dos nossos acúmulos para permitir que Jesus entre e sente a mesa conosco como diz o Apocalipse de São João  3,20.

·        Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo.

Jesus ao sentar-se a mesa como Zaqueu se torna impuro pela lógica da religião,   mas lógica de Deus é bem maior e com isso ele resgata e converte aquele que outrora era um pecador publico, que o evangelho de hoje nos inspire ser um novo Zaqueu acolhendo Jesus e revelando o Cristo ao mundo acolhendo todos os Zaqueu que estão  no nosso caminho para Jerusalém celeste